{"id":26485,"date":"2025-10-17T01:00:18","date_gmt":"2025-10-17T04:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26485"},"modified":"2025-10-17T16:32:03","modified_gmt":"2025-10-17T19:32:03","slug":"menos-idealismo-mais-humanismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/menos-idealismo-mais-humanismo\/","title":{"rendered":"Menos idealismo, mais humanismo"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_22107\" aria-describedby=\"caption-attachment-22107\" style=\"width: 506px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-22107\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/10\/p\u00f3s.png\" alt=\"\" width=\"506\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/10\/p\u00f3s.png 638w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/10\/p\u00f3s-300x226.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/10\/p\u00f3s-550x414.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/10\/p\u00f3s-230x173.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22107\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Shovel<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pensadores sobre os caminhos da humanidade, uma especialidade cada vez mais rara nas sociedades modernas, costumam afirmar que, ao contr\u00e1rio do que muitos ainda acreditam, o mundo j\u00e1\u00a0 n\u00e3o necessita tanto de idealismos do tipo pol\u00edtico. Vejam: o s\u00e9culo XX, como aponta o fil\u00f3sofo Roger Scruton (1944-2020), foi forjado por idealismos pol\u00edticos como o nazismo, o fascismo e o comunismo e todos sabem hoje no que resultaram essas op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Naquela ocasi\u00e3o, seus defensores, repetidamente, desenhavam ou simplesmente idealizavam um mundo \u00e0 maneira de seus projetos, sem levar em conta como o mundo e a humanidade s\u00e3o de fato. Para tanto, n\u00e3o se furtavam do direito de transform\u00e1-lo \u00e0 imagem do que pretendiam. Como consequ\u00eancia dessa sandice megaloman\u00edaca, todos eles cometeram, sem remorso algum, crimes de genoc\u00eddio e outros atentados graves contra a humanidade. \u201cO consolo das coisas imagin\u00e1rias n\u00e3o \u00e9 um consolo imagin\u00e1rio\u201d, dizia o fil\u00f3sofo para quem a ordem moral precede todas as coisas, inclusive a ordem econ\u00f4mica. O relativismo pregado pelos idealistas, no af\u00e3 de tornar suas ideias plaus\u00edveis, serve tamb\u00e9m como ref\u00fagio para esses canalhas.<\/p>\n<p>Venezuela ou Cuba s\u00e3o um retrato fiel a mostrar os resultados dos idealismos pol\u00edticos, levados a \u00faltima inst\u00e2ncia e que reafirmam que se pode quebrar um pa\u00eds e mesmo uma na\u00e7\u00e3o inteira, desde que o idealismo pol\u00edtico seja cumprido tal como estabelecido por dirigentes lun\u00e1ticos.<\/p>\n<p>De fato, o Idealismo sem Humanismo tem sido a grande trag\u00e9dia do nosso tempo. Pois h\u00e1 algo de profundamente preocupante na repeti\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos erros humanos. Desde os imp\u00e9rios antigos at\u00e9 os totalitarismos do s\u00e9culo XX, uma constante se mant\u00e9m: quando o idealismo pol\u00edtico se divorcia do humanismo, o resultado \u00e9 a trag\u00e9dia. Scruton, que compreendeu como poucos as armadilhas do pensamento ut\u00f3pico, advertia que a \u201cordem moral precede todas as coisas\u201d.<\/p>\n<p>Quando a pol\u00edtica se arroga o direito de redesenhar o mundo conforme um projeto abstrato, o ser humano, que deveria estar no centro de tudo, torna-se mero instrumento da causa. E \u00e9 justamente a\u00ed que come\u00e7am as cat\u00e1strofes. O s\u00e9culo XX foi o grande laborat\u00f3rio dos idealismos pol\u00edticos. Nazismo, fascismo e comunismo, cada qual com sua ret\u00f3rica redentora, prometeram mundos novos, sociedades perfeitas e homens regenerados. No entanto, o que deixaram foram sangue, ru\u00ednas e desilus\u00f5es.<\/p>\n<p>Sob a bandeira da pureza racial, da ordem absoluta ou da igualdade total, milh\u00f5es foram exterminados, perseguidos ou reduzidos a sombras de si mesmos. Esses movimentos tinham em comum uma cren\u00e7a cega: a de que o homem pode ser moldado \u00e0 imagem de uma ideia. E, como toda cren\u00e7a sem compaix\u00e3o, ela degenera em barb\u00e1rie. A li\u00e7\u00e3o, contudo, parece n\u00e3o ter sido aprendida. O mundo contempor\u00e2neo, anestesiado por ideologias recicladas e discursos populistas, volta a flertar com os mesmos del\u00edrios.<\/p>\n<p>Nosso vizinho, a Venezuela, \u00e9 o exemplo mais contundente dessa trag\u00e9dia moderna: um pa\u00eds outrora rico, vibrante e culturalmente potente foi arruinado em nome de um ideal pol\u00edtico. Sob o pretexto de justi\u00e7a social, destruiu-se a economia, calou-se a imprensa e esvaziou-se a liberdade.<\/p>\n<p>Cuba, com mais de meio s\u00e9culo de ditadura, \u00e9 outro retrato sombrio do idealismo sem alma, um para\u00edso prometido que virou pris\u00e3o a c\u00e9u aberto, onde a sobreviv\u00eancia substituiu a esperan\u00e7a. O perigo \u00e9 que esses fantasmas j\u00e1 rondam o Brasil. Por aqui, o discurso do \u201cbem comum\u201d frequentemente serve de disfarce para o aparelhamento do Estado, a imposi\u00e7\u00e3o de verdades \u00fanicas e o desprezo pelos valores morais que sustentam uma sociedade livre.