{"id":26667,"date":"2025-11-23T01:00:35","date_gmt":"2025-11-23T04:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26667"},"modified":"2025-11-21T18:21:50","modified_gmt":"2025-11-21T21:21:50","slug":"as-saias-de-filo-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/as-saias-de-filo-da-verdade\/","title":{"rendered":"As saias de fil\u00f3 da verdade"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26670\" aria-describedby=\"caption-attachment-26670\" style=\"width: 549px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26670\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/bbc.png\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/bbc.png 892w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/bbc-300x202.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/bbc-768x517.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/bbc-800x539.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/bbc-550x371.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/bbc-230x155.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 549px) 100vw, 549px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26670\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Andy Rain\/EFE\/EPA<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o vertiginoso da era digital e a difus\u00e3o irrestrita de plataformas que permitem a qualquer cidad\u00e3o produzir conte\u00fado de apar\u00eancia jornal\u00edstica, consolidou-se um ambiente em que a antiga guarda da imprensa, antes protegida pelo rigor institucional e pela solidez de seus procedimentos editoriais, perdeu a oportunidade crucial de afirmar sua autoridade moral e reconstruir, tijolo por tijolo, a confian\u00e7a que deveria sustentar sua pr\u00f3pria raz\u00e3o de existir, j\u00e1 que a multiplica\u00e7\u00e3o de vozes sem curadoria tornaria ainda mais valioso um jornalismo comprometido com a precis\u00e3o, a responsabilidade e a transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>Em vez desse movimento natural, verificou-se um processo curioso de eros\u00e3o interna, no qual ve\u00edculos, historicamente reconhecidos por sua firmeza \u00e9tica, foram, gradualmente, cedendo \u00e0s press\u00f5es pol\u00edticas, \u00e0s disputas de narrativas e \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es do espet\u00e1culo, abrindo espa\u00e7o para que sua reputa\u00e7\u00e3o fosse questionada justamente quando o mundo mais necessitava de um norte confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Contextualizar esse fen\u00f4meno demanda revisitar a trajet\u00f3ria da British Broadcasting Corporation, fundada em 1922 como British Broadcasting Company e transformada, dois anos depois, em uma corpora\u00e7\u00e3o p\u00fablica orientada pelo princ\u00edpio de servir ao interesse coletivo por meio de informa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, educa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e entretenimento de qualidade, alicerces que permitiram, \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, ao longo do s\u00e9culo XX, consolidar uma credibilidade quase inabal\u00e1vel, baseada na convic\u00e7\u00e3o de que a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pertence a governos, corpora\u00e7\u00f5es ou grupos de press\u00e3o, mas ao p\u00fablico que confia na imprensa para iluminar zonas de sombra e revelar complexidades que discursos simplificados tentam frequentemente ocultar. A solidez dessa reputa\u00e7\u00e3o sustentou a BBC em guerras, crises econ\u00f4micas e turbul\u00eancias pol\u00edticas, transformando-a em s\u00edmbolo global de seriedade e rigor jornal\u00edstico.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o distinta, por\u00e9m, parece caracterizar os \u00faltimos anos, per\u00edodo em que a corpora\u00e7\u00e3o passou a enfrentar questionamentos judiciais relacionados tanto a conte\u00fados considerados enganosos, quanto a pr\u00e1ticas editoriais vistas como incompat\u00edveis com seus pr\u00f3prios padr\u00f5es hist\u00f3ricos. Relat\u00f3rios internos e documentos parlamentares do Reino Unido registram que dezenas de processos por difama\u00e7\u00e3o e danos reputacionais foram movidos contra a BBC na \u00faltima d\u00e9cada, alguns envolvendo alega\u00e7\u00f5es de edi\u00e7\u00f5es descontextualizadas, que teriam alterado o sentido original de pronunciamentos p\u00fablicos, outros referentes a programas investigativos, cuja agressividade metodol\u00f3gica, embora tradicional no jornalismo de den\u00fancia, ultrapassou limites \u00e9ticos e resultou em indeniza\u00e7\u00f5es e retrata\u00e7\u00f5es. Somam-se, a isso, epis\u00f3dios graves como o caso Savile, que revelou omiss\u00f5es internas, lentid\u00e3o investigativa e falhas de supervis\u00e3o que, somadas ao impacto social do esc\u00e2ndalo, abalaram a confian\u00e7a institucional e revelaram tens\u00f5es profundas entre autonomia editorial e dever de prote\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>Rea\u00e7\u00f5es a essas crises n\u00e3o se limitaram \u00e0 ret\u00f3rica de repara\u00e7\u00e3o, pois a corpora\u00e7\u00e3o, reconhecendo a gravidade dos abalos, promoveu uma revis\u00e3o estrutural conduzida por Sir Nicholas Serota, cuja