{"id":26110,"date":"2025-07-23T01:00:03","date_gmt":"2025-07-23T04:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26110"},"modified":"2025-07-23T12:24:23","modified_gmt":"2025-07-23T15:24:23","slug":"mundo-fake","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/mundo-fake\/","title":{"rendered":"Mundo fake"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26114\" aria-describedby=\"caption-attachment-26114\" style=\"width: 569px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26114\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/Arroz.jpg\" alt=\"\" width=\"569\" height=\"321\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/Arroz.jpg 1472w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/Arroz-300x170.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/Arroz-768x434.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/Arroz-1024x579.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/Arroz-1440x814.jpg 1440w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/Arroz-800x452.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/Arroz-550x311.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/Arroz-230x130.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 569px) 100vw, 569px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26114\" class=\"wp-caption-text\">Arquivo pessoal: imagem gerada por IA<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Qu\u00e3o fake e fantasiosos seriam os servi\u00e7os e produtos oferecidos ao p\u00fablico em geral, sobretudo aqueles que s\u00e3o colocados \u00e0 venda para uma pequena minoria de pessoas abastadas, para as quais o dinheiro n\u00e3o \u00e9 problema. \u00c9 ent\u00e3o que a busca por status e por produtos e servi\u00e7os exclusivos levam esses consumidores privilegiados a se tornarem presas f\u00e1ceis nas m\u00e3os de empresas e empres\u00e1rios gananciosos, que, literalmente, seguem vendendo e ofertando gatos por lebres.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Embalado em finos adere\u00e7os e dispostos pretensiosamente em cen\u00e1rios chiques, o que n\u00e3o passaria por ser um produto comum e barato, \u00e9 colocado nessas verdadeiras ratoeiras apenas para fisgar os incautos. Para tanto, mudam o nome do produto, colocando outro mais palat\u00e1vel e, se poss\u00edvel, carregado de francesismo. Dessa forma, o elementar arroz misturado com ovo, prato predileto dos mais pobres dos brasileiros, passa a ser servido com nome ex\u00f3tico de \u201criz m\u00e8lang\u00e9 avec des oeufs dur ou riz d\u2019ouefs\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O que os botecos venderiam por R$ 10,00 aos transeuntes, nesse cen\u00e1rio chique, n\u00e3o sairia por menos de R$ 150,00, sem os servi\u00e7os. A mesma cal\u00e7a jeans, que nas lojas populares n\u00e3o custam mais do que R$ 110,00, s\u00e3o vendidos em lojas de endere\u00e7os renomados, pela bagatela de R$ 900,00, bastando ao espertalh\u00e3o mudar apenas a etiqueta da marca. Assim, esse mundo fantasioso e fake, bancado por quem se ilude com o luxo, sobrevive e prospera gra\u00e7as \u00e0 esperteza de alguns.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nada \u00e9 o que parece e o que parece n\u00e3o \u00e9 nada, apenas uma fantasia desse mundo cada vez mais fake. O que poderia ser um retrato \u00e1cido e realista de uma engrenagem que movimenta bilh\u00f5es, sob o pretexto do \u201cexclusivo\u201d, n\u00e3o passa de engana\u00e7\u00e3o. Uma engana\u00e7\u00e3o lucrativa e aparentemente dentro da lei. A economia do sup\u00e9rfluo sofisticado gira em torno de uma l\u00f3gica perversa: n\u00e3o \u00e9 o valor intr\u00ednseco do produto que importa, mas a narrativa constru\u00edda ao seu redor. Quanto mais rara, inusitada ou instagram\u00e1vel for essa narrativa, maior o valor percebido pelo consumidor de luxo \u2014 mesmo que, no fundo, o que esteja sendo comprado seja apenas um produto ordin\u00e1rio com embalagem de fantasia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A elite consumista, em busca constante de distin\u00e7\u00e3o social, torna-se presa f\u00e1cil dessa armadilha. Muitas vezes, o desejo n\u00e3o \u00e9 possuir algo de qualidade superior, mas algo que os outros n\u00e3o tenham. Essa l\u00f3gica de exclusividade empurra consumidores para escolhas irracionais, em que o valor simb\u00f3lico se sobrep\u00f5e ao valor real. Nessa din\u00e2mica, um caf\u00e9 coado com gr\u00e3os comuns pode se transformar em \u201cinfus\u00e3o artesanal de ar\u00e1bica de origem controlada\u201d, custando dez vezes mais. Um prato simples de picadinho de carne servido em pratos de lou\u00e7a importada e regado