{"id":26179,"date":"2025-08-08T01:00:57","date_gmt":"2025-08-08T04:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26179"},"modified":"2025-08-07T23:12:14","modified_gmt":"2025-08-08T02:12:14","slug":"clima-pesado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/clima-pesado\/","title":{"rendered":"Clima pesado"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26181\" aria-describedby=\"caption-attachment-26181\" style=\"width: 581px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26181\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/Capturar.png\" alt=\"\" width=\"581\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/Capturar.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/Capturar-300x199.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/Capturar-550x365.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/Capturar-230x152.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 581px) 100vw, 581px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26181\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"adn ads\">\n<div class=\"gs\">\n<div class=\"\">\n<div id=\":i6\" class=\"ii gt\">\n<div id=\":i7\" class=\"a3s aiL \">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>H\u00e1 muito, a ci\u00eancia deixou de ser um or\u00e1culo distante para se tornar um alerta constante. O aquecimento global, que antes parecia uma previs\u00e3o para tempos distantes, instalou-se em nosso cotidiano com a viol\u00eancia dos desastres e a urg\u00eancia de um ultimato. A temperatura da Terra sobe, os term\u00f4metros quebram recordes, os ciclos naturais se desorganizam, e a humanidade, com seus oito bilh\u00f5es de habitantes, parece andar com um car\u00e1mbano sobre a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos diante de um problema t\u00e9cnico. A emerg\u00eancia clim\u00e1tica escancara a fal\u00eancia de um modelo de desenvolvimento que insiste em confundir crescimento com destrui\u00e7\u00e3o, progresso com esgotamento. Enquanto o planeta clama por responsabilidade, parte consider\u00e1vel da lideran\u00e7a mundial se entret\u00e9m com a repeti\u00e7\u00e3o c\u00ednica de velhos v\u00edcios: guerras in\u00fateis, agricultura predat\u00f3ria, minera\u00e7\u00e3o selvagem, tudo embalado pelo discurso do lucro e pela indiferen\u00e7a de quem v\u00ea, na natureza, apenas recurso a explorar.<\/p>\n<p>Ainda soa inacredit\u00e1vel que, em pleno colapso clim\u00e1tico, haja pa\u00edses devotados ao desmatamento sistem\u00e1tico, \u00e0 eros\u00e3o da biodiversidade, \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis em \u00e1reas sens\u00edveis, tudo isso sob a falsa justificativa da soberania econ\u00f4mica. O negacionismo clim\u00e1tico j\u00e1 n\u00e3o se expressa apenas por palavras, mas por atos deliberadamente destrutivos, disfar\u00e7ados de pol\u00edtica de Estado.<\/p>\n<p>No Brasil, o retrato \u00e9 tr\u00e1gico. Inc\u00eandios em s\u00e9rie, enchentes hist\u00f3ricas, calor recorde, frio acentuado e uma sucess\u00e3o de trag\u00e9dias que deveriam bastar para mobilizar uma pol\u00edtica p\u00fablica \u00e0 altura da crise. Mas n\u00e3o. As rea\u00e7\u00f5es oficiais ainda se limitam a movimentos t\u00edmidos, muitas vezes cosm\u00e9ticos, como a cria\u00e7\u00e3o de entidades burocr\u00e1ticas de nome sonoro e fun\u00e7\u00e3o incerta. A \u201cAutoridade Clim\u00e1tica\u201d, por exemplo, surge como resposta tardia e gen\u00e9rica a um problema que se agrava em tempo real.<\/p>\n<p>Fala-se em emerg\u00eancia clim\u00e1tica em uma linha do telefone enquanto na outra linha emite-se a autoriza\u00e7\u00e3o a prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas e o asfaltamento da BR-319, em plena Amaz\u00f4nia. Ambos os projetos enfrentam oposi\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, cient\u00edfica e ambiental, mas avan\u00e7am como se o debate estivesse encerrado. O apetite desenvolvimentista, travestido de moderniza\u00e7\u00e3o, parece ignorar que h\u00e1 limites ecol\u00f3gicos intranspon\u00edveis.<\/p>\n<p>Pior: o Brasil ocupa hoje o posto de maior importador mundial de agrot\u00f3xicos proibidos em seus pa\u00edses de origem. O \u201cpacote do veneno\u201d, aprovado no Congresso, \u00e9 o maior sintoma de que o interesse de grandes conglomerados agr\u00edcolas se sobrep\u00f5e ao direito \u00e0 vida, ao solo f\u00e9rtil e \u00e0 \u00e1gua limpa. A agricultura, que poderia alimentar uma na\u00e7\u00e3o, e o mundo tornou-se vetor de contamina\u00e7\u00e3o ambiental em larga escala.