{"id":26509,"date":"2025-10-23T01:00:27","date_gmt":"2025-10-23T04:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26509"},"modified":"2025-10-23T10:55:28","modified_gmt":"2025-10-23T13:55:28","slug":"sempre-a-imagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/sempre-a-imagem\/","title":{"rendered":"Sempre a imagem"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_25063\" aria-describedby=\"caption-attachment-25063\" style=\"width: 595px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-25063\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/brumadinho.png\" alt=\"\" width=\"595\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/brumadinho.png 1005w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/brumadinho-300x179.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/brumadinho-768x459.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/brumadinho-800x478.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/brumadinho-550x328.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/brumadinho-230x137.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25063\" class=\"wp-caption-text\">Quebra da barragem da mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho (MG)<br \/>Foto: Antonio Cruz\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dez nos depois do maior desastre ambiental do pa\u00eds, a ferida aberta em Mariana segue supurando entre os escombros da burocracia e o sil\u00eancio conveniente dos que lucraram com a lama. O rompimento da barragem de Fund\u00e3o, ocorrido em novembro de 2015, arrastou com seus 44 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos de min\u00e9rio n\u00e3o apenas casas e planta\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m a cren\u00e7a \u2014 j\u00e1 rarefeita \u2014 de que a justi\u00e7a brasileira pudesse ser c\u00e9lere, eficaz e equitativa. Dez anos depois, ou onze conforme o calend\u00e1rio das v\u00edtimas, a repara\u00e7\u00e3o ainda se arrasta como uma lesma manca pelos corredores do Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Foram mais de 300 mil pessoas atingidas direta ou indiretamente pela avalanche de res\u00edduos que desceu das encostas de Bento Rodrigues at\u00e9 o leito do Rio Doce, apagando do mapa comunidades inteiras, destruindo o bioma e comprometendo a vida aqu\u00e1tica at\u00e9 a foz, no Esp\u00edrito Santo. Oficialmente, 19 pessoas morreram nos minutos seguintes ao desmoronamento, mas os moradores locais garantem que o n\u00famero \u00e9 maior. H\u00e1 mortos sem nome, desaparecidos sem estat\u00edstica e hist\u00f3rias que o tempo e o descaso se encarregaram de soterrar sob toneladas de lama t\u00f3xica.<\/p>\n<p>As mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton \u2014 esta \u00faltima de origem brit\u00e2nica \u2014 seguem desde ent\u00e3o em um vaiv\u00e9m processual que mais parece uma coreografia bem ensaiada da impunidade. Enquanto isso, parte das v\u00edtimas j\u00e1 morreu sem receber indeniza\u00e7\u00e3o, e outras sobrevivem com pequenas pens\u00f5es, sem o direito elementar \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o do lar e da dignidade. \u00c9 um roteiro j\u00e1 conhecido: de um lado, empresas com ex\u00e9rcitos de advogados; de outro, cidad\u00e3os invis\u00edveis, sem o peso social ou econ\u00f4mico capaz de fazer girar a roda emperrada da justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Estudo recente da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas apontou que a expectativa de vida das popula\u00e7\u00f5es expostas aos rejeitos met\u00e1licos \u2014 ferro, sil\u00edcio, alum\u00ednio e outros \u2014 caiu em m\u00e9dia dois anos e meio desde o desastre. Trata-se de um dado estarrecedor, mas que pouco ecoa nos relat\u00f3rios oficiais. O metal pesado, afinal, n\u00e3o intoxica apenas os corpos: envenena tamb\u00e9m a mem\u00f3ria coletiva e a moral p\u00fablica.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, formou-se uma cadeia infind\u00e1vel de comiss\u00f5es, funda\u00e7\u00f5es e comit\u00eas. Criou-se at\u00e9 uma entidade chamada Funda\u00e7\u00e3o Renova, encarregada de coordenar a repara\u00e7\u00e3o, que mais tarde foi extinta, deixando para tr\u00e1s o mesmo rastro de incertezas que a lama deixou nas margens do rio. Cada tentativa de acordo entre Estado e empresas resultou em novas repactua\u00e7\u00f5es, novos prazos, novas cifras. O \u00faltimo grande acerto, celebrado com pompa em 2024, prev\u00ea o pagamento de R$ 170 bilh\u00f5es aos estados de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo, valor que soa grandioso at\u00e9 que se descobre o detalhe: o montante ser\u00e1 parcelado ao longo de vinte anos. Um tempo suficientemente longo para que a lembran\u00e7a do desastre se dissipe e os benefici\u00e1rios iniciais talvez j\u00e1 n\u00e3o estejam vivos para usufruir da justi\u00e7a prometida.