{"id":26279,"date":"2025-08-31T01:00:07","date_gmt":"2025-08-31T04:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26279"},"modified":"2025-09-01T15:35:36","modified_gmt":"2025-09-01T18:35:36","slug":"mercado-de-ilusoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/mercado-de-ilusoes\/","title":{"rendered":"Mercado de ilus\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26284\" aria-describedby=\"caption-attachment-26284\" style=\"width: 586px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26284\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/taxa\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/taxa\u00e7\u00e3o.jpg 836w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/taxa\u00e7\u00e3o-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/taxa\u00e7\u00e3o-768x433.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/taxa\u00e7\u00e3o-800x451.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/taxa\u00e7\u00e3o-550x310.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/taxa\u00e7\u00e3o-230x130.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26284\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ricardo Stuckert &#8211; 02 de julho de 2025<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Discuss\u00f5es sobre taxar grandes fortunas e investimentos dos chamados super-ricos, por mais antiga que seja, insiste em ressurgir nos corredores do poder como se fosse a mais brilhante das inova\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. N\u00e3o \u00e9. A hist\u00f3ria pol\u00edtica e econ\u00f4mica mundial j\u00e1 forneceu in\u00fameros exemplos, em distintas \u00e9pocas e contextos, demonstrando que tais medidas, quando gestadas \u00e0s pressas, apenas para cobrir d\u00e9ficits ou aplacar press\u00f5es sociais, pouco ou nada alteram a realidade estrutural de um pa\u00eds. A insist\u00eancia nessa tecla, travestida de justi\u00e7a social, n\u00e3o se sustenta diante da experi\u00eancia acumulada. \u00c9 como um disco arranhado que volta sempre ao mesmo refr\u00e3o, mas sem convencer a plateia que j\u00e1 percebeu a falsidade da melodia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Curioso, ou talvez \u00a0tr\u00e1gico, \u00e9 que mesmo ap\u00f3s sucessivos fracassos, governos continuam a apostar nesse expediente. Apresenta-se ao povo a imagem de que se trata de uma corre\u00e7\u00e3o moral, de uma repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica contra desigualdades que seriam responsabilidade exclusiva dos detentores de grandes patrim\u00f4nios. Nada mais ilus\u00f3rio. Essa ret\u00f3rica, ao mesmo tempo sedutora e manique\u00edsta, transfere, para uma classe social determinada, a culpa pelos males que t\u00eam ra\u00edzes bem mais profundas: a inefici\u00eancia administrativa, o gasto p\u00fablico descontrolado, a corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica e, sobretudo, a incapacidade do Estado de reformar a si mesmo. \u00c9 mais f\u00e1cil apontar o dedo para os ricos do que olhar para dentro dos pal\u00e1cios governamentais, onde se tomam as decis\u00f5es que repercutem, quase sempre negativamente, na vida de todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Diferentemente das pessoas, o capital n\u00e3o tem nacionalidade nem apego emocional \u00e0 terra em que repousa. Move-se silenciosamente, atra\u00eddo pela previsibilidade, pela estabilidade e pela seguran\u00e7a. Se um pa\u00eds amea\u00e7a, pela via tribut\u00e1ria, confiscar parte relevante, n\u00e3o hesitar\u00e1 em buscar outros destinos. H\u00e1, no mundo, um mercado \u00e1vido por acolher investimentos, e dele participam pa\u00edses que competem, justamente, oferecendo menos risco e mais confian\u00e7a. Por isso, quando o governo anuncia que arrecadar\u00e1 dezenas de bilh\u00f5es com uma nova taxa\u00e7\u00e3o, como se fosse um man\u00e1 ca\u00eddo do c\u00e9u, omite o detalhe de que essa previs\u00e3o j\u00e1 nasce falha. O que se projeta como R$ 54 bilh\u00f5es, em c\u00e1lculos otimistas, dificilmente se confirmar\u00e1 diante das m\u00faltiplas rotas de fuga que o capital encontrar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Enquanto isso, permanece inalterada a ess\u00eancia da economia real: s\u00e3o os empres\u00e1rios, os investidores e os empreendedores que, por meio de suas iniciativas, criam empregos e dinamizam cadeias produtivas. A demoniza\u00e7\u00e3o dessa parcela da sociedade, embora \u00fatil como discurso pol\u00edtico, ignora que \u00e9 dela que depende, em boa parte, a gera\u00e7\u00e3o de riqueza do pa\u00eds. Nas economias centralizadas, onde o Estado se imp\u00f5e como \u00fanico motor, a hist\u00f3ria j\u00e1 mostrou os resultados: escassez, burocracia sufocante, desest\u00edmulo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e, por consequ\u00eancia, pobreza generalizada. No entanto, governos efetivamente democr\u00e1ticos, que deveriam aprender com tais exemplos, preferem repetir o erro, com roupagens modernas, mas com igual ess\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">T\u00e3o