{"id":25987,"date":"2025-06-21T01:00:44","date_gmt":"2025-06-21T04:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=25987"},"modified":"2025-06-21T01:39:17","modified_gmt":"2025-06-21T04:39:17","slug":"o-oraculo-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-oraculo-moderno\/","title":{"rendered":"O or\u00e1culo moderno"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25991\" aria-describedby=\"caption-attachment-25991\" style=\"width: 579px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25991\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/orac.png\" alt=\"\" width=\"579\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/orac.png 692w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/orac-300x172.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/orac-550x316.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/orac-230x132.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 579px) 100vw, 579px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25991\" class=\"wp-caption-text\">Quadro: John William Waterhouse<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia antiga, por volta dos s\u00e9culos 8 a.C a 2 a.C, um importante centro religioso, situado no sop\u00e9 do Monte Parnaso, atraia milhares de pessoas, entre reis e cidad\u00e3os comuns em busca de orienta\u00e7\u00f5es e previs\u00f5es sobre o futuro feitas por or\u00e1culos e interpretados por uma sacerdotisa chamada P\u00edtia. Por sua fama e independ\u00eancia pol\u00edtica, os Or\u00e1culos de Delfos eram respeitados e at\u00e9 temidos por sua capacidade de influenciar as pessoas em suas decis\u00f5es. N\u00e3o por outra raz\u00e3o, durante seis s\u00e9culos, esse centro religioso permaneceu como um centro de grande prest\u00edgio e fama no mundo antigo. Era imposs\u00edvel para os cidad\u00e3os gregos tomarem decis\u00f5es futuras sem antes consultar esses videntes. Os reis e mandat\u00e1rios daquele tempo n\u00e3o davam um passo sequer sem antes ouvirem o que profetizavam as pitonisas.<\/p>\n<p>Qualquer indiv\u00edduo que se interesse por assuntos dessa natureza, ver\u00e1 que, ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, a preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro e o que est\u00e1 por vir sempre ocupou papel importante na vida das pessoas. Essa aten\u00e7\u00e3o especial dada ao futuro vem de longe, mas ainda hoje ocupa grande espa\u00e7o na vida das pessoas. Certo ou errado, o fato \u00e9 que hoje, em pleno s\u00e9culo XXI, a busca por conhecer antecipadamente o dia de amanh\u00e3 ainda \u00e9 uma pr\u00e1tica corriqueira. Muitos pol\u00edticos hoje n\u00e3o d\u00e3o um passo sem antes consultar seus or\u00e1culos e guias, uma mania que at\u00e9 mesmo a era tecnol\u00f3gica n\u00e3o foi capaz de p\u00f4r de lado. Pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Hoje em dia, vai se tornando cada vez mais corriqueiro encontrar pessoas que se utilizam de tecnologias como a fornecida pela Intelig\u00eancia Artificial (IA) para fazer consultas, visando antecipar as consequ\u00eancias que o futuro reserva para cada ato no presente. Pol\u00edticos, estrategistas de guerra, economistas e pessoas comuns t\u00eam utilizado, com cada vez mais frequ\u00eancia, os recursos ilimitados disponibilizados pela IA. Dizem os mais c\u00e9ticos que o futuro n\u00e3o \u00e9 um lugar ou uma situa\u00e7\u00e3o para onde vamos, mais um lugar ou uma situa\u00e7\u00e3o que estamos criando no presente. O plantio \u00e9 facultativo, mas a colheita \u00e9 sempre obrigat\u00f3ria. Volta e meia estamos assistindo pessoas levando, diretamente, \u00e0 IA quest\u00f5es das mais diversas, que v\u00e3o desde perguntas como o dia em que Jesus retornar\u00e1, at\u00e9 perguntas de ordem filos\u00f3ficas que expliquem o que \u00e9 o livre arb\u00edtrio ou se estamos ou n\u00e3o vivendo dentro de uma matrix, onde tudo \u00e9 uma ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mais incr\u00edvel que possa parecer h\u00e1 aqueles que utilizam a IA para apresentar quest\u00f5es de cunho rom\u00e2ntico, em que busca descobrir, por exemplo, quando chegar\u00e1 um novo amor. Existe um paralelo instigante e duradouro entre o passado e o presente, mostrando como a inquieta\u00e7\u00e3o humana diante do futuro permanece uma constante ao longo dos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia Antiga, o prest\u00edgio dos Or\u00e1culos de Delfos simbolizava a necessidade ancestral de orienta\u00e7\u00e3o diante do desconhecido. Reis, generais e cidad\u00e3os comuns viam na voz da P\u00edtia, supostamente inspirada por Apolo, uma \u00e2ncora de seguran\u00e7a em um mundo incerto. Essa busca por previsibilidade \u2014 ou ao menos por conselhos diante das incertezas \u2014 \u00e9, na verdade, uma express\u00e3o do medo que sempre acompanhou o ser humano: o medo do imprevis\u00edvel, da instabilidade e, principalmente, da perda de controle. No s\u00e9culo XXI, mesmo com o avan\u00e7o exponencial da ci\u00eancia e da tecnologia, essa inquieta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o desapareceu, como parece ter se intensificado. Vivemos um tempo de paradoxos: nunca tivemos tanto conhecimento acumulado, e ao mesmo tempo, nunca estivemos t\u00e3o vulner\u00e1veis a crises imprevis\u00edveis \u2014 ambientais, sanit\u00e1rias, pol\u00edticas, b\u00e9licas.