{"id":26442,"date":"2025-10-05T01:00:37","date_gmt":"2025-10-05T04:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26442"},"modified":"2025-10-07T14:37:57","modified_gmt":"2025-10-07T17:37:57","slug":"o-cafe-nosso-de-cada-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-cafe-nosso-de-cada-dia\/","title":{"rendered":"O caf\u00e9 nosso de cada dia"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26447\" aria-describedby=\"caption-attachment-26447\" style=\"width: 608px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26447\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/caf\u00e9.jpg\" alt=\"\" width=\"608\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/caf\u00e9.jpg 1150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/caf\u00e9-300x180.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/caf\u00e9-768x461.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/caf\u00e9-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/caf\u00e9-800x480.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/caf\u00e9-550x330.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/caf\u00e9-230x138.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 608px) 100vw, 608px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26447\" class=\"wp-caption-text\">Foto: \u00a9 Marcello Casal jr\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Brasil \u00e9 conhecido como a terra do caf\u00e9, n\u00e3o apenas pela quantidade que produz como pela qualidade tamb\u00e9m do produto. Entre novembro de 2023 e outubro de 2024, o consumo per capta de caf\u00e9 foi de 6,26 quilos por ano, o que significa que nosso pa\u00eds \u00e9 o maior consumidor de caf\u00e9s nacionais e o segundo maior do mundo, isso de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de caf\u00e9 (ABIC). O consumo mundial de caf\u00e9 gira em torno de 177 milh\u00f5es de sacas de 60 Kg. Internamente, o consumo \u00e9 de 21,9 milh\u00f5es de sacas nos \u00faltimos doze meses. Ocorre que, nos \u00faltimos meses, em decorr\u00eancia de um aumento nos pre\u00e7os do produto de 40%, o que se observa \u00e9 que h\u00e1 uma queda acentuada no consumo interno.<\/p>\n<p>Por outro lado, um problema ser\u00edssimo tem afetado o gosto dos brasileiros pelo cafezinho di\u00e1rio. E \u00e9 aqui que mora o problema. De uns anos para c\u00e1, tem aumentado muito as ocorr\u00eancias policiais que mostram que o caf\u00e9 que chega nas mesas dos brasileiros \u00e9 cada vez menos caf\u00e9 e mais outros produtos. A falsifica\u00e7\u00e3o e a adultera\u00e7\u00e3o do produto t\u00eam crescido nos \u00faltimos anos e isso tem espantado os consumidores. A quest\u00e3o \u00e9 que a falta de uma fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada tem favorecido as quadrilhas que mais e mais ousam comercializar caf\u00e9s impr\u00f3prios para o consumo e de variadas marcas. A ingest\u00e3o desses produtos adulterados traz um s\u00e9rio risco \u00e0 sa\u00fade e n\u00e3o surpreende que tenha aumentado tamb\u00e9m os casos de intoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os altos pre\u00e7os e a duvidosa qualidade de muitos desses caf\u00e9s t\u00eam feito com que os consumidores mudem seus h\u00e1bitos di\u00e1rios, inclusive deixando o caf\u00e9 de lado. Ao fugir dos pre\u00e7os altos, o consumidor acaba trocando o caf\u00e9 por marcas mais baratas, e isso s\u00f3 faz aumentar o problema, j\u00e1 que muitas dessas marcas mais em conta possuem, em sua composi\u00e7\u00e3o, produtos diversos, que est\u00e3o misturados ao caf\u00e9. A falsifica\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um fato novo, sempre existiu. Ocorre que, nos \u00faltimos anos, o problema tem crescido para al\u00e9m do poder de fiscaliza\u00e7\u00e3o da Anvisa e outros \u00f3rg\u00e3os nacionais. Os selos de qualidade nada impedem que o produto continue a ser falsificado e adulterado.<\/p>\n<p>Diante desse flagelo, a exporta\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 brasileiro para o mundo tem sido enormemente prejudicada, chegando a cair mais de 20% no ano passado. A extin\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro do Caf\u00e9 (IBC), em 1990, em nada ajudou o setor e muitos chegam a considerar que isso abriu as portas para a desvirtua\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 e o aumento de marcas de baixa qualidade. N\u00e3o h\u00e1 como separar a identidade brasileira do caf\u00e9. Somos um dos maiores produtores e exportadores globais, com safras volumosas e uma cadeia produtiva de enorme import\u00e2ncia econ\u00f4mica, social e cultural. Contudo, por tr\u00e1s desse cen\u00e1rio de lideran\u00e7a, h\u00e1 um crescente problema que amea\u00e7a a credibilidade do setor, a sa\u00fade p\u00fablica e o h\u00e1bito do brasileiro de tomar seu cafezinho di\u00e1rio: a falsifica\u00e7\u00e3o, a adultera\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o da qualidade do caf\u00e9 consumido no mercado dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, diversas a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o mostraram que o risco deixou de ser apenas hip\u00f3tese e virou realidade concreta. Em 2 de junho de 2025, a Anvisa