{"id":26363,"date":"2025-09-20T01:00:53","date_gmt":"2025-09-20T04:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26363"},"modified":"2025-09-30T11:40:44","modified_gmt":"2025-09-30T14:40:44","slug":"o-novo-gulag-do-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-novo-gulag-do-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"O novo gulag do s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26374\" aria-describedby=\"caption-attachment-26374\" style=\"width: 403px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26374\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/lezek.jpg\" alt=\"\" width=\"403\" height=\"520\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/lezek.jpg 489w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/lezek-232x300.jpg 232w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/lezek-230x297.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26374\" class=\"wp-caption-text\">Leszek Ko\u0142akowski. Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>Leszek Ko\u0142akowski, fil\u00f3sofo polon\u00eas que conheceu por dentro e por fora a experi\u00eancia do socialismo real, deixou um alerta que soa mais atual do que nunca: a aboli\u00e7\u00e3o do mercado n\u00e3o \u00e9 apenas um atentado contra a economia, mas contra a pr\u00f3pria liberdade humana. Quando o Estado assume o monop\u00f3lio da produ\u00e7\u00e3o, inevitavelmente se apropria tamb\u00e9m da informa\u00e7\u00e3o, da cultura e da comunica\u00e7\u00e3o. O resultado hist\u00f3rico foi sempre o mesmo: inefici\u00eancia, racionamento e repress\u00e3o. Uma \u201csociedade gulag\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, no Brasil e no mundo, assistimos a uma vers\u00e3o sofisticada desse processo. N\u00e3o h\u00e1, como no passado, uma declara\u00e7\u00e3o expl\u00edcita contra o mercado ou uma coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Ao contr\u00e1rio, partidos de esquerda falam em \u201clivre mercado\u201d e em \u201clivre pensar\u201d. Mas o discurso n\u00e3o resiste \u00e0 pr\u00e1tica. O que se observa \u00e9 um gradual cerco \u00e0 liberdade de escolha econ\u00f4mica e \u00e0 autonomia da palavra.<\/p>\n<p>No campo econ\u00f4mico, a interven\u00e7\u00e3o estatal cresce sob m\u00faltiplas formas: subs\u00eddios bilion\u00e1rios a setores amigos do governo, empresas estatais ineficientes mantidas a qualquer custo, tributa\u00e7\u00e3o sufocante sobre o empreendedor e o trabalhador, al\u00e9m de regula\u00e7\u00f5es que criam um labirinto quase intranspon\u00edvel para quem deseja investir.<\/p>\n<p>A ret\u00f3rica da \u201cjusti\u00e7a social\u201d serve de biombo para o aumento da depend\u00eancia da sociedade em rela\u00e7\u00e3o ao Estado, com programas de transfer\u00eancia de renda que se transformam em instrumentos de poder pol\u00edtico. Elena Ayala resume bem em seu Instagram, onde mostra aos brasileiros a realidade do comunismo em Cuba. O lado que os turistas n\u00e3o veem. A \u00fanica igualdade que existe por l\u00e1 \u00e9 a pobreza. \u201cQuando voc\u00ea recebe tudo de gra\u00e7a do governo \u00e9 sinal que est\u00e1 perto de perder a sua liberdade.\u201d No campo das ideias, o risco \u00e9 ainda maior. A liberdade de express\u00e3o \u00a0base de qualquer democracia \u00a0vem sendo relativizada sob a bandeira do combate \u00e0 \u201cdesinforma\u00e7\u00e3o\u201d. Termos vagos e el\u00e1sticos abrem caminho para censura oficializada por ag\u00eancias reguladoras e, mais grave ainda, por parcerias entre governos e Big Techs.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o digital, que deveria ampliar vozes, \u00e9 cada vez mais submetida a filtros ideol\u00f3gicos. O pluralismo, ess\u00eancia do livre pensar, vai cedendo espa\u00e7o a uma uniformiza\u00e7\u00e3o ditada de cima para baixo. \u00c9 nesse ponto que a advert\u00eancia de Ko\u0142akowski ressurge com for\u00e7a. Ele dizia que sem mercado n\u00e3o h\u00e1 apenas perda de bens materiais, mas tamb\u00e9m de bens intelectuais. A sociedade passa a viver de racionamentos \u2014 n\u00e3o apenas de produtos, mas de ideias.<\/p>\n<p>O novo gulag n\u00e3o tem arame farpado nem torres de vigia, mas hashtags, algoritmos e tribunais de exce\u00e7\u00e3o. O medo de perder espa\u00e7o, reputa\u00e7\u00e3o ou sustento j\u00e1 funciona como mecanismo disciplinador mais eficiente que a pol\u00edcia pol\u00edtica de outrora. Ao insistirem em um modelo que finge preservar o livre mercado e o livre pensar, mas que na pr\u00e1tica submete ambos ao crivo do Estado e de suas alian\u00e7as, as esquerdas modernas repetem os erros que Ko\u0142akowski denunciou.