{"id":26435,"date":"2025-10-04T01:00:13","date_gmt":"2025-10-04T04:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26435"},"modified":"2025-10-03T18:47:20","modified_gmt":"2025-10-03T21:47:20","slug":"sem-clima-para-discussoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/sem-clima-para-discussoes\/","title":{"rendered":"Sem clima para discuss\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26439\" aria-describedby=\"caption-attachment-26439\" style=\"width: 536px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26439\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/aquecimetno.jpg\" alt=\"\" width=\"536\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/aquecimetno.jpg 751w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/aquecimetno-300x261.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/aquecimetno-550x479.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/aquecimetno-230x200.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 536px) 100vw, 536px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26439\" class=\"wp-caption-text\">Infogr\u00e1fico: Copernicus, 10\/01\/2025 (G1)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Um alerta de especialistas converte-se em uma realidade cada vez mais palp\u00e1vel, percept\u00edvel e devastadora, que se antecipa aos progn\u00f3sticos mais conservadores do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC). J\u00e1 n\u00e3o se trata de um fen\u00f4meno que espreita o futuro em um horizonte nebuloso, mas de uma altera\u00e7\u00e3o radical no equil\u00edbrio planet\u00e1rio, ocasionada, sobretudo, pelo modelo econ\u00f4mico adotado pelo homem moderno, cuja l\u00f3gica de expans\u00e3o ilimitada exige a exaust\u00e3o sistem\u00e1tica dos recursos naturais, e que, por essa via, n\u00e3o apenas se instalou entre n\u00f3s, como amea\u00e7a a intensificar-se de modo exponencial ao longo das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, arrastando consigo as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviv\u00eancia para os mais de oito bilh\u00f5es de seres humanos que hoje habitam a Terra, numa trajet\u00f3ria que poder\u00e1 repetir, em escala grandiosa, o mesmo destino j\u00e1 reservado a incont\u00e1veis esp\u00e9cies de plantas e animais que desapareceram deixando rastros por onde viveram.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Silenciar qualquer ceticismo \u00e9 simples e brutal quando se verificam os dados: segundo o relat\u00f3rio de 2023 do IPCC, a temperatura m\u00e9dia global j\u00e1 se encontra 1,2 \u00b0C acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais, e caso o atual ritmo de emiss\u00f5es seja mantido, em menos de vinte anos, ultrapassaremos o limite de 1,5 \u00b0C, aquele mesmo que, em Paris, chefes de Estado prometeram solenemente n\u00e3o transgredir. A Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) refor\u00e7a que os \u00faltimos nove anos foram os mais quentes da hist\u00f3ria desde o in\u00edcio das medi\u00e7\u00f5es, e que 2024 registrou picos in\u00e9ditos em ondas de calor, inc\u00eandios florestais e eventos extremos, com preju\u00edzos econ\u00f4micos calculados em trilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mas, apesar do car\u00e1ter alarmante desses n\u00fameros, a rea\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as pol\u00edticas globais segue marcada por uma esp\u00e9cie de alienamento volunt\u00e1rio, um transe coletivo que as mant\u00e9m entretidas em velhas obsess\u00f5es, guerras territoriais, corrida armamentista, prospec\u00e7\u00e3o desenfreada de min\u00e9rios, expans\u00e3o de fronteiras agr\u00edcolas sobre ecossistemas fr\u00e1geis, como se fosse poss\u00edvel postergar indefinidamente o confronto com a realidade clim\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ironicamente, o que atinge o grau do surrealismo \u00e9 quando se observa que, em escala planet\u00e1ria, apenas um punhado de pa\u00edses demonstra compromisso concreto com pol\u00edticas de mitiga\u00e7\u00e3o, enquanto a maioria age como se os relat\u00f3rios cient\u00edficos n\u00e3o passassem de fic\u00e7\u00f5es\u00a0exageradas\u00a0produzidas por um seleto grupo de ambientalistas. Tal comportamento, repetido ano ap\u00f3s ano, leva-nos a um ponto de obviedade: ao insistirmos nesse caminho, o destino parece selado, e com ele se encerra n\u00e3o apenas um ciclo hist\u00f3rico, mas a pr\u00f3pria possibilidade de futuro.