{"id":26165,"date":"2025-08-06T01:00:05","date_gmt":"2025-08-06T04:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26165"},"modified":"2025-08-06T15:00:13","modified_gmt":"2025-08-06T18:00:13","slug":"comecar-pelo-comeco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/comecar-pelo-comeco\/","title":{"rendered":"Come\u00e7ar pelo come\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26170\" aria-describedby=\"caption-attachment-26170\" style=\"width: 601px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26170\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/crian\u00e7a.jpg\" alt=\"\" width=\"601\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/crian\u00e7a.jpg 601w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/crian\u00e7a-300x198.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/crian\u00e7a-550x362.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/crian\u00e7a-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26170\" class=\"wp-caption-text\">Foto: convivaeducacao.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00c9 sintom\u00e1tico de nossa era o modo como tratamos as crian\u00e7as. A inf\u00e2ncia, uma fase essencial ao desenvolvimento humano, tem sido comprimida, encurtada, empobrecida \u2014 e, em muitos casos, apagada. Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar em tempos de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e maior acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, assistimos a um fen\u00f4meno alarmante: a corros\u00e3o da inf\u00e2ncia como etapa leg\u00edtima, protegida e insubstitu\u00edvel da vida humana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A esp\u00e9cie humana, ao longo de sua evolu\u00e7\u00e3o, foi moldando-se a partir do prolongamento da fase infantil. Essa expans\u00e3o do tempo de depend\u00eancia e aprendizado, caracter\u00edstica exclusiva do Homo Sapiens, permitiu o florescimento da linguagem, da cultura, das emo\u00e7\u00f5es e da intelig\u00eancia social. Crian\u00e7as que brincam, exploram, expressam-se e se sentem seguras s\u00e3o as sementes de uma sociedade mais justa, saud\u00e1vel e inovadora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Entretanto, o mundo moderno parece seguir na contram\u00e3o. O que antes era considerado tempo necess\u00e1rio para crescer tornou-se, para muitos, um luxo dispens\u00e1vel. A urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada, a viol\u00eancia social, o consumismo e a l\u00f3gica do desempenho precoce invadem a rotina das crian\u00e7as. Submetidas a agendas sobrecarregadas, privadas de contato com a natureza e expostas precocemente \u00e0s telas, muitas j\u00e1 n\u00e3o vivem a inf\u00e2ncia \u2014 apenas sobrevivem a ela.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A UNICEF alerta: \u201cAs experi\u00eancias vividas nos primeiros anos moldam profundamente o futuro de cada ser humano. O c\u00e9rebro infantil, sobretudo nos primeiros mil dias, estabelece cerca de um milh\u00e3o de novas conex\u00f5es por segundo. \u00c9 nesse intervalo que pol\u00edticas p\u00fablicas devem intervir com maior intensidade\u201d. Infelizmente, em vez de fortalecer essa janela de ouro do desenvolvimento, o Brasil vem falhando. O investimento p\u00fablico na primeira inf\u00e2ncia est\u00e1 aqu\u00e9m do necess\u00e1rio. Segundo relat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o Maria Cec\u00edlia Souto Vidigal, apenas 0,47% do PIB \u00e9 destinado \u00e0 aten\u00e7\u00e3o integral \u00e0 primeira inf\u00e2ncia, patamar considerado insuficiente para garantir impacto positivo a longo prazo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mas n\u00e3o \u00e9 apenas nas planilhas do or\u00e7amento que a inf\u00e2ncia vai sendo reduzida. \u00c9 no cotidiano banalizado da explora\u00e7\u00e3o infantil, no sil\u00eancio diante da evas\u00e3o escolar, na omiss\u00e3o frente ao trabalho infantil que o pa\u00eds revela sua neglig\u00eancia cr\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, certa vez declarou que &#8220;a prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 apenas um dever moral \u2014 \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o constitucional&#8221;. De fato, a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 