{"id":26750,"date":"2025-12-14T01:00:10","date_gmt":"2025-12-14T04:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26750"},"modified":"2025-12-13T21:00:04","modified_gmt":"2025-12-14T00:00:04","slug":"tempos-de-faxina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/tempos-de-faxina\/","title":{"rendered":"Tempos de faxina"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26753\" aria-describedby=\"caption-attachment-26753\" style=\"width: 553px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26753\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/corr.png\" alt=\"\" width=\"553\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/corr.png 893w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/corr-300x201.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/corr-768x513.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/corr-800x535.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/corr-550x368.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/corr-230x154.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 553px) 100vw, 553px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26753\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Andre Borges \/ EFE<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vozes clamam solit\u00e1rias no grande deserto Brasil em alerta para a urg\u00eancia de passar o pa\u00eds a limpo, tarefa que, por mais inc\u00f4moda que seja, tornou-se imperativa para que possamos, enfim, abandonar a humilhante posi\u00e7\u00e3o de cachorro doido, girando sem descanso atr\u00e1s do pr\u00f3prio rabo, iludido com reformas improvisadas, discursos moralizantes e solu\u00e7\u00f5es que jamais enfrentam o centro do problema: a corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica que atravessa, como nervura profunda, os tr\u00eas Poderes da Rep\u00fablica, infiltrando-se em munic\u00edpios, estados e institui\u00e7\u00f5es que deveriam zelar pela integridade da vida p\u00fablica.<\/p>\n<p>Ao longo das d\u00e9cadas, o que se viu e continua a se ver no nosso pa\u00eds \u00e9 a tentativa persistente de esconder o inevit\u00e1vel sob tapetes cada vez mais pomposos, espalhados pelos pal\u00e1cios de luxo e pr\u00e9dios p\u00fablicos, onde repousam decis\u00f5es que moldam o destino de milh\u00f5es de brasileiros. Mas o ac\u00famulo de sujeira chegou a tal ponto que nem os mais habilidosos art\u00edfices do ocultamento conseguem evitar que as frestas deixem escapar o odor f\u00e9tido da degrada\u00e7\u00e3o institucional. Vivemos, talvez, o momento mais decisivo desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pela intensidade das crises pol\u00edticas, que j\u00e1 se tornaram quase rotina nacional, mas porque parecem n\u00e3o faltar mais evid\u00eancias de que o crime organizado, antes visto como advers\u00e1rio externo ao Estado, aprendeu a arrombar a porta, sentar-se \u00e0 mesa principal e, em muitos casos, participar diretamente das decis\u00f5es que deveriam ser tomadas em nome da Rep\u00fablica e n\u00e3o em nome de organiza\u00e7\u00f5es criminosas, partidos, fac\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas ou grupos econ\u00f4micos que tratam o pa\u00eds como se fosse sua eterna capitania heredit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O que antes era suspeita, agora \u00e9 constata\u00e7\u00e3o aterradora: parte relevante das estruturas estatais encontra-se capturada por interesses que nada t\u00eam a ver com o interesse p\u00fablico, e essa captura se traduz em um Brasil que permanece, d\u00e9cada ap\u00f3s d\u00e9cada, na rabeira do mundo desenvolvido, com indicadores sociais que envergonham uma na\u00e7\u00e3o que possui recursos naturais abundantes, popula\u00e7\u00e3o capaz e potencial econ\u00f4mico gigantesco. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que nosso \u00cdndice de Desenvolvimento Humano avance lentamente, patinando como se estivesse preso a pesos que nos impedem de dar o salto necess\u00e1rio rumo ao patamar de pa\u00edses que conseguiram, ao longo do s\u00e9culo XXI, reduzir desigualdades, melhorar a renda m\u00e9dia de seus habitantes e construir institui\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas. Esses pesos, sabemos, chamam-se corrup\u00e7\u00e3o estrutural, inefici\u00eancia cr\u00f4nica, desperd\u00edcio de recursos p\u00fablicos e a incapacidade quase programada de planejar o futuro com seriedade.<\/p>\n<p>Quando o dinheiro destinado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o desaparece em contratos superfaturados, quem perde \u00e9 o estudante que n\u00e3o ter\u00e1 acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o capaz de competi-lo globalmente. Quando verbas da sa\u00fade evaporam em esquemas que parecem filme repetido, quem paga a conta \u00e9 o cidad\u00e3o que enfrenta filas intermin\u00e1veis, hospitais sucateados e tratamentos que chegam tarde demais. Quando investimentos p\u00fablicos, em vez de gerar infraestrutura e emprego, s\u00e3o desviados em grandes obras que jamais chegam ao fim, condena-se a sociedade a um custo Brasil insustent\u00e1vel, que afasta empresas, reduz produtividade e aprisiona o pa\u00eds em um ciclo de pobreza e improvisa\u00e7\u00e3o. Mas, talvez o dano mais profundo\u00a0e menos mensur\u00e1vel seja o que se abate sobre o esp\u00edrito coletivo: a corros\u00e3o da confian\u00e7a. A percep\u00e7\u00e3o disseminada de que o sistema \u00e9 montado para funcionar em favor dos poderosos, enquanto o cidad\u00e3o comum \u00e9 esmagado por burocracias, impostos e aus\u00eancia de servi\u00e7os dignos, destr\u00f3i o que h\u00e1 de mais essencial para qualquer democracia sustent\u00e1vel: a cren\u00e7a de que a lei vale para todos.