{"id":26117,"date":"2025-07-25T01:00:31","date_gmt":"2025-07-25T04:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26117"},"modified":"2025-07-25T18:55:47","modified_gmt":"2025-07-25T21:55:47","slug":"de-cabeca-para-baixo-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/de-cabeca-para-baixo-2\/","title":{"rendered":"De cabe\u00e7a para baixo"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26123\" aria-describedby=\"caption-attachment-26123\" style=\"width: 571px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26123\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/ibge.jpg\" alt=\"\" width=\"571\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/ibge.jpg 953w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/ibge-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/ibge-768x513.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/ibge-800x534.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/ibge-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/ibge-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 571px) 100vw, 571px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26123\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/X\/@MarcioPochmann<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Dizem, com propriedade, que a arte imita a vida. No caso da arte da cartografia, surgida por volta do ano 2.500 a.C. com os Sum\u00e9rios e aperfei\u00e7oada nas escolas de Alexandria e Atenas, essa arte foi talvez a mais importante desenvolvida pelo g\u00eanio humano para entender o mundo \u00e0 volta, tornando poss\u00edvel sua explora\u00e7\u00e3o com mais seguran\u00e7a e objetivo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Hoje tornou-se comum aceitar o fato de que a cartografia serve tamb\u00e9m para ilustrar n\u00e3o s\u00f3 a realidade f\u00edsica e topogr\u00e1fica do lugar, mas tamb\u00e9m sua realidade social, econ\u00f4mica, hist\u00f3rica e cultural, portanto trata-se de um campo complexo em constantes mudan\u00e7as e que exige elaborada e rigorosa investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Trata-se aqui de um retrato fiel ou fotografia do mundo como ele \u00e9, e n\u00e3o como querem alguns, para quem o mundo deve ser retratado como desejam governos e conceitos de plant\u00e3o. No caso daqueles pa\u00edses virados de cabe\u00e7a para baixo, n\u00e3o por a\u00e7\u00e3o da invers\u00e3o dos polos magn\u00e9ticos, mas pela invers\u00e3o de valores, a cartografia pode servir tamb\u00e9m para tentar conferir uma nova e fantasiosa realidade bem ao gosto dos novos mandat\u00e1rios, para os quais a realidade \u00e9 o que eles querem que seja. Deste ponto, chegamos ao Mapa do Brasil e do globo virados de cabe\u00e7a para baixo e apresentados ao p\u00fablico pelo presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), Marcio Pochmann, e a ex-presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Como resultado dessa empreitada geogr\u00e1fica, o Brasil ficou situado no centro do mundo, como o hemisf\u00e9rio Sul indo parar no topo. Para seu idealizador, a novidade visava ressaltar a atual lideran\u00e7a de nosso pa\u00eds em f\u00f3runs como os Brics e a COP 30 nesse ano. \u00c9 tal da import\u00e2ncia crescente do chamado Sul Global, que a novil\u00edngua na atualidade significa destruir a hegemonia do d\u00f3lar e dos Estados Unidos, substitu\u00eddo agora por outros players como a R\u00fassia, China e outros parceiros dessa empreitada ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Para um pa\u00eds como o nosso, que est\u00e1 sendo virado pelo avesso, normalizando absurdos e indo de encontro ao que hoje \u00e9 Cuba, Venezuela, Nicar\u00e1gua e outros pa\u00edses do nosso continente, a reviravolta geogr\u00e1fica faz todo o sentido. Num pa\u00eds virado e cabe\u00e7a para baixo, o povo \u00e9 triste, as perspectivas s\u00e3o nulas e\u00a0fazer oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 risco de vida. Nada mais natural ent\u00e3o do que apresentar o Brasil de cabe\u00e7a para baixo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Pochmann, com sua intelig\u00eancia agu\u00e7ada conseguiu o que muitos cartunistas nem