{"id":26092,"date":"2025-07-17T01:00:44","date_gmt":"2025-07-17T04:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26092"},"modified":"2025-07-17T12:07:46","modified_gmt":"2025-07-17T15:07:46","slug":"muros-e-pontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/muros-e-pontes\/","title":{"rendered":"Muros e pontes"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_20564\" aria-describedby=\"caption-attachment-20564\" style=\"width: 624px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-20564\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/02\/cong.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/02\/cong.jpg 964w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/02\/cong-300x191.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/02\/cong-768x488.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/02\/cong-800x509.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/02\/cong-550x350.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/02\/cong-230x146.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-20564\" class=\"wp-caption-text\">Congresso Nacional. Foto: EBC<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Fazer pol\u00edtica \u00e9 construir pontes e n\u00e3o dinamitar. Com base nessa ideia simples, entende-se que quem n\u00e3o faz acordo pol\u00edtico acaba por implodir as pontes. Mesmo que n\u00e3o queira. E \u00e9 a\u00ed que entra o elemento para salvar a pr\u00f3pria contradi\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica, que \u00e9 a \u00e9tica p\u00fablica na pol\u00edtica. Fazer pol\u00edtica, em sua ess\u00eancia mais nobre, \u00e9 a arte de construir pontes entre ideias, entre setores da sociedade, entre gera\u00e7\u00f5es e entre realidades distintas. Infelizmente, no Brasil contempor\u00e2neo, essa miss\u00e3o tem sido sistematicamente abandonada em nome de uma l\u00f3gica de confronto cont\u00ednuo, que n\u00e3o apenas paralisa a a\u00e7\u00e3o p\u00fablica como dissolve a pr\u00f3pria ideia de na\u00e7\u00e3o em uma espessa e est\u00e9ril gosma ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No lugar do di\u00e1logo, tem-se privilegiado o embate. Em vez da negocia\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, a ret\u00f3rica inflamada. Em vez da busca por solu\u00e7\u00f5es reais, o c\u00e1lculo eleitoral imediato. O resultado \u00e9 vis\u00edvel em todas as esferas da vida p\u00fablica: pol\u00edticas travadas, reformas inacabadas, projetos abandonados e uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais c\u00e9tica e desamparada. N\u00e3o faltam exemplos. A condu\u00e7\u00e3o da pandemia da Covid-19 revelou o qu\u00e3o letal pode ser o colapso das pontes institucionais entre ci\u00eancia, governo e sociedade. O caso da vacina Covaxin, envolvendo suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o na negocia\u00e7\u00e3o de imunizantes, exp\u00f4s um Estado mais preocupado com interesses obscuros do que com a sa\u00fade p\u00fablica. Enquanto o pa\u00eds registrava recordes de mortes, a pol\u00edtica seguia em guerra consigo mesma \u2014 e com os fatos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Da mesma forma, a reforma tribut\u00e1ria, debatida h\u00e1 d\u00e9cadas, \u00e9 constantemente bloqueada por disputas federativas e jogos de poder que colocam o c\u00e1lculo eleitoral acima da racionalidade econ\u00f4mica. Cada grupo protege seu feudo, cada bancada defende seu privil\u00e9gio. Na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, assistimos a um processo ainda mais degradante: escolas e universidades sendo transformadas em arenas de uma ideia s\u00f3. Sem investir na forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e cient\u00edfica, o pa\u00eds mergulha em debates moralistas, muitas vezes irrelevantes, que apenas servem para perpetuar a polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Enquanto o mundo se prepara para a era da intelig\u00eancia artificial e da economia verde, o Brasil insiste em discutir se o professor \u00e9 inimigo da p\u00e1tria. A pol\u00edtica nacional parece aprisionada num eterno &#8220;n\u00f3s contra eles&#8221;, que sufoca o bom senso e criminaliza o dissenso. \u00c9 um ambiente t\u00f3xico, onde advers\u00e1rios s\u00e3o tratados como inimigos e qualquer tentativa de media\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como trai\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O fen\u00f4meno das emendas do or\u00e7amento secreto, revelado em 2021, ilustra