{"id":26563,"date":"2025-11-05T01:00:53","date_gmt":"2025-11-05T04:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26563"},"modified":"2025-11-05T14:01:47","modified_gmt":"2025-11-05T17:01:47","slug":"o-tec-existencialismo-e-o-labirinto-do-minotauro-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-tec-existencialismo-e-o-labirinto-do-minotauro-digital\/","title":{"rendered":"O Tec-Existencialismo e o Labirinto do Minotauro Digital"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26566\" aria-describedby=\"caption-attachment-26566\" style=\"width: 646px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26566\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/exis.jpg\" alt=\"\" width=\"646\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/exis.jpg 1383w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/exis-300x162.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/exis-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/exis-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/exis-800x433.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/exis-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/exis-230x125.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 646px) 100vw, 646px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26566\" class=\"wp-caption-text\">Imagem gerada por IA<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 pr\u00f3prio da modernidade criar novos vocabul\u00e1rios para nomear a novidade e o espanto. Desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, cada salto tecnol\u00f3gico obrigou o homem a reinventar as palavras \u00a0e, com elas, sua pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o de mundo. Agora, com o advento da Intelig\u00eancia Artificial, n\u00e3o \u00e9 apenas a linguagem que se transforma: \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia da exist\u00eancia humana que parece passar por uma muta\u00e7\u00e3o silenciosa, por\u00e9m profunda. O termo\u00a0<em>tec-existencialismo<\/em>, cunhado pelo futurista Roge Spitz, surge justamente para tentar capturar essa transi\u00e7\u00e3o, num chamado \u00e0 reflex\u00e3o sobre como a tecnologia, especialmente a IA, come\u00e7a a moldar n\u00e3o apenas o que fazemos, mas o que somos. Spitz alerta que\u00a0<em>\u201ca tecnologia n\u00e3o \u00e9 neutra: ela cria realidades e redefine os contornos da exist\u00eancia humana\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 pr\u00f3prio da modernidade criar novos vocabul\u00e1rios para nomear a novidade e o espanto. Desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, cada salto tecnol\u00f3gico obrigou o homem a reinventar as palavras \u00a0e, com elas, sua pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o de mundo. Agora, com o advento da Intelig\u00eancia Artificial, n\u00e3o \u00e9 apenas a linguagem que se transforma: \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia da exist\u00eancia humana que parece passar por uma muta\u00e7\u00e3o silenciosa, por\u00e9m profunda. O termo\u00a0<em>tec-existencialismo<\/em>, cunhado pelo futurista Roge Spitz, surge justamente para tentar capturar essa transi\u00e7\u00e3o, num chamado \u00e0 reflex\u00e3o sobre como a tecnologia, especialmente a IA, come\u00e7a a moldar n\u00e3o apenas o que fazemos, mas o que somos. Spitz alerta que\u00a0<em>\u201ca tecnologia n\u00e3o \u00e9 neutra: ela cria realidades e redefine os contornos da exist\u00eancia humana\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Seu tec-existencialismo nos convida a olhar para a intelig\u00eancia artificial n\u00e3o como ferramenta, mas como espelho um espelho que reflete e, ao mesmo tempo, distorce a nossa humanidade. Trata-se de um alerta contra a complac\u00eancia: a de aceitar que as m\u00e1quinas decidam por n\u00f3s sob o pretexto da conveni\u00eancia. \u00c9 o risco de trocarmos a liberdade pelo conforto de uma mente coletiva programada por algoritmos invis\u00edveis. Vivemos, talvez sem perceber, a entrada em um labirinto de alta tecnologia. Nele, cada passo \u00e9 guiado por dados, sensores, c\u00e2meras e intelig\u00eancias que aprendem com nossos erros e nossos h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>Como o antigo mito do Minotauro, esse labirinto contempor\u00e2neo tem um guardi\u00e3o monstruoso n\u00e3o mais uma criatura mitol\u00f3gica, mas uma rede invis\u00edvel de c\u00f3digos, c\u00e1lculos e logar\u00edtmos. Diferente do mito grego, entretanto, n\u00e3o h\u00e1 um fio de Ariadne que nos leve de volta \u00e0 luz. O fil\u00f3sofo Byung-Chul Han, em\u00a0<em>Psicopol\u00edtica<\/em>, adverte que \u201co homem contempor\u00e2neo acredita ser livre, mas vive em uma pris\u00e3o de transpar\u00eancia e desempenho\u201d. Na era digital, a submiss\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 pela for\u00e7a, mas pela sedu\u00e7\u00e3o dos sistemas inteligentes. Yuval Noah Harari, em\u00a0<em>Homo Deus<\/em>, prev\u00ea que \u201cquando os algoritmos nos conhecerem melhor do que n\u00f3s mesmos, o livre-arb\u00edtrio deixar\u00e1 de existir como cren\u00e7a coletiva\u201d. Estamos, portanto, diante de um ponto de inflex\u00e3o hist\u00f3rico: a tecnologia que criamos come\u00e7a a nos recriar \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. A pol\u00edtica, nesse cen\u00e1rio, parece cada vez mais impotente.