{"id":26316,"date":"2025-09-07T01:00:39","date_gmt":"2025-09-07T04:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26316"},"modified":"2025-09-08T10:31:33","modified_gmt":"2025-09-08T13:31:33","slug":"mais-agilidade-no-ser-e-existir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/mais-agilidade-no-ser-e-existir\/","title":{"rendered":"Mais agilidade no ser e existir"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26321\" aria-describedby=\"caption-attachment-26321\" style=\"width: 592px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26321\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/marco.jpg\" alt=\"\" width=\"592\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/marco.jpg 1157w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/marco-300x178.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/marco-768x455.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/marco-1024x606.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/marco-800x474.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/marco-550x326.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/marco-230x136.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26321\" class=\"wp-caption-text\">Foto: \u00a9 Bruno Peres\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O que antes era murm\u00fario de rua, agora se converte em transmiss\u00f5es ao vivo, publica\u00e7\u00f5es virais e den\u00fancias compartilhadas em escala massiva. As ferramentas digitais concederam ao cidad\u00e3o comum a possibilidade de atravessar o abismo hist\u00f3rico entre governantes e governados, realizando uma travessia que n\u00e3o depende mais da media\u00e7\u00e3o de jornais, partidos ou lideran\u00e7as tradicionais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Talvez n\u00e3o se imaginasse que a chegada das tecnologias digitais de comunica\u00e7\u00e3o, sobretudo as redes sociais alimentadas pela internet e pela expans\u00e3o das chamadas big techs, n\u00e3o alteraria a rotina da pol\u00edtica nacional, que at\u00e9 ent\u00e3o caminhava em ritmo lento, quase protocolar, como se seguisse uma partitura herdada do s\u00e9culo passado. A rede transformou em protagonistas aqueles que antes ocupavam apenas a plateia do espet\u00e1culo pol\u00edtico. De repente, multid\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o invis\u00edveis puderam atravessar, ainda que virtualmente, as barreiras simb\u00f3licas que mantinham intocados os espa\u00e7os nobres do poder, inundando com sua presen\u00e7a os corredores que se julgavam exclusivos e intoc\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Esse movimento, longe de ser mero acidente, \u00e9 consequ\u00eancia natural do car\u00e1ter expansivo da comunica\u00e7\u00e3o em tempo real: quanto maior a opacidade das decis\u00f5es, mais irresist\u00edvel se torna o impulso coletivo de investigar, questionar e expor o que permanece guardado. Se antes a curiosidade popular se restringia \u00e0s esquinas, janelas e portas entreabertas, hoje encontra recursos muito mais poderosos para observar o cotidiano das elites pol\u00edticas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A rea\u00e7\u00e3o institucional, previs\u00edvel, veio carregada de desconforto e de justificativas solenes: incomodados com a entrada s\u00fabita e desordenada das massas digitais nos dom\u00ednios do Estado, os detentores do poder passaram a tratar esse movimento como amea\u00e7a. O esfor\u00e7o de conten\u00e7\u00e3o se traduziu em propostas legislativas, em normas regulat\u00f3rias e em discursos que evocam a necessidade de proteger a democracia de perigos difusos. As fakenews e os chamados discursos de \u00f3dio, problemas reais, mas complexos, surgem nesse cen\u00e1rio mais como pretextos do que como causas; funcionam como m\u00e1scaras discursivas para justificar medidas cujo objetivo \u00faltimo \u00e9 restringir a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e restaurar a dist\u00e2ncia confort\u00e1vel entre a popula\u00e7\u00e3o e os n\u00facleos de decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00c9 nesse contexto que se inscreve a discuss\u00e3o em torno do Projeto de Lei 2630, apresentado como marco regulat\u00f3rio das redes sociais e, na pr\u00e1tica, transformado em campo de batalha sobre os limites da participa\u00e7\u00e3o popular. O debate formal se concentra nos aspectos t\u00e9cnicos, mas o que est\u00e1 em jogo \u00e9 algo mais profundo: trata-se de decidir se os cidad\u00e3os ter\u00e3o ou n\u00e3o o direito de atravessar o mar simb\u00f3lico que separa dois territ\u00f3rios. De um lado, a sociedade, ruidosa, desigual e impaciente; de outro, os pal\u00e1cios, espa\u00e7os onde o poder se protege e se perpetua. N\u00e3o \u00e9 casual que a presen\u00e7a das massas nesses ambientes seja lida como amea\u00e7a. Desde a forma\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas empregam mecanismos legais e informais para resguardar privil\u00e9gios e neutralizar qualquer forma de intromiss\u00e3o popular.