{"id":26629,"date":"2025-11-16T01:00:48","date_gmt":"2025-11-16T04:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26629"},"modified":"2025-11-18T14:39:24","modified_gmt":"2025-11-18T17:39:24","slug":"com-alma-e-proposito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/com-alma-e-proposito\/","title":{"rendered":"Com alma e prop\u00f3sito"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_21786\" aria-describedby=\"caption-attachment-21786\" style=\"width: 498px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-21786\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/jk-e-ari.png\" alt=\"\" width=\"498\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/jk-e-ari.png 498w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/jk-e-ari-300x221.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/09\/jk-e-ari-230x169.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 498px) 100vw, 498px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21786\" class=\"wp-caption-text\">Ari Cunha e JK. Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>A responsabilidade de dar continuidade a uma coluna que nasceu um ano antes de mim \u00e9 uma dessas incumb\u00eancias que exigem mais que o exerc\u00edcio da escrita, requerem o gesto de escuta, de rever\u00eancia e de mem\u00f3ria. N\u00e3o se trata apenas de substituir uma assinatura, mas de sustentar uma tradi\u00e7\u00e3o, de preservar o fio de uma hist\u00f3ria que atravessou d\u00e9cadas acompanhando a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, desde o instante em que o concreto ainda se confundia com a poeira vermelha e o futuro parecia apenas um esbo\u00e7o no papel milimetrado de L\u00facio Costa.<\/p>\n<p>Ari Cunha, criador desta coluna, foi mais do que um cronista da cidade, foi testemunha e protagonista de uma era em que a capital ensaiava seus primeiros passos rumo \u00e0 maturidade pol\u00edtica, cultural e social. Sua pena, t\u00e3o afiada quanto generosa, registrava o cotidiano com a precis\u00e3o de quem sabia que cada gesto, cada personagem, cada esquina rec\u00e9m-pavimentada continha o germe de uma hist\u00f3ria maior.<\/p>\n<p>Com sua partida, os amigos, aqueles que o acompanharam nas noites de prosa e nos bastidores de poder, continuaram fi\u00e9is \u00e0 leitura da coluna, como se nela ainda ressoasse o timbre do velho Ari, ir\u00f4nico e cordial, firme e afetuoso. Mesmo com as inevit\u00e1veis diferen\u00e7as de estilo \u2014 porque ningu\u00e9m escreve da mesma forma que outro, ainda que compartilhe da mesma admira\u00e7\u00e3o \u2014, os leitores, mais do que tolerar a mudan\u00e7a, a acolheram com uma esp\u00e9cie de respeito silencioso, como quem entende que a escrita tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de continuidade da presen\u00e7a. E \u00e9 em meio a essa rotina de rememorar e repaginar o passado que sempre republicamos pequenos trechos das primeiras colunas do jornalista.<\/p>\n<p>Uma dessas notinhas falava sobre o Col\u00e9gio Dom Bosco, em Bras\u00edlia, que, naqueles tempos, experimentava um curioso e c\u00edvico entusiasmo: o regime parlamentarista havia inspirado at\u00e9 mesmo o sistema escolar. Assim, os alunos organizaram-se \u00e0 semelhan\u00e7a do modelo pol\u00edtico vigente, elegendo presidente, primeiro-ministro e todo um conselho de ministros mirins. No registro, figuravam nomes que, \u00e0 \u00e9poca, eram apenas promessas de juventude \u2014 H\u00e9lio Marcos, Domingos Jos\u00e9, M\u00e1rio Jorge, Dimer Camargo Monteiro, Marcelo Magno, \u00cdtalo, Rog\u00e9rio Brant Martins Chaves, Rui Lemos Sampaio, Ivan de Oliveira Delforge, George Ney e Paulo C\u00e9sar Vasques \u2014 compondo o primeiro gabinete estudantil de Bras\u00edlia. Era, ao mesmo tempo, um exerc\u00edcio de cidadania e uma met\u00e1fora da esperan\u00e7a, um pequeno ensaio de democracia em uma cidade que ainda se erguia sobre o sonho de Juscelino.<\/p>\n<p>A surpresa, entretanto, veio dias depois da republica\u00e7\u00e3o, quando uma carta chegou, escrita por um nome que ressoa entre os que moldaram o pensamento pol\u00edtico e jornal\u00edstico da capital: H\u00e9lio Doyle, o mesmo que, em tempos de farda escolar, ocupara o simb\u00f3lico posto de presidente daquela experi\u00eancia parlamentarista infantil. A carta, mais do que uma recorda\u00e7\u00e3o pessoal, \u00e9 um gesto de reencontro entre gera\u00e7\u00f5es. Ao l\u00ea-la, percebi que o tempo, esse grande arquivista das mem\u00f3rias humanas, tem o poder de reunir o que parecia disperso, reconectando a inf\u00e2ncia \u00e0 maturidade, o entusiasmo da juventude \u00e0 responsabilidade da hist\u00f3ria. E talvez seja essa a maior li\u00e7\u00e3o