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de imaginar tanques nas ruas ou coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada; trata-se de enxergar como a liberdade pode morrer lentamente, sob discursos sedutores de inclus\u00e3o, democracia e justi\u00e7a. Cabe \u00e0 sociedade, \u00e0 imprensa e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es compreender que a li\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX ainda n\u00e3o foi aprendida. A hist\u00f3ria mostrou que a supress\u00e3o gradual da liberdade \u00a0econ\u00f4mica e de express\u00e3o \u00a0nunca termina bem. O Brasil e o mundo precisam decidir se querem viver em uma democracia aberta ou em uma vers\u00e3o digitalizada e branda do velho gulag.<\/p>\n<p>Observem o que disse o fil\u00f3sofo sobre a revolu\u00e7\u00e3o do proletariado, previsto pelo pr\u00f3prio Marx: \u201cO mais importante, \u00e9 que a teoria marxiana previu a inevitabilidade da revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria. Revolu\u00e7\u00e3o que nunca ocorreu em lugar nenhum. A revolu\u00e7\u00e3o bolchevique na R\u00fassia n\u00e3o guarda rela\u00e7\u00e3o nenhuma com as profecias de Marx. N\u00e3o teve como for\u00e7a motriz o conflito entre o proletariado industrial e o capital, mas, sim, a press\u00e3o de bord\u00f5es sem nenhum conte\u00fado socialista, muito menos marxista, como: paz e terra para os camponeses. Bord\u00f5es esses que, \u00e9 desnecess\u00e1rio dizer, posteriormente redundariam em seu oposto. O que talvez mais se aproxime de uma revolu\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, no s\u00e9culo XX, foram os eventos de 1980\/1981 na Pol\u00f3nia \u2013 movimento revolucion\u00e1rio dos trabalhadores industriais (muito fortemente apoiado pela intelligentsia) contra os seus exploradores, quer dizer, o Estado. E este caso solit\u00e1rio de revolu\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora (se pode, por isso mesmo, ser tido como tal) foi dirigido contra um estado socialista, sob a \u00e9gide do sinal da cruz e com a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Papa Jo\u00e3o Paulo II.\u201d<\/p>\n<p>A China moderna parece hoje o exemplo vivo de que as teorias marxistas que pregavam a destrui\u00e7\u00e3o do livre mercado e do capitalismo estavam erradas. A China hoje empreende um modelo pr\u00f3prio de capitalismo de Estado, que explica muito sobre o desenvolvimento econ\u00f4mico daquele pa\u00eds. A China comunista, por sua vez \u00e9 aquela baseada em princ\u00edpios pol\u00edticos fortemente atrelados ao Partido, onde n\u00e3o h\u00e1 possibilidade alguma de diverg\u00eancia. Mesmo atrelada a dogmas do PCC, a China anteviu que n\u00e3o poderia sair da situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria e fome se n\u00e3o fizesse concess\u00f5es diversas ao sistema capitalista, gerador de riqueza e n\u00e3o de panfletos vazios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cA aboli\u00e7\u00e3o do mercado significa n\u00e3o apenas que os consumidores \u2014 ou seja, todos os membros da sociedade \u2014 s\u00e3o privados de praticamente todas as op\u00e7\u00f5es de consumo e de toda a influ\u00eancia sobre a produ\u00e7\u00e3o; significa tamb\u00e9m que a informa\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o monopolizadas pelo Estado, visto que tamb\u00e9m necessitam de uma vasta base material para operar.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Leszek Ko\u0142akowski, Modernidade em Prova Infinita<\/p>\n<figure id=\"attachment_26373\" aria-describedby=\"caption-attachment-26373\" style=\"width: 407px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26373\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/mod.jpg\" alt=\"\" width=\"407\" height=\"609\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/mod.jpg 483w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/mod-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/mod-230x344.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 407px) 100vw, 407px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26373\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: amazon.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nA ind\u00fastria dos cinco cruzeiros nos trocos dos TCB est\u00e1 se propalando demais. Apesar disto, a empresa n\u00e3o se manifesta informando que tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos trocadores, todo o troco necess\u00e1rio. D\u00e1 assim, uma ideia de que o assunto n\u00e3o \u00e9 tratado naquela companhia. <strong>(Publicada em 09.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Leszek Ko\u0142akowski, fil\u00f3sofo polon\u00eas que conheceu por dentro e por fora a experi\u00eancia do socialismo real, deixou um alerta que soa mais atual do que nunca: a aboli\u00e7\u00e3o do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26374,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2337,2338,2339,114,2340],"class_list":["post-26363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26363"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26363\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26375,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26363\/revisions\/26375"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}