{"id":26409,"date":"2025-10-01T01:00:33","date_gmt":"2025-10-01T04:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26409"},"modified":"2025-10-01T14:09:50","modified_gmt":"2025-10-01T17:09:50","slug":"de-olho-na-europa-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/de-olho-na-europa-parte-1\/","title":{"rendered":"De olho na Europa parte 1"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26414\" aria-describedby=\"caption-attachment-26414\" style=\"width: 558px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26414\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/ue.jpg\" alt=\"\" width=\"558\" height=\"345\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/ue.jpg 725w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/ue-300x185.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/ue-550x340.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/ue-230x142.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 558px) 100vw, 558px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26414\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: portal.fgv<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o resta d\u00favida de que existe hoje uma forte desuni\u00e3o interna dentro da Uni\u00e3o Europeia. Esse fato somado \u00e0 perda de autonomia estrat\u00e9gica, est\u00e1 relegando esse bloco \u00e0 Uni\u00e3o Europeia para um plano em importantes negocia\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas, enfraquecendo significativamente a posi\u00e7\u00e3o global da Europa e a sua capacidade de defender, de forma independente e coerente, os interesses coletivos da comunidade. De fato, a UE assiste, cada vez mais, a um protagonismo da esquerda globalista nas decis\u00f5es do bloco e na defini\u00e7\u00e3o de suas pol\u00edticas; com isso, passa a enfrentar desafios cada vez maiores e cr\u00edticas devido a essas posi\u00e7\u00f5es euroc\u00e9ticas e anticapitalistas. Com isso, o futuro do bloco \u00e9 incerto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00c9 necess\u00e1rio refletir criticamente as tens\u00f5es internas da Uni\u00e3o Europeia, sua perda paulatina de autonomia estrat\u00e9gica, o crescimento do euroceticismo e os dilemas que se colocam para o futuro do bloco. Um poss\u00edvel desmanche desse bloco, por press\u00f5es internas, pode redesenhar o mapa geopol\u00edtico n\u00e3o apenas do continente, mas do resto do mundo. A Uni\u00e3o Europeia (UE), por d\u00e9cadas, s\u00edmbolo de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, estabilidade pol\u00edtica e integra\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, enfrenta, hoje, uma crise que vai muito al\u00e9m das habituais disputas de or\u00e7amento ou migra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma crise de coer\u00eancia estrat\u00e9gica, de unidade pol\u00edtica e de credibilidade externa. Se n\u00e3o encontrar, com urg\u00eancia, uma linha comum de a\u00e7\u00e3o capaz de conciliar soberania nacional e interesses comunit\u00e1rios, corre o risco n\u00e3o apenas de se tornar secund\u00e1ria nas grandes negocia\u00e7\u00f5es globais, mas de ver seus valores fundamentais corroerem-se de dentro para fora.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Em seu discurso anual sobre o Estado da Uni\u00e3o, a presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Ursula Von der Leyen, fez quest\u00e3o de apelar para uma Europa &#8220;livre e independente&#8221;, dizendo: \u201cEuropa est\u00e1 numa luta por uma Europa livre e independente. Uma luta pelos nossos valores e as nossas democracias\u2026 Isso n\u00e3o \u00e9 uma luta opcional, \u00e9 uma luta pelo nosso futuro.\u201d Contudo, essa ret\u00f3rica enfrenta desafios pr\u00e1ticos, e cr\u00edticos t\u00eam alertado que h\u00e1 um hiato persistente entre o que se promete e o que se executa. Um editorial recente do Le Monde resume bem esse hiato: \u201cO problema da Europa n\u00e3o \u00e9 a falta de ideias, \u00e9 a diferen\u00e7a entre a ret\u00f3rica e a implementa\u00e7\u00e3o.