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A insist\u00eancia em justificar restri\u00e7\u00f5es \u00e0 participa\u00e7\u00e3o digital em nome da ordem, da seguran\u00e7a ou do combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o revela, mais do que zelo democr\u00e1tico, uma dificuldade hist\u00f3rica de conviver com a transpar\u00eancia. Ao bloquear a entrada do povo nos bastidores do poder, o que se preserva n\u00e3o \u00e9 a qualidade da informa\u00e7\u00e3o, mas a estabilidade de um arranjo que depende justamente da dist\u00e2ncia entre governantes e governados. O inc\u00f4modo que a multid\u00e3o causa n\u00e3o reside em sua desorganiza\u00e7\u00e3o ou em sua linguagem rude, mas no simples fato de existir e se fazer presente em um espa\u00e7o que, por d\u00e9cadas, pretendeu ser reservado a poucos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o que se desenha diante dos olhos \u00e9 uma coreografia de distra\u00e7\u00f5es, cuidadosamente elaborada para transferir a responsabilidade da crise. Aponta-se a tecnologia como culpada, quando, na verdade, o verdadeiro problema \u00e9 a incapacidade das elites de aceitar que o monop\u00f3lio da informa\u00e7\u00e3o e da narrativa se rompeu. Demonizam-se as redes sociais n\u00e3o porque falham, mas porque cumprem, ainda que de modo imperfeito, a fun\u00e7\u00e3o de colocar o povo em contato direto com os bastidores do poder. \u00c9 mais f\u00e1cil responsabilizar o meio do que admitir a fragilidade de um sistema pol\u00edtico que se sustenta no sil\u00eancio, nas estrat\u00e9gias veladas e na exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cA ci\u00eancia e a tecnologia revolucionam nossas vidas, mas a mem\u00f3ria, a tradi\u00e7\u00e3o e o mito moldam nossa resposta.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Arthur Schlesinger<\/p>\n<figure id=\"attachment_26318\" aria-describedby=\"caption-attachment-26318\" style=\"width: 402px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26318\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/arthur.jpg\" alt=\"\" width=\"402\" height=\"490\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/arthur.jpg 586w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/arthur-246x300.jpg 246w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/arthur-550x671.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/arthur-230x281.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26318\" class=\"wp-caption-text\">Arthur M. Schlesinger Jr. em janeiro de 1961. Foto: arquivo AP<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Sempre improvisado<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Logo que acidentes naturais acontecem no mundo civilizado, filmagens mostram a reconstru\u00e7\u00e3o dos locais em apenas alguns dias. Pontes, pr\u00e9dios, moradias, tudo reconstru\u00eddo profissionalmente em pouco tempo, com a preocupa\u00e7\u00e3o de devolver a rotina tranquila aos cidad\u00e3os. Em Bras\u00edlia, a lente mostra sem\u00e1foros quebrados na altura da 513\/313 norte e 515\/315 norte, onde os motoristas atravessariam a W3. A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi consertar o equipamento imediatamente. Foi desviar o tr\u00e2nsito do local j\u00e1 por duas semanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O Iate Clube fez um estacionamento mais racional, e p\u00f4s um guarda orientando os motoristas. O \u00fanico que estava errado era um chapa verde e amarelo da C\u00e2mara, que n\u00e3o daremos o n\u00famero para n\u00e3o contrariar a senhora que o estava utilizando no clube. <strong>(Publicada em 09.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; O que antes era murm\u00fario de rua, agora se converte em transmiss\u00f5es ao vivo, publica\u00e7\u00f5es virais e den\u00fancias compartilhadas em escala massiva. 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