{"id":25983,"date":"2025-06-20T01:00:15","date_gmt":"2025-06-20T04:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25983"},"modified":"2025-06-19T16:00:15","modified_gmt":"2025-06-19T19:00:15","slug":"leoes-e-cordeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/leoes-e-cordeiros\/","title":{"rendered":"Le\u00f5es e cordeiros"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25985\" aria-describedby=\"caption-attachment-25985\" style=\"width: 507px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25985\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula.jpg\" alt=\"\" width=\"507\" height=\"505\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula.jpg 614w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula-550x548.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/lula-230x229.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 507px) 100vw, 507px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25985\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Baggi<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 pa\u00edses onde a pol\u00edtica se parece menos com um pacto social e mais com um teatro repetido: os atores n\u00e3o mudam, os cen\u00e1rios se deterioram e a plateia j\u00e1 nem aplaude. Em uma dessas na\u00e7\u00f5es vizinhas, marcada por d\u00e9cadas de improviso institucional, surgiu, recentemente, uma voz dissonante. Um personagem que n\u00e3o saiu do camarim habitual da pol\u00edtica, mas dos bastidores da cr\u00edtica radical. Sua ret\u00f3rica era direta, sua proposta, disruptiva: o palco precisava ruir para que se pudesse construir um novo espa\u00e7o de representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele come\u00e7ou sua reforma por onde poucos ousam: pela simbologia do poder. Disse, com franqueza desconcertante, que ningu\u00e9m representa mais do que aquele a quem representa. Como num mercado, o derivativo n\u00e3o pode valer mais do que o ativo. Ou seja, o pol\u00edtico n\u00e3o pode custar mais caro do que o povo que o sustenta. Essa m\u00e1xima \u2014 simples, por\u00e9m subversiva para certos c\u00edrculos \u2014 tornou-se eixo de sua proposta. Redefiniu a l\u00f3gica do servi\u00e7o p\u00fablico como um espa\u00e7o de responsabilidade, e n\u00e3o como um pedestal.<\/p>\n<p>Ao observarmos o que se passa por l\u00e1, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o notar o abismo entre aquele movimento de enxugamento institucional e outras realidades onde o Estado se agiganta n\u00e3o para amparar, mas para dominar. O novo dirigente iniciou cortes dr\u00e1sticos: minist\u00e9rios fundidos ou extintos, contratos revistos, subs\u00eddios revogados. A m\u00e1quina p\u00fablica deixou de ser monumento de privil\u00e9gios para ser submetida \u00e0 regra do equil\u00edbrio. Um ajuste fiscal profundo foi aplicado, com cortes em obras, cargos e repasses que, por anos, serviram a interesses cruzados.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um simples programa de conten\u00e7\u00e3o de gastos, mas de uma tentativa de refundar o edif\u00edcio institucional sobre bases menos clientelistas. E, curiosamente, \u00e9 justamente isso que tem causado esc\u00e2ndalo. Porque, onde se havia normalizado o excesso, a austeridade soa quase como heresia. O desconforto que essas mudan\u00e7as t\u00eam provocado \u00e9, em si, revelador: exp\u00f5e a depend\u00eancia de muitos grupos \u00e0 gordura do Estado.<\/p>\n<p>Entre os alvos, est\u00e3o estruturas sindicais que, por muito tempo, funcionaram como sat\u00e9lites de poder, mais interessados na perpetua\u00e7\u00e3o de sua influ\u00eancia do que na defesa do trabalho real. H\u00e1 quem veja, nesse embate, ecos de outras geografias: sistemas onde o sindicalismo se tornou bra\u00e7o de partidos, e os partidos, extens\u00f5es de projetos pessoais. O paralelo n\u00e3o \u00e9 for\u00e7ado. O l\u00edder vizinho reconheceu essas estruturas como parte da engrenagem que emperrou seu pa\u00eds e prop\u00f4s reformas para flexibilizar, modernizar e desburocratizar rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>No plano simb\u00f3lico, cortou tamb\u00e9m regalias hist\u00f3ricas: pens\u00f5es especiais, carros oficiais, gabinetes inchados. Prop\u00f4s que o erro pol\u00edtico deixasse de ser custo social e passasse a ser \u00f4nus individual. Ou seja: quem erra, paga. Como em qualquer outra profiss\u00e3o. Isso, claro, desafia o pacto informal da impunidade, que vigora em muitas democracias capturadas por seus representantes. Afinal, exigir do pol\u00edtico o mesmo sacrif\u00edcio que se exige do cidad\u00e3o comum \u00e9, para muitos, uma afronta.