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No Brasil, o retrato n\u00e3o destoa desse quadro sombrio. Depois das centenas de milhares de focos de inc\u00eandio registrados entre 2020 e 2024, que devastaram \u00e1reas imensas da Amaz\u00f4nia e do Cerrado, e ap\u00f3s enchentes que varreram cidades inteiras do Sul e do Sudeste, ceifando vidas e deixando milhares de fam\u00edlias desabrigadas, as autoridades resolveram, tardiamente, sair de sua confort\u00e1vel toca refrigerada para ensaiar gestos espetaculosos em defesa do meio ambiente. Surgiu, nesse cen\u00e1rio, a chamada \u201cAutoridade Clim\u00e1tica\u201d, inst\u00e2ncia burocr\u00e1tica destinada a coordenar estrat\u00e9gias do chamado Plano Nacional de Enfrentamento aos Riscos Clim\u00e1ticos Extremos. Entretanto, como em tantas outras experi\u00eancias brasileiras, a pompa do an\u00fancio n\u00e3o corresponde ao vigor da pr\u00e1tica: enquanto se redigem protocolos, o governo avan\u00e7a em frentes que contradizem a pr\u00f3pria narrativa ambiental, como a autoriza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na foz do Amazonas e o asfaltamento da BR-319, projeto que amea\u00e7a uma das \u00e1reas mais sens\u00edveis e preservadas da floresta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No campo da minera\u00e7\u00e3o e da agricultura, a contradi\u00e7\u00e3o se aprofunda, onde o Brasil se mant\u00e9m ref\u00e9m de interesses externos e de elites internas que se comportam como herdeiras fi\u00e9is da l\u00f3gica colonial. Grandes corpora\u00e7\u00f5es estrangeiras, pouco ou nada comprometidas com a preserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, seguem explorando jazidas estrat\u00e9gicas, deixando, atr\u00e1s de si, crateras est\u00e9reis, cursos d\u2019\u00e1gua contaminados e comunidades inteiras condenadas a conviver com res\u00edduos t\u00f3xicos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No mesmo movimento, a monocultura de exporta\u00e7\u00e3o, assentada sobre imensos latif\u00fandios e dependente de insumos qu\u00edmicos, avan\u00e7a sobre \u00e1reas desmatadas, reproduzindo um ciclo iniciado ainda no s\u00e9culo XVI, quando a terra brasileira foi, pela primeira vez, incorporada \u00e0 l\u00f3gica mercantil de explora\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 conhecido, mas nunca verdadeiramente enfrentado: esgotamento do solo, expuls\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es tradicionais, concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e depend\u00eancia estrutural das commodities, que nos mant\u00eam atrelados a um modelo de desenvolvimento predat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Trata-se, em termos pr\u00e1ticos, de uma pol\u00edtica deliberada de envenenamento: ao priorizar ganhos imediatos na balan\u00e7a comercial, aceitamos comprometer a qualidade da \u00e1gua, dos alimentos e da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cDepois da agricultura, a farsa \u00e9 a maior ind\u00fastria da nossa era.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Alfred Nobel<\/p>\n<figure id=\"attachment_26438\" aria-describedby=\"caption-attachment-26438\" style=\"width: 448px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26438\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/an.jpg\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"722\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/an.jpg 448w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/an-186x300.jpg 186w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/an-230x371.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26438\" class=\"wp-caption-text\">Alfred Nobel, retrato de Emil \u00d6sterman, 1915; na Funda\u00e7\u00e3o Nobel, Estocolmo. Imagem: \u00a9 Photos.com\/Jupiterimages<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ademais, o problema da falta de energia el\u00e9trica \u00e9 uma constante preocupa\u00e7\u00e3o. Quanto ao DI, falta regularizar os lotes para que possam ser vendidos a quem possa construir, e destruir os barracos de madeira. <strong>(Publicada em 10.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Um alerta de especialistas converte-se em uma realidade cada vez mais palp\u00e1vel, percept\u00edvel e devastadora, que se antecipa aos progn\u00f3sticos mais conservadores do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26439,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[402,2337,2338,2339,114,4052,2340,410,4053,4051],"class_list":["post-26435","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aquecimentoglobal","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-historiadebrasilia","tag-liderancasglobais","tag-mamfil-2","tag-meioambiente","tag-questoesambientais","tag-temperaturanomundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26435"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26435\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26440,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26435\/revisions\/26440"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}