{"id":26302,"date":"2025-09-05T01:00:45","date_gmt":"2025-09-05T04:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26302"},"modified":"2025-09-05T17:15:39","modified_gmt":"2025-09-05T20:15:39","slug":"bolha-de-sabao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/bolha-de-sabao\/","title":{"rendered":"Bolha de sab\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26306\" aria-describedby=\"caption-attachment-26306\" style=\"width: 604px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26306\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/imposto.jpg\" alt=\"\" width=\"604\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/imposto.jpg 795w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/imposto-300x149.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/imposto-768x382.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/imposto-550x273.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/imposto-230x114.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26306\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Elvis<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o an\u00fancio dos novos aumentos nas contas de luz e de IPTU, fica f\u00e1cil demonstrar que, na equa\u00e7\u00e3o que combina estatismo mais sanha arrecadat\u00f3ria, os n\u00fameros n\u00e3o fecham nem hoje, nem amanh\u00e3. Na verdade, tendem a ficar insustent\u00e1veis. A ex-primeira ministra brit\u00e2nica Margaret Thatcher j\u00e1 havia resumiu adequadamente esse nosso dilema: \u201co problema do socialismo \u00e9 que, cedo ou tarde, voc\u00ea fica sem o dinheiro dos outros\u201d. A frase com o peso de um elefante por sua realidade cruenta era comum nos seus discursos dos anos 1970\/80, e era uma cr\u00edtica direcionada aos Estados inchados, que dependem de tributar cada vez mais para manter gastos crescentes de uma m\u00e1quina inchada e improdutiva.<\/p>\n<p>Von Mises (1881-1973), economista austr\u00edaco, foi mais fundo nessa an\u00e1lise: sem pre\u00e7os de mercado (e com incentivos distorcidos), o planejamento central n\u00e3o consegue alocar recursos com efici\u00eancia; a conta aparece como desperd\u00edcio, estagna\u00e7\u00e3o e, por fim, necessidade de arrecadar infinitamente mais.<\/p>\n<p>Depois de cair para 32,44% do PIB em 2023, a nossa carga tribut\u00e1ria bruta subiu de forma relevante em 2024: estimativa oficial do Tesouro aponta 32,32% do PIB (metodologia \u201cgoverno geral\u201d), +2,06 p.p. em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9trica compar\u00e1vel do ano anterior nessa s\u00e9rie. Ou seja, mais peso de tributos sobre a economia num ciclo curt\u00edssimo.<\/p>\n<p>No plano federal, houve refor\u00e7o de receita com novas bases e fechamento de brechas, por exemplo, a Lei 14.754\/2023, que tributa offshores e fundos exclusivos a 15% a partir de 2024; al\u00e9m de reonera\u00e7\u00f5es em combust\u00edveis e outras medidas que elevaram a arrecada\u00e7\u00e3o recorde de 2024 e mant\u00eam 2025 em trajet\u00f3ria ascendente. Isso melhora o caixa no curto prazo, mas tamb\u00e9m pressiona o contribuinte formal. O que o contribuinte enxerga \u00e9 que, na \u00e1rea de arrecada\u00e7\u00e3o, h\u00e1 sempre um mecanismo de aperfei\u00e7oamento no arrocho dos tributos, mas que n\u00e3o \u00e9 acompanhado por uma melhora na forma como esses recursos s\u00e3o gastos. Pelo contr\u00e1rio: quanto mais se arrecada, piores se tornam a qualidade nos investimentos do governo.<\/p>\n<p>Uma das ideias mais provocativas da economia tribut\u00e1ria, a Curva de Laffer, ganhou notoriedade nos anos 1980, quando o ent\u00e3o presidente americano Ronald Reagan a usou como justificativa para cortes de impostos. De maneira simples, a curva mostra que existe um ponto \u00f3timo de tributa\u00e7\u00e3o. Na ponta esquerda, com al\u00edquotas muito baixas, a arrecada\u00e7\u00e3o \u00e9 pequena porque o governo cobra pouco. J\u00e1 no extremo direito, quando a al\u00edquota se aproxima de 100%, a arrecada\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m despenca: se tudo o que algu\u00e9m ganha vai para o Estado, n\u00e3o h\u00e1 incentivo para trabalhar, investir ou produzir. Entre esses dois extremos, h\u00e1 um ponto de equil\u00edbrio em que a carga tribut\u00e1ria \u00e9 suficiente para garantir receita ao governo sem sufocar a economia.<\/p>\n<p>Quando os impostos ultrapassam esse n\u00edvel, o efeito \u00e9 perverso: empresas reduzem investimentos, trabalhadores desistem de formalizar renda, cresce a sonega\u00e7\u00e3o e, em casos mais graves, ocorre a fuga de capitais para outros pa\u00edses. O resultado \u00e9 paradoxal: al\u00edquotas mais altas podem levar a menos dinheiro no caixa do governo.