{"id":26383,"date":"2025-09-24T01:00:01","date_gmt":"2025-09-24T04:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26383"},"modified":"2025-09-30T12:13:31","modified_gmt":"2025-09-30T15:13:31","slug":"nossa-matrix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/nossa-matrix\/","title":{"rendered":"Nossa Matrix"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25514\" aria-describedby=\"caption-attachment-25514\" style=\"width: 434px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25514\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado.png\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"433\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado.png 730w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-150x150.png 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-300x300.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-550x548.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/03\/estado-230x229.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25514\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400\">Matrix talvez seja a palavra que mais se tem ouvido falar nesse come\u00e7o de s\u00e9culo desde o lan\u00e7amento do filme de fic\u00e7\u00e3o do mesmo nome em mar\u00e7o de 1999. Para os dicion\u00e1rios a palavra matrix remete a ideia de uma realidade virtual criada por m\u00e1quinas para aprisionar a mente humana. Nesse contexto \u00e9 poss\u00edvel se falar em uma esp\u00e9cie de matrix pol\u00edtica ou de um Estado que n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma matrix a aprisionar os indiv\u00edduos dentro de um sistema que beneficia apenas aqueles que est\u00e3o pr\u00f3ximos ao poder. \u00c9 poss\u00edvel que no Brasil exista uma verdadeira matrix pol\u00edtica, destinada a explorar os cidad\u00e3os, enganando-os com promessas que jamais ser\u00e3o realizadas. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m que exista entre n\u00f3s poderes da Rep\u00fablica que n\u00e3o passam de matrix.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Veja o caso atual da nossa justi\u00e7a, operando de acordo com que acreditam e ditam os ju\u00edzes, mesmo que isso contrarie o senso comum e a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o, relegada a uma esp\u00e9cie de ordenamento jur\u00eddico disfuncional. O Brasil atual nesse contexto n\u00e3o seria a materializa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria matrix. Estar\u00edamos assim imersos num aut\u00eantico e dist\u00f3pico &#8220;show de Trumann&#8221;? N\u00e3o sabemos, mas temos muito que desconfiar. Nesse sentido, a matrix pol\u00edtica seria um conjunto de estruturas interligadas que produzem ilus\u00e3o de escolha e bloqueio de sa\u00edda. O primeiro pilar pode ser observado na corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica e na impunidade sem fim, que distorcem o jogo p\u00fablico de maneira desnudada. O \u00edndice de percep\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o coloca o Brasil em patamar que n\u00e3o inspira confian\u00e7a coletiva. Essa taxa de corrup\u00e7\u00e3o funciona como uma camada que filtra informa\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es em favor de interesses particulares. Mesmo quando h\u00e1 melhora pontual, o desenho estrutural da desigualdade persiste e mant\u00e9m a maioria numa esp\u00e9cie de periferias de poder, sem voz e sem futuro. A desigualdade e corrup\u00e7\u00e3o formam assim, um terreno f\u00e9rtil onde favores, clientelismo e captura de pol\u00edticas florescem sem serem jamais interrompidos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 ainda entre n\u00f3s, a concentra\u00e7\u00e3o excessiva e a captura da informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A censura \u00e9 arma que aprisiona. Tamb\u00e9m se nota a exist\u00eancia de um sistema de m\u00eddia concentrado e frequentemente alinhado a grandes interesses corporativos, reduzindo o espa\u00e7o p\u00fablico plural. \u00c9 fato que quando poucas vozes moldam a agenda, o debate vira espet\u00e1culo e n\u00e3o delibera\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a eros\u00e3o da esfera digital, contribui para a desinforma\u00e7\u00e3o e censura seletiva, corroendo a\u00a0 confian\u00e7a e alienando o indiv\u00edduo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A internet, que poderia ser sa\u00edda do labirinto, muitas vezes reproduz c\u00e2maras de eco e f\u00e1bricas de mentiras, tornando o labirinto ainda mais perigoso.\u00a0 Somando a isso o fato de termos um judici\u00e1rio em posi\u00e7\u00e3o ambivalente, para n\u00e3o dizer pol\u00edtico-partid\u00e1ria, que ao mesmo tempo em que se faz de corretor institucional, gera e \u00e9 objeto de controv\u00e9rsias, muitas das quais insol\u00faveis. Nesse ponto vemos que decis\u00f5es judiciais de grande impacto pol\u00edtico acabam se tornando em lentes que ampliam divis\u00f5es e alimentam, cada vez mais, narrativas de injusti\u00e7a. Todos esses fatores agem como camadas sobrepostas que criam apar\u00eancia de uma normalidade, que de fato n\u00e3o existe.