{"id":26105,"date":"2025-07-20T01:00:23","date_gmt":"2025-07-20T04:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26105"},"modified":"2025-07-21T11:12:02","modified_gmt":"2025-07-21T14:12:02","slug":"marina-clama-no-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/marina-clama-no-deserto\/","title":{"rendered":"Marina clama no deserto"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25578\" aria-describedby=\"caption-attachment-25578\" style=\"width: 472px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25578\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estrada.png\" alt=\"\" width=\"472\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estrada.png 472w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estrada-300x297.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estrada-230x228.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 472px) 100vw, 472px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25578\" class=\"wp-caption-text\">Estrada constru\u00edda para a COP30 em Bel\u00e9m que vai desmatar a Amaz\u00f4nia &#8211; Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Blog BBC News<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400\">Com a aprova\u00e7\u00e3o pelo Congresso do projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental, a delicada quest\u00e3o do meio ambiente no Brasil ganha novos e perigosos elementos, podendo colocar o Brasil, mais uma vez, sob os olhares do mundo civilizado e, com isso, gerar mais empecilhos \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o dos produtos nacionais nos mercados externos, sobretudo, naqueles pa\u00edses da Europa que exigem certificado de que esses alimentos s\u00e3o produzidos sem amea\u00e7as ao ecossistema.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a aprova\u00e7\u00e3o dessa flexibiliza\u00e7\u00e3o \u201cdecepou a legisla\u00e7\u00e3o sobre o assunto no Brasil\u201d. Para ela, essas novas permiss\u00f5es n\u00e3o vieram para aperfei\u00e7oar as leis que levem a ganhos ambientais. Os deputados simplesmente ignoraram as propostas de altera\u00e7\u00f5es feitas pela ministra, preferindo atender a bancadas dos ruralistas e a interesses do pr\u00f3prio governo, como s\u00e3o os casos dos ministros da Agricultura, Portos e Aeroportos e o ministro dos Transportes. O pr\u00f3prio governo preferiu n\u00e3o apresentar defesa dos pontos de vista da sua ministra, esquivando-se de uma posi\u00e7\u00e3o em favor da defesa do meio ambiente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Marina, como em outras oportunidades, ficou sem apoio do pr\u00f3prio governo que faz parte. A ministra \u00e9 hoje, literalmente, uma voz solit\u00e1ria a clamar no deserto contra o avan\u00e7o de um progresso que n\u00e3o olha ao redor, passando por cima de florestas e animais. Mas, devido \u00e0 grande celeuma causada, \u00e9 poss\u00edvel que essa aprova\u00e7\u00e3o v\u00e1 tamb\u00e9m ser encaminhada \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal. H\u00e1 pouco menos de quatro meses para a realiza\u00e7\u00e3o da COP30, confer\u00eancia de clima da ONU em Bel\u00e9m, essa flexibiliza\u00e7\u00e3o ou libera\u00e7\u00e3o geral surge quase como um deboche. Meses atr\u00e1s, a ministra j\u00e1 se viu abandonada na quest\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Margem Equatorial, onde os riscos ambientais s\u00e3o imensos. A libera\u00e7\u00e3o de projetos estrat\u00e9gicos, como define o governo, parece ser o caminho escolhido pelos pol\u00edticos em detrimento da defesa do nosso bioma.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Os sinais de desprest\u00edgio de Marina Silva n\u00e3o s\u00e3o novos, mas se tornaram mais evidentes nas \u00faltimas semanas. No epis\u00f3dio da flexibiliza\u00e7\u00e3o do licenciamento, ela foi completamente ignorada pelo Congresso e deixada de lado pelo pr\u00f3prio Pal\u00e1cio do Planalto. Nenhum ministro relevante, tampouco o presidente, saiu em sua defesa. Pelo contr\u00e1rio, setores do governo, como os minist\u00e9rios da Agricultura (Carlos F\u00e1varo), Transportes (Renan Filho) e Portos e Aeroportos (Silvio Costa Filho), atuaram ativamente em prol da aprova\u00e7\u00e3o do projeto, revelando uma escolha clara: entre desenvolvimento imediato e sustentabilidade, optou-se pelo primeiro. Esse desprezo j\u00e1 havia se mostrado antes, como no caso da tentativa de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Margem Equatorial. Mesmo diante de pareceres t\u00e9cnicos e cient\u00edficos apontando os enormes riscos ecol\u00f3gicos de perfura\u00e7\u00e3o naquela \u00e1rea sens\u00edvel, a press\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica falou mais alto. Marina, mais uma vez, ficou sozinha, como se sua presen\u00e7a no governo servisse mais a fins simb\u00f3licos do que operacionais. \u00c9 o que se poderia chamar de \u201cambientalismo decorativo\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O paradoxo \u00e9 evidente: faltando menos de quatro meses para a realiza\u00e7\u00e3o da COP30, em Bel\u00e9m do Par\u00e1, o governo brasileiro se v\u00ea promovendo medidas que esvaziam completamente seu discurso