{"id":26727,"date":"2025-12-07T01:00:45","date_gmt":"2025-12-07T04:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26727"},"modified":"2025-12-07T00:36:33","modified_gmt":"2025-12-07T03:36:33","slug":"encruzilhada-no-combate-as-drogas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/encruzilhada-no-combate-as-drogas\/","title":{"rendered":"Encruzilhada no combate \u00e0s drogas"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26731\" aria-describedby=\"caption-attachment-26731\" style=\"width: 628px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26731\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/pc.png\" alt=\"\" width=\"628\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/pc.png 1147w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/pc-300x156.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/pc-768x398.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/pc-1024x531.png 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/pc-800x415.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/pc-550x285.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/pc-230x119.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 628px) 100vw, 628px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26731\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Flavia Vilela\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Avan\u00e7ando, cont\u00ednuo e silenciosamente, o consumo de drogas il\u00edcitas no Brasil, disseminado, de maneira assustadoramente uniforme entre as classes sociais, regi\u00f5es geogr\u00e1ficas e faixas et\u00e1rias, produzindo hoje um cen\u00e1rio que poucos anos atr\u00e1s seria visto como exagero ret\u00f3rico. O modelo tradicional de combate aos entorpecentes centrado, quase exclusivamente, na repress\u00e3o criminal e em opera\u00e7\u00f5es pontuais deu provas reiteradas de exaust\u00e3o. As estat\u00edsticas, os relatos de profissionais de sa\u00fade, os n\u00fameros de interna\u00e7\u00f5es e o comportamento cotidiano das grandes cidades deixam evidente que enxugamos gelo, enquanto o problema se expande de forma geom\u00e9trica. A sensa\u00e7\u00e3o difusa de que a sociedade caminha em dire\u00e7\u00e3o a uma era de entorpecimento coletivo, na qual usu\u00e1rios e n\u00e3o usu\u00e1rios ser\u00e3o igualmente atingidos pelas consequ\u00eancias dessa espiral, deixou de ser mera met\u00e1fora e passou a representar um temor leg\u00edtimo.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ambiente que se torna praticamente inevit\u00e1vel discutir medidas duras, profil\u00e1ticas e abrangentes que possam proteger a parcela saud\u00e1vel da sociedade antes que ela seja tragada pela din\u00e2mica desse fen\u00f4meno que atua de modo difuso e devastador. A constata\u00e7\u00e3o de que o v\u00edcio j\u00e1 penetrou os altos escal\u00f5es do servi\u00e7o p\u00fablico, inclusive figuras pol\u00edticas e administrativas de grande responsabilidade, serviu para romper uma barreira simb\u00f3lica que, durante anos, manteve-se por uma esp\u00e9cie de fic\u00e7\u00e3o coletiva, segundo a qual o problema estaria restrito \u00e0s franjas vulner\u00e1veis da sociedade. Essa fic\u00e7\u00e3o ruiu.<\/p>\n<p>Diante dessa deteriora\u00e7\u00e3o, torna-se compreens\u00edvel que a sociedade comece a ponderar solu\u00e7\u00f5es antes consideradas draconianas, mas que hoje surgem como instrumentos poss\u00edveis de conten\u00e7\u00e3o. A proposta de instituir exames toxicol\u00f3gicos rotineiros e obrigat\u00f3rios para todos os servidores do Estado, incluindo pol\u00edticos eleitos, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, profissionais de educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e sa\u00fade, aparece nesse contexto como uma barreira de prote\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de quarentena \u00e9tica e administrativa, destinada a impedir que a m\u00e1quina estatal funcione sob a influ\u00eancia de subst\u00e2ncias que alteram o comportamento, reduzem a capacidade de julgamento e fragilizam estruturas que j\u00e1 vivem permanentemente sob press\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que tal proposta despertar\u00e1 debates constitucionais, questionamentos jur\u00eddicos e acusa\u00e7\u00f5es de eventual viola\u00e7\u00e3o de privacidade, mas tal medida se justificaria como um ato que visa preservar a sanidade institucional e, por consequ\u00eancia, proteger a sociedade inteira de um efeito domin\u00f3 que j\u00e1 come\u00e7a a se insinuar. Um professor dependente, um policial sob efeito de subst\u00e2ncias, um m\u00e9dico intoxicado no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o, um motorista de transporte coletivo incapaz de operar com a aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, um gestor p\u00fablico tomado por impulsividade ou apatia decorrentes do uso qu\u00edmico, todos esses cen\u00e1rios ocorreram em casos concretos e amplamente divulgados.<\/p>\n<p>A vincula\u00e7\u00e3o expl\u00edcita entre narcotr\u00e1fico, terrorismo e instabilidade institucional, tema que antes circulava apenas entre analistas de seguran\u00e7a, passou a ser admitida publicamente. Para o Brasil, que convive com fac\u00e7\u00f5es fortemente armadas, controle territorial por grupos criminosos e penetra\u00e7\u00e3o das redes de tr\u00e1fico em setores da economia e da pol\u00edtica, ignorar esse movimento seria n\u00e3o apenas ing\u00eanuo, mas perigoso.<\/p>\n<p>O pa\u00eds se encontra, portanto, diante de uma encruzilhada. De um lado est\u00e1 a continuidade de pol\u00edticas que se mostraram incapazes de impedir o alastramento do uso de drogas e a infiltra\u00e7\u00e3o desse problema na estrutura estatal. De outro lado, a ado\u00e7\u00e3o de uma medida rigorosa e possivelmente impopular, mas que carrega consigo a promessa de restaurar um m\u00ednimo de confian\u00e7a na integridade das institui\u00e7\u00f5es e estabelecer um novo padr\u00e3o de responsabilidade p\u00fablica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cSempre parece imposs\u00edvel at\u00e9 que seja feito.\u201d<\/em><br \/>\nNelson Mandela<\/p>\n<figure id=\"attachment_17974\" aria-describedby=\"caption-attachment-17974\" style=\"width: 358px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17974\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/nelson.jpg\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/nelson.jpg 358w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/nelson-252x300.jpg 252w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/nelson-230x274.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17974\" class=\"wp-caption-text\">Nelson Mandela em Johannesburg, Gauteng, em 13 May 2008. Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nNenhuma classe poder\u00e1 conseguir o ideal de exist\u00eancia com o Racionamento estimulado pelos pr\u00f3prios membros. E o est\u00edmulo de guerrilhas internas, atrav\u00e9s de informa\u00e7\u00f5es dadas a jornalistas menos avisados, \u00e9 conden\u00e1vel inclusive pela \u00e9tica profissional. <strong>(Publicada em 12\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Avan\u00e7ando, cont\u00ednuo e silenciosamente, o consumo de drogas il\u00edcitas no Brasil, disseminado, de maneira assustadoramente uniforme entre as classes sociais, regi\u00f5es geogr\u00e1ficas e faixas et\u00e1rias, produzindo hoje um cen\u00e1rio que poucos anos atr\u00e1s seria visto como exagero ret\u00f3rico. 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