{"id":26594,"date":"2025-11-09T01:00:19","date_gmt":"2025-11-09T04:00:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26594"},"modified":"2025-11-07T19:39:43","modified_gmt":"2025-11-07T22:39:43","slug":"o-silencio-que-alimenta-o-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-silencio-que-alimenta-o-crime\/","title":{"rendered":"O Sil\u00eancio que Alimenta o Crime"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26599\" aria-describedby=\"caption-attachment-26599\" style=\"width: 759px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26599\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/opera\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"759\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/opera\u00e7\u00e3o.jpg 1167w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/opera\u00e7\u00e3o-300x178.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/opera\u00e7\u00e3o-768x455.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/opera\u00e7\u00e3o-1024x607.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/opera\u00e7\u00e3o-800x474.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/opera\u00e7\u00e3o-550x326.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/opera\u00e7\u00e3o-230x136.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 759px) 100vw, 759px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26599\" class=\"wp-caption-text\">Foto: \u00a9Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ainda devem repercutir por muito tempo, nos meios pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos, os resultados da recente opera\u00e7\u00e3o policial no Rio de Janeiro, que deixou mais de cem criminosos mortos em confronto com as for\u00e7as de seguran\u00e7a. N\u00e3o se tratou de uma a\u00e7\u00e3o corriqueira, mas de um epis\u00f3dio emblem\u00e1tico de um pa\u00eds que, h\u00e1 d\u00e9cadas, v\u00ea-se encurralado pelo crime organizado e por governos que, em nome de um suposto humanismo, confundem direitos humanos com impunidade. O mundo observou estarrecido; as cenas de viol\u00eancia e as manchetes estrangeiras voltaram a associar o Brasil \u00e0 imagem de um territ\u00f3rio hostil, inseguro e desgovernado. Cada ala pol\u00edtica, como de costume, tratou de explorar o fato a sua maneira. Enquanto uns exaltam a opera\u00e7\u00e3o como um marco da retomada da autoridade estatal, outros a condenam, sustentando o discurso de que \u00e9 poss\u00edvel combater fac\u00e7\u00f5es armadas com flores e discursos progressistas. Trata-se de um equ\u00edvoco perigoso. O poderio b\u00e9lico e econ\u00f4mico do narcotr\u00e1fico n\u00e3o se desmantela com gestos simb\u00f3licos nem com negocia\u00e7\u00f5es morais. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a soberania nacional e a integridade das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nessa altura dos acontecimentos, o governo dos Estados Unidos j\u00e1 chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o narcotr\u00e1fico no Brasil, assim como no M\u00e9xico, na Col\u00f4mbia e na Venezuela, domina extensas \u00e1reas dentro e fora das fronteiras. Essa constata\u00e7\u00e3o, ainda que desconfort\u00e1vel, n\u00e3o surpreende: h\u00e1 muito tempo as organiza\u00e7\u00f5es criminosas deixaram de ser meras quadrilhas locais para se transformar em redes transnacionais de poder, com bra\u00e7os no com\u00e9rcio, na pol\u00edtica e at\u00e9 no sistema financeiro. O n\u00e3o reconhecimento, por parte do governo brasileiro, de que esses grupos n\u00e3o s\u00e3o movimentos sociais nem guerrilhas pol\u00edticas, mas verdadeiras corpora\u00e7\u00f5es do crime, s\u00f3 agrava a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Pesquisas de opini\u00e3o recentes indicam que a maioria da popula\u00e7\u00e3o apoia a\u00e7\u00f5es en\u00e9rgicas da pol\u00edcia contra os criminosos. O cidad\u00e3o comum, que convive diariamente com o medo, j\u00e1 n\u00e3o se deixa enganar por discursos lenientes. Nas ruas do Rio de Janeiro, de S\u00e3o Paulo e de tantas outras capitais, cresce a percep\u00e7\u00e3o de que o Estado precisa reagir com firmeza \u2014 n\u00e3o por vingan\u00e7a, mas por sobreviv\u00eancia. Cada territ\u00f3rio \u201cpacificado\u201d pelos bandidos \u00e9 um peda\u00e7o de pa\u00eds que se perde. O problema j\u00e1 ultrapassou qualquer fronteira sociol\u00f3gica. Hoje, o tr\u00e1fico \u00e9 um poder paralelo que interfere em elei\u00e7\u00f5es, corrompe institui\u00e7\u00f5es e imp\u00f5e leis pr\u00f3prias onde o Estado se ausenta. Adiar uma resposta firme \u00e9 abrir espa\u00e7o para que essa estrutura criminosa se infiltre de modo irrevers\u00edvel na m\u00e1quina p\u00fablica e na economia formal. A hist\u00f3ria recente de pa\u00edses como o M\u00e9xico mostra o que acontece quando o poder pol\u00edtico hesita diante do crime organizado: as fronteiras entre Estado e fac\u00e7\u00e3o tornam-se