a discursos vazios de sofistica\u00e7\u00e3o com gosto de molho de pacotinho vale uma cesta b\u00e1sica e meia. \u00c9 o que o soci\u00f3logo franc\u00eas Pierre Bourdieu chamou de distin\u00e7\u00e3o: um mecanismo de diferencia\u00e7\u00e3o cultural que serve para demarcar classes sociais. Marcas e empres\u00e1rios se aproveitam disso e atuam como verdadeiros ilusionistas, substituem o conte\u00fado pela embalagem, o sabor pela apar\u00eancia, a utilidade pela ostenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mais grave ainda \u00e9 quando essa l\u00f3gica ultrapassa o campo dos produtos e entra nos servi\u00e7os: cl\u00ednicas est\u00e9ticas que prometem o imposs\u00edvel, experi\u00eancias sensoriais supostamente \u00fanicas, pacotes de viagens absurdamente caros que oferecem pouco, al\u00e9m de um nome de impacto. Tudo \u00e9 vendido como &#8220;inesquec\u00edvel&#8221;, &#8220;personalizado&#8221;, &#8220;exclusivo&#8221;, mas, na pr\u00e1tica, \u00e9 apenas mais do mesmo, embrulhado em papel de presente luxuoso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Na verdade, o problema n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 na ast\u00facia dos vendedores, mas na credulidade dos compradores, que participam desse jogo voluntariamente e \u201cse achando\u201d. Essa cumplicidade silenciosa alimenta um mercado que vive de apar\u00eancia, status e desejo, n\u00e3o de subst\u00e2ncia. Em \u00faltima an\u00e1lise, esse mundo fake \u00e9 sustentado por um teatro de vaidades. Um teatro caro, vazio e muitas vezes pat\u00e9tico, onde a autenticidade foi substitu\u00edda por etiquetas, e o bom senso por cifr\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O luxo verdadeiro \u2014 aquele que representa excel\u00eancia, hist\u00f3ria, t\u00e9cnica e arte \u00e9 cada vez mais raro. No lugar dele, proliferam vitrines falsas, promessas ocas e produtos que s\u00e3o, na ess\u00eancia, meros \u201carroz com ovo\u201d disfar\u00e7ados de caviar. \u201cEu, minha alma, enviei para o espa\u00e7o sem fim para um tra\u00e7o aprender nos destinos do al\u00e9m, minha alma devagar foi retornando a mim e me disse: eu sou o c\u00e9u e o inferno tamb\u00e9m.\u201d Registra Omar Khayyam, no livro Rubaiyat. De fato, os homens s\u00e3o o c\u00e9u e o inferno de si mesmos, e tudo ao mesmo tempo, luxo e lixo, tudo num mesmo produto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cO valor do homem \u00e9 determinado, em primeira linha, pelo grau e pelo sentido em que se libertou do seu ego.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Albert Einstein<\/p>\n<figure id=\"attachment_19352\" aria-describedby=\"caption-attachment-19352\" style=\"width: 466px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-19352\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten.jpg\" alt=\"\" width=\"466\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten.jpg 676w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten-300x182.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten-550x333.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten-230x139.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 466px) 100vw, 466px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19352\" class=\"wp-caption-text\">Albert Einsten. Foto: Arthur Sasse\/Nate D Sanders Auctions\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O nome empregado na maioria dos golpes foi do servidor Barros de Carvalho, e os chantagistas conheciam tanto seus h\u00e1bitos, que falando pelo telefone para sua resid\u00eancia, recomendavam com insist\u00eancia para que quando fizessem a mala n\u00e3o esquecessem dos rem\u00e9dios.\u00a0<strong>(Publicada em 06.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Qu\u00e3o fake e fantasiosos seriam os servi\u00e7os e produtos oferecidos ao p\u00fablico em geral, sobretudo aqueles que s\u00e3o colocados \u00e0 venda para uma pequena minoria de pessoas abastadas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26114,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,1700,153,3997,114,2340,3998,3999,4000,4001],"class_list":["post-26110","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-comercio","tag-economia","tag-gourmetizacao","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-negocios","tag-precos","tag-sofisticacao","tag-status"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26110"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26115,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26110\/revisions\/26115"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26114"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}