trajet\u00f3ria no setor cultural brit\u00e2nico \u00e9 marcada por integridade intelectual, habilidade de diagnosticar fragilidades institucionais e compromisso inequ\u00edvoco com padr\u00f5es \u00e9ticos elevados. A chamada revis\u00e3o Serota percorreu documentos internos, s\u00e9ries de entrevistas e diagn\u00f3sticos minuciosos sobre a cultura organizacional da BBC, identificando pontos cegos que permitiram que erros se acumulassem sem resposta imediata, revelando tamb\u00e9m que parte do problema derivava de uma hierarquia excessivamente dependente de processos burocr\u00e1ticos, que retardava a apura\u00e7\u00e3o de den\u00fancias internas e, ao mesmo tempo, criava um ambiente em que o receio de abalar a reputa\u00e7\u00e3o institucional se sobrepunha \u00e0 necessidade de reconhecer falhas.<\/p>\n<p>Recomenda\u00e7\u00f5es resultantes dessa an\u00e1lise levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de canais independentes de den\u00fancia, ao fortalecimento de comit\u00eas editoriais, \u00e0 reformula\u00e7\u00e3o de procedimentos de verifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o de mecanismos de transpar\u00eancia, com o objetivo de reconstruir, por dentro, os alicerces que sustentam a credibilidade p\u00fablica. Esses ajustes demonstram que a credibilidade n\u00e3o \u00e9 um bem est\u00e1tico, guardado em cofres blindados, mas um organismo vivo, que exige manuten\u00e7\u00e3o constante, vigil\u00e2ncia institucional e disposi\u00e7\u00e3o permanente para corrigir erros antes que se transformem em fissuras irrepar\u00e1veis. Compreender a import\u00e2ncia desse processo exige reconhecer o papel singular de Serota, cuja interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas delineou uma esp\u00e9cie de cartografia \u00e9tica da corpora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m consolidou a percep\u00e7\u00e3o de que a sa\u00fade institucional depende menos da aus\u00eancia absoluta de falhas e mais da capacidade de enfrent\u00e1-las com franqueza, profundidade e coragem. A cultura de responsabiliza\u00e7\u00e3o iniciada a partir de seu relat\u00f3rio criou condi\u00e7\u00f5es para que a BBC buscasse recuperar padr\u00f5es que a haviam distinguido de tantos outros ve\u00edculos, permitindo que a institui\u00e7\u00e3o tivesse for\u00e7a interna para admitir, publicamente ,equ\u00edvocos e produzir repara\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com a gravidade das falhas cometidas.<\/p>\n<p>Nada disso, entretanto, resolve o dilema maior que assombra o jornalismo contempor\u00e2neo: a luta cotidiana pela verdade. A prolifera\u00e7\u00e3o de narrativas concorrentes, a competi\u00e7\u00e3o por aten\u00e7\u00e3o, o imediatismo das redes e a tend\u00eancia crescente de transformar opini\u00e3o em fato criam um ambiente em que a verdade parece vestir m\u00faltiplas camadas, como se necessitasse de in\u00fameras saias de fil\u00f3 para proteger sua ess\u00eancia mais fr\u00e1gil da voracidade do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cOs lugares mais quentes do inferno s\u00e3o reservados para aqueles que permaneceram neutros durante tempos de grandes prova\u00e7\u00f5es morais.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Dante Alighieri<\/p>\n<figure id=\"attachment_15934\" aria-describedby=\"caption-attachment-15934\" style=\"width: 416px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15934\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Dante.jpg\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Dante.jpg 658w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Dante-300x203.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Dante-350x237.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Dante-550x373.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Dante-230x156.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15934\" class=\"wp-caption-text\">Dante Alighieri. Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Bonito trabalho vem desenvolvendo o DFSP atrav\u00e9s do Servi\u00e7o de Tr\u00e2nsito, disciplinando os motoristas na rua da Igrejinha. O retorno deve ser feito em frente \u00e0 ilha n\u00e3o no meio da quadra. <strong>(Publicada em 12.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Com o avan\u00e7o vertiginoso da era digital e a difus\u00e3o irrestrita de plataformas que permitem a qualquer cidad\u00e3o produzir conte\u00fado de apar\u00eancia jornal\u00edstica, consolidou-se um ambiente em que a antiga guarda da imprensa, antes protegida pelo rigor institucional e pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26670,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,4098,2338,2339,4099,274,114,2795,2340],"class_list":["post-26667","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-bbc","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-cris","tag-fakenews","tag-historiadebrasilia","tag-jornalismo","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26667"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26667\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26671,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26667\/revisions\/26671"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}