<\/p>\n<p>Aos moradores e pequenos agricultores restam cifras modestas: R$ 35 mil para uns, R$ 95 mil para outros. Em troca, uma d\u00e9cada de sofrimento, doen\u00e7as, deslocamentos for\u00e7ados e o peso psicol\u00f3gico de assistir ao desaparecimento de um modo de vida. As mineradoras, por sua vez, ter\u00e3o ainda de reconstruir casas \u2014 como se tijolos e rebocos pudessem restaurar a alma perdida de Bento Rodrigues.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a outra face do lit\u00edgio se desenrola em Londres, onde uma a\u00e7\u00e3o coletiva movida por milhares de atingidos contra a BHP Billiton cobra uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 230 bilh\u00f5es. O caso brasileiro, ao que parece, precisou atravessar o Atl\u00e2ntico para que se encontrasse esperan\u00e7a de justi\u00e7a. E foi justamente isso que incomodou o Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o (Ibram), que recorreu ao Supremo Tribunal Federal. Em decis\u00e3o monocr\u00e1tica, o ministro Fl\u00e1vio Dino restringiu a atua\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios que contrataram escrit\u00f3rios estrangeiros para tratar do caso. Para o ent\u00e3o presidente da Corte, Lu\u00eds Roberto Barroso, permitir que uma trag\u00e9dia ocorrida em solo nacional fosse julgada por outro pa\u00eds seria \u201cmuito ruim para a imagem da Justi\u00e7a brasileira\u201d.<\/p>\n<p>Talvez o ministro tivesse raz\u00e3o quanto \u00e0 imagem. O problema \u00e9 que a imagem, diferentemente da justi\u00e7a, n\u00e3o precisa ser reparada, apenas preservada. O que se busca em Londres n\u00e3o \u00e9 vaidade institucional, mas resposta efetiva. E essa, ao que tudo indica, tarda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cDa terra, da \u00e1gua, do sol e do ar, s\u00f3 faltam dois pra tributar.\u201d<\/em><br \/>\nDelegado Peralta<\/p>\n<figure id=\"attachment_26512\" aria-describedby=\"caption-attachment-26512\" style=\"width: 517px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26512\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/del.jpg\" alt=\"\" width=\"517\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/del.jpg 805w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/del-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/del-768x509.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/del-800x531.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/del-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/del-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26512\" class=\"wp-caption-text\">Delegado Peralta. Foto: hnt.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Binacional<\/strong><br \/>\nEsperan\u00e7a no senador Esperidi\u00e3o Amin. Esfor\u00e7o herc\u00faleo em estabelecer um teto para o pre\u00e7o da energia el\u00e9trica vinda da usina de Itaipu. O objetivo \u00e9 baratear a tarifa para o consumidor. Agora, com o est\u00edmulo aos carros el\u00e9tricos, o consumidor que gerar mais energia, contribui com o governo. Esperidi\u00e3o Amin quer o contr\u00e1rio. Na historinha de Bras\u00edlia, abaixo, energia j\u00e1 era problema.<\/p>\n<figure id=\"attachment_14538\" aria-describedby=\"caption-attachment-14538\" style=\"width: 335px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14538\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/senador22-1.jpg\" alt=\"\" width=\"335\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/senador22-1.jpg 480w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/senador22-1-240x300.jpg 240w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/senador22-1-280x350.jpg 280w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/senador22-1-230x288.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14538\" class=\"wp-caption-text\">Senador Esperidi\u00e3o. Foto: senado.leg.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nAdemais, o problema da falta de energia el\u00e9trica \u00e9 uma constante preocupa\u00e7\u00e3o. Quanto ao DI, falta regularizar os lotes para que possam ser vendidos a quem possa construir, e destruir os barracos de madeira. <strong>(Publicada em 10.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Dez nos depois do maior desastre ambiental do pa\u00eds, a ferida aberta em Mariana segue supurando entre os escombros da burocracia e o sil\u00eancio conveniente dos que lucraram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":25063,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,4067,4071,4070,2338,2339,114,1475,4069,2340,4068],"class_list":["post-26509","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-barragemdemariana","tag-barragemdofundao","tag-bhpbilliton","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-historiadebrasilia","tag-justicanobrasil","tag-londres","tag-mamfil-2","tag-rompimentodabarragem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26509"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26509\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26514,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26509\/revisions\/26514"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25063"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}