{"id":26762,"date":"2025-12-19T01:00:07","date_gmt":"2025-12-19T04:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26762"},"modified":"2025-12-20T00:45:52","modified_gmt":"2025-12-20T03:45:52","slug":"esta-dada-a-largada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/esta-dada-a-largada\/","title":{"rendered":"Est\u00e1 dada a largada"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26766\" aria-describedby=\"caption-attachment-26766\" style=\"width: 493px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26766\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ze-.jpg\" alt=\"\" width=\"493\" height=\"386\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ze-.jpg 763w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ze--300x235.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ze--550x431.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ze--230x180.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 493px) 100vw, 493px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26766\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Z\u00e9 Dassilva<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil atravessa um dos per\u00edodos mais delicados de sua hist\u00f3ria republicana recente. A extrema polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, intensificada nos \u00faltimos anos e frequentemente resumida no bord\u00e3o \u201cn\u00f3s contra eles\u201d, n\u00e3o \u00e9 apenas um recurso ret\u00f3rico: tornou-se m\u00e9todo, estrat\u00e9gia eleitoral e, sobretudo, lente pela qual parte expressiva da sociedade passou a interpretar a realidade. As consequ\u00eancias desse processo n\u00e3o se limitam ao debate p\u00fablico empobrecido; alcan\u00e7am as institui\u00e7\u00f5es, a economia, a coes\u00e3o social e a pr\u00f3pria confian\u00e7a do cidad\u00e3o no regime democr\u00e1tico. \u00c0s v\u00e9speras de um novo ciclo eleitoral, com 2026 no horizonte, imp\u00f5e-se uma reflex\u00e3o serena, ainda que firme, sobre o que temos agora e sobre o que pode ocorrer se persistirmos no mesmo caminho. Bin\u00e1rio, o discurso que divide o pa\u00eds entre \u201cos do bem\u201d e \u201cos do mal\u201d, \u201cdemocratas\u201d e \u201cantidemocratas\u201d, \u201cprogressistas\u201d e \u201creacion\u00e1rios\u201d, serve a um prop\u00f3sito claro: mobilizar bases, silenciar dissensos internos e enquadrar advers\u00e1rios como inimigos morais. Em curto prazo, esse expediente rende engajamento e fidelidade; em m\u00e9dio e longo prazos, corr\u00f3i o tecido social.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um ambiente pol\u00edtico permanentemente tensionado, no qual a diverg\u00eancia deixa de ser componente leg\u00edtimo da democracia para ser tratada como amea\u00e7a. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 o Congresso, que passa a funcionar sob desconfian\u00e7a m\u00fatua; o Judici\u00e1rio, sob press\u00e3o constante para arbitrar conflitos que deveriam ser resolvidos na arena pol\u00edtica; a imprensa, sob suspeita permanente; e a sociedade civil, fragmentada em bolhas informacionais que raramente dialogam entre si. Essa l\u00f3gica de fratura tem efeitos concretos. A previsibilidade institucional, essencial para investimentos, planejamento econ\u00f4mico e pol\u00edticas p\u00fablicas de longo prazo, deteriora-se. Reformas estruturais tornam-se ref\u00e9ns do calend\u00e1rio eleitoral e do c\u00e1lculo ideol\u00f3gico. A agenda nacional cede espa\u00e7o \u00e0 agenda identit\u00e1ria e simb\u00f3lica, na qual gestos e narrativas importam mais do que resultados mensur\u00e1veis. O Estado, por sua vez, amplia sua presen\u00e7a como \u00e1rbitro moral, enquanto a confian\u00e7a interpessoal e a coopera\u00e7\u00e3o social se retraem.<\/p>\n<p>No plano social, a polariza\u00e7\u00e3o transforma a pol\u00edtica em identidade. Votar deixa de ser escolha racional entre projetos e passa a ser afirma\u00e7\u00e3o existencial. Amigos se afastam, fam\u00edlias se dividem, ambientes de trabalho se contaminam. O debate p\u00fablico se torna punitivo: errar \u00e9 imperdo\u00e1vel; mudar de opini\u00e3o \u00e9 trai\u00e7\u00e3o; buscar consenso \u00e9 sinal de fraqueza. Nesse contexto, prosperam a desinforma\u00e7\u00e3o, o sensacionalismo e a radicaliza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda um efeito menos vis\u00edvel, por\u00e9m profundo: a naturaliza\u00e7\u00e3o do conflito como norma.