{"id":26271,"date":"2025-08-30T01:00:14","date_gmt":"2025-08-30T04:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26271"},"modified":"2025-09-01T15:25:29","modified_gmt":"2025-09-01T18:25:29","slug":"a-fuga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-fuga\/","title":{"rendered":"A fuga"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26275\" aria-describedby=\"caption-attachment-26275\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26275\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/fuga.jpg\" alt=\"\" width=\"635\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/fuga.jpg 722w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/fuga-300x175.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/fuga-550x321.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/fuga-230x134.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 635px) 100vw, 635px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26275\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: revistaexilio.substack<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica que analisa a varia\u00e7\u00e3o nos n\u00fameros da riqueza de um indiv\u00edduo ou empresa, n\u00e3o h\u00e1 lugar para variantes que representem perdas ou diminui\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio. Ao primeiro sinal de que essa varia\u00e7\u00e3o na riqueza tende a decrescer, soa o alarme e as luzes vermelhas, indicando que \u00e9 hora de proteger o capital. Em toda a parte e em todo o tempo da hist\u00f3ria humana, o senso de prote\u00e7\u00e3o dos bens \u00e9 uma atitude natural. A quest\u00e3o \u00e9 simples: se voc\u00ea n\u00e3o cuida de proteger o que \u00e9 seu por direito, n\u00e3o espere que outros venham a faz\u00ea-lo em seu lugar.<\/p>\n<p>Na atual situa\u00e7\u00e3o de pen\u00faria econ\u00f4mica em que vive o Brasil, resultado, como sabemos, da a\u00e7\u00e3o perdul\u00e1ria da atual gest\u00e3o do pa\u00eds, n\u00e3o chega a ser estranho que parte da popula\u00e7\u00e3o mais rica tenha escolhido o caminho do aeroporto para salvaguardar a si e a seus bens. N\u00e3o tendo a quem mais culpar pelos descaminhos das finan\u00e7as, o governo, movido por ideais de matizes socialistas, passou a mirar nos mais ricos, acusando-os primeiro de serem insens\u00edveis \u00e0 evidente bancarrota nacional, para depois justificar um conjunto de medidas draconianas, visando dilapidar tamb\u00e9m todo e qualquer patrim\u00f4nio privado, na forma de novos e escorchantes impostos.<\/p>\n<p>Pelo o que foi divulgado, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 impor uma tributa\u00e7\u00e3o progressiva para aqueles que o governo chama de super-ricos. Ora, ora, ora, se fosse para tributar, com essa sede, os muitos super-ricos que comp\u00f5em o atual governo, a medida ficaria de bom tamanho. Mas nesse lado do muro n\u00e3o se mexe em nada. A quest\u00e3o est\u00e1 do outro lado e recai, principalmente, sobre os empres\u00e1rios que nada devem ao governo e est\u00e3o fora do clube dos campe\u00f5es eleitos. Como aqueles que geram riquezas n\u00e3o padecem do mal da burrice, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 colocar o dinheiro nas malas e sair o mais rapidamente do pa\u00eds. Quem entende minimamente da aritm\u00e9tica das finan\u00e7as, e percebe a ladeira abaixo em que vai rolando o pa\u00eds, sabe que nem com todo o dinheiro arrancado dos super-ricos seria poss\u00edvel salvar o Brasil. Tamb\u00e9m nesse ponto, a quest\u00e3o \u00e9 simples: n\u00e3o \u00e9 o dinheiro que falta ao pa\u00eds, e sim a boa gest\u00e3o dos recursos que j\u00e1 possui e que nos tornaram o pa\u00eds com a maior carga tribut\u00e1ria do planeta. \u00c9 como repetia o fil\u00f3sofo de Mondubim: quem n\u00e3o respeita os centavos, n\u00e3o respeita os milh\u00f5es, pois dinheiro n\u00e3o aceita desaforo e por ele n\u00e3o se deve nem brigar, nem brincar.<\/p>\n<p>No Febeap\u00e1 que assola o Minist\u00e9rio da Economia, ningu\u00e9m est\u00e1 livre de ser tungado, at\u00e9 que mostre os bolsos vazios virados ao avesso. \u00c9 claro que a culpa pela fal\u00eancia anunciada n\u00e3o \u00e9 dos super-ricos, mas t\u00e3o s\u00f3 e exclusivamente da atual desastrosa gest\u00e3o do pa\u00eds. Mas isso n\u00e3o se diz. \u00caxodo de milion\u00e1rios: Para se ter uma ideia do desastre que \u00e9 mirar nos super-ricos, acusando-os de serem os respons\u00e1veis por mais essa crise, temos que em 2025, o Brasil deve registrar a sa\u00edda l\u00edquida de cerca de 1.200 milion\u00e1rios (pessoas com patrim\u00f4nio superior a US$ 1 milh\u00e3o), um recorde para a Am\u00e9rica Latina, o que representa uma perda estimada de US$ 8,4 bilh\u00f5es em riqueza transferida para o exterior. Isso tamb\u00e9m marca um aumento expressivo de 50% em rela\u00e7\u00e3o a 2024, quando apenas cerca de 800 milion\u00e1rios deixaram o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esse \u00a0movimento para