{"id":26547,"date":"2025-10-30T01:00:07","date_gmt":"2025-10-30T04:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26547"},"modified":"2025-10-30T13:53:27","modified_gmt":"2025-10-30T16:53:27","slug":"antes-que-seja-tarde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/antes-que-seja-tarde\/","title":{"rendered":"Antes que seja tarde"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26549\" aria-describedby=\"caption-attachment-26549\" style=\"width: 588px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26549\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ope.jpg\" alt=\"\" width=\"588\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ope.jpg 893w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ope-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ope-768x429.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ope-800x447.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ope-550x307.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/ope-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 588px) 100vw, 588px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26549\" class=\"wp-caption-text\">Foto: REUTERS\/Ricardo Moraes<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A megaopera\u00e7\u00e3o policial deflagrada no Rio de Janeiro revela um pa\u00eds em convuls\u00e3o e um Estado que perdeu o controle sobre vastas por\u00e7\u00f5es de seu territ\u00f3rio. As cenas de guerra urbana, helic\u00f3pteros sobrevoando favelas e confrontos que duram horas, n\u00e3o s\u00e3o apenas sinais de um problema localizado, s\u00e3o sintomas de uma doen\u00e7a nacional. O crime organizado brasileiro j\u00e1 n\u00e3o se limita a ser uma amea\u00e7a dom\u00e9stica; transformou-se em um poder paralelo, com tent\u00e1culos que alcan\u00e7am o exterior, articulando-se como uma verdadeira multinacional do crime. Mais uma vez, o que est\u00e1 em jogo, neste momento, \u00e9 a pr\u00f3pria soberania do pa\u00eds.<\/p>\n<p>As fac\u00e7\u00f5es criminosas, outrora limitadas ao tr\u00e1fico de drogas, expandiram suas opera\u00e7\u00f5es para o garimpo ilegal, o contrabando de armas, o tr\u00e1fico de pessoas e at\u00e9 a corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. S\u00e3o conglomerados que movimentam bilh\u00f5es por ano, lavam dinheiro com efici\u00eancia empresarial e imp\u00f5em regras pr\u00f3prias em regi\u00f5es inteiras. Em muitas \u00e1reas, o Estado j\u00e1 n\u00e3o dita as normas, apenas as observa impotente. A fronteira entre o legal e o ilegal se tornou porosa, e h\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias de que agentes p\u00fablicos, empres\u00e1rios e pol\u00edticos atuam como intermedi\u00e1rios dessas organiza\u00e7\u00f5es. Quando o crime penetra o tecido institucional e passa a influenciar decis\u00f5es de governo, o pa\u00eds d\u00e1 os primeiros passos rumo a um narcoestado. Esse processo de corros\u00e3o n\u00e3o se fez do dia para a noite. D\u00e9cadas de descaso, de pol\u00edticas p\u00fablicas inconsistentes e de discursos ideol\u00f3gicos mal calibrados prepararam o terreno. A atua\u00e7\u00e3o de certas organiza\u00e7\u00f5es e setores pol\u00edticos, que, sob o pretexto de defender os direitos humanos, passaram a deslegitimar qualquer a\u00e7\u00e3o de enfrentamento, criou uma paralisia operacional.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, governos se alternaram no poder sem formular uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a nacional articulada, preferindo respostas imediatistas: opera\u00e7\u00f5es espetaculares que produzem manchetes, mas n\u00e3o resultados duradouros. Combater o crime \u00e9 necess\u00e1rio; mas sem intelig\u00eancia, sem planejamento e sem vontade pol\u00edtica, o esfor\u00e7o se converte em mero teatro.