ambiental no plano internacional. A confer\u00eancia \u00e9 uma das maiores vitrines diplom\u00e1ticas do pa\u00eds, uma chance de mostrar lideran\u00e7a e comprometimento com as metas de descarboniza\u00e7\u00e3o, conserva\u00e7\u00e3o de biomas e justi\u00e7a clim\u00e1tica. No entanto, a libera\u00e7\u00e3o desmedida de obras classificadas como &#8220;estrat\u00e9gicas&#8221;, sem o devido rigor ambiental, enfraquece qualquer tentativa de credibilidade externa. Para pa\u00edses europeus que exigem rastreabilidade e responsabilidade ecol\u00f3gica na cadeia produtiva de alimentos como Alemanha, Fran\u00e7a e Holanda, a nova legisla\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 um sinal vermelho. J\u00e1 h\u00e1 movimentos no Parlamento Europeu que discutem barreiras t\u00e9cnicas para produtos oriundos de pa\u00edses que desrespeitam princ\u00edpios b\u00e1sicos de sustentabilidade. O Brasil, que j\u00e1 teve sua carne e soja embargadas por quest\u00f5es ambientais, pode voltar \u00e0 lista de vil\u00f5es do clima se continuar nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A entrada da China como ator dominante na explora\u00e7\u00e3o mineral brasileira \u00e9 outro ponto que exp\u00f5e a fraqueza do Estado na defesa do meio ambiente. Diversas empresas chinesas, principalmente ligadas ao setor de minera\u00e7\u00e3o, t\u00eam intensificado sua atua\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia e no Cerrado, abrindo crateras e deixando rastros de destrui\u00e7\u00e3o. Em estados como Par\u00e1, Maranh\u00e3o e Mato Grosso, comunidades ind\u00edgenas e quilombolas denunciam a atua\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de mineradoras que, com aval ou omiss\u00e3o do Estado brasileiro, atuam sem qualquer compromisso com a regenera\u00e7\u00e3o ambiental ou o bem-estar social. A busca por l\u00edtio, ni\u00f3bio, ouro e terras raras, transforma o subsolo brasileiro em um novo \u201celdorado\u201d para interesses estrangeiros, reproduzindo uma l\u00f3gica colonial: extrai-se tudo, o lucro vai embora, e o que resta \u00e9 a contamina\u00e7\u00e3o de rios, aumento de conflitos sociais e destrui\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel da biodiversidade. Em nome do crescimento e da \u201csoberania energ\u00e9tica\u201d, entrega-se o territ\u00f3rio ao saque legalizado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O caso Marina Silva simboliza a crise da raz\u00e3o ambiental no Brasil. Enquanto os olhos internacionais voltam-se para n\u00f3s com desconfian\u00e7a, o governo se mostra incapaz de articular uma pol\u00edtica ambiental coesa. Preferiu calar sua ministra em vez de ouvir a voz da prud\u00eancia. Preferiu agradar aliados do agroneg\u00f3cio, do petr\u00f3leo e da minera\u00e7\u00e3o a buscar equil\u00edbrio entre progresso e preserva\u00e7\u00e3o. Se o Brasil seguir nesse caminho, corre o risco de chegar \u00e0 COP30 n\u00e3o como anfitri\u00e3o de uma agenda verde, mas como r\u00e9u no tribunal da hist\u00f3ria ambiental mundial. E Marina, por mais combativa que seja, n\u00e3o poder\u00e1 evitar isso sozinha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cO patrim\u00f4nio natural \u00e9 a base da nossa economia.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Marina Silva<\/p>\n<figure id=\"attachment_26106\" aria-describedby=\"caption-attachment-26106\" style=\"width: 521px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26106\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina.jpg\" alt=\"\" width=\"521\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina.jpg 754w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina-300x201.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina-550x368.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina-230x154.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26106\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A ind\u00fastria nacional deve ter mais zelo na apresenta\u00e7\u00e3o de suas publica\u00e7\u00f5es. No cat\u00e1logo da Volkwagen brasileira h\u00e1 um clich\u00ea de cabe\u00e7a para baixo. <strong>(Publicada em 06.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Com a aprova\u00e7\u00e3o pelo Congresso do projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental, a delicada quest\u00e3o do meio ambiente no Brasil ganha novos e perigosos elementos, podendo colocar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26106,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2337,354,2338,2339,3996,1490,114,2340,3466,410,1288,119],"class_list":["post-26105","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra-integra","tag-aricunha-2","tag-bancadaruralista","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-cop30","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-marinasilva","tag-meioambiente","tag-ministeriodomeioambiente","tag-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26105"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26105\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26109,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26105\/revisions\/26109"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}