{"id":26756,"date":"2025-12-18T15:05:32","date_gmt":"2025-12-18T18:05:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26756"},"modified":"2025-12-18T15:05:32","modified_gmt":"2025-12-18T18:05:32","slug":"por-que-nao-os-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/por-que-nao-os-homens\/","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o os homens?"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26759\" aria-describedby=\"caption-attachment-26759\" style=\"width: 589px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26759\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/contra.jpg\" alt=\"\" width=\"589\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/contra.jpg 674w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/contra-300x181.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/contra-550x331.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/contra-230x139.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26759\" class=\"wp-caption-text\">Foto: tuasaude.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Provoca debate a seguinte pergunta, que ignora conven\u00e7\u00f5es: se uma gravidez humana exige nove meses de gesta\u00e7\u00e3o durante os quais a mulher carrega, arrisca a sa\u00fade e sofre as consequ\u00eancias f\u00edsicas, sociais e econ\u00f4micas, por que a maior parte da responsabilidade pr\u00e1tica e do investimento em contracep\u00e7\u00e3o continua a recair sobre as mulheres? A aritm\u00e9tica simples que circula nas conversas ajuda a iluminar o problema: nove meses t\u00eam, em m\u00e9dia, 270 dias; se um homem tivesse rela\u00e7\u00f5es com v\u00e1rias parceiras diariamente ao longo desse per\u00edodo (hip\u00f3tese extrema), o produto dessa multiplica\u00e7\u00e3o mental pode chegar a milhares de concep\u00e7\u00f5es potenciais \u2014 o n\u00famero 2.430 que alguns citam resulta de 270 dias considerando nove parceiras di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Essa conta serve como provoca\u00e7\u00e3o: biologicamente, a realidade \u00e9 mais complexa \u2014 probabilidades de concep\u00e7\u00e3o di\u00e1rias, uso de m\u00e9todos contraceptivos, infertilidade, intercurso etc. \u2014, mas o ponto pol\u00edtico e cient\u00edfico permanece. A capacidade reprodutiva masculina \u00e9 multiplicativa e subexplorada no campo do controle de natalidade. O debate n\u00e3o \u00e9 abstrato. Hoje, a popula\u00e7\u00e3o humana global est\u00e1 na casa dos bilh\u00f5es, e as proje\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas continuam a indicar grandes transforma\u00e7\u00f5es nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. As estimativas da Divis\u00e3o de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (WPP) mostram que a transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica, com crescimento importante em algumas regi\u00f5es e decl\u00ednio em outras, deve levar a uma popula\u00e7\u00e3o mundial na ordem dos 9 aos 10 bilh\u00f5es ao longo do s\u00e9culo, com concentra\u00e7\u00f5es crescentes em \u00c1frica e Sul da \u00c1sia.<\/p>\n<p>Essas trajet\u00f3rias importam, pois condicionam consumo, uso de terra, \u00e1gua e energia. Se a preocupa\u00e7\u00e3o maior \u00e9 a press\u00e3o humana sobre os sistemas naturais, n\u00e3o basta falar em \u201cmenos gente\u201d; \u00e9 preciso combinar pol\u00edticas de popula\u00e7\u00e3o com redu\u00e7\u00e3o do consumo excessivo e reorienta\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Indicadores como o Dia da Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day) mostram, no calend\u00e1rio, que a humanidade j\u00e1 consumiu todos os recursos renov\u00e1veis que a Terra gera neste ano. Vivemos em d\u00e9ficit ecol\u00f3gico. Em anos recentes, esse dia tem ca\u00eddo cada vez mais cedo \u2014 sinal claro de que nossa demanda por recursos supera a capacidade de renova\u00e7\u00e3o e de absor\u00e7\u00e3o de res\u00edduos do planeta.<\/p>\n<p>Isso traduz, em termos concretos, destrui\u00e7\u00e3o de habitats, eros\u00e3o de solos, sobrepesca e superemiss\u00e3o de carbono. A liga\u00e7\u00e3o entre n\u00fameros humanos e perda de biodiversidade \u00e9 bem documentada na literatura cient\u00edfica: estudos recentes apontam que a press\u00e3o populacional combinada \u00e0 economia de consumo e pol\u00edticas inadequadas \u00e9 um dos motores fundamentais da crise de extin\u00e7\u00e3o e do colapso dos ecossistemas. Especialistas em conserva\u00e7\u00e3o afirmam que, sem enfrentar a quest\u00e3o da escala humana (tamanho da popula\u00e7\u00e3o versus padr\u00e3o de consumo), os esfor\u00e7os isolados de prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para inverter tend\u00eancias profundas.