{"id":26040,"date":"2025-07-03T01:00:17","date_gmt":"2025-07-03T04:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26040"},"modified":"2025-07-03T10:37:56","modified_gmt":"2025-07-03T13:37:56","slug":"cronica-de-um-espantalho-bem-alimentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/cronica-de-um-espantalho-bem-alimentado\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica de um espantalho bem alimentado"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26045\" aria-describedby=\"caption-attachment-26045\" style=\"width: 590px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26045\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/espantalho.jpg\" alt=\"\" width=\"590\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/espantalho.jpg 762w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/espantalho-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/espantalho-550x310.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/espantalho-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26045\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Blog do Ari Cunha (criada com IA)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Diz-se que certas planta\u00e7\u00f5es prosperam mesmo em solos \u00e1ridos, desde que bem irrigadas \u2014 mas h\u00e1 de se observar quem recebe a \u00e1gua. Em tempos de escassez, enquanto lavouras inteiras secam sob o sol impiedoso, h\u00e1 sempre um espantalho no meio do campo, robusto e muito bem alimentado. Dizem que ele serve para proteger, mas h\u00e1 quem suspeite que sua fome \u00e9 insaci\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Setembro passou e, com ele, veio a not\u00edcia de mais um recorde de \u201ccolheita\u201d. Os celeiros estatais encheram como nunca, e houve quem comemorasse o feito como uma epopeia fiscal. Foi dito que jamais se viu tanto gr\u00e3o arrecadado em t\u00e3o curto tempo. Mas o agricultor comum, aquele que planta no bra\u00e7o e colhe no suor, n\u00e3o parece ter participado da festa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Num campo onde a responsabilidade pela terra foi trocada por planos mirabolantes de fertiliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, o que se planta hoje s\u00e3o ilus\u00f5es e o que se colhe amanh\u00e3 s\u00e3o d\u00e9ficits. A abund\u00e2ncia nas m\u00e3os do espantalho n\u00e3o reflete, infelizmente, a fartura no prato do povo. E quando a balan\u00e7a pesa para um lado s\u00f3, a pr\u00f3pria terra geme.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O curioso \u00e9 que, mesmo com as cestas cheias de tributos, os armaz\u00e9ns nacionais continuam no vermelho. A explica\u00e7\u00e3o, segundo os que tudo sabem e nada explicam, seria o custo inevit\u00e1vel de manter o campo em &#8220;progresso&#8221;. O detalhe inc\u00f4modo \u00e9 que o progresso insiste em n\u00e3o chegar. Pelo contr\u00e1rio: o vento sopra mais frio, os insumos encarecem, e o povo recorre a velhas t\u00e9cnicas de sobreviv\u00eancia \u2014 como plantar em sil\u00eancio, negociar sem recibo, e manter dist\u00e2ncia dos fiscais do espantalho. N\u00fameros bem projetados nunca mentem. Mas podem ser ignorados, distorcidos, ou simplesmente ridicularizados. Afinal, j\u00e1 se tornou moda ajustar a l\u00f3gica \u00e0s cren\u00e7as, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Por isso, quando o rel\u00f3gio econ\u00f4mico atrasa, dizem que \u00e9 o tempo que est\u00e1 errado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Enquanto isso, milh\u00f5es de pequenos lavradores est\u00e3o em d\u00edvida com o mercado, com o banco, com o vizinho \u2014 e at\u00e9 com o pr\u00f3prio guarda-roupa. A inadimpl\u00eancia atinge patamares t\u00e3o vastos que, se fosse terra, seria um pa\u00eds. Sem cr\u00e9dito e sem ch\u00e3o firme, o consumo mingua, a produ\u00e7\u00e3o trava, e o pa\u00eds parece girar num moinho vazio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 rumores de que o pr\u00f3ximo ciclo ser\u00e1 ainda mais severo. Mas os homens da enxada, que h\u00e1 muito deixaram de acreditar em promessas de safra farta, j\u00e1 tratam de construir abrigo com o que t\u00eam. E cada vez mais gente prefere plantar fora do campo oficial, longe dos olhos sempre atentos e da m\u00e3o sempre estendida do espantalho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00c9 verdade que todo sistema de cultivo precisa de regras. Mas quando o imposto sobre a semente \u00e9 maior do que o valor da colheita, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender por que tanta gente larga a terra. A competitividade evapora como orvalho ao meio-dia, e os frutos que sobram n\u00e3o encontram mercado que os valorize. O Brasil, um