{"id":26643,"date":"2025-11-20T01:00:59","date_gmt":"2025-11-20T04:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26643"},"modified":"2025-11-21T12:37:18","modified_gmt":"2025-11-21T15:37:18","slug":"a-bela-arvore-da-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-bela-arvore-da-educacao\/","title":{"rendered":"A bela \u00e1rvore da educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26646\" aria-describedby=\"caption-attachment-26646\" style=\"width: 465px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26646\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/tree.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"724\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/tree.jpg 465w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/tree-193x300.jpg 193w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/tree-230x358.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26646\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro The Beautiful Tree. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400\">Na publica\u00e7\u00e3o do best seller &#8220;The beautiful tree&#8221;, do pesquisador James Tooley, foi aberta e exposta ao mundo uma ferida antiga e muito mal cicatrizada, relativa ao debate sobre a qualidade da educa\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses em desenvolvimento, sobretudo aquela ministrada nas escolas p\u00fablicas. O pesquisador brit\u00e2nico demonstrou, por meio de um rigoroso trabalho de campo em diferentes continentes, algo que muitos governos tentam sistematicamente ocultar: que as popula\u00e7\u00f5es mais pobres, cansadas da inefici\u00eancia cr\u00f4nica do Estado, est\u00e3o criando suas pr\u00f3prias solu\u00e7\u00f5es educacionais, financiando com grande sacrif\u00edcio pequenas escolas privadas de baixo custo que, embora invis\u00edveis \u00e0 narrativa oficial, produzem resultados superiores aos da rede p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Essa revela\u00e7\u00e3o foi recebida com desconforto justamente porque exp\u00f4s a dist\u00e2ncia entre o discurso paternalista dos governos e a realidade enfrentada pelas fam\u00edlias que vivem nas margens das estat\u00edsticas. No Brasil, essa realidade n\u00e3o \u00e9 apenas semelhante: \u00e9 ainda mais gritante. H\u00e1 d\u00e9cadas, o pa\u00eds convive com um sistema educacional que consome volumes colossais de recursos p\u00fablicos, mas entrega resultados med\u00edocres, quando n\u00e3o desastrosos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ano ap\u00f3s ano, as avalia\u00e7\u00f5es nacionais reiteram a incapacidade estrutural do Estado de garantir alfabetiza\u00e7\u00e3o plena, profici\u00eancia m\u00ednima em matem\u00e1tica ou mesmo um ambiente escolar seguro. Em vez de avan\u00e7os s\u00f3lidos, o que se v\u00ea s\u00e3o sucessivas reformas anunciadas com pompa, planos estrondosos, metas que expiram sem nunca terem sido alcan\u00e7adas e, ao final, milh\u00f5es de estudantes que concluem etapas escolares sem aprender o b\u00e1sico. Essa realidade \u00e9 conhecida, debatida, lamentada, mas raramente enfrentada com honestidade. E enquanto governos discutem comiss\u00f5es, diretrizes e marcos regulat\u00f3rios, fam\u00edlias pobres brasileiras buscam alternativas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nas periferias urbanas, nos sert\u00f5es e nas \u00e1reas ribeirinhas, florescem discretamente pequenas escolas comunit\u00e1rias, creches improvisadas, institui\u00e7\u00f5es confessionais de baixo custo e iniciativas independentes sustentadas por mensalidades modestas, pagas com enorme esfor\u00e7o. Elas n\u00e3o contam com subs\u00eddios estatais, n\u00e3o s\u00e3o celebradas em confer\u00eancias internacionais, tampouco aparecem nas estat\u00edsticas oficiais. No entanto, s\u00e3o procuradas porque oferecem algo essencial: ensino efetivo, disciplina, controle social direto e, principalmente, a sensa\u00e7\u00e3o de que existe ali um compromisso real com o aprendizado das crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Assim como Tooley registrou em suas viagens pela \u00cdndia ou pela \u00c1frica, o Brasil tamb\u00e9m tenta invisibilizar essas experi\u00eancias. A burocracia estatal, ao mesmo tempo em que falha em entregar qualidade, cria barreiras para que essas iniciativas prosperem. Exige-se delas um n\u00edvel de regulariza\u00e7\u00e3o estrangulador, muitas vezes incompat\u00edvel com sua realidade material, ao mesmo tempo em que se tolera a precariedade estrutural da pr\u00f3pria escola p\u00fablica. O paradoxo \u00e9 evidente: cobra-se excel\u00eancia administrativa de quem est\u00e1 tentando suprir uma aus\u00eancia do Estado, mas aceita-se, como inevit\u00e1vel, o baixo desempenho de escolas cuja manuten\u00e7\u00e3o consome bilh\u00f5es. Trata-se de uma invers\u00e3o de prioridades que revela mais sobre a prote\u00e7\u00e3o de interesses pol\u00edticos do que sobre uma preocupa\u00e7\u00e3o genu\u00edna com a educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as pobres.