<\/p>\n<p>O mais curioso, por\u00e9m, \u00e9 que essa nova lideran\u00e7a n\u00e3o se vende como her\u00f3i. Seu discurso \u00e9 o do sacrif\u00edcio, n\u00e3o da reden\u00e7\u00e3o. Seu projeto n\u00e3o \u00e9 a concilia\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, mas o enfrentamento direto das distor\u00e7\u00f5es. Isso lhe rendeu inimigos poderosos, resist\u00eancia parlamentar e uma tempestade midi\u00e1tica. Mas tamb\u00e9m lhe garantiu apoio popular entre aqueles que, cansados da linguagem pasteurizada da pol\u00edtica tradicional, encontraram nele um eco de suas pr\u00f3prias frustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito a ser provado, e o caminho est\u00e1 longe de ser pac\u00edfico. As medidas s\u00e3o duras, e os efeitos sociais podem ser profundos. Mas ignorar o diagn\u00f3stico seria perpetuar o colapso. A crise daquele pa\u00eds n\u00e3o come\u00e7ou com esse governo; ela foi gestada por d\u00e9cadas de populismo fiscal, aparelhamento institucional e desprezo pela responsabilidade. O novo dirigente apenas decidiu n\u00e3o fingir mais que n\u00e3o v\u00ea.<\/p>\n<p>Enquanto isso, em outros cantos, a l\u00f3gica se mant\u00e9m invertida. O Estado continua a crescer enquanto os servi\u00e7os p\u00fablicos encolhem. Os representantes se isolam em suas fortalezas burocr\u00e1ticas, enquanto a popula\u00e7\u00e3o se debate com a inefici\u00eancia. E as reformas estruturais continuam sempre &#8220;para depois&#8221;, como se houvesse tempo eterno para resolver o insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O que acontece ali \u2014 nesse vizinho barulhento e em convuls\u00e3o \u2014 \u00e9, talvez, o pren\u00fancio do que outros tamb\u00e9m ter\u00e3o de enfrentar. Porque o modelo da abund\u00e2ncia pol\u00edtica em tempos de escassez social chegou ao seu limite hist\u00f3rico. E quando o le\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o defende o rebanho, mas o devora, os cordeiros \u2014 mais cedo ou mais tarde \u2014 deixam de confiar no cercado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cTr\u00eas coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente.\u201d<\/em><\/p>\n<p>S\u00f3crates<\/p>\n<figure id=\"attachment_18177\" aria-describedby=\"caption-attachment-18177\" style=\"width: 412px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18177\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/s\u00d3CRATES.jpg\" alt=\"\" width=\"412\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/s\u00d3CRATES.jpg 412w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/s\u00d3CRATES-232x300.jpg 232w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/12\/s\u00d3CRATES-230x298.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18177\" class=\"wp-caption-text\">S\u00f3crates &#8211; A est\u00e1tua de S\u00f3crates na Academia de Atenas. Obra de Leonidas Drosis (d. 1880). Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>A Universidade de Bras\u00edlia solicitou ao IAPI e \u00easte \u00e0 Novacap para que sejam abertas fossas \u201cprovis\u00f3rias\u201d para os blocos 4 e 7 da superquadra 305. Nada mais absurdo. Ou muda tudo ou n\u00e3o deve haver privil\u00e9gio em detrimento de outros. <strong>(Publicada em 05.05.2025)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; H\u00e1 pa\u00edses onde a pol\u00edtica se parece menos com um pacto social e mais com um teatro repetido: os atores n\u00e3o mudam, os cen\u00e1rios se deterioram e a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25985,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,287,2153,1490,114,2340,261,119],"class_list":["post-25983","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-corrupcao","tag-estado","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-politicanobrasil","tag-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25983"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25983\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25986,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25983\/revisions\/25986"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}