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No centro dessa matrix h\u00e1 um mecanismo simples que conduz a legitima\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do sistema. Ele opera por repeti\u00e7\u00e3o, leis, senten\u00e7as, manchetes, que v\u00e3o moldando pouco a pouco o senso comum. A legitima\u00e7\u00e3o transforma exce\u00e7\u00f5es em regras e reverbera como fato consumado. \u00c9 a vontade repetida \u00e0 exaust\u00e3o. A l\u00f3gica \u00e9 a mesma da fic\u00e7\u00e3o: repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 igual a realidade. Os mecanismos formais tornam-se ent\u00e3o instrumentos de interesses, n\u00e3o apenas regras neutras.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">As pol\u00edticas p\u00fablicas capturadas por clientelismo deixam a popula\u00e7\u00e3o dependente de gr\u00e3os propiciat\u00f3rios. A burocracia ajuda na materializa\u00e7\u00e3o dessa matrix. O eleitor, imerso nesse oceano de faz-de-conta, v\u00ea benef\u00edcios pontuais e confunde-os com reformas estruturais. Enquanto isso, as redes de poder preservam o status quo. Exemplo concreto: contratos p\u00fablicos e cadeias de favorecimento que atravessam esferas federais, estaduais e municipais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Outro exemplo mostra que publicidade oficial direciona recursos e influencia reda\u00e7\u00f5es locais, como tem denunciado repetidas vezes os Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras. No labirinto, as poucas sa\u00eddas interpretativas s\u00e3o bloqueadas por narrativas hegem\u00f4nicas. Qualquer tentativa de desviar do roteiro \u00e9 rapidamente cooptada ou demonizada. A polariza\u00e7\u00e3o atua como um bloqueador, reduzindo o campo do debate a identidades e s\u00edmbolos. Em vez de discutir pol\u00edticas concretas, disputamos pe\u00e7as de cena. Como resultado vemos a perda de capacidade coletiva de deliberar e construir solu\u00e7\u00f5es complexas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Outro elemento dessa matrix produz conscientemente a fragilidade das institui\u00e7\u00f5es de controle democr\u00e1tico. Temos assim que tribunais de contas, minist\u00e9rios p\u00fablicos e parlamentos sofrem tens\u00f5es que limitam sua a\u00e7\u00e3o efetiva. \u00c9 sabido que quando \u00f3rg\u00e3os de controle s\u00e3o instrumentalizados, a matrix ganha blindagem jur\u00eddica. A blindagem jur\u00eddica torna a ret\u00f3rica de transpar\u00eancia in\u00f3cua na pr\u00e1tica. A cidadania representativa entra em choque com estruturas que atuam fora do escrut\u00ednio. O eleitor sente-se tra\u00eddo e impotente, rea\u00e7\u00e3o perfeita para a perpetua\u00e7\u00e3o do labirinto. H\u00e1 custos reais: investimentos, servi\u00e7os p\u00fablicos, confian\u00e7a e coes\u00e3o social. Uma sociedade aprisionada na matrix paga com redu\u00e7\u00e3o de oportunidades e eros\u00e3o do tecido institucional. Mas a matrix n\u00e3o \u00e9 completa; h\u00e1 frestas e rupturas poss\u00edveis. A hist\u00f3ria mostra que crises e mobiliza\u00e7\u00f5es podem abrir caminhos. Todavia, no Brasil atual, essas rupturas s\u00e3o frequentemente capturadas por for\u00e7as pol\u00edticas que se apresentam como &#8220;salvadoras&#8221;. Surgem ent\u00e3o l\u00edderes que prometem sa\u00edda f\u00e1cil, mas reconstroem a mesma ordem com outros atores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cEmocionante ver o que o Brasil faz por essas pessoas (Venezuelanos) um daqueles senhores levantou &#8230; esse \u00e9 o bom Brasil. Da paz, que acolhe as pessoas.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ministro Barroso emocionado com a situa\u00e7\u00e3o dos venezuelanos<\/p>\n<figure id=\"attachment_13745\" aria-describedby=\"caption-attachment-13745\" style=\"width: 483px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-13745\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2.jpg\" alt=\"\" width=\"483\" height=\"322\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2.jpg 680w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2-350x233.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2-550x366.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/03\/ministro-luis-roberto-barroso-stf-2-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 483px) 100vw, 483px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13745\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Nelson Jr.\/STF\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Seguidas vezes, oradores improvisados eram levantados nos bra\u00e7os, e os gritos e vaias impediam que \u00eales falassem. Foi ordeiro, o movimento, mas se melhor organizado, renderia muito mais. <strong>(Publicada em 10.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Matrix talvez seja a palavra que mais se tem ouvido falar nesse come\u00e7o de s\u00e9culo desde o lan\u00e7amento do filme de fic\u00e7\u00e3o do mesmo nome em mar\u00e7o de 1999. 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