<\/p>\n<p>Estados e governos, outrora senhores da ordem social, se veem agora dependentes das m\u00e1quinas que criaram e dos sistemas que n\u00e3o compreendem plenamente. A burocracia se digitalizou, o controle social se sofisticou e o poder tornou-se algor\u00edtmico. Spitz adverte que \u201cquando a intelig\u00eancia artificial come\u00e7a a intermediar todas as nossas escolhas, a autonomia se torna uma ilus\u00e3o polida\u201d. A soberania das na\u00e7\u00f5es come\u00e7a a ceder lugar \u00e0 soberania das corpora\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, que operam acima das fronteiras e fora do alcance das leis. No campo religioso, a crise n\u00e3o \u00e9 menor. Como responder \u00e0 ang\u00fastia de uma humanidade que j\u00e1 n\u00e3o cr\u00ea na transcend\u00eancia, mas confia cegamente na promessa da imortalidade digital? Quando o homem passa a se ver como um conjunto de dados, e n\u00e3o mais como um ser dotado de alma, o sagrado perde espa\u00e7o para o simulacro da perfei\u00e7\u00e3o artificial.<\/p>\n<p>Igrejas, templos e seitas talvez ainda resistam, mas o culto da era moderna \u00e9 outro: o culto \u00e0 m\u00e1quina, ao c\u00e1lculo, \u00e0 efici\u00eancia. Surge, ent\u00e3o, uma invers\u00e3o simb\u00f3lica: o\u00a0<em>Deus ex machina<\/em>\u00a0\u00a0express\u00e3o que, na trag\u00e9dia cl\u00e1ssica, designava a interven\u00e7\u00e3o divina que resolvia o enredo \u00a0agora se transforma na pr\u00f3pria m\u00e1quina que assume o papel de deus, decidindo destinos, emo\u00e7\u00f5es e valores. O\u00a0<em>tec-existencialismo<\/em>, portanto, \u00e9 o espelho diante do qual precisamos ter coragem de nos olhar. Ele n\u00e3o prop\u00f5e apenas uma cr\u00edtica ao avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, mas uma reflex\u00e3o sobre a eros\u00e3o daquilo que nos tornava humanos \u00a0a d\u00favida, o erro, a imperfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hannah Arendt j\u00e1 advertia que \u201ca perda do pensamento \u00e9 o prel\u00fadio de toda forma de totalitarismo\u201d, e o totalitarismo digital talvez seja o mais sutil de todos: aquele que domina n\u00e3o pela viol\u00eancia, mas pela conveni\u00eancia. O risco maior n\u00e3o \u00e9 que as m\u00e1quinas dominem o mundo, mas que nos conven\u00e7am de que j\u00e1 n\u00e3o precisamos de alma para viver nele. Em um futuro n\u00e3o muito distante, talvez despertemos para perceber que o labirinto n\u00e3o tem sa\u00edda. Que o Minotauro j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 fora de n\u00f3s, mas dentro,\u00a0integrado ao nosso modo de pensar, sentir e decidir.<\/p>\n<p>A modernidade, que come\u00e7ou prometendo libertar o homem do trabalho e da ignor\u00e2ncia, pode terminar aprisionando-o em um cativeiro de luzes e c\u00f3digos. E, nesse ponto, nem a pol\u00edtica, nem o Estado, nem mesmo as religi\u00f5es ter\u00e3o a chave para abrir as portas do labirinto. O\u00a0<em>tec-existencialismo<\/em>, se levado a s\u00e9rio, \u00e9 um convite \u00e0 resist\u00eancia interior. \u00c0 redescoberta da consci\u00eancia humana em meio ao ru\u00eddo digital. Porque, se h\u00e1 ainda uma chance de salva\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o vir\u00e1 das m\u00e1quinas vir\u00e1 do homem que se atrever a deslig\u00e1-las por um instante e voltar a escutar o pr\u00f3prio sil\u00eancio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;Para n\u2060\u00e3o ser substitu\u00eddo por um rob\u00f4, n\u00e3o seja um rob\u00f4&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Martha Gabriel<\/p>\n<figure id=\"attachment_26567\" aria-describedby=\"caption-attachment-26567\" style=\"width: 518px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26567\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/MARTHA.jpg\" alt=\"\" width=\"518\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/MARTHA.jpg 570w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/MARTHA-300x227.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/MARTHA-550x417.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/MARTHA-230x174.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26567\" class=\"wp-caption-text\">Martha Gabriel. Foto: online.pucrs.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rascunho<\/strong><\/p>\n<p>Entrada e sa\u00edda do Lago Norte planejadas por quem n\u00e3o conhece o movimento da regi\u00e3o. As faixas de pedestre rec\u00e9m-colocadas s\u00e3o pren\u00fancio de muitos acidentes, prejudicando pedestres e motoristas. Sem sinaliza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via suficiente para prevenir os motoristas de uma parada repentina, a iniciativa deve ser revista e colocada em pr\u00e1tica com mais t\u00e9cnica e estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>O regime parlamentarista trouxe, tamb\u00e9m, altera\u00e7\u00e3o no sistema escolar. No Col\u00e9gio D. Bosco, de Bras\u00edlia, os alunos est\u00e3o organizados de maneira parlamentarista, e o Primeiro Ano B, j\u00e1 elegeu o seu presidente e o Conselho. <strong>(Publicada em 11.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; \u00c9 pr\u00f3prio da modernidade criar novos vocabul\u00e1rios para nomear a novidade e o espanto. 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