pomar de riquezas naturais, torna-se p\u00e1lido diante da concorr\u00eancia estrangeira \u2014 sufocado, n\u00e3o por pragas, mas por sua pr\u00f3pria condu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No fim dessa estrada poeirenta, a desigualdade brota como erva daninha. E onde h\u00e1 fome e desesperan\u00e7a, a viol\u00eancia cresce como mato entre os paralelep\u00edpedos. N\u00e3o \u00e9 magia, nem surpresa: \u00e9 s\u00f3 a velha e previs\u00edvel consequ\u00eancia do descuido com a terra, da gan\u00e2ncia do espantalho e da cren\u00e7a cega de que n\u00fameros s\u00e3o ideol\u00f3gicos. A colheita foi farta \u2014 para alguns. Para os demais, restam as migalhas e o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>&#8220;A pol\u00edtica \u00e9 a arte de procurar problemas, encontr\u00e1-los em todo lugar, diagnostic\u00e1-los incorretamente e aplicar os rem\u00e9dios errados.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Groucho Marx<\/p>\n<figure id=\"attachment_26046\" aria-describedby=\"caption-attachment-26046\" style=\"width: 437px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26046\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/groucho.jpg\" alt=\"\" width=\"437\" height=\"430\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/groucho.jpg 724w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/groucho-300x295.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/groucho-550x542.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/groucho-230x227.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26046\" class=\"wp-caption-text\">Groucho Marx. Foto: GettyImages (Gene Lester)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>ID<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Dessa vez, os parlamentares estavam discutindo a lei que estende, para todas as pessoas com defici\u00eancia, a isen\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente sobre a aquisi\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis. Autoria do senador Rom\u00e1rio e relatoria do senador Esperidi\u00e3o Amin. Enquanto isso, o senador Marcos Rog\u00e9rio indagou a raz\u00e3o de seu voto n\u00e3o ter sido contabilizado. O senador Omar Aziz apontou que era a digital, o problema. Deve ter desgastado um pouco, disse o senador Marcos Rog\u00e9rio olhando para o dedo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_26047\" aria-describedby=\"caption-attachment-26047\" style=\"width: 520px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26047\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/imposto.jpg\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/imposto.jpg 630w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/imposto-300x160.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/imposto-550x292.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/imposto-230x122.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26047\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: icarros.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Delegados<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Antes da leitura de uma PEC, a ent\u00e3o senadora Simone Tebet prometeu n\u00e3o tocar mais a campainha que interrompia os oradores. Havia muita gente desrespeitosa na sess\u00e3o. Prontamente, o senador Esperidi\u00e3o Amin apontou para o Major Olimpio e o Senador Alessandro. \u201cEles s\u00e3o delegados! Podem resolver!\u201d O senador Alessandro buscou mais um. \u201cContarato tamb\u00e9m.\u201d Delegado \u00e9 o que n\u00e3o falta por aqui. Arrancaram risadas de um ambiente pesado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-20977 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/04\/simone.jpg\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/04\/simone.jpg 931w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/04\/simone-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/04\/simone-768x509.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/04\/simone-800x530.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/04\/simone-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/04\/simone-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O DAC cortou uma frequ\u00eancia da sa\u00edda para S\u00e3o Paulo. \u00c9 a linha mais barata (45% de desconto), que passar\u00e1 a ter somente tr\u00eas voos por semana. A Real, entretanto, com o mesmo equipamento, tem sete voos semanais. <strong>(Publicada em 05.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Diz-se que certas planta\u00e7\u00f5es prosperam mesmo em solos \u00e1ridos, desde que bem irrigadas \u2014 mas h\u00e1 de se observar quem recebe a \u00e1gua. 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