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente nesse ambiente de desesperan\u00e7a que florescem as solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis, os messianismos de ocasi\u00e3o, os populismos que prometem atalhos m\u00e1gicos para problemas que exigem rigor, transpar\u00eancia e reformas profundas. E \u00e9 aqui que precisamos afirmar com contund\u00eancia: n\u00e3o ser\u00e1 por meio de assistencialismos pol\u00edticos, programas improvisados ou medidas populistas que nos libertaremos desse flagelo. O assistencialismo transformado em instrumento eleitoral apenas mascara a mis\u00e9ria que ele mesmo ajuda a perpetuar, ao impedir que o pa\u00eds invista naquilo que realmente emancipa: educa\u00e7\u00e3o de qualidade, mercado de trabalho din\u00e2mico, ambiente de neg\u00f3cios est\u00e1vel, meritocracia administrativa e pol\u00edticas p\u00fablicas desenhadas com base em evid\u00eancias e n\u00e3o em conveni\u00eancias partid\u00e1rias.<\/p>\n<p>Uma faxina c\u00edvica \u00e9 o que o Brasil necessita e que j\u00e1 deveria ter come\u00e7ado h\u00e1 muito tempo. Mas\u00a0exige coragem institucional, independ\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os de controle, transpar\u00eancia radical no uso dos recursos p\u00fablicos, puni\u00e7\u00e3o exemplar para quem se apropria do dinheiro do povo. \u00c9 uma tarefa herc\u00falea, sem d\u00favida, mas n\u00e3o imposs\u00edvel. Pa\u00edses que estiveram mergulhados em crises de corrup\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o institucional como Coreia do Sul, Est\u00f4nia ou Chile, em d\u00e9cadas passadas, s\u00f3 conseguiram emergir quando entenderam que desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 obra de discurso, mas fruto de escolhas \u00e9ticas, t\u00e9cnicas e persistentes. N\u00e3o h\u00e1 futuro pr\u00f3spero onde o Estado \u00e9 c\u00famplice do atraso. Por isso, este \u00e9 o momento para repetir, com a seriedade que a situa\u00e7\u00e3o exige: ou iniciamos imediatamente essa faxina com come\u00e7o, meio e fim, ou permaneceremos presos ao ciclo que nos condena \u00e0 mediocridade, enquanto o mundo avan\u00e7a a passos largos em inova\u00e7\u00e3o, produtividade e qualidade de vida.<\/p>\n<p>O tempo da coniv\u00eancia acabou. O Brasil n\u00e3o precisa de mais discursos. Precisa, urgentemente, de coragem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;As institui\u00e7\u00f5es \u2013 governo, igrejas, ind\u00fastrias e similares \u2013 n\u00e3o t\u00eam, propriamente, outra fun\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a de contribuir para a liberdade humana; e na medida em que falham, em geral, em desempenhar essa fun\u00e7\u00e3o, est\u00e3o erradas e precisam ser reconstru\u00eddas.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Charles Horton Cooley<\/p>\n<figure id=\"attachment_26754\" aria-describedby=\"caption-attachment-26754\" style=\"width: 424px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26754\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/cc.png\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/cc.png 424w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/cc-248x300.png 248w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/cc-230x278.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26754\" class=\"wp-caption-text\">Charles Horton Cooley. Fot\u00f3grafo desconhecido &#8211; Michiganensian de 1902.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>For\u00e7as pol\u00edticas conseguiram destruir o ministro Armando Monteiro no Conselho de Ministros, mas a revanche ser\u00e1 nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. <strong>(Publicada em 13.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Vozes clamam solit\u00e1rias no grande deserto Brasil em alerta para a urg\u00eancia de passar o pa\u00eds a limpo, tarefa que, por mais inc\u00f4moda que seja, tornou-se imperativa para que possamos, enfim, abandonar a humilhante posi\u00e7\u00e3o de cachorro doido, girando sem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26753,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,4111,3530,114,2340,261],"class_list":["post-26750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-corrupcaonobtrasil","tag-desenvolvimento","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-politicanobrasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26750"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26750\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26755,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26750\/revisions\/26755"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}