determinou o recolhimento imediato de produtos de tr\u00eas marcas (Melissa, Pingo Preto e Oficial do Brasil) de \u201cp\u00f3 para preparo de bebida sabor caf\u00e9\u201d. Os motivos foram v\u00e1rias irregularidades: presen\u00e7a da micotoxina ocratoxina A, impurezas, mat\u00e9rias estranhas, utiliza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos ou \u201ccascas e res\u00edduos de caf\u00e9\u201d \u2014 materiais que n\u00e3o podem ser considerados caf\u00e9 nos termos da legisla\u00e7\u00e3o. Nos r\u00f3tulos, express\u00e3o enganosa (\u201cpolpa de caf\u00e9\u201d, \u201ccaf\u00e9 torrado e mo\u00eddo\u201d) e imagens que levam o consumidor a crer que se trata de caf\u00e9 puro. A ocratoxina A (OTA) \u00e9 uma micotoxina produzida por fungos como Aspergillus e Penicillium, que pode causar danos aos rins, f\u00edgado, sistema imunol\u00f3gico e est\u00e1 associada ao risco de c\u00e2ncer. Foi detectado que, em testes r\u00e1pidos em amostras de p\u00f3 de caf\u00e9 torrado\/mo\u00eddo no Esp\u00edrito Santo, algumas ultrapassaram os limites m\u00e1ximos toler\u00e1veis para OTA (10 \u00b5g\/kg). Al\u00e9m da contamina\u00e7\u00e3o, foram encontradas cascas carbonizadas, res\u00edduos do beneficiamento, fragmentos de galhos e folhas, ou seja: componentes que n\u00e3o se enquadram na defini\u00e7\u00e3o legal de caf\u00e9.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Agricultura, por meio do Dipov, realizou opera\u00e7\u00f5es de apreens\u00e3o em f\u00e1bricas de v\u00e1rios estados (S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Santa Catarina). As irregularidades eram graves: produtos rotulados como caf\u00e9 torrado, mas que n\u00e3o tinham gr\u00e3os inteiros aptos \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o como \u201ccaf\u00e9 beneficiado\u201d. Esses acontecimentos n\u00e3o s\u00e3o in\u00f3cuos. Eles repercutem em v\u00e1rios n\u00edveis, sobretudo, na sa\u00fade p\u00fablica, com o risco real de contamina\u00e7\u00e3o por OTA, com efeitos agudos e cr\u00f4nicos, especialmente perigoso para grupos vulner\u00e1veis (crian\u00e7as, pessoas com problemas renais ou imunit\u00e1rios).<\/p>\n<p>A confian\u00e7a do consumidor: quando o consumidor descobre que o produto que consome pode n\u00e3o ser caf\u00e9, ou que parte dele \u00e9 \u201clixo da lavoura\u201d isso corr\u00f3i a confian\u00e7a e confian\u00e7a \u00e9 essencial para manuten\u00e7\u00e3o de h\u00e1bito de consumo, mesmo com pre\u00e7os mais altos. Imagem do Brasil internacionalmente: exporta\u00e7\u00f5es recorde no plano externo (volume e receita) contrastam com esc\u00e2ndalos internos de falsifica\u00e7\u00e3o. A percep\u00e7\u00e3o externa sobre qualidade pode sofrer. Isso pode aumentar barreiras, exig\u00eancias de certifica\u00e7\u00f5es mais rigorosas, reduzir competitividade. Os preju\u00edzos ao setor produtivo leg\u00edtimo s\u00e3o grandes; produtores que fazem o caf\u00e9 corretamente, investem em boa lavoura, processo limpo, certifica\u00e7\u00f5es e s\u00e3o penalizados por terem que competir com produtos de menor custo que burlam padr\u00f5es legais, muitas vezes \u00e0 custa da sa\u00fade do consumidor.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 algo que o Brasil n\u00e3o pode perder \u00e9 a confian\u00e7a de seu pr\u00f3prio povo no caf\u00e9 que consome. Mais do que bebida, o caf\u00e9 \u00e9 parte de nossa cultura, de nossos h\u00e1bitos cotidianos, de nossos encontros, do alento da manh\u00e3. Se o consumidor passa a duvidar do que compra, se teme pela sa\u00fade, se percebe que os caf\u00e9s \u201cmais baratos\u201d s\u00e3o menos caf\u00e9 e mais res\u00edduos, fragilidade institucional ou coniv\u00eancia, ent\u00e3o todo esse patrim\u00f4nio corre risco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cSe a vida te der lim\u00f5es, troque-os por gr\u00e3os de caf\u00e9.\u201d<\/em><br \/>\nDa Internet<\/p>\n<figure id=\"attachment_26446\" aria-describedby=\"caption-attachment-26446\" style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26446\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ilu.jpg\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ilu.jpg 776w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ilu-300x162.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ilu-768x415.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ilu-550x297.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ilu-230x124.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26446\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o gerada por intelig\u00eancia artificial<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Corre a boca muida na cidade, que a Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito da Novacap n\u00e3o apurar\u00e1 nada contra ningu\u00e9m. Nos primeiros dias de trabalho um jornalista carioca procurou atingir a honorabilidade dos seus membros, ressaltando apenas o dr. Bessa. <strong>(Publicada em 10.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Brasil \u00e9 conhecido como a terra do caf\u00e9, n\u00e3o apenas pela quantidade que produz como pela qualidade tamb\u00e9m do produto. 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