proclamada e t\u00e3o raramente praticada, a verdadeira justi\u00e7a tribut\u00e1ria exigiria uma postura diversa. Antes de qualquer nova cobran\u00e7a, seria necess\u00e1rio reconhecer os pr\u00f3prios erros, admitir a irresponsabilidade nos gastos, a falta de planejamento, a persist\u00eancia de desvios e privil\u00e9gios. Esse gesto de humildade, embora raro, seria o primeiro passo para uma corre\u00e7\u00e3o de rumos. Mas a pol\u00edtica, com frequ\u00eancia, prefere a conveni\u00eancia \u00e0 sinceridade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o se pode ignorar ainda que os grandes grupos econ\u00f4micos, dada a influ\u00eancia que possuem nos diversos setores da vida nacional, inclusive na m\u00e1quina p\u00fablica, dificilmente s\u00e3o pegos de surpresa. Possuem canais de informa\u00e7\u00e3o privilegiados, rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e mecanismos jur\u00eddicos que lhes permitem antecipar-se a qualquer investida arrecadat\u00f3ria. Quando a lei entra em vigor, j\u00e1 trataram de blindar seus ativos, transformando-os em fundos de previd\u00eancia, transferindo-os ao exterior ou utilizando instrumentos financeiros que os protejam. O Estado, que se julga esperto, invariavelmente, chega atrasado \u00e0 corrida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Quem fica preso \u00e0 armadilha \u00e9 o cidad\u00e3o comum. Para ele, n\u00e3o h\u00e1 para\u00edsos fiscais, nem fundos blindados, nem assessorias jur\u00eddicas sofisticadas. Paga-se o pre\u00e7o da arrecada\u00e7\u00e3o mal conduzida e da inefici\u00eancia p\u00fablica com impostos cada vez mais pesados sobre consumo, sobre trabalho, sobre servi\u00e7os b\u00e1sicos. A farsa da taxa\u00e7\u00e3o dos super-ricos n\u00e3o se reverte em al\u00edvio para os mais pobres, n\u00e3o reduz tributos indiretos, n\u00e3o amplia a justi\u00e7a social. \u00c9 apenas um jogo de cena, no qual se anuncia um castigo para poucos e se imp\u00f5e, em sil\u00eancio, uma carga ainda maior para muitos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Se o governo, de fato, desejasse aumentar sua arrecada\u00e7\u00e3o sem ferir a confian\u00e7a dos investidores e sem promover a evas\u00e3o de capitais, poderia voltar-se para si mesmo. O combate sistem\u00e1tico \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, que corr\u00f3i recursos bilion\u00e1rios todos os anos, teria efeito muito mais robusto e imediato. A revis\u00e3o de privil\u00e9gios de altos cargos, frequentemente sustentados por sal\u00e1rios e benef\u00edcios muito acima da m\u00e9dia, traria credibilidade \u00e0s medidas de ajuste. Mas essa agenda, todos sabemos, \u00e9 inc\u00f4moda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>&#8220;N\u00f3s temos um problema que \u00e9 uma defici\u00eancia cultural no Brasil. Todo benef\u00edcio que voc\u00ea d\u00e1 para o setor produtivo, para os empres\u00e1rios, para que uma empresa possa se instalar num estado, para que a gente possa evitar crise econ\u00f4mica \u2013 e eu j\u00e1 fiz muito \u2013, voc\u00ea d\u00e1 por um ano, por dois anos\u2026 Quando voc\u00ea quer tirar, \u00e9 muito dif\u00edcil, as pessoas querem que seja permanente&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Presidente Lula<\/p>\n<figure id=\"attachment_26267\" aria-describedby=\"caption-attachment-26267\" style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26267\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/lula.jpg\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"292\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/lula.jpg 793w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/lula-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/lula-768x429.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/lula-550x307.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/lula-230x128.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26267\" class=\"wp-caption-text\">Presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Uma nota para os que falam no retorno da Capital; h\u00e1 vagas em todas as escolas do Plano Piloto para qualquer ano do curso prim\u00e1rio. <strong>(Publicada em 09.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Discuss\u00f5es sobre taxar grandes fortunas e investimentos dos chamados super-ricos, por mais antiga que seja, insiste em ressurgir nos corredores do poder como se fosse a mais brilhante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26284,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,153,4034,1490,114,2340,119,4033,5],"class_list":["post-26279","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-economia","tag-fugadecapital","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-pt","tag-super-ricos","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26279","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26279"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26285,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26279\/revisions\/26285"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}