{"id":26515,"date":"2025-10-24T01:00:15","date_gmt":"2025-10-24T04:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26515"},"modified":"2025-10-24T16:44:20","modified_gmt":"2025-10-24T19:44:20","slug":"imagem-do-povo-brasileiro-no-espelho-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/imagem-do-povo-brasileiro-no-espelho-da-historia\/","title":{"rendered":"Imagem do povo brasileiro no espelho da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14011\" aria-describedby=\"caption-attachment-14011\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14011\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/charge_desigualdade_social.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/charge_desigualdade_social.jpg 480w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/charge_desigualdade_social-300x213.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/charge_desigualdade_social-350x249.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/05\/charge_desigualdade_social-230x163.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14011\" class=\"wp-caption-text\">Charge do arionaurocartuns.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde sempre, a popula\u00e7\u00e3o foi mantida \u00e0 margem da hist\u00f3ria do Brasil. O que sempre prevaleceu foram arranjos do tipo burocr\u00e1tico ou tecnocr\u00e1tico que visavam manter o status quo e a l\u00f3gica perversa do patrimonialismo. A rep\u00fablica, desde a sua instala\u00e7\u00e3o, jamais teve a hombridade de legitimar quaisquer dos princ\u00edpios que justificassem a sua implanta\u00e7\u00e3o. A Rep\u00fablica tem sido deles, ou seja, da minoria que passou a se assenhorear-se do Estado. E isso, quer queiramos ou n\u00e3o, gera consequ\u00eancias profundas na vida das pessoas, moldando um tipo de na\u00e7\u00e3o que sempre tem se colocado \u00e0 margem, sem participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica em o que quer que seja e sem, principalmente, soberania popular; e, por tabela, sem promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma tese que atravessa gera\u00e7\u00f5es e sobrevive aos discursos oficiais: a de que o empobrecimento do brasileiro n\u00e3o \u00e9 um acidente hist\u00f3rico, mas um projeto pol\u00edtico cuidadosamente mantido. Desde o golpe palaciano que instituiu a Rep\u00fablica, em 1889, o Brasil vem sendo moldado segundo interesses que, sob o disfarce da moderniza\u00e7\u00e3o, nunca se preocuparam em construir uma na\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, participativa ou socialmente justa.<\/p>\n<p>O povo, esse \u201camontoado de ningu\u00e9m\u201d ausente da hist\u00f3ria, sempre foi convocado apenas na hora de legitimar o poder de outros, como eleitor, massa de manobra ou plateia silenciosa. A chamada \u201cProclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica\u201d foi, na verdade, um rearranjo de for\u00e7as entre militares e civis que desejavam romper com o Imp\u00e9rio n\u00e3o para libertar o pa\u00eds, mas para apropriar-se do Estado. A promessa de um novo tempo n\u00e3o passou de um slogan, uma narrativa que serviu para mascarar a tomada de poder por uma minoria burocr\u00e1tica e tecnocr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Seja a Rep\u00fablica Nova que se seguiu Velha, ou mesmo a \u201cNova Rep\u00fablica\u201d p\u00f3s-1988 manteve o mesmo v\u00edcio de origem: a exclus\u00e3o popular como fundamento de governo. Desde ent\u00e3o, o Brasil vive sob o imp\u00e9rio de um patrimonialismo refinado, em que o p\u00fablico \u00e9 tratado como propriedade privada e o Estado serve de abrigo para corpora\u00e7\u00f5es, grupos de interesse e oligarquias regionais. A cidadania, neste modelo, \u00e9 um adere\u00e7o ret\u00f3rico. Os governos mudam, as ideologias se alternam, mas o cidad\u00e3o permanece \u00e0 margem sem voz, sem poder e, sobretudo, sem acesso real aos bens e servi\u00e7os que lhe garantiriam autonomia.