{"id":26679,"date":"2025-11-27T01:00:37","date_gmt":"2025-11-27T04:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26679"},"modified":"2025-11-26T16:48:22","modified_gmt":"2025-11-26T19:48:22","slug":"estado-de-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/estado-de-graca\/","title":{"rendered":"Estado de gra\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26683\" aria-describedby=\"caption-attachment-26683\" style=\"width: 529px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26683\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/liberdade.jpg\" alt=\"\" width=\"529\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/liberdade.jpg 674w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/liberdade-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/liberdade-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/11\/liberdade-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 529px) 100vw, 529px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26683\" class=\"wp-caption-text\">Foto: issoebrasil.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A frase segundo a qual o Estado nunca tolerou rivais funciona como chave interpretativa para compreender a forma como se estruturam, historicamente, as rela\u00e7\u00f5es de poder e a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com a autoridade p\u00fablica. N\u00e3o se trata de mera provoca\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, mas de uma constata\u00e7\u00e3o repetida em diferentes momentos da hist\u00f3ria ocidental: sempre que o Estado se sente amea\u00e7ado ou desafiado pela emerg\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es independentes, a sua rea\u00e7\u00e3o imediata \u00e9 expandir mecanismos de controle, vigil\u00e2ncia e regula\u00e7\u00e3o. Esse movimento, que vai do monop\u00f3lio da for\u00e7a \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de c\u00f3digos normativos cada vez mais intrusivos, tende a sufocar a pluralidade institucional que deveria sustentar uma sociedade madura. Sob essa l\u00f3gica, comunidades locais, igrejas, associa\u00e7\u00f5es civis, empresas privadas, fam\u00edlias e at\u00e9 o pr\u00f3prio indiv\u00edduo passam a ser vistos como potenciais competidores, e n\u00e3o como componentes essenciais de uma ordem social saud\u00e1vel, capaz de equilibrar liberdades com responsabilidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O fen\u00f4meno torna-se ainda mais evidente num contexto em que o liberalismo, n\u00e3o como slogan, mas como tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica e pr\u00e1tica de limita\u00e7\u00e3o do poder, \u00e9 tratado com desconfian\u00e7a ou como inimigo a ser anulado. O liberalismo, com todas as suas limita\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es ao longo dos s\u00e9culos, sempre serviu como barreira contra as tend\u00eancias expansivas do Estado, oferecendo um conjunto de princ\u00edpios orientados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da autonomia individual, da propriedade privada, da livre associa\u00e7\u00e3o e da independ\u00eancia das esferas civil e econ\u00f4mica. N\u00e3o surpreende, portanto, que regimes ou governos hostis a esses valores tenham promovido, ao longo da hist\u00f3ria, a concentra\u00e7\u00e3o de poder em n\u00edveis incompat\u00edveis com a conviv\u00eancia democr\u00e1tica. O repert\u00f3rio de advers\u00e1rios \u00e9 conhecido: mercantilismo, absolutismo, socialismo autorit\u00e1rio, imperialismos de diversas naturezas, protecionismos sufocantes e at\u00e9 pr\u00e1ticas moralmente indefens\u00e1veis, como a escravid\u00e3o. Todas essas estruturas, embora distintas entre si, compartilham uma raiz comum: a cren\u00e7a de que o Estado deve prevalecer sobre o cidad\u00e3o e que a liberdade, quando existe, \u00e9 concess\u00e3o, e n\u00e3o direito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A carga tribut\u00e1ria opressiva, que recai especialmente sobre empresas produtivas e fam\u00edlias, \u00e9 apenas um dos sintomas mais vis\u00edveis desse processo. A cada novo conjunto de normas, decretos ou regula\u00e7\u00f5es, o Estado brasileiro reafirma uma tend\u00eancia cr\u00f4nica de considerar o empreendedor como advers\u00e1rio, e n\u00e3o como parceiro no desenvolvimento nacional. A burocracia sufocante, aliada a um sistema judicial que frequentemente legitima decis\u00f5es intervencionistas, aprofunda um ambiente de inseguran\u00e7a jur\u00eddica que afasta investimentos e desestimula a iniciativa privada. Essa l\u00f3gica perpetua um ciclo perverso no qual o Estado, incapaz de garantir efici\u00eancia m\u00ednima em \u00e1reas essenciais como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e infraestrutura, insiste, paradoxalmente, em reclamar para si ainda mais fun\u00e7\u00f5es, mais recursos e mais poder.