estabelece no artigo 227 que \u00e9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 dignidade, ao respeito e \u00e0 conviv\u00eancia familiar. No entanto, quando se analisa o que tem sido feito em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas estruturantes, o cen\u00e1rio revela uma dist\u00e2ncia brutal entre a letra da lei e a realidade das ruas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nos centros urbanos, a inf\u00e2ncia \u00e9 comprimida entre o medo e o concreto. Nos rinc\u00f5es do pa\u00eds, ela \u00e9 muitas vezes interrompida antes mesmo de florescer. Para os mais pobres, a inf\u00e2ncia termina cedo: meninos empurram carrinhos de recicl\u00e1veis, enquanto meninas cuidam dos irm\u00e3os mais novos em casas improvisadas. S\u00e3o vidas que amadurecem antes da hora, roubadas do tempo do encantamento, do l\u00fadico, do afeto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Como consequ\u00eancia, surgem adultos que n\u00e3o puderam ser crian\u00e7as. Indiv\u00edduos que cresceram sem o suporte emocional adequado, sem espa\u00e7o para elaborar medos ou desenvolver autonomia. A psiquiatria j\u00e1 demonstrou a liga\u00e7\u00e3o entre traumas infantis e transtornos como depress\u00e3o, ansiedade, transtornos de personalidade e at\u00e9 mesmo tend\u00eancias violentas. A inf\u00e2ncia desassistida n\u00e3o \u00e9 apenas uma injusti\u00e7a; \u00e9 tamb\u00e9m um risco social.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Num recente f\u00f3rum internacional sobre juventude, a psic\u00f3loga chilena Neva Milicic afirmou: \u201cA crian\u00e7a que cresce sem brincar \u00e9 um adulto em potencial que n\u00e3o aprendeu a criar sa\u00eddas. O brincar ensina a resili\u00eancia, a negocia\u00e7\u00e3o, a empatia\u201d. Ora, se \u00e9 no brincar que se desenvolvem as principais habilidades para a vida em sociedade, o que esperar de uma gera\u00e7\u00e3o criada \u00e0 base de tarefas exaustivas e isolamento digital?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A neurocientista canadense Adele Diamond defende que \u201cas fun\u00e7\u00f5es executivas mais complexas do c\u00e9rebro \u2014 aquelas que nos tornam humanos \u2014 come\u00e7am a ser moldadas nos primeiros anos de vida, e dependem de experi\u00eancias ricas e afetuosas\u201d. Isso nos leva \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que investir na inf\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 caridade. \u00c9, antes, a mais inteligente e estrat\u00e9gica pol\u00edtica de desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Se quisermos um pa\u00eds menos desigual, menos violento e mais equilibrado, precisaremos come\u00e7ar pelas crian\u00e7as. N\u00e3o apenas em slogans, mas em a\u00e7\u00f5es concretas, investimentos duradouros e compromisso real com o futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A Frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cGrande \u00e9 a poesia, a bondade e as dan\u00e7as. Mas o melhor que h\u00e1 no mundo s\u00e3o as crian\u00e7as.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Fernando Pessoa, em \u201cLiberdade\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_13392\" aria-describedby=\"caption-attachment-13392\" style=\"width: 436px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-13392\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem.jpg\" alt=\"\" width=\"436\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem.jpg 436w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem-297x300.jpg 297w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem-347x350.jpg 347w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/02\/fernando-pessoa-jovem-230x232.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13392\" class=\"wp-caption-text\">Foto: poesiaspoemaseversos.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O senhor Martins Rodrigues, que reside em Bras\u00edlia, e que daqui a pouco arrasta o p\u00e9 , bem poderia patrocinar essa causa em benef\u00edcio do Distrito Federal, com a autoridade de l\u00edder da maioria.\u00a0<strong>(Publicado em 08.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00c9 sintom\u00e1tico de nossa era o modo como tratamos as crian\u00e7as. 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