{"id":26191,"date":"2025-08-14T01:00:09","date_gmt":"2025-08-14T04:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26191"},"modified":"2025-08-14T16:05:00","modified_gmt":"2025-08-14T19:05:00","slug":"a-ficcao-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-ficcao-do-futuro\/","title":{"rendered":"A fic\u00e7\u00e3o do futuro"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26195\" aria-describedby=\"caption-attachment-26195\" style=\"width: 554px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26195\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cigano-1.jpg\" alt=\"\" width=\"554\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cigano-1.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cigano-1-300x230.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cigano-1-550x422.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cigano-1-230x176.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 554px) 100vw, 554px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26195\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Cazo<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o restam d\u00favidas de que as redes sociais foram, dentre os v\u00e1rios setores da economia tecnol\u00f3gica, as que mais lucraram, em todos os sentidos, com a expans\u00e3o global da internet. A internet \u00e9 do povo como o ar \u00e9 do avi\u00e3o. O que esses tempos conturbados mostram \u00e9 que cresce, em ocasi\u00f5es assim, a procura por magos, ciganos, feiticeiros e outros Xam\u00e3s. Todos buscam sa\u00eddas para o futuro, qualquer um que seja. Um desses programas de prognosticar o dia de amanh\u00e3 \u00e9 feito por um tal Cigano do Al\u00e9m Mar. Num desses epis\u00f3dios, o tal cigano exp\u00f4s tudo o que viria em seguida. Ou seja, amanh\u00e3, no m\u00eas que vem e assim por diante at\u00e9 as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Contou ele que toda trama atual est\u00e1 agora atingindo seu cl\u00edmax.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Um folhetim sobre um pa\u00eds que procura, no futuro, a resposta que perdeu no presente \u00e9 o que temos para hoje. Dizem que o s\u00e9culo XXI seria a era da informa\u00e7\u00e3o. E \u00e9. S\u00f3 esqueceram de avisar que informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de entendimento. O Brasil, esta grande embarca\u00e7\u00e3o que avan\u00e7a a remos e contra mar\u00e9s, navega em \u00e1guas turvas. A pol\u00edtica n\u00e3o d\u00e1 tr\u00e9gua, a economia aperta o cinto at\u00e9 onde n\u00e3o h\u00e1 mais furo, e a popula\u00e7\u00e3o vive, como dizem os mais antigos, \u201ca p\u00e3o e \u00e1gua\u201d \u2014 mas conectada, sempre conectada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Se h\u00e1 um setor que ganhou com essa hist\u00f3ria toda, foi o das redes sociais. Plataformas globais, com nomes reluzentes e bolsos profundos, transformaram-se em verdadeiras catedrais digitais. E o povo, fiel devoto, comparece diariamente ao culto. A internet \u00e9 do povo como o ar \u00e9 do avi\u00e3o. Nos tempos de crise, o cora\u00e7\u00e3o humano se volta para o que n\u00e3o pode ver, tocar ou medir. E \u00e9 a\u00ed que florescem, como pragas ou como jardins, as figuras dos adivinhos digitais. Programas como Vis\u00e3o 2025, Or\u00e1culo News, AstroPol\u00edtica Brasil e Linha Direta com o Amanh\u00e3 ganham seguidores fi\u00e9is. O algoritmo trata de entregar mais do mesmo, embalado em promessas de que, sim, o futuro pode ser antecipado e, com sorte, at\u00e9 manipulado. Entre eles, brilha, ou pelo menos pisca, o tal \u201cCigano do Al\u00e9m Mar\u201d. Personagem ou pessoa? Ningu\u00e9m sabe. Ele pr\u00f3prio garante ser um alter ego coletivo, uma voz que fala pelo povo, mas sem a obriga\u00e7\u00e3o de acertar. Afinal, nestes tempos de regula\u00e7\u00e3o iminente, opinar \u00e9 quase como sussurrar num confession\u00e1rio: n\u00e3o se sabe quem escuta, nem o que far\u00e3o com as palavras ditas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O Cigano \u00e9 irreverente, diz o que pensa e pensa o que quer, o que j\u00e1 \u00e9 luxo raro. A plateia digital, entre gargalhadas e espanto, lotou a caixa de coment\u00e1rios. Segundo o Cigano, o que vir\u00e1 amanh\u00e3, no m\u00eas que vem, ou at\u00e9 as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, j\u00e1 est\u00e1 escrito. S\u00f3 que a escrita, ele adverte, n\u00e3o \u00e9 em papel \u2014 \u00e9 em nuvem, e, na nuvem, tudo pode ser editado. Por isso, garante: nada \u00e9 definitivo, s\u00f3 o provis\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O que hoje parece desgra\u00e7a pode ser, amanh\u00e3, an\u00fancio de prosperidade. Ou vice-versa. Enquanto isso, o pa\u00eds real segue seu curso: pre\u00e7os subindo, empregos rareando, discursos endurecendo. A cada nova tens\u00e3o no notici\u00e1rio, aumenta a audi\u00eancia dos programas de adivinha\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os crentes ou cr\u00e9dulos que assistem. H\u00e1 tamb\u00e9m os curiosos, os desesperados e, claro, os que buscam confirmar apenas aquilo que j\u00e1 acreditam. Os pol\u00edticos, na surdina, adoram esses xam\u00e3s e n\u00e3o d\u00e3o um passo sem antes escutar o que predizem. No fundo, o que move esse interesse n\u00e3o \u00e9 o amor pelo misticismo, mas o desespero por alguma certeza.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Em um Brasil onde a realidade \u00e9 vol\u00e1til como <em>trending topic<\/em>, ter algu\u00e9m, mesmo um personagem de chap\u00e9u largo e olhar astuto, que arrisque dizer o que vem pela frente \u00e9 um al\u00edvio. O Cigano, por sua vez, sabe que suas \u201cvis\u00f5es\u201d s\u00e3o mais espelho do que janela. Refletem a ansiedade coletiva, o desejo de ordem em meio ao caos. E quando exagera, quando provoca, quando ri de sua pr\u00f3pria profecia, \u00e9 como se dissesse: \u201cEu sou voc\u00eas, e voc\u00eas s\u00e3o eu. Estamos todos tentando adivinhar o amanh\u00e3\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Talvez seja por isso que, mesmo sem credenciais, sem estat\u00edsticas, sem fontes oficiais, ele siga conquistando espa\u00e7o. Porque, num pa\u00eds onde at\u00e9 o passado \u00e9 incerto, quem n\u00e3o quer ouvir algu\u00e9m falar do futuro com a confian\u00e7a de quem leu o roteiro inteiro? E assim, entre lives, \u00e1udios de WhatsApp e cortes para o TikTok, o &#8220;Cigano do Al\u00e9m Mar&#8221; vai tecendo sua narrativa. Uma novela interativa, onde cada seguidor se torna c\u00famplice e personagem. Ningu\u00e9m sabe como termina e, talvez, essa seja a \u00fanica previs\u00e3o realmente confi\u00e1vel. O mais dif\u00edcil seja mesmo prever o futuro daquilo que nos parece fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cN\u00e3o conhe\u00e7o maneira de julgar o futuro, a n\u00e3o ser pelo passado\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Conf\u00facio<\/p>\n<figure id=\"attachment_16264\" aria-describedby=\"caption-attachment-16264\" style=\"width: 464px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-16264\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio.jpg\" alt=\"\" width=\"464\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio.jpg 750w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio-300x186.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio-350x217.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio-550x340.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/04\/confucio-230x142.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 464px) 100vw, 464px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16264\" class=\"wp-caption-text\">Foto: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">L\u00e1, a pessoa \u00e9 informada de que precisar\u00e1 de selos, e n\u00e3o tem ningu\u00e9m vendendo. Ter\u00e1 que vir ao Plano Pil\u00f4to e voltar, perfazendo um total de 36 quil\u00f4metros a mais.\u00a0<strong>(Publicada em 08.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; N\u00e3o restam d\u00favidas de que as redes sociais foram, dentre os v\u00e1rios setores da economia tecnol\u00f3gica, as que mais lucraram, em todos os sentidos, com a expans\u00e3o global [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26195,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,4014,114,4016,3000,2340,4015,51],"class_list":["post-26191","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-futuro","tag-historiadebrasilia","tag-influencers","tag-internet","tag-mamfil-2","tag-previsao","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26191"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26191\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26199,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26191\/revisions\/26199"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}