{"id":26699,"date":"2025-12-04T01:00:20","date_gmt":"2025-12-04T04:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26699"},"modified":"2025-12-04T13:51:46","modified_gmt":"2025-12-04T16:51:46","slug":"corredores-estreitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/corredores-estreitos\/","title":{"rendered":"Corredores Estreitos"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26703\" aria-describedby=\"caption-attachment-26703\" style=\"width: 619px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26703\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/democr.jpg\" alt=\"\" width=\"619\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/democr.jpg 712w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/democr-300x164.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/democr-550x300.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/democr-230x126.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26703\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Toninho Tavares\/Ag\u00eancia Bras\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Nada descreve com mais precis\u00e3o o ambiente pol\u00edtico brasileiro contempor\u00e2neo do que a sucess\u00e3o de sinais dispersos que, observados superficialmente, parecem apenas manifesta\u00e7\u00f5es epis\u00f3dicas de um pa\u00eds acostumado \u00e0 turbul\u00eancia, mas que, reunidos num mesmo campo de interpreta\u00e7\u00e3o, revelam o desenho inquietante de um regime que se fecha paulatinamente sobre a express\u00e3o p\u00fablica e sobre o exerc\u00edcio cotidiano da diverg\u00eancia, num processo lento o suficiente para jamais ser percebido como ruptura abrupta, mas constante o bastante para que cada gesto individual passe a carregar o peso de um risco antes inexistente. Observadores atentos compreendem que previs\u00f5es intelectuais, outrora tachadas de exageradas, come\u00e7am a assumir a forma inc\u00f4moda das constata\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis, porque, em sociedades submetidas a vigil\u00e2ncias crescentes, o que era advert\u00eancia torna-se diagn\u00f3stico e o que era hip\u00f3tese transforma-se em constata\u00e7\u00e3o silenciosa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Percebe-se, por meio de an\u00e1lises discretas que evitam a clareza excessiva, que antigas indulg\u00eancias oferecidas a determinados segmentos instalaram, no pa\u00eds, uma cultura de imunidades sucessivas, sustentada por d\u00e9cadas de discursos acad\u00eamicos benevolentes, interpreta\u00e7\u00f5es seletivas e narrativas culturais que sedimentaram a ideia de que certos atores deveriam ser preservados de qualquer escrut\u00ednio rigoroso, n\u00e3o por falta de elementos concretos, mas porque a leitura dominante sempre preferiu justificar infra\u00e7\u00f5es pol\u00edticas alegando a exist\u00eancia de causas supostamente superiores. Construiu-se, dessa forma, uma blindagem que, ao longo do tempo, converteu abusos em h\u00e1bitos e irregularidades em instrumentos, gerando o ambiente que permitiu.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Constata-se que, ao ingressarem de maneira estruturada no aparato estatal, esses grupos passaram a expandir, gradualmente, sua capacidade de vigil\u00e2ncia sobre advers\u00e1rios reais ou potenciais, movimento que se realiza sem rupturas aparentes e que faz com que as fronteiras entre o permitido e o pun\u00edvel se tornem male\u00e1veis. Situa\u00e7\u00e3o semelhante permite que conceitos jur\u00eddicos sejam redefinidos com fluidez estrat\u00e9gica, que discursos sejam reinterpretados de acordo com o clima pol\u00edtico do momento e que categorias vagas como desinforma\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a institucional ou perturba\u00e7\u00e3o da ordem ganhem contornos vari\u00e1veis, sempre aplicados com precis\u00e3o cir\u00fargica sobre um \u00fanico espectro ideol\u00f3gico, enquanto outros grupos seguem resguardados sob justificativas j\u00e1 consagradas pelo uso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Percebe-se, desse modo, que pensamentos antes situados no campo natural da dissid\u00eancia democr\u00e1tica passam a ser tolerados somente quando inofensivos, e que opini\u00f5es dissonantes, mesmo formuladas com prud\u00eancia, come\u00e7am a migrar para o territ\u00f3rio do risco subjetivo, territ\u00f3rio onde cada palavra publicada ou pronunciada precisa ser avaliada em fun\u00e7\u00e3o das poss\u00edveis leituras feitas pelos administradores da verdade oficial. Cresce, paralelamente, uma burocracia especializada em modular a interpreta\u00e7\u00e3o das falas, reclassificar condutas, ajustar fatos \u00e0s narrativas institucionalmente autorizadas e impor decis\u00f5es que, acumuladas ao longo do tempo, moldam o espa\u00e7o p\u00fablico de modo a