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio internacional, a percep\u00e7\u00e3o sobre o Brasil se agrava. O governo dos Estados Unidos, em recente pronunciamento, classificou organiza\u00e7\u00f5es criminosas latino-americanas como terroristas, equiparando-as a grupos que representam amea\u00e7a direta \u00e0 seguran\u00e7a global. Essa decis\u00e3o \u00e9 um divisor de \u00e1guas: ao redefinir a natureza desses grupos, Washington abre espa\u00e7o para a\u00e7\u00f5es extraterritoriais e san\u00e7\u00f5es financeiras que podem atingir inclusive o territ\u00f3rio brasileiro. O alerta americano soa como uma advert\u00eancia diplom\u00e1tica e como uma constata\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel \u00a0de que o problema aqui j\u00e1 ultrapassou fronteiras.<br \/>\nSe o Brasil continuar negando a dimens\u00e3o internacional do crime organizado, poder\u00e1 assistir, em breve, \u00e0 inger\u00eancia de pot\u00eancias estrangeiras em sua pr\u00f3pria pol\u00edtica de seguran\u00e7a. A omiss\u00e3o do governo federal diante dessa escalada preocupa. O discurso de nega\u00e7\u00e3o, a cr\u00edtica autom\u00e1tica \u00e0s for\u00e7as de seguran\u00e7a e a insist\u00eancia em solu\u00e7\u00f5es puramente sociais necess\u00e1rias, mas insuficientes \u2014 apenas aprofundam a crise. O que est\u00e1 em curso \u00e9 uma simbiose entre crime, poder econ\u00f4mico e estruturas pol\u00edticas, e enfrent\u00e1-la requer algo mais que slogans.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso intelig\u00eancia integrada, coopera\u00e7\u00e3o internacional em bases de soberania e, sobretudo, coragem para desmontar os esquemas de corrup\u00e7\u00e3o que sustentam o crime por dentro do Estado. Sem isso, o pa\u00eds continuar\u00e1 a reagir de modo err\u00e1tico, oscilando entre a viol\u00eancia e a impot\u00eancia. O risco de o Brasil tornar-se um modelo acabado de narcoestado \u00e9 real. Quando o poder das armas e do dinheiro il\u00edcito se sobrep\u00f5em ao das institui\u00e7\u00f5es, a democracia se desfaz silenciosamente. O que se inicia nas vielas e fronteiras termina nas c\u00fapulas do poder.<\/p>\n<p>Evitar esse destino exige um pacto republicano que ultrapasse ideologias: seguran\u00e7a p\u00fablica eficiente, justi\u00e7a independente, fortalecimento das fronteiras e pol\u00edticas sociais que retirem das fac\u00e7\u00f5es suas principais for\u00e7as de recrutamento: a mis\u00e9ria e o abandono. A opera\u00e7\u00e3o no Rio n\u00e3o deve ser lida como um epis\u00f3dio isolado, mas como um grito de alerta.<\/p>\n<p>Se o Estado n\u00e3o reconquistar sua autoridade, se a sociedade continuar a relativizar a gravidade da amea\u00e7a e se a classe pol\u00edtica insistir em discursos de conveni\u00eancia, em breve, o Brasil deixar\u00e1 de ser apenas um pa\u00eds violento para tornar-se algo pior: um territ\u00f3rio governado pelo medo, pela corrup\u00e7\u00e3o e pelas armas. A hora de reagir \u00e9 agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cContinuaremos firmes no enfrentamento ao tr\u00e1fico de drogas e ao crime organizado.&#8221;<\/em><br \/>\nLula<\/p>\n<figure id=\"attachment_26545\" aria-describedby=\"caption-attachment-26545\" style=\"width: 523px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26545\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/lula.jpg\" alt=\"\" width=\"523\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/lula.jpg 525w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/lula-300x253.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/10\/lula-230x194.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 523px) 100vw, 523px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26545\" class=\"wp-caption-text\">Lula. Foto: Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nNada mais injusta do que a campanha que vem sendo mantida contra o engenheiro Waldemar Lucas, prefeito de Taguatinga. At\u00e9 hoje ningu\u00e9m assumiu aquele cargo para dedicar a mesma aten\u00e7\u00e3o, e o mesmo inter\u00easse pela solu\u00e7\u00e3o de milhares de lotes ocupados ilegalmente do que o atual subprefeito. <strong>(Publicada em 11.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; A megaopera\u00e7\u00e3o policial deflagrada no Rio de Janeiro revela um pa\u00eds em convuls\u00e3o e um Estado que perdeu o controle sobre vastas por\u00e7\u00f5es de seu territ\u00f3rio. 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