{"id":26602,"date":"2025-11-12T01:00:50","date_gmt":"2025-11-12T04:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26602"},"modified":"2025-11-12T11:46:58","modified_gmt":"2025-11-12T14:46:58","slug":"futuro-em-reconstrucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/futuro-em-reconstrucao\/","title":{"rendered":"Futuro em reconstru\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26605\" aria-describedby=\"caption-attachment-26605\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26605\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/fundo.jpg\" alt=\"\" width=\"539\" height=\"322\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/fundo.jpg 712w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/fundo-300x179.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/fundo-550x328.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/fundo-230x137.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 539px) 100vw, 539px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26605\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: revistaamazonia.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Desde a aurora do s\u00e9culo XXI, quando se reconheceu que a imensid\u00e3o verde da Amaz\u00f4nia Legal j\u00e1 deixava de ser apenas um palco de fauna e flora para converter-se em ativo estrat\u00e9gico global, o Fundo Amaz\u00f4nia despontou como instrumento paradigm\u00e1tico, concebido para captar doa\u00e7\u00f5es internacionais destinadas a projetos de preven\u00e7\u00e3o, monitoramento e combate ao desmatamento daquela vasta regi\u00e3o, bem como para a promo\u00e7\u00e3o de uso sustent\u00e1vel das florestas. A ideia era aparentemente simples, aliar a preserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0 justi\u00e7a socioecon\u00f4mica das comunidades locais, ao mesmo tempo em que se cumpria a promessa de reduzir emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, num mundo cada vez mais consciente de que a floresta em p\u00e9 era patrim\u00f4nio de todos. Entretanto, como tantas iniciativas gestadas sob o r\u00f3tulo da coopera\u00e7\u00e3o internacional, o Fundo Amaz\u00f4nia, que poderia ter sido o s\u00edmbolo de um contrato moral global entre Norte e Sul, parece ter perdido prest\u00edgio e credibilidade, minado por ambiguidades, oscila\u00e7\u00f5es de governan\u00e7a e o risco de se tornar ref\u00e9m de vaidades diplom\u00e1ticas ou de agendas nacionais pouco alinhadas com a l\u00f3gica da transpar\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Se, nos primeiros anos, o mecanismo contava com aportes maci\u00e7os, por exemplo, segundo dados oficiais, em 2023 foram aprovados R$ 1,3 bilh\u00e3o em projetos e chamadas p\u00fablicas, com doa\u00e7\u00f5es contratadas de R$ 726,4 milh\u00f5es oriundas da Su\u00ed\u00e7a, EUA, Reino Unido e Alemanha. No entanto, o salto num\u00e9rico n\u00e3o apaga a quest\u00e3o de fundo: o que determina confian\u00e7a, se n\u00e3o apenas cifras, mas mecanismos robustos de controle, participa\u00e7\u00e3o e cumprimento de metas mensur\u00e1veis?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Para muitos no campo da coopera\u00e7\u00e3o internacional, o Fundo funcionava como uma promessa, esta promessa de que a floresta, longe de ser tragada pela silenciosa engrenagem da degrada\u00e7\u00e3o, seria preservada com respaldo financeiro externo, enquanto as comunidades amaz\u00f4nicas se emancipavam economicamente. Conforme consta, o Fundo \u00e9 estruturado para apoiar n\u00e3o apenas o combate direto ao desmatamento, mas tamb\u00e9m o ordenamento territorial, regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, manejo florestal sustent\u00e1vel, a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas. Todavia, a fratura entre o discurso e a pr\u00e1tica come\u00e7a a emergir quando a \u201ccooperativa mundial\u201d se depara com a fotofinish de um governo nacional que, no regime do controle da informa\u00e7\u00e3o, ainda respira contradi\u00e7\u00f5es entre crescimento e preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A deser\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a internacional, ou ao menos a hesita\u00e7\u00e3o de grandes doadores, encontra ra\u00edzes em casos e momentos emblem\u00e1ticos, por exemplo, quando o fundo permaneceu praticamente inativo entre 2019 e 2022, per\u00edodo no qual quase n\u00e3o foram aprovadas novas iniciativas ou efetivados aportes, o que minou expectativas e acumulou desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Do ponto de vista pol\u00edtico, esse hiato \u00e9 interpretado por alguns analistas como sinal de que, ao entrar em cena a soberania econ\u00f4mica e a ret\u00f3rica de autonomia nacional, a floresta passou a servir tamb\u00e9m como objeto de disputa interna, e n\u00e3o somente como bem comum global. Quando a \u201cmoral do meio ambiente\u201d se transforma em \u201cmoral nacional\u201d, o fundo perde parte de sua aura de neutralidade, o que afasta aqueles que desejavam atuar como parceiros externos, mas n\u00e3o como testemunhas de uma guinada ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Adicionalmente, o fluxo financeiro, embora quantitativamente relevante, revela uma face menos glamorosa: at\u00e9 junho de 2025, por exemplo, o estado do Acre havia acumulado R$ 260,8 milh\u00f5es em recursos aprovados pelo Fundo, sendo R$ 155 milh\u00f5es apenas entre 2023 e meados de 2025, cifra superior \u00e0 totalidade dos contratos celebrados entre 2010 e 2018.