restringir sem anunciar, vigiar sem admitir, punir sem explicitar. Nada disso exige decretos contundentes ou medidas espetaculares, porque o poder moderno descobriu que a efic\u00e1cia de seu dom\u00ednio reside n\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de muralhas, mas na multiplica\u00e7\u00e3o de corredores estreitos que for\u00e7am cada cidad\u00e3o a caminhar em linha rigidamente determinada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Escritos, outrora zelosos de sua independ\u00eancia e de seu compromisso hist\u00f3rico com o escrut\u00ednio rigoroso das a\u00e7\u00f5es do poder, parecem aderir por reflexo \u00e0 l\u00f3gica do alinhamento compuls\u00f3rio, suavizando palavras, editando sil\u00eancios, calibrando cr\u00edticas para n\u00e3o excederem os limites t\u00e1citos do que se tornou aceit\u00e1vel, incorporando defini\u00e7\u00f5es e rotula\u00e7\u00f5es previamente difundidas pelos \u00f3rg\u00e3os oficiais, repetindo categorias que deveriam ser contestadas e aceitando enquadramentos que em outros tempos seriam motivo de editorial contundente.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A linguagem metaf\u00f3rica, as alus\u00f5es indiretas e os circunl\u00f3quios calculados tornam-se instrumentos indispens\u00e1veis para quem ainda pretende expressar discord\u00e2ncia sem incorrer na ira das institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis por vigiar, catalogar e enquadrar comportamentos discursivos. A autocensura, antes res\u00edduo psicol\u00f3gico de ambientes repressivos, consolida-se como pr\u00e1tica cotidiana que garante, para muitos, n\u00e3o a liberdade, mas a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia profissional e reputacional.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Sociedade que se habitua a essas formas de regula\u00e7\u00e3o afetiva e lingu\u00edstica passa a aceitar, como natural, a ideia de que discordar exige prud\u00eancia extraordin\u00e1ria, que opinar demanda c\u00e1lculo, que silenciar se converte em estrat\u00e9gia de autodefesa e que expressar convic\u00e7\u00f5es depende de mapear previamente os pontos cegos da vigil\u00e2ncia. Cidad\u00e3os diversos relatam experi\u00eancias em que opini\u00f5es rotineiras se converteram em motivo de desconforto, investiga\u00e7\u00f5es intermin\u00e1veis ou bloqueios administrativos, fen\u00f4menos que, embora pontuais em apar\u00eancia, somam-se como indicadores de que o pa\u00eds atravessa uma fase de redu\u00e7\u00e3o silenciosa das liberdades, fase em que a democracia preserva sua apar\u00eancia formal, mas perde camadas sucessivas de subst\u00e2ncia at\u00e9 tornar-se estrutura decorativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cEscrevo para dar asas aos dedos.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ari Cunha<\/p>\n<figure id=\"attachment_9435\" aria-describedby=\"caption-attachment-9435\" style=\"width: 439px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-9435\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20131007161017171319e.jpg\" alt=\"\" width=\"439\" height=\"660\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20131007161017171319e.jpg 233w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20131007161017171319e-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/12\/20131007161017171319e-230x345.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 439px) 100vw, 439px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9435\" class=\"wp-caption-text\">30\/09\/2013 Cr\u00e9dito: Monique Renne\/CB\/D.A Press. Brasil. Bras\u00edlia &#8211; DF. Jantar Pr\u00eamio Engenho. Ari Cunha.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o h\u00e1 crise no Hospital Distrital, muito menos na Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar. Parece tempestade em copo d\u2019\u00e1gua criada pelo dr. Amador Campos, que deseja ser nomeado diretor do Distrital. <strong>(Publicada em 12.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Nada descreve com mais precis\u00e3o o ambiente pol\u00edtico brasileiro contempor\u00e2neo do que a sucess\u00e3o de sinais dispersos que, observados superficialmente, parecem apenas manifesta\u00e7\u00f5es epis\u00f3dicas de um pa\u00eds acostumado \u00e0 turbul\u00eancia, mas que, reunidos num mesmo campo de interpreta\u00e7\u00e3o, revelam o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,290,114,2340,2762],"class_list":["post-26699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-democracianobrasil","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-poderes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26699"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26709,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26699\/revisions\/26709"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}