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ao mesmo tempo, observa-se, no campo pol\u00edtico, um discurso cada vez mais hostil \u00e0 cr\u00edtica, \u00e0 diverg\u00eancia e \u00e0 pr\u00f3pria ideia de oposi\u00e7\u00e3o. A democracia, para prosperar, exige espa\u00e7os de contesta\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o de ideias, pluralidade de vozes e institui\u00e7\u00f5es capazes de limitar o poder, sejam elas parlamentares, judiciais, medi\u00e1ticas ou civis. Quando essas barreiras come\u00e7am a ser enfraquecidas, seja por meio de estrat\u00e9gias de intimida\u00e7\u00e3o, seja pelo uso seletivo de \u00f3rg\u00e3os estatais para fins pol\u00edticos, instala-se uma atmosfera de medo e autocensura que lembra mais regimes de exce\u00e7\u00e3o do que rep\u00fablicas democr\u00e1ticas. Esse tipo de ambiente, j\u00e1 alertado por analistas internacionais, acende sinais de alerta sobre a sa\u00fade institucional do pa\u00eds e coloca o Brasil no radar de na\u00e7\u00f5es preocupadas com o avan\u00e7o global das tend\u00eancias liberais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o h\u00e1 o que discutir sobre a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas robustas, mas sim a transforma\u00e7\u00e3o do Estado em um agente que se autopromove a guardi\u00e3o exclusivo do bem-estar social, desconsiderando a import\u00e2ncia das redes comunit\u00e1rias, do capital social e das iniciativas privadas que, em democracias s\u00f3lidas, colaboram para um equil\u00edbrio saud\u00e1vel entre solidariedade e autonomia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A preserva\u00e7\u00e3o de liberdades \u00e9 a verdadeira base do progresso, da inova\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da dignidade humana. Em tempos de crescente preocupa\u00e7\u00e3o internacional com o risco de deriva autorit\u00e1ria em diversas partes do mundo, reafirma-se a urg\u00eancia de um debate honesto e profundo sobre os rumos do pa\u00eds. A defesa da liberdade n\u00e3o \u00e9 uma bandeira partid\u00e1ria, mas um compromisso civilizat\u00f3rio. Ignor\u00e1-la, relativiz\u00e1-la ou subordin\u00e1-la a agendas de ocasi\u00e3o \u00e9 abrir caminho para um Estado que, incapaz de tolerar rivais, passa a considerar seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os como obst\u00e1culos e n\u00e3o como fundamento de sua exist\u00eancia. O futuro democr\u00e1tico do Brasil depende da capacidade de reconhecer esse risco e de reafirmar que a fun\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 servir, n\u00e3o dominar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cEu acreditava muito nos mecanismos governamentais, mas eles t\u00eam c\u00e9lulas cancer\u00edgenas que crescem incontrolavelmente. H\u00e1 algo de doentio na m\u00e1quina estatal. A experi\u00eancia de jovem me tornou c\u00e9tico para as reais possibilidades do Estado.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Roberto Campos<\/p>\n<figure id=\"attachment_22562\" aria-describedby=\"caption-attachment-22562\" style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-22562\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/02\/RC.png\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/02\/RC.png 728w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/02\/RC-300x169.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/02\/RC-550x309.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2023\/02\/RC-230x129.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22562\" class=\"wp-caption-text\">Roberto Campos. Foto: RAIMUNDO VALENTIM\/ESTAD\u00c3O CONTE\u00daDO\/AE<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A Festa do Candango, que alcan\u00e7ou tanto \u00eaxito no ano passado ser\u00e1 realizada tamb\u00e9m \u00easte ano, nos dias 29 e 30 de junho e primeiro de julho. O local, como o IAPI est\u00e1 ajardinado, ser\u00e1 transferido para o IAPETC. <strong>(Publicada em 12.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; A frase segundo a qual o Estado nunca tolerou rivais funciona como chave interpretativa para compreender a forma como se estruturam, historicamente, as rela\u00e7\u00f5es de poder e a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com a autoridade p\u00fablica. 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