<\/p>\n<p>No Brasil, a discuss\u00e3o sobre a curva de Laffer volta \u00e0 tona sempre que estados elevam o ICMS ou quando o governo federal busca novas fontes de receita. Economistas lembram que, em um pa\u00eds onde a carga tribut\u00e1ria j\u00e1 supera os 32% do PIB, aumentos adicionais podem empurrar mais gente para a informalidade ou estimular a sa\u00edda de investidores, reduzindo a pr\u00f3pria arrecada\u00e7\u00e3o no m\u00e9dio prazo. Com isso, fica claro que a arrecada\u00e7\u00e3o n\u00e3o cresce indefinidamente junto com os impostos. Existe um ponto em que insistir em mais tributa\u00e7\u00e3o significa, na pr\u00e1tica, cavar o pr\u00f3prio buraco fiscal. \u00c9 nesse ponto em que estamos agora. E vem aumentos por a\u00ed. Na energia, a ANEEL autorizou reajustes tarif\u00e1rios m\u00e9dios em 2025 (ex.: 5,83% na Enel SP, 3,59% na Light RJ, 4,41% na Cemig MG). Mesmo com bandeira verde em agosto\/2025, o efeito estrutural dos reajustes pesa na \u201cconta de luz\u201d.<\/p>\n<p>No im\u00f3vel, IPTU \u00e9 municipal e varia por cidade; S\u00e3o Paulo corrigiu 4,3% em 2025 (sem tocar na planta gen\u00e9rica), um exemplo do movimento de atualiza\u00e7\u00e3o que aumenta a conta do contribuinte urbano. A ideia do governo \u00e9 cobrar o IPTU com base no valor venal ou de mercado do im\u00f3vel, numa aritm\u00e9tica que pode elevar esse imposto em quase 50%. Por outro lado, copiando o que faz o governo federal, muitos governos estaduais subiram as al\u00edquotas modais do ICMS em 2024 e 2025 (RJ para 22%; BA 20,5%; PR 19,5%; e novos aumentos em 2025 como MA 23%, PI 22,5%, RN 20%). Isso eleva pre\u00e7os ao consumidor e custos das empresas, mais um canal de \u201cextra\u00e7\u00e3o\u201d tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia dessa loucura em impor tributos, o chamado impost\u00f4metro (ACSP) registrou que, at\u00e9 20 de agosto de 2025, os brasileiros j\u00e1 haviam pago R$ 2,5 trilh\u00f5es em impostos no ano, ou seja, um novo patamar simb\u00f3lico da imensa carga tribut\u00e1ria sobre a economia e sobre os brasileiros. A t\u00e1tica parece ser acabar primeiro com a classe m\u00e9dia, depois com os mais ricos. Os mais pobres v\u00e3o de rold\u00e3o no fim das contas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;Uma moeda s\u00f3lida \u00e9 condi\u00e7\u00e3o sine qua non para uma sociedade pr\u00f3spera.&#8221;<\/em><br \/>\nArthur Laffer<\/p>\n<figure id=\"attachment_26308\" aria-describedby=\"caption-attachment-26308\" style=\"width: 517px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26308\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/tr.jpg\" alt=\"\" width=\"517\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/tr.jpg 741w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/tr-300x210.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/tr-550x384.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/tr-230x161.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26308\" class=\"wp-caption-text\">Arthur Laffer, assessor do presidente Ronald Reagan, recebeu a Medalha da Liberdade de Trump. Foto: Bloomberg<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia.<\/strong><br \/>\nA origem do emprego \u00e9 interessante. Trata-se de um rapaz da Bahia, residente em Goi\u00e1s, que n\u00e3o tinha trabalho. O deputado An\u00edsio Rocha recomendou-o a Geraldo, dono do restaurante e foi assim que surgiu o emprego mais original dos \u00faltimos tempos. <strong>(Publicada em 09.05. 1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Com o an\u00fancio dos novos aumentos nas contas de luz e de IPTU, fica f\u00e1cil demonstrar que, na equa\u00e7\u00e3o que combina estatismo mais sanha arrecadat\u00f3ria, os n\u00fameros n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26306,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,1490,114,1435,1313,2340,2448,119,2598],"class_list":["post-26302","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-impostometro","tag-impostosnobrasil","tag-mamfil-2","tag-pib","tag-pt","tag-tributos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26302","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26302"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26302\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26309,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26302\/revisions\/26309"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26306"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}