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Tal dado provoca reflex\u00e3o: mais importante do que somas milion\u00e1rias \u00e9 saber se esses recursos atravessam a camada da burocracia, da intermedia\u00e7\u00e3o estatal ou privada, e alcan\u00e7am a base social cuja vida depende da floresta em p\u00e9, e se, no espectro silenciado da informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, h\u00e1 mecanismos reais de presta\u00e7\u00e3o de contas, participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e monitoramento independente. O risco \u00e9 que o Fundo Amaz\u00f4nia se transforme em instrumento mais de legitima\u00e7\u00e3o do que de transforma\u00e7\u00e3o. A coopera\u00e7\u00e3o internacional exige clareza: quantos hectares de floresta foram preservados? Quantas toneladas de carbono deixaram de ser emitidas? Quantas vidas de ribeirinhos, ind\u00edgenas e povos tradicionais foram impactadas positivamente?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No site oficial do fundo, encontra-se uma promessa de que tais resultados seriam aferidos no documento \u201cDocumento de Projeto do Fundo Amaz\u00f4nia\u201d. Mas quando o ambiente das liberdades informativas se estreita, a transpar\u00eancia perde densidade, e o que parecia mecanismo de vigil\u00e2ncia global se torna caixa preta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Uma pergunta paira como nuvem carregada sobre a floresta e a pol\u00edtica global: se dezenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 ou neste caso, reais bilion\u00e1rios \u2013 poderiam vir de m\u00faltiplos pontos do planeta para apoiar a conserva\u00e7\u00e3o, por que ent\u00e3o a confian\u00e7a externalizada vacila? A resposta reside n\u00e3o apenas em cen\u00e1rios de risco ou de governan\u00e7a local, mas no fato de que o compromisso internacional, para se manter eficaz, exige mais do que contratos e promessas: exige continuidade institucional, di\u00e1logo aberto, fiscaliza\u00e7\u00e3o independente e resultados vis\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>&#8220;Queremos garantir que eles n\u00e3o fiquem apenas prometendo, que comecem a proteger, porque n\u00f3s, como povos ind\u00edgenas, somos os que sofremos com os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Pablo Inuma Flores, l\u00edder ind\u00edgena do Peru.<\/p>\n<figure id=\"attachment_26606\" aria-describedby=\"caption-attachment-26606\" style=\"width: 327px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26606\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/pablo.jpg\" alt=\"\" width=\"327\" height=\"455\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/pablo.jpg 327w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/pablo-216x300.jpg 216w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/pablo-230x320.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 327px) 100vw, 327px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26606\" class=\"wp-caption-text\">Pablo Inuma Flores. Print de publica\u00e7\u00e3o feita no perfil pelofuego_ no Instagram<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Um bom mercado para a industria naval brasileira tem sido o M\u00e9xico. Esta, a raz\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o que a marinha do Brasil est\u00e1 fazendo no M\u00e9xico, onde o principal assunto \u00e9 Bras\u00edlia. Ontem, o comandante Renan f\u00eaz embarcar para aquele pa\u00eds um filme sobre o Distrito Federal, e diversos paineis mostrando diversas atividades em Bras\u00edlia. <strong>(Publicada em 11.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Desde a aurora do s\u00e9culo XXI, quando se reconheceu que a imensid\u00e3o verde da Amaz\u00f4nia Legal j\u00e1 deixava de ser apenas um palco de fauna e flora para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26605,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,1745,1730,1490,114,2340,410,1288,119],"class_list":["post-26602","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-florestaamazonica","tag-fundoamazonia","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-meioambiente","tag-ministeriodomeioambiente","tag-pt"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26602"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26602\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26607,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26602\/revisions\/26607"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26605"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}