{"id":26155,"date":"2025-08-02T01:00:45","date_gmt":"2025-08-02T04:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26155"},"modified":"2025-08-01T17:53:25","modified_gmt":"2025-08-01T20:53:25","slug":"1984-e-bem-ali","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/1984-e-bem-ali\/","title":{"rendered":"1984 \u00e9 bem ali"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25514\" aria-describedby=\"caption-attachment-25514\" style=\"width: 520px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25514\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado.png\" alt=\"\" width=\"520\" height=\"518\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado.png 730w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-150x150.png 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-300x300.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-550x548.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-230x229.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25514\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Observadores da cena internacional acreditam que o mundo caminha, nesta primeira metade do s\u00e9culo XXI, para uma esp\u00e9cie de \u201csocialismo de castas\u201d, onde as elites cada vez mais empoderadas v\u00e3o se eternizando no topo, com toda a esp\u00e9cie de direitos e privil\u00e9gios, enquanto ao povo, essa hist\u00f3rica por\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m, \u00e9\u00a0 dado como heran\u00e7a e destino um novo tipo de mis\u00e9ria, mais perniciosa e n\u00e3o menos desumana. Tanto a Europa como, no nosso caso, o Brasil assistem essa realidade advinda de um globalismo niilista, que vai, aos poucos, destruindo a democracia cl\u00e1ssica em nome de uma falsa igualdade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Trata-se aqui de reconhecermos uma realidade\u00a0 poderosa que sintetiza um sentimento crescente de que os valores democr\u00e1ticos cl\u00e1ssicos, como liberdade, m\u00e9rito, mobilidade social, est\u00e3o sendo lentamente substitu\u00eddos por um sistema autorit\u00e1rio disfar\u00e7ado de justi\u00e7a social. O que vemos aqui \u00e9 um novo tipo de socialismo, mais adaptado ao nosso s\u00e9culo e a um mundo superpopuloso e inquieto. A ideia de socialismo de castas exp\u00f5e tamb\u00e9m uma contradi\u00e7\u00e3o: em vez de eliminar desigualdades, o sistema as congela como deseja o globalismo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O discurso da igualdade, quando instrumentalizado por elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas globalizadas, acaba servindo como v\u00e9u para manter seus privil\u00e9gios intactos, enquanto imp\u00f5e ao povo uma \u201cigualdade na mis\u00e9ria\u201d. N\u00e3o se trata aqui do socialismo cl\u00e1ssico, mas de uma vers\u00e3o tecnocr\u00e1tica, centralizadora, niilista \u2014 sem valores transcendentes, sem verdade, sem limites \u00e9ticos, em que tudo \u00e9 relativo, exceto o poder de quem j\u00e1 o det\u00e9m. O que est\u00e1 posto aqui projeta para um futuro pr\u00f3ximo o que \u00e9 hoje, no presente, a realidade de pa\u00edses como a Venezuela.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Essa nova elite transnacional, formada por grandes corpora\u00e7\u00f5es, organismos multilaterais e lideran\u00e7as pol\u00edticas, supostamente progressistas, defende uma ordem mundial onde o indiv\u00edduo \u00e9 reduzido \u00e1 estat\u00edstica, o Estado nacional \u00e9 esvaziado, e a cultura local \u00e9 vista como obst\u00e1culo \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica. Isso constitui um niilismo poderoso que vai rompendo paulatinamente com qualquer base moral objetiva: tudo \u00e9 permitido em nome de uma suposta e ilus\u00f3ria inclus\u00e3o e progresso. \u00c9 o progresso n\u00e3o para a melhoria na qualidade de vida da sociedade, mas que a arrasta literalmente para um mundo dist\u00f3pico e j\u00e1 sem esperan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Na Europa, o discurso igualit\u00e1rio avan\u00e7ou ao ponto de se tornar um instrumento de controle ideol\u00f3gico. Pa\u00edses como Fran\u00e7a, Alemanha e Su\u00e9cia vivem crises internas com o multiculturalismo imposto, a eros\u00e3o da cultura nacional e a criminaliza\u00e7\u00e3o do pensamento divergente. A promessa de igualdade e integra\u00e7\u00e3o se transformou em zonas de exclus\u00e3o social, guetos e inseguran\u00e7a. Al\u00e9m disso, a burocracia da Uni\u00e3o Europeia, distante da realidade dos povos, imp\u00f5e regras ambientais, econ\u00f4micas e culturais que favorecem grandes conglomerados e limitam a autonomia dos cidad\u00e3os comuns. Assim, a mobilidade social \u00e9 engessada e a elite pol\u00edtica permanece girando entre os mesmos nomes, partidos e interesses, numa pantomima ensaiada que vai, aos poucos, solapando a vida social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica como a conhecemos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No