de uma coluna que atravessou gera\u00e7\u00f5es: que o jornalismo, quando se faz com alma e prop\u00f3sito, n\u00e3o se apaga com o tempo, apenas muda de m\u00e3os, preservando o mesmo compromisso de olhar o mundo com esp\u00edrito cr\u00edtico, afeto e esperan\u00e7a. Eis a carta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Cara Circe,<\/em><br \/>\n<em>Na \u201cHist\u00f3ria de Bras\u00edlia\u201d de domingo voc\u00ea publica os nomes de integrantes de um \u201cgoverno\u201d parlamentarista, com H\u00e9lio Marcos como presidente. A nota, na coluna de seu saudoso pai Ari Cunha, \u00e9 de 11 de maio de 1962. O H\u00e9lio Marcos sou eu e esse \u201cgoverno\u201d era a primeira diretoria eleita para o Gr\u00eamio Liter\u00e1rio Anchieta de Bras\u00edlia (Glab), do 1\u00ba ano ginasial, e que meses depois, com gr\u00eamios de outras s\u00e9ries, veio a constituir o Movimento Estudantil Trinta de Agosto (Meta), que tamb\u00e9m presidi, no Col\u00e9gio Dom Bosco.<\/em><\/p>\n<p><em>Sob comando de um professor de Portugu\u00eas, o padre salesiano Jos\u00e9 Leopoldino, t\u00ednhamos aula de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira na pr\u00e1tica. Os alunos elegiam o presidente do Meta, que escolhia o primeiro-ministro, e os governadores de cada classe. Elegiam tamb\u00e9m os deputados e senadores, e havia tamb\u00e9m um tribunal de justi\u00e7a. Como o Brasil, em 1962, vivia sob regime parlamentarista, reproduzimos essa estrutura at\u00e9 que o presidencialismo voltou, em 1963. Tr\u00eas partidos disputavam as elei\u00e7\u00f5es: a Uni\u00e3o dos Jovens Democratas (UJD, o meu partido) e sua dissid\u00eancia Partido Democr\u00e1tico Estudantil (PDE), ambos presidencialistas, e o Partido Parlamentarista Nacional (PPN). T\u00ednhamos at\u00e9 C\u00f3digo Eleitoral.<\/em><\/p>\n<p><em>Dos 10 \u201cministros\u201d citados, continuei tendo contato com quatro ao longo dos anos: M\u00e1rio Jorge Dias Carneiro, professor universit\u00e1rio; \u00cdtalo Silgueiro Filho, publicit\u00e1rio; George Ney Fernandes, embaixador aposentado; Dimer Monteiro, professor universit\u00e1rio, diretor de teatro e ator, j\u00e1 falecido. H\u00e1 poucos anos soube que Rui Lemos Sampaio presidia uma grande empreiteira. Dos demais, gostaria de ter not\u00edcias. <\/em><\/p>\n<p><em>Grande abra\u00e7o, H\u00e9lio<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cUma carta sempre me pareceu como a imortalidade, porque \u00e9 a mente sozinha, sem a companhia corp\u00f3rea.\u201d\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Emily Dickinson<\/p>\n<figure id=\"attachment_26239\" aria-describedby=\"caption-attachment-26239\" style=\"width: 395px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26239\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/emi.png\" alt=\"\" width=\"395\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/emi.png 509w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/emi-254x300.png 254w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/08\/emi-230x272.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26239\" class=\"wp-caption-text\">Daguerre\u00f3tipo da poetisa Emily Dickinson, tirado por volta de 1848. (O original est\u00e1 riscado.) Da Cole\u00e7\u00e3o de Imagens Todd-Bingham e Documentos de Fam\u00edlia.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nE por falar nisto, est\u00e3o enganando o presidente da Rep\u00fablica. Houve uma decis\u00e3o para reiniciar as obras em Bras\u00edlia. O IAP-FESP e o IAPM lan\u00e7aram-se numa euforia arquitet\u00f4nica e pararam no meio do caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; A responsabilidade de dar continuidade a uma coluna que nasceu um ano antes de mim \u00e9 uma dessas incumb\u00eancias que exigem mais que o exerc\u00edcio da escrita, requerem o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":21786,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,114,2795,2340],"class_list":["post-26629","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-historiadebrasilia","tag-jornalismo","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26629","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26629"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26629\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26635,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26629\/revisions\/26635"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21786"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26629"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26629"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26629"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}