<\/p>\n<p>A tecnologia e, especialmente, a Intelig\u00eancia Artificial tornou-se o novo or\u00e1culo moderno. A diferen\u00e7a \u00e9 que, enquanto os antigos acreditavam na inspira\u00e7\u00e3o divina dos or\u00e1culos, os modernos confiam na capacidade dos dados e modelos preditivos. No entanto, por tr\u00e1s da mudan\u00e7a de roupagem, a motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma: o temor diante de um mundo ca\u00f3tico e imprevis\u00edvel. Essa ang\u00fastia cresce especialmente em tempos como o atual, marcados por incertezas globais e amea\u00e7as existenciais. O espectro de uma Terceira Guerra Mundial, impulsionado por tens\u00f5es geopol\u00edticas, armamentos nucleares e a prolifera\u00e7\u00e3o de regimes autorit\u00e1rios, ronda o imagin\u00e1rio coletivo.<\/p>\n<p>As imagens de guerras na Ucr\u00e2nia, no Oriente M\u00e9dio e a escalada militar em torno da \u00c1sia evidenciam que o planeta vive sob uma tens\u00e3o constante, na qual a paz parece cada vez mais fr\u00e1gil. Diante disso, a Intelig\u00eancia Artificial passa a cumprir um papel duplo. Por um lado, oferece ferramentas poderosas para antecipar riscos, prever cen\u00e1rios e buscar solu\u00e7\u00f5es racionais. Por outro, ela tamb\u00e9m \u00e9 usada como ref\u00fagio emocional, como forma de transferir a responsabilidade por decis\u00f5es dif\u00edceis para uma \u201cintelig\u00eancia superior\u201d. Nesse sentido, a IA se transforma numa esp\u00e9cie de espelho moderno do or\u00e1culo antigo \u2014 n\u00e3o apenas como preditora, mas como conselheira, confidente e, muitas vezes, como \u00faltimo recurso. O fato \u00e9 que, independentemente da \u00e9poca, o ser humano permanece o mesmo em sua ess\u00eancia: inseguro diante do desconhecido e \u00e1vido por respostas que lhe deem algum senso de dire\u00e7\u00e3o. A pergunta que ecoa desde Delfos at\u00e9 os servidores da IA continua a mesma: para onde estamos indo? Nesse cen\u00e1rio, talvez o verdadeiro or\u00e1culo contempor\u00e2neo n\u00e3o seja a IA em si, mas a consci\u00eancia humana \u2014 despertada, cr\u00edtica e respons\u00e1vel \u2014 que precisa assumir que o futuro, em grande parte, \u00e9 constru\u00eddo a partir das escolhas feitas hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 da eletricidade que vamos depender cada vez mais. Ou do que vier a substitui-la.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Dona Dita<\/p>\n<figure id=\"attachment_25989\" aria-describedby=\"caption-attachment-25989\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25989\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/eletr.png\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"289\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/eletr.png 914w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/eletr-300x193.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/eletr-768x493.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/eletr-800x514.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/eletr-550x353.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/06\/eletr-230x148.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25989\" class=\"wp-caption-text\">Foto: repprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Ademais, o custo de uma fossa e o tempo de execu\u00e7\u00e3o, seria superior \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de esgotos, e traria a desvantagem de, cheia esta fossa, os moradores passarem a viver dissabores. <strong>(Publicada em 05.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; &nbsp; Na Gr\u00e9cia antiga, por volta dos s\u00e9culos 8 a.C a 2 a.C, um importante centro religioso, situado no sop\u00e9 do Monte Parnaso, atraia milhares de pessoas, entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25991,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,114,3405,2340,3972],"class_list":["post-25987","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-historiadebrasilia","tag-inteligenciaartificial","tag-mamfil-2","tag-oraculo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25987"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25993,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25987\/revisions\/25993"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25991"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}