Brasil, essa l\u00f3gica se manifesta tamb\u00e9m de forma ainda mais perversa. Pol\u00edticas p\u00fablicas mal planejadas, sob o pretexto de \u201cinclus\u00e3o\u201d, criam depend\u00eancia estatal em vez de emancipa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. O bolsa fam\u00edlia \u00e9 hoje um verdadeiro labirinto sem sa\u00edda e que vai aprisionando o cidad\u00e3o ao Estado. A elite pol\u00edtica brasileira, muitas vezes aliada a ONGs internacionais e \u00e0 grande m\u00eddia, perpetua sua influ\u00eancia sob o discurso de \u201crepresentatividade\u201d e \u201cdiversidade\u201d, enquanto entrega a popula\u00e7\u00e3o a um sistema educacional falido, viol\u00eancia urbana cr\u00f4nica e oportunidades restritas. Tristes tempos esses em que o mundo e o homem v\u00e3o perdendo sua identidade em nome de projetos que n\u00e3o s\u00e3o os seus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Com essa nova realidade que vai se impondo, a meritocracia passa a ser demonizada como \u201celitista\u201d, enquanto privil\u00e9gios de castas burocr\u00e1ticas, como no caso de\u00a0 magistrados, pol\u00edticos, altos funcion\u00e1rios seguem intocados. Cria-se, assim, um abismo intranspon\u00edvel: de um lado, uma elite protegida e globalizada; de outro, um povo sufocado, rotulado e manipulado. A destrui\u00e7\u00e3o da democracia cl\u00e1ssica, como a conhecemos, vai sendo posta de lado, como coisa do passado. A democracia cl\u00e1ssica se baseava na altern\u00e2ncia de poder, na liberdade de express\u00e3o, na igualdade perante a lei e no Estado de Direito. Tudo isso est\u00e1 sendo minado por esse globalismo niilista, que substitui o debate aberto por narrativas \u00fanicas, a autonomia nacional por tratados internacionais e o cidad\u00e3o por uma massa homog\u00eanea de \u201cclientes do Estado\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Essa nova ordem se legitima por meio do medo, das pandemias, do clima e do discurso \u201cde \u00f3dio\u201d para justificar o controle crescente. O objetivo n\u00e3o \u00e9 eliminar desigualdades, mas redistribu\u00ed-las de forma a manter a elite onde sempre esteve, blindada contra o povo e acima da lei. O mundo n\u00e3o caminha para uma igualdade verdadeira, mas para uma hierarquiza\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada, onde a elite se apresenta como salvadora enquanto cristaliza seus pr\u00f3prios privil\u00e9gios. A democracia s\u00f3 sobreviver\u00e1 onde h\u00e1 liberdade real, e esta depende de pluralismo, responsabilidade individual e soberania. O desafio est\u00e1 lan\u00e7ado: ou resgatamos os fundamentos da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, com suas liberdades e limites, ou assistiremos \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o de um novo tipo de despotismo, tecnocr\u00e1tico, globalizado e sorridente, mais parecido com o mundo previsto por George Orwell em \u201c1984\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\n<p style=\"font-weight: 400\">\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode escapar da responsabilidade do amanh\u00e3, fugindo dele hoje.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Abraham Lincoln<\/p>\n<figure id=\"attachment_16955\" aria-describedby=\"caption-attachment-16955\" style=\"width: 375px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-16955\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/pr-1.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"462\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/pr-1.jpg 375w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/pr-1-244x300.jpg 244w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/pr-1-230x283.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16955\" class=\"wp-caption-text\">Abraham Lincoln. Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400\">\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Como n\u00e3o haver\u00e1 elei\u00e7\u00e3o no Distrito Federal, os pr\u00f3prios l\u00edderes se descuidaram do caso, e n\u00e3o procuraram apresentar , por \u00easse motivo, os nomes dos seus partidos. <strong>(Publicada em 08.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Observadores da cena internacional acreditam que o mundo caminha, nesta primeira metade do s\u00e9culo XXI, para uma esp\u00e9cie de \u201csocialismo de castas\u201d, onde as elites cada vez mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,2640,828,2153,4008,114,3226,2340],"class_list":["post-26155","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-controle","tag-democracia","tag-estado","tag-estadodemocratico","tag-historiadebrasilia","tag-liberdade","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26155"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26155\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26157,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26155\/revisions\/26157"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}