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o empobrecimento n\u00e3o \u00e9 mero resultado de crises econ\u00f4micas ou m\u00e1 gest\u00e3o. \u00c9 uma pol\u00edtica de controle social. O cidad\u00e3o economicamente fr\u00e1gil depende do Estado para sobreviver e, portanto, torna-se mais suscet\u00edvel \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Programas sociais, em vez de instrumentos de emancipa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o convertidos em cabrestos modernos. Benef\u00edcios que deveriam ser degraus para a independ\u00eancia transformam-se em armadilhas que perpetuam a depend\u00eancia. O assistencialismo, quando mal conduzido, substitui a cidadania por clientelismo e desmobiliza a consci\u00eancia cr\u00edtica. As finan\u00e7as p\u00fablicas, descontroladas, n\u00e3o s\u00e3o apenas incompet\u00eancia: s\u00e3o parte do mecanismo de perpetua\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit fiscal cr\u00f4nico serve de pretexto para cortes sociais, arrocho salarial e depend\u00eancia internacional. Ao mesmo tempo, a elite econ\u00f4mica, sempre bem instalada, acumula lucros recordes em setores protegidos pelo pr\u00f3prio Estado, bancos, empreiteiras, mineradoras, agroneg\u00f3cio exportador.<\/p>\n<p>Uma sociedade profundamente desigual, em que a riqueza se concentra no topo, enquanto o restante da popula\u00e7\u00e3o disputa migalhas, \u00e9 o resultado. As reformas que prometem efici\u00eancia acabam por fortalecer o controle de poucos sobre muitos. A l\u00f3gica \u00e9 simples: quanto mais pobre o indiv\u00edduo, mais f\u00e1cil controlar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O empobrecimento coletivo tamb\u00e9m \u00e9 cultural. Uma popula\u00e7\u00e3o sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade, \u00e0 informa\u00e7\u00e3o livre e \u00e0 consci\u00eancia cr\u00edtica dificilmente compreender\u00e1 o alcance de sua for\u00e7a pol\u00edtica. O desmonte sistem\u00e1tico da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a precariza\u00e7\u00e3o das universidades e o abandono da cultura s\u00e3o faces do mesmo objetivo: manter o cidad\u00e3o em condi\u00e7\u00e3o de servid\u00e3o intelectual.<\/p>\n<p>Em vez de garantir igualdade, o Estado brasileiro tornou-se uma m\u00e1quina de perpetuar privil\u00e9gios. A pol\u00edtica fiscal regressiva, o sistema tribut\u00e1rio injusto e a burocracia que sufoca pequenos empreendedores s\u00e3o exemplos claros de um modelo desenhado para concentrar renda e poder. Enquanto o trabalhador paga impostos em cascata sobre o consumo, os grandes capitais se beneficiam de brechas legais e generosos incentivos.<\/p>\n<p>A verdadeira soberania popular, aquela que nasce da autonomia econ\u00f4mica e da consci\u00eancia pol\u00edtica, permanece interditada. O Brasil precisa enfrentar esse paradoxo hist\u00f3rico: s\u00f3 haver\u00e1 Rep\u00fablica de fato quando houver povo de verdade. E s\u00f3 haver\u00e1 povo de verdade quando o Estado deixar de ser o instrumento dos poucos para tornar-se o espa\u00e7o de todos. At\u00e9 l\u00e1, continuaremos sob a mesma bandeira de sempre: verde, amarela e profundamente desigual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA ignor\u00e2ncia \u00e9 uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica n\u00e3o um fracasso do sistema, mas seu prop\u00f3sito.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Darcy Ribeiro<\/p>\n<figure id=\"attachment_17645\" aria-describedby=\"caption-attachment-17645\" style=\"width: 398px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-17645\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/09\/darcy.jpg\" alt=\"\" width=\"398\" height=\"490\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/09\/darcy.jpg 484w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/09\/darcy-244x300.jpg 244w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/09\/darcy-230x283.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17645\" class=\"wp-caption-text\">Darcy Ribeiro. Foto: escoladarcyribeiro.org<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Corre a boca miuda na cidade, que a Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito da Novacap n\u00e3o apurar\u00e1 nada contra ningu\u00e9m. Nos primeiros dias de trabalho um jornalista carioca procurou atingir a honorabilidade dos seus membros, ressaltando apenas o dr. Bessa <strong>(Publicada em 10.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Desde sempre, a popula\u00e7\u00e3o foi mantida \u00e0 margem da hist\u00f3ria do Brasil. 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