bem esse ambiente: bilh\u00f5es de reais distribu\u00eddos em troca de apoio pol\u00edtico, fora dos crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e \u00e9ticos m\u00ednimos que se exigem numa democracia funcional. Compromisso concreto com a transpar\u00eancia, a responsabilidade e o interesse coletivo \u00e9 o que se espera nos nossos representantes. Pois a \u00e9tica p\u00fablica \u00e9 o que impede que o poder se transforme em instrumento de abuso e a pol\u00edtica em mero teatro de manipula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Passa da hora de o Brasil reencontrar o caminho do equil\u00edbrio. Uma esp\u00e9cie de <em>aggiornamento<\/em>. Isso exige coragem para o di\u00e1logo, disposi\u00e7\u00e3o para o acordo e maturidade para entender que a pol\u00edtica vai al\u00e9m da guerra, na busca pela conviv\u00eancia. Os pa\u00edses que prosperaram nas \u00faltimas d\u00e9cadas em desenvolvimento humano, inova\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a social foram justamente aqueles que souberam construir pontes necess\u00e1rias para unir a popula\u00e7\u00e3o. Seguir dinamitando essas pontes \u00e9 escolher o atraso. E, pior, \u00e9 condenar as futuras gera\u00e7\u00f5es a viverem num pa\u00eds permanentemente paralisado por suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Esse \u00e9 o momento para deixar para tr\u00e1s a gosma ideol\u00f3gica e ingressar no mundo civilizado, antes que esse venha a ser interrompido por algo como o choque de um grande e devastador meteoro que pode estar se aproximando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cSe voc\u00ea for bem-sucedido, algu\u00e9m ao longo da linha lhe deu alguma ajuda &#8230; Algu\u00e9m ajudou a criar esse sistema americano inacredit\u00e1vel que temos e que permitiu que voc\u00ea prosperasse. Algu\u00e9m investiu em estradas e pontes. Se voc\u00ea tem um neg\u00f3cio &#8211; voc\u00ea n\u00e3o o construiu. Algu\u00e9m fez isso acontecer.\u201d <\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Barack Obama<\/p>\n<figure id=\"attachment_15443\" aria-describedby=\"caption-attachment-15443\" style=\"width: 518px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15443\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/obama.jpg\" alt=\"\" width=\"518\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/obama.jpg 708w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/obama-300x198.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/obama-350x231.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/obama-550x364.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/12\/obama-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15443\" class=\"wp-caption-text\">Barack Obama. Foto: washingtonpost.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Ouvido mi\u00fado<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No cafezinho da C\u00e2mara, um rec\u00e9m chegado de Dublin perguntou, completamente atordoado com as not\u00edcias: \u201cQue tarifa\u00e7o \u00e9 esse? Imposto de Renda, o IOF ou o imposto por Trump?\u201d A resposta foi mais comprida, mas s\u00f3 deu para ouvir: \u201ctodos\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_26094\" aria-describedby=\"caption-attachment-26094\" style=\"width: 524px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26094\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/iof.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/iof.jpg 696w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/iof-300x198.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/iof-550x363.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/iof-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 524px) 100vw, 524px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26094\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Fraga (Ga\u00facha\/Zero Hora)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Como em Bras\u00edlia todo o mundo viaja, um grupo de chantagistas resolveu criar o conto da mala feita. Na hist\u00f3ria de descontar \u201cum cheque que eu vou viajar agora\u201d. V\u00e1rias autoridades e um banco ca\u00edram no conto com duzentos mil cruzeiros. <strong>(Publicada em 06.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Fazer pol\u00edtica \u00e9 construir pontes e n\u00e3o dinamitar. Com base nessa ideia simples, entende-se que quem n\u00e3o faz acordo pol\u00edtico acaba por implodir as pontes. 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