<\/p>\n<p>Diante desse diagn\u00f3stico, que pol\u00edtica faz mais sentido? A resposta proposta nesta coluna \u00e9 dupla, mas interligada: (1) levar a s\u00e9rio o desenvolvimento e a difus\u00e3o de contracep\u00e7\u00e3o masculina como prioridade cient\u00edfica e de sa\u00fade p\u00fablica; (2) travar a cren\u00e7a moralista de que responsabilidade reprodutiva \u00e9, e deve ser, quase exclusivamente feminina. A justificativa pr\u00e1tica \u00e9 simples. M\u00e9todos masculinos eficazes, seguros e culturalmente aceitos expandiriam rapidamente o leque de op\u00e7\u00f5es para casais e poderiam reduzir gesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o planejadas sem onerar exclusivamente o corpo das mulheres.<\/p>\n<p>Hoje, s\u00e3o duas as frentes reais de avan\u00e7o: m\u00e9todos n\u00e3o hormonais em desenvolvimento \u2014 p\u00edlulas que bloqueiam a produ\u00e7\u00e3o de espermatozoides por vias espec\u00edficas \u2014 e m\u00e9todos hormonais e dispositivos gel, implantes, inje\u00e7\u00f5es e mesmo implantes hidrog\u00e9is que bloqueiam o tr\u00e2nsito de espermatozoides. Ensaios cl\u00ednicos recentes e revis\u00f5es mostram ganhos substanciais em taxa de supress\u00e3o de espermatozoides e aceitabilidade; a pesquisa m\u00e9dica tem acelerado ap\u00f3s d\u00e9cadas de subfinanciamento. H\u00e1, claro, resist\u00eancias culturais, pol\u00edticas e cient\u00edficas. Em alguns pa\u00edses, a preval\u00eancia de vasectomia caiu nas \u00faltimas d\u00e9cadas; em outros, h\u00e1 renovado interesse por solu\u00e7\u00f5es masculinas.<\/p>\n<p>Parte do problema hist\u00f3rico foi o financiamento desproporcional para m\u00e9todos femininos, o est\u00edmulo a abortos, o medo de efeitos colaterais em homens e uma mistura de normas de g\u00eanero que delegam a \u201cgest\u00e3o da gravidez\u201d \u00e0s mulheres. Mas os ensaios e as inova\u00e7\u00f5es recentes mostram que essas barreiras podem ser transpostas: a ci\u00eancia j\u00e1 demonstrou que \u00e9 tecnicamente vi\u00e1vel reduzir temporariamente a fertilidade masculina de maneira revers\u00edvel e segura.<\/p>\n<p>Argumentar que \u201c\u00e9 o homem que deveria ser o foco\u201d n\u00e3o implica deslocar recursos das mulheres, nem apagar direitos sexuais e reprodutivos femininos. Implica, antes, repensar prioridades: ampliar financiamento p\u00fablico e privado para contraceptivos masculinos; incluir homens nas campanhas de educa\u00e7\u00e3o sexual; promover vasectomias seguras e acess\u00edveis onde houver demanda; apoiar pesquisas internacionais para avaliar impactos socioculturais; e integrar essas medidas \u00e0s pol\u00edticas clim\u00e1ticas e de uso da terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cSe fosse o homem que sentisse\u00a0<\/em><em>a dor do parto, todo casal s\u00f3 teria\u00a0<\/em><em>um filho.\u201d<\/em><br \/>\nDona Dita<\/p>\n<figure id=\"attachment_26760\" aria-describedby=\"caption-attachment-26760\" style=\"width: 526px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26760\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/dor.jpg\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/dor.jpg 746w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/dor-300x198.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/dor-550x363.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/dor-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26760\" class=\"wp-caption-text\">Foto: anapaulagaia.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nSe n\u00e3o f\u00f4sse lugar de pol\u00edtico, um bom ministro da Agricultura seria o dr. Israel Pinheiro. Para realizar mesmo, seria um dos poucos no pa\u00eds. <strong>(Publicada em 15\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Provoca debate a seguinte pergunta, que ignora conven\u00e7\u00f5es: se uma gravidez humana exige nove meses de gesta\u00e7\u00e3o durante os quais a mulher carrega, arrisca a sa\u00fade e sofre as consequ\u00eancias f\u00edsicas, sociais e econ\u00f4micas, por que a maior parte da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26759,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,4113,3881,4112,114,2340],"class_list":["post-26756","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-contracepcaomasculina","tag-controledenatalidade","tag-esgotamentoderecursos","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26756"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26756\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26761,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26756\/revisions\/26761"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}