indistintas, e a viol\u00eancia passa a ditar a agenda nacional. O Brasil n\u00e3o pode trilhar o mesmo caminho. \u00c9 preciso reconhecer que n\u00e3o h\u00e1 democracia poss\u00edvel onde o Estado perdeu o monop\u00f3lio da for\u00e7a. O pa\u00eds exige mais que discursos: exige a\u00e7\u00e3o, autoridade e coragem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A opera\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro, num processo l\u00f3gico de combate a esses grupos, deveria ter tido continuidade at\u00e9 que o problema fosse debelado, dentro e fora daquele estado. A interrup\u00e7\u00e3o dessas opera\u00e7\u00f5es por for\u00e7a da justi\u00e7a e da press\u00e3o das altas cortes s\u00f3 servir\u00e1 para que o crime volte a se fortalecer e ganhe mais \u00e1reas de controle. O que se viu no Rio de Janeiro, nas \u00faltimas semanas, n\u00e3o \u00e9 apenas o retrato de uma cidade sitiada, mas o sintoma de um pa\u00eds que perdeu a capacidade de distinguir entre legalidade e complac\u00eancia. A opera\u00e7\u00e3o policial que resultou na morte de mais de cem criminosos foi uma resposta dura, por\u00e9m necess\u00e1ria, a um problema que h\u00e1 muito tempo se arrasta sem solu\u00e7\u00e3o: o dom\u00ednio territorial e psicol\u00f3gico do crime organizado sobre o Estado. As decis\u00f5es judiciais que paralisam opera\u00e7\u00f5es ou restringem o uso da for\u00e7a policial sob o argumento de \u201cproteger vidas inocentes\u201d acabam, paradoxalmente, protegendo quem vive \u00e0 margem da lei.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O Estado brasileiro vive um momento decisivo. Se continuar permitindo que decis\u00f5es judiciais interrompam o trabalho das for\u00e7as de seguran\u00e7a, a criminalidade deixar\u00e1 de ser uma amea\u00e7a e se tornar\u00e1 um poder consolidado com territ\u00f3rio, economia e influ\u00eancia pol\u00edtica. A hist\u00f3ria ensina que nenhuma na\u00e7\u00e3o vence o crime quando o medo de agir supera a vontade de governar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O combate ao crime organizado n\u00e3o comporta meias medidas. \u00c9 tempo de restaurar o equil\u00edbrio entre os Poderes e permitir que as for\u00e7as de seguran\u00e7a cumpram seu papel. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel evitar que o pa\u00eds se transforme, de vez, em um territ\u00f3rio onde o crime dita as regras e o Estado obedece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>&#8220;O mundo n\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ado pelas pessoas m\u00e1s, e sim por aquelas que permitem a maldade.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Albert Einstein<\/p>\n<figure id=\"attachment_19352\" aria-describedby=\"caption-attachment-19352\" style=\"width: 676px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19352\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten.jpg\" alt=\"\" width=\"676\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten.jpg 676w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten-300x182.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten-550x333.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2021\/06\/Einsten-230x139.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 676px) 100vw, 676px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-19352\" class=\"wp-caption-text\">Albert Einsten. Foto: Arthur Sasse\/Nate D Sanders Auctions\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Um bom mercado para a industria naval brasileira tem sido o M\u00e9xico. Esta, a raz\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o que a marinha do Brasil est\u00e1 fazendo no M\u00e9xico, onde o principal assunto \u00e9 Bras\u00edlia. Ontem, o comandante Renan f\u00eaz embarcar para aquele pa\u00eds um filme sobre o Distrito Federal, e diversos paineis mostrando diversas atividades em Bras\u00edlia.\u00a0<strong>(Publicada em 11.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Ainda devem repercutir por muito tempo, nos meios pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos, os resultados da recente opera\u00e7\u00e3o policial no Rio de Janeiro, que deixou mais de cem criminosos mortos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26599,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,2153,114,2340,3179,4089,183,6],"class_list":["post-26594","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-estado","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-narcotrafico","tag-operacaonoriodejaneiro","tag-segurancapublica","tag-justica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26594"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26594\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26600,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26594\/revisions\/26600"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26599"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}