<\/p>\n<p>A polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, transformada em religi\u00e3o de massas, faz com que o debate seja substitu\u00eddo pela excomunh\u00e3o do diferente. Em nome de projetos ideol\u00f3gicos \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita, o pa\u00eds vai se afastando daquilo que realmente importa: o ser humano, sua dignidade e sua liberdade de pensar. O Brasil, em sua ess\u00eancia, sempre foi plural, diverso e criativo. Mas, nos \u00faltimos anos, o discurso manique\u00edsta tomou conta das institui\u00e7\u00f5es e da vida p\u00fablica. A pol\u00edtica, que deveria ser espa\u00e7o de di\u00e1logo, virou um campo de batalha moral onde n\u00e3o h\u00e1 advers\u00e1rios, apenas inimigos. Os idealistas modernos, herdeiros dos mesmos del\u00edrios que Scruton condenava, acreditam que podem salvar o pa\u00eds por decreto, por censura ou por interven\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Esquecem que nenhum regime, por mais virtuoso que se proclame, pode resistir quando o ser humano deixa de ser o centro das decis\u00f5es. As universidades, outrora ber\u00e7os do pensamento cr\u00edtico, tornaram-se trincheiras ideol\u00f3gicas. O debate foi substitu\u00eddo pela doutrina\u00e7\u00e3o, e o aluno, que deveria ser incentivado a pensar, \u00e9 treinado para repetir. A imprensa, por sua vez, perdeu a isen\u00e7\u00e3o que lhe dava credibilidade, tornando-se muitas vezes porta-voz de projetos partid\u00e1rios. E a sociedade, mergulhada em redes de \u00f3dio, j\u00e1 n\u00e3o distingue o verdadeiro do falso. O resultado \u00e9 um ambiente moralmente degradado, onde a verdade \u00e9 negoci\u00e1vel e a \u00e9tica, relativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cO idealismo \u00e9 a virtude da inexperi\u00eancia.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Emanuel Wertheimer<\/p>\n<figure id=\"attachment_20373\" aria-describedby=\"caption-attachment-20373\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20373\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/11\/ew.jpg\" alt=\"\" width=\"346\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/11\/ew.jpg 346w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/11\/ew-195x300.jpg 195w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/11\/ew-230x354.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 346px) 100vw, 346px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-20373\" class=\"wp-caption-text\">Emanuel Wertheimer. Imagem: emanuel-wertheimer.de<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Medo e inseguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Com a confus\u00e3o entre as obriga\u00e7\u00f5es da Neoenergia e CEB, o que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vendo \u00e9 que o n\u00famero de postes sem luz pela cidade \u00e9 cada vez maior.<\/p>\n<figure id=\"attachment_14307\" aria-describedby=\"caption-attachment-14307\" style=\"width: 404px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14307\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/CEB.jpg\" alt=\"\" width=\"404\" height=\"271\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/CEB.jpg 530w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/CEB-300x201.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/CEB-350x234.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/CEB-230x154.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 404px) 100vw, 404px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14307\" class=\"wp-caption-text\">Foto: portalvarada.com<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_24700\" aria-describedby=\"caption-attachment-24700\" style=\"width: 402px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-24700\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/sem.png\" alt=\"\" width=\"402\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/sem.png 670w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/sem-300x198.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/sem-550x364.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/08\/sem-230x152.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24700\" class=\"wp-caption-text\">De acordo com a Neoenergia, o fornecimento foi normalizado \u00e0s 15h30. &#8211; (cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o\/Neoenergia)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Id\u00e9ia interessante seria se o cel. Cairoli determinasse que os bombeiros, com o uso dessas lanchas, destocassem as partes perigosas do Lago, que s\u00e3o muitas. <strong>(Publicada em 10.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Pensadores sobre os caminhos da humanidade, uma especialidade cada vez mais rara nas sociedades modernas, costumam afirmar que, ao contr\u00e1rio do que muitos ainda acreditam, o mundo j\u00e1\u00a0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":22107,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,1837,114,4062,4061,2340,51],"class_list":["post-26485","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-governo","tag-historiadebrasilia","tag-humanismo","tag-idealismos","tag-mamfil-2","tag-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26485"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26485\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26489,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26485\/revisions\/26489"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}