fora, coloca o Brasil como o 6\u00ba maior pa\u00eds no \u00eaxodo global de milion\u00e1rios em 2025, atr\u00e1s apenas do Reino Unido, China, \u00cdndia, Coreia do Sul e R\u00fassia. Entre os principais destinos desse pessoal incluem EUA (notadamente a Fl\u00f3rida), Portugal, Ilhas Cayman, Costa Rica e Panam\u00e1, ou seja. onde seu dinheiro \u00e9 respeitado. Essa migra\u00e7\u00e3o certamente valida a impress\u00e3o de que os mais ricos, alertados por instabilidade pol\u00edtica, carga tribut\u00e1ria elevada, inseguran\u00e7a e gest\u00e3o econ\u00f4mica problem\u00e1tica, est\u00e3o realmente buscando prote\u00e7\u00e3o para seus bens (e suas fam\u00edlias) em outros lugares bem longe do Brasil e do seu governo. Outros dados tamb\u00e9m influenciam nesse \u00eaxodo como a percep\u00e7\u00e3o de que a corrup\u00e7\u00e3o continua alt\u00edssima: 59,1% dos brasileiros relatam ter &#8220;pouca ou nenhuma&#8221; confian\u00e7a na imparcialidade do sistema judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, 90,1% acham que pol\u00edticos s\u00e3o raramente ou nunca punidos, n\u00famero que sinaliza descr\u00e9dito institucional profundo. Talvez, n\u00e3o seja surpresa nesse momento que a apropria\u00e7\u00e3o de gest\u00e3o econ\u00f4mica tamb\u00e9m est\u00e1 sob fogo: pesquisas entre janeiro e fevereiro de 2025 mostram desaprova\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o presidencial muito superior \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o, chegando a 51% de reprova\u00e7\u00e3o e apenas 24% de aprova\u00e7\u00e3o. Por outro lado, as preocupa\u00e7\u00f5es com infla\u00e7\u00e3o, carga tribut\u00e1ria, economia e reforma tribut\u00e1ria s\u00e3o predominantes entre os brasileiros, sobretudo, a infla\u00e7\u00e3o foi apontada por 75% como o maior problema econ\u00f4mico do nosso pa\u00eds hoje.<\/p>\n<p>O sistema tribut\u00e1rio brasileiro e a burocracia s\u00e3o reconhecidos como um dos principais entraves \u00e0s empresas: o chamado \u201cCusto Brasil\u201d inclui infraestrutura deficiente, carga tribut\u00e1ria alta e complexa, o que torna a ind\u00fastria menos competitiva, segundo levantamento recente. A pol\u00edtica de taxa\u00e7\u00e3o agressiva contra os mais ricos, em especial propostas como maior tributa\u00e7\u00e3o sobre patrim\u00f4nio, heran\u00e7a e dividendos, parece uma contradi\u00e7\u00e3o flagrante: em vez de aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o, pode acelerar a fuga de pessoas e recursos, diminuindo a base tribut\u00e1vel efetiva e fragilizando ainda mais o pa\u00eds. \u00c9 o tiro no p\u00e9 que faltava. Al\u00e9m disso, a sa\u00edda anual de 1.200 milion\u00e1rios representa n\u00e3o s\u00f3 uma perda imediata de capital, mas tamb\u00e9m de poder influente, investimentos, empregos e inova\u00e7\u00e3o, fatores cr\u00edticos para recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Ignorar falhas de gest\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o e baixa confian\u00e7a p\u00fablica, ao atribuir a \u201cfalta de respeito por centavos\u201d apenas a um grupo econ\u00f4mico, desvia o foco do n\u00facleo do problema: a derrocada estrutural vem da m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de riqueza per si.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u00a0\u201cSell in may and ago away\u201d. (Venda em maio e v\u00e1 embora)<\/em><br \/>\nProv\u00e9rbio do Mercado Financeiro<\/p>\n<figure id=\"attachment_26274\" aria-describedby=\"caption-attachment-26274\" style=\"width: 519px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26274\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cazo.jpg\" alt=\"\" width=\"519\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cazo.jpg 969w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cazo-300x224.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cazo-768x572.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cazo-800x596.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cazo-550x410.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/cazo-230x171.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 519px) 100vw, 519px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26274\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Cazo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nO senhor Martins Rodrigues, que reside em Bras\u00edlia, e que daqui a pouco arrasta o p\u00e9 , bem poderia patrocinar essa causa em benef\u00edcio do Distrito Federal, com a autoridade de l\u00edder da maioria. <strong>(Publicado em 08.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Na equa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica que analisa a varia\u00e7\u00e3o nos n\u00fameros da riqueza de um indiv\u00edduo ou empresa, n\u00e3o h\u00e1 lugar para variantes que representem perdas ou diminui\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio. 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