<\/p>\n<p>Quando o antagonismo permanente se torna rotina, a sociedade perde a capacidade de indignar-se com o excesso. Medidas excepcionais passam a ser vistas como necess\u00e1rias; atalhos institucionais, como inevit\u00e1veis; a ret\u00f3rica de emerg\u00eancia, como justificativa para a compress\u00e3o de liberdades. O custo democr\u00e1tico dessa anestesia \u00e9 alto e cumulativo. As institui\u00e7\u00f5es brasileiras demonstraram resili\u00eancia, mas n\u00e3o s\u00e3o indestrut\u00edveis. A repeti\u00e7\u00e3o de crises\u00a0 reais ou fabricadas desgasta a legitimidade dos Poderes e alimenta a percep\u00e7\u00e3o de que a pol\u00edtica \u00e9 um jogo de soma zero. Nesse cen\u00e1rio, cresce o apelo por solu\u00e7\u00f5es \u201cfora do sistema\u201d, seja pela via do messianismo, seja pela judicializa\u00e7\u00e3o excessiva da pol\u00edtica. As elei\u00e7\u00f5es, que deveriam funcionar como v\u00e1lvula de renova\u00e7\u00e3o e pacifica\u00e7\u00e3o, passam a ser tratadas como plebiscitos morais. O perdedor n\u00e3o \u00e9 apenas derrotado; \u00e9 deslegitimado. O vencedor n\u00e3o governa para todos; governa contra metade do pa\u00eds. Assim, cada ciclo eleitoral deixa menos espa\u00e7o para a reconcilia\u00e7\u00e3o nacional e mais combust\u00edvel para a pr\u00f3xima disputa.<\/p>\n<p>Tr\u00eas cen\u00e1rios, n\u00e3o excludentes, apresentam-se agora. No primeiro, a polariza\u00e7\u00e3o se aprofunda. As campanhas intensificam o discurso de medo e demoniza\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio. A disputa se concentra menos em propostas e mais em acusa\u00e7\u00f5es. O resultado, qualquer que seja, tende a ser contestado por parcelas significativas da sociedade, prolongando a instabilidade. Nesse cen\u00e1rio, o pa\u00eds entra em 2027 com capital pol\u00edtico reduzido, crescimento econ\u00f4mico t\u00edmido e confian\u00e7a institucional ainda mais abalada. No segundo cen\u00e1rio, surge uma tentativa de modera\u00e7\u00e3o, seja por fadiga do eleitorado, seja por c\u00e1lculo estrat\u00e9gico. Candidaturas buscam ocupar o centro, prometendo di\u00e1logo e pragmatismo. O risco aqui \u00e9 duplo: de um lado, a rejei\u00e7\u00e3o das bases mais radicalizadas; de outro, a dificuldade de governar num ambiente ainda contaminado. A modera\u00e7\u00e3o, para prosperar, precisar\u00e1 ser mais do que discurso; exigir\u00e1 pactos m\u00ednimos e compromisso real com a institucionalidade. No terceiro cen\u00e1rio\u2014 o mais desej\u00e1vel, por\u00e9m o mais dif\u00edcil, a sociedade imp\u00f5e limites \u00e0 ret\u00f3rica do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d. O eleitorado passa a premiar propostas consistentes, capacidade de gest\u00e3o e respeito \u00e0s regras do jogo. As institui\u00e7\u00f5es reafirmam suas compet\u00eancias com autoconten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de eliminar o conflito inerente \u00e0 democracia, mas de civiliz\u00e1-lo.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em disputa em 2026 vai al\u00e9m de nomes e partidos. Est\u00e1 em jogo a qualidade da democracia brasileira. Entre o \u201cn\u00f3s contra eles\u201d e a reconstru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o comum, a escolha, ainda que imperfeita e dif\u00edcil, ser\u00e1 feita nas urnas e, antes delas, no debate p\u00fablico que soubermos construir. A hist\u00f3ria cobrar\u00e1 o pre\u00e7o das decis\u00f5es tomadas no calor da polariza\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m reconhecer\u00e1, se houver, a coragem de escolher a democracia como m\u00e9todo, e n\u00e3o como arma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cO esp\u00edrito que prevalece entre os homens de todas as classes, idades e sexos \u00e9 o Esp\u00edrito da Liberdade.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