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Reconhecer sua efic\u00e1cia significaria admitir que o problema da educa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o \u00e9, prioritariamente, falta de recursos, mas sim de gest\u00e3o, accountability, responsabilidade e vis\u00e3o de longo prazo. Significaria aceitar que a liberdade de escolha das fam\u00edlias pode produzir resultados mais s\u00f3lidos do que estruturas burocr\u00e1ticas incapazes de se reformar. A verdade \u00e9 que o Brasil vive hoje uma contradi\u00e7\u00e3o profunda: disp\u00f5e de um dos maiores or\u00e7amentos educacionais do mundo em valores absolutos, mas entrega \u00edndices de aprendizagem compar\u00e1veis aos de pa\u00edses muito mais pobres.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u00c9 um esfor\u00e7o silencioso, invis\u00edvel, doloroso, mas que revela uma f\u00e9 inabal\u00e1vel na educa\u00e7\u00e3o como caminho de ascens\u00e3o social. O Brasil precisa encarar essa realidade com maturidade. Ignorar ou perseguir iniciativas independentes n\u00e3o resolver\u00e1 o fracasso estrutural da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Pelo contr\u00e1rio, apenas ampliar\u00e1 o fosso entre a ret\u00f3rica estatal e a experi\u00eancia concreta das fam\u00edlias. Se o objetivo nacional \u00e9 garantir aprendizagem real, ent\u00e3o o pa\u00eds deve reconhecer, apoiar e estudar esses modelos alternativos, n\u00e3o para substitu\u00edrem o Estado, mas para ensinarem ao Estado como reconstruir sua pr\u00f3pria credibilidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">The Beautiful Tree traz a li\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 que o Estado deva desaparecer. \u00c9 que, quando ele falha reiteradamente, a sociedade encontra caminhos. E no Brasil, como em tantos outros lugares, a \u00e1rvore bonita j\u00e1 come\u00e7ou a brotar entre os escombros da neglig\u00eancia oficial. Cabe aos governantes decidir se continuar\u00e3o a arranc\u00e1-la, em nome de uma narrativa que n\u00e3o se sustenta, ou se finalmente permitir\u00e3o que ela cres\u00e7a, iluminando caminhos que h\u00e1 muito tempo deixamos de percorrer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>&#8220;Se uma na\u00e7\u00e3o espera ser ignorante e livre, em um estado de civiliza\u00e7\u00e3o, ela espera o que nunca existiu e nunca existir\u00e1.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Thomas Jefferson<\/p>\n<figure id=\"attachment_17790\" aria-describedby=\"caption-attachment-17790\" style=\"width: 405px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17790\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj.jpg\" alt=\"\" width=\"405\" height=\"524\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj.jpg 405w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj-232x300.jpg 232w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj-230x298.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17790\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Rembrandt Peale &#8211; Thomas Jefferson &#8211; Google Art Project.jpg<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Brasilia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Os outros Institutos bem que poderiam fazer a mesma coisa, para que a campanha se verificasse simultaneamente em todo o Plano Pil\u00f4to. <strong>(Publicada em 12.05.1962)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Na publica\u00e7\u00e3o do best seller &#8220;The beautiful tree&#8221;, do pesquisador James Tooley, foi aberta e exposta ao mundo uma ferida antiga e muito mal cicatrizada, relativa ao debate sobre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26646,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,154,114,2340,4096,4094,4095],"class_list":["post-26643","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-educacao","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-novasescolas","tag-paisesemdesenvolvimento","tag-thebeautifultree"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26643"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26643\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26650,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26643\/revisions\/26650"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}