{"id":26540,"date":"2025-10-29T01:00:14","date_gmt":"2025-10-29T04:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26540"},"modified":"2025-10-28T14:50:38","modified_gmt":"2025-10-28T17:50:38","slug":"the-economist-o-recado-esta-dado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/the-economist-o-recado-esta-dado\/","title":{"rendered":"The Economist, o recado est\u00e1 dado."},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26545\" aria-describedby=\"caption-attachment-26545\" style=\"width: 525px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26545\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/lula.jpg\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/lula.jpg 525w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/lula-300x253.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/lula-230x194.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26545\" class=\"wp-caption-text\">Lula. Foto: Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nessa semana, a revista The Economist mostrou reportagem em que faz severas cr\u00edticas \u00e0 pessoa e \u00e0 atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do presidente brasileiro. Tanta repercuss\u00e3o causou nos bastidores que o pr\u00f3prio Itamaraty teve que entrar em cena para em carta defender nosso comandante. Por mais que se pretenda defender o mandat\u00e1rio, as cr\u00edticas, na sua grande maioria, s\u00e3o procedentes e mostram que o l\u00edder nacional est\u00e1 perdido no espa\u00e7o, talvez pelo pesar dos anos de uma vida regada a \u00e1lcool e a excessos de todo o tipo. O importante aqui \u00e9 saber at\u00e9 que ponto o atual governo tem sido de fato o respons\u00e1vel pelo aprofundamento da crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que, mais uma vez, vai empurrando o pa\u00eds para a periferia do mundo civilizado, transformando o Brasil numa esp\u00e9cie de p\u00e1ria internacional, ligado aos piores e mais falidos regimes do planeta.<\/p>\n<p>Neste momento, vivemos um grave risco estrutural: \u00e0 medida que o mundo se realinha geopoliticamente e fortalece cadeias de valor modernas, a atua\u00e7\u00e3o do governo sinaliza um recuo em suas capacidades como ator internacional relevante e coloca em xeque o projeto de retomada econ\u00f4mica sustentada. A recente avalia\u00e7\u00e3o da The Economist de que Lula \u201cperdeu influ\u00eancia no exterior e \u00e9 impopular no Brasil\u201d traz, em forma de alerta editorial, o que est\u00e1 em jogo para o pa\u00eds. O primeiro grande problema \u00e9 a pol\u00edtica externa. O Brasil tem dado prefer\u00eancia vis\u00edvel a pa\u00edses como China, R\u00fassia e Ir\u00e3, numa guinada que a revista qualifica como \u201ccada vez mais hostil ao Ocidente\u201d. O alinhamento ou a apar\u00eancia de alinhamento com regimes autorit\u00e1rios ou contestados internacionalmente compromete a credibilidade do pa\u00eds junto a mercados, investidores e parceiros tradicionais.<\/p>\n<p>Em um mundo onde confian\u00e7a, previsibilidade e integra\u00e7\u00e3o global geram crescimento, o Brasil corre o risco de se tornar peripheral \u2013 menos interlocutor, mais espectador. Em segundo lugar, um perfil interno de fraqueza institucional parece crescer. The Economist destaca que a desaprova\u00e7\u00e3o popular atingiu n\u00edveis cr\u00edticos, e que o Legislativo derrubou um decreto presidencial, algo in\u00e9dito em d\u00e9cadas, mostrando que o Executivo perdeu f\u00f4lego pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Se a pol\u00edtica econ\u00f4mica e institucional perde sustenta\u00e7\u00e3o, a estabilidade requerida para investimentos, reformas e credibilidade se esvai rapidamente. A economia, claro, sofre o impacto. Apesar de alguns dados pontuais positivos, a tend\u00eancia \u00e9 de estagna\u00e7\u00e3o ou de crescimento fraco se nada for feito para modernizar a estrutura produtiva, log\u00edstica, regula\u00e7\u00e3o e gera\u00e7\u00e3o de valor agregado. Um presidente que se isola internacionalmente e que acumula desgaste interno dificilmente mobiliza energias para reformas profundas. Assim, o Brasil pode estar prestes a repetir ciclos de baixo crescimento, d\u00e9ficit estrutural e falta de dinamismo, exatamente o oposto da narrativa de \u201cnovo ciclo\u201d que muitos pregam. Al\u00e9m disso, a identidade internacional do Brasil que, h\u00e1 poucos anos, era de \u201cpot\u00eancia intermedi\u00e1ria\u201d em ascens\u00e3o corre o risco de se converter em pa\u00eds alinhado