<\/p>\n<p>Exporta\u00e7\u00f5es de alimentos brasileiros continuam a ser observadas na Europa, n\u00e3o por quest\u00f5es comerciais, mas por exig\u00eancias m\u00ednimas de seguran\u00e7a ambiental. S\u00e3o boicotes que falam mais alto do que os discursos vazios de quem, em territ\u00f3rio nacional, insiste em tratar a pauta ambiental como um entrave ideol\u00f3gico ou um luxo de pa\u00edses ricos. No fundo, sabe-se que n\u00e3o \u00e9 nem um, nem outro: \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Velha conhecida da hist\u00f3ria brasileira, a minera\u00e7\u00e3o continua a abrir crateras nas entranhas do territ\u00f3rio, entregando riquezas a empresas estrangeiras que, como sempre, abandonam, atr\u00e1s de si, um rastro de destrui\u00e7\u00e3o e passivos ambientais impag\u00e1veis. Desde o ciclo do ouro, a l\u00f3gica colonial do extrativismo n\u00e3o mudou, apenas ganhou tratores novos, propaganda moderna e a coniv\u00eancia de um sistema pol\u00edtico ainda voltado para ganhos imediatos.<\/p>\n<p>Monocultura, grilagem de terras p\u00fablicas, o avan\u00e7o sobre \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o, tudo isso integra um modo de produ\u00e7\u00e3o que sacrifica o amanh\u00e3 em nome do agora. E, ao contr\u00e1rio da economia, a pauta ambiental n\u00e3o elege ningu\u00e9m. Por isso, segue invis\u00edvel nas campanhas, nos debates e nas prioridades or\u00e7ament\u00e1rias.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os sinais se multiplicam. Rios secam, cidades colapsam, zonas costeiras desaparecem. Mas a resposta pol\u00edtica continua descolada da realidade clim\u00e1tica. Entre relat\u00f3rios t\u00e9cnicos e notas de rep\u00fadio, seguimos entorpecidos, como passageiros de um navio em rota de colis\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais do que promessas \u00e9 o que a emerg\u00eancia clim\u00e1tica exige. Exige ruptura. Exige coragem para contrariar lobbies poderosos, para reverter subs\u00eddios danosos, para taxar o carbono, para proteger biomas inteiros proteger o que \u00e9 precioso no solo. Exige, sobretudo, que a pol\u00edtica deixe de ser c\u00famplice da cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>Ontem Lula e Marina estiveram em reuni\u00e3o para decidir sobre os vetos ao PL do licenciamento ambiental. Vamos acompanhar os resultados.<\/p>\n<p>Enfrentar a crise clim\u00e1tica \u00e9 uma emerg\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 mais tempo. Ou nos levantamos como civiliza\u00e7\u00e3o para encarar a realidade com a gravidade que ela imp\u00f5e, ou aceitaremos, sem resist\u00eancia, um futuro que ser\u00e1 breve, t\u00f3xico e irrevers\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cAs leis da Natureza n\u00e3o mudam em fun\u00e7\u00e3o das nossas necessidades\u201d<\/em><\/p>\n<p>Marina Silva<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_26106\" aria-describedby=\"caption-attachment-26106\" style=\"width: 443px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26106\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina.jpg\" alt=\"\" width=\"443\" height=\"296\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina.jpg 754w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina-300x201.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina-550x368.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/07\/marina-230x154.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 443px) 100vw, 443px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26106\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div id=\":i6\" class=\"ii gt\">\n<div id=\":i7\" class=\"a3s aiL \">\n<div dir=\"ltr\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a medida mais acertada, para solu\u00e7\u00e3o de uma vez. 48 casas do BNDE n\u00e3o\u00a0 resolvem situa\u00e7\u00e3o dos profess\u00f4res, e o plano de construir 300 casas, sendo 150 \u00easte ano, e 150 no pr\u00f3ximo, d\u00e1 car\u00e1ter mais s\u00e9rio \u00e0 solu\u00e7\u00e3o, que \u00e9 indicada pelo sr. Sette C\u00e2mara. <strong>(Publicada em 08.05.1962)<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; H\u00e1 muito, a ci\u00eancia deixou de ser um or\u00e1culo distante para se tornar um alerta constante. 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