\u201d O jornal aponta que iniciativas como o Clean Industrial Deal, promessas de crit\u00e9rios \u201cmade in Europe\u201d para compras p\u00fablicas, ou contratos massivos com os Estados Unidos vinculados \u00e0 energia, muitas vezes desmentem os compromissos de autonomia e independ\u00eancia estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Por outro lado, figuras como o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orb\u00e1n, colocam em termos claros essa tens\u00e3o entre soberania nacional e centraliza\u00e7\u00e3o europeia. Em discurso no ver\u00e3o de 2024, ele afirmou que \u201cA Europa desistiu de defender os seus pr\u00f3prios interesses\u201d e acusa o bloco de seguir, incondicionalmente, a pol\u00edtica externa dos democratas americanos, ao custo da sua pr\u00f3pria autodestrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, ex-pol\u00edticos de peso tamb\u00e9m se manifestam. Michel Barnier, ex-negociador-chefe de Brexit, em entrevista e em livro, acusa Von der Leyen de conduzir um desvio autorit\u00e1rio em Bruxelas, por concentrar decis\u00f5es e subestimar o papel dos parlamentos nacionais e sociais no debate. Os fatores dessa desuni\u00e3o europ\u00e9ia s\u00e3o m\u00faltiplos e v\u00e3o desde a diversidade dos interesses nacionais: Estados-membros t\u00eam realidades muito distintas dos or\u00e7amentos, depend\u00eancia energ\u00e9tica, corrente pol\u00edtica dominante, rela\u00e7\u00f5es externas com pot\u00eancias como a R\u00fassia ou China.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O que funciona para Pol\u00f4nia ou Hungria pode parecer risco pol\u00edtico ou econ\u00f4mico para Fran\u00e7a ou Alemanha. H\u00e1 ainda limites institucionais e de capacidade: a UE tem ambi\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e militares cada vez maiores, mas suas capacidades concretas em defesa, coopera\u00e7\u00e3o externa, produ\u00e7\u00e3o industrial estrat\u00e9gica permanecem fragmentadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Pesquisas acad\u00eamicas recentes apontam que pol\u00edticas de autonomia estrat\u00e9gica muitas vezes se traduzem, na pr\u00e1tica, em \u201cd\u00e9-risks\u201d seletivos, ou iniciativas modestas, com in\u00fameros condicionamentos. Polariza\u00e7\u00e3o interna com o crescimento de partidos de direita nacionalista e de partidos de esquerda radical ou populista tem exigido que o centro pol\u00edtico se desloque para abordagens mais cautelosas, frequentemente mais ret\u00f3ricas que operacionais. Essa polariza\u00e7\u00e3o mina consenso sobre pol\u00edtica externa comum, solidariedade fiscal, requisitos de Estado de direito, e a\u00e7\u00e3o contra grandes pot\u00eancias externas. Tamb\u00e9m a cont\u00ednua depend\u00eancia externa persistente com a UE em muitos setores cr\u00edticos (tecnologia, defesa, energia), de fornecedores externos, alian\u00e7as militares e rotas log\u00edsticas que escapam ao seu controle.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cLideran\u00e7a n\u00e3o te torna especial, o especial \u00e9 aquele grupo sem ou com o l\u00edder trabalhar em equipe, porque o dever do l\u00edder \u00e9 fazer todos trabalharem juntos.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nathan Reginhard<\/p>\n<figure id=\"attachment_26411\" aria-describedby=\"caption-attachment-26411\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26411\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/Captura-de-tela-2025-09-30-142806.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/Captura-de-tela-2025-09-30-142806.jpg 758w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/Captura-de-tela-2025-09-30-142806-300x167.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/Captura-de-tela-2025-09-30-142806-550x307.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/09\/Captura-de-tela-2025-09-30-142806-230x128.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26411\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Id\u00e9ia interessante seria se o cel. Cairoli determinasse que os bombeiros, com o uso dessas lanchas, destocassem as partes perigosas do Lago, que s\u00e3o muitas. <strong>(Publicado em 10.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; N\u00e3o resta d\u00favida de que existe hoje uma forte desuni\u00e3o interna dentro da Uni\u00e3o Europeia. 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