majoritariamente a regimes falidos ou contestados. Isso n\u00e3o s\u00f3 fragiliza o soft-power brasileiro, mas cria vulnerabilidades: mercados multilateralizados podem preferir fornecedores, parceiros ou blocos que ofere\u00e7am menor risco reputacional ou pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Se o Brasil se torna aliado de regimes vistos como inst\u00e1veis ou autorit\u00e1rios, ele se exp\u00f5e e pode pagar o pre\u00e7o em barreiras comerciais, financiamento internacional e at\u00e9 inseguran\u00e7a geopol\u00edtica. No \u00e2mbito interno, a imagem de um presidente \u201cperdido no espa\u00e7o\u201d fruto, segundo alguns cr\u00edticos, de anos de vida p\u00fablica marcada por excessos embora mere\u00e7a cautela, simboliza para muitos a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 uma lideran\u00e7a clara, renovadora e propositiva. A combina\u00e7\u00e3o de desgaste, rumor de alian\u00e7as de conveni\u00eancia e aus\u00eancia de projeto claro de futuro configura um terreno f\u00e9rtil para que o pa\u00eds fique ref\u00e9m de \u201cgest\u00e3o do dia a dia\u201d em vez de \u201cdobradinha de rumo e execu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a f\u00f3rmula para que o pa\u00eds tenha muito a perder: a falta de influ\u00eancia externa, o decl\u00ednio interno de legitimidade, a incapacidade de gerar crescimento robusto, o risco de isolamento diplom\u00e1tico e econ\u00f4mico, e a poss\u00edvel transforma\u00e7\u00e3o de parceiro relevante em bem-menos-importante. A estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pavimenta o caminho para o desemprego, a migra\u00e7\u00e3o de c\u00e9rebros, a fuga de capitais, e o retrocesso social. O prest\u00edgio perdido dificulta reformas estruturais porque reduz tanto o \u201ccapital pol\u00edtico\u201d quanto o \u201ccapital internacional\u201d, que viabilizam grandes movimentos.<\/p>\n<p>Para reverter esse quadro, o pa\u00eds precisa urgentemente que o presidente e a coaliz\u00e3o que o apoia retornem \u00e0 l\u00f3gica de constru\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a: confian\u00e7a internacional (parcerias s\u00f3lidas, n\u00e3o conjunturais), confian\u00e7a dom\u00e9stica (institui\u00e7\u00f5es funcionando, execu\u00e7\u00e3o cr\u00edvel) e confian\u00e7a econ\u00f4mica (produto crescente, investimento privado, funcionamentos de mercado). Sem isso, o Brasil n\u00e3o apenas deixar\u00e1 de decolar, ele corre o risco de retroceder. O cen\u00e1rio ideal em vez de \u201cpa\u00eds p\u00e1ria\u201d n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, mas exige que se pare de repetir erros do passado e venha a assumir com humildade que, sob a lideran\u00e7a atual, h\u00e1 mais interroga\u00e7\u00f5es do que certezas.<\/p>\n<p>A reportagem da The Economist n\u00e3o deve ser lida como simples provoca\u00e7\u00e3o estrangeira, ela serve como espelho desconfort\u00e1vel de uma situa\u00e7\u00e3o que parece melhor compreendida \u00e0 dist\u00e2ncia, fora do alcance da censura e dos adesismos de ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cO trabalho foi o primeiro pre\u00e7o, o dinheiro original que foi pago por todas as coisas. N\u00e3o foi com ouro ou prata, mas com trabalho, que toda a riqueza do mundo foi originalmente comprada.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Adam Smith<\/p>\n<figure id=\"attachment_17953\" aria-describedby=\"caption-attachment-17953\" style=\"width: 416px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17953\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/adam-smith.jpg\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/adam-smith.jpg 416w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/adam-smith-235x300.jpg 235w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/adam-smith-230x294.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17953\" class=\"wp-caption-text\">Adam Smith The Muir portrait. Imagem: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Na Quadra 7 do SCR as cal\u00e7adas n\u00e3o est\u00e3o completas. Onde h\u00e1 casa comercial, a cal\u00e7ada \u00e9 feita. Onde h\u00e1 passagem para a W-2 \u00e9 todo esburacado o piso.\u00a0<strong>(Publicada em 10.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Nessa semana, a revista The Economist mostrou reportagem em que faz severas cr\u00edticas \u00e0 pessoa e \u00e0 atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do presidente brasileiro. 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