pensavam: ilustrar um pa\u00eds na sua condi\u00e7\u00e3o real de momento. O epis\u00f3dio do \u201cmapa de cabe\u00e7a para baixo\u201d \u00e9 um s\u00edmbolo perfeito de uma era em que a percep\u00e7\u00e3o da realidade \u00e9 disputada como nunca. A cartografia, que sempre foi uma ferramenta objetiva para representar o mundo, agora \u00e9 usada como palco de convic\u00e7\u00f5es particulares e pol\u00edticas. A invers\u00e3o do mapa \u00e9 um gesto que vai muito al\u00e9m do design gr\u00e1fico: ele traduz uma tentativa de reescrever o papel do pa\u00eds no tabuleiro global, ainda que de forma simb\u00f3lica. Ao ser apresentada como um ato de afirma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ela escancara uma tend\u00eancia: a de usar s\u00edmbolos e discursos para criar uma sensa\u00e7\u00e3o de grandeza que n\u00e3o necessariamente corresponde \u00e0 realidade socioecon\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Enquanto se fala em \u201clideran\u00e7a global\u201d e na for\u00e7a do chamado \u201cSul Global\u201d, o Brasil enfrenta algumas crises internas na \u00e1rea econ\u00f4mica, de seguran\u00e7a e de rela\u00e7\u00f5es internacionais. A cartografia, nesse contexto, vira met\u00e1fora: ao colocar o Brasil no \u201calto do mapa\u201d, tenta-se transmitir uma ideia de protagonismo que o cotidiano do cidad\u00e3o comum n\u00e3o sente. Essa cr\u00edtica faz sentido ao lembrar que, em um pa\u00eds onde valores est\u00e3o sendo \u201cinvertidos\u201d, no sentido de normalizar o absurdo, ver o mapa de cabe\u00e7a para baixo soa como uma imagem fiel de um momento de distor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Talvez, o maior m\u00e9rito dessa pol\u00eamica seja justamente o de escancarar, por meio de um s\u00edmbolo simples, o quanto a realidade est\u00e1 sendo \u201cdesenhada\u201d de acordo com certas conveni\u00eancias. O Brasil, ao que parece, n\u00e3o est\u00e1 apenas no centro do mapa, mas no centro de uma invers\u00e3o de valores, normalizando absurdos em suas tentativas de\u00a0reescrever nossa hist\u00f3ria com tintas carregadas de tons cinzentos e vermelhos. Como j\u00e1 diziam alguns seres mal\u00e9ficos, a propaganda \u00e9 a arte de fazer com que as pessoas esque\u00e7am a realidade, acreditando numa mentira do tamanho do mundo, tornado palat\u00e1vel a revolu\u00e7\u00e3o que os leve, sem protestos, a um governo autocr\u00e1tico capaz de enganar a tantos com t\u00e3o pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>&#8220;N\u00e3o devo a ningu\u00e9m minhas elei\u00e7\u00f5es, a n\u00e3o ser ao povo desse pa\u00eds\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Lula em discurso ontem no Vale do Jequitinhonha<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Pa\u00eds Invertido\" width=\"720\" height=\"405\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/an2vq3AFtCc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O com\u00e9rcio de Bras\u00edlia est\u00e1 atormentado com o numero de publica\u00e7\u00f5es clandestinas que vem circulando nesta capital. Como n\u00e3o poderia deixar de ser, a imprensa marrom est\u00e1 nestes casos, extorquinto dinheiro e impondo-se atrav\u00e9s de chantagens. <strong>(Publicado em 06.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Dizem, com propriedade, que a arte imita a vida. No caso da arte da cartografia, surgida por volta do ano 2.500 a.C. com os Sum\u00e9rios e aperfei\u00e7oada nas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26123,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,4002,2339,1490,114,2340,119,4003,5,51],"class_list":["post-26117","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-cartografia","tag-circecunha-2","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-pt","tag-relacoesinternacionais","tag-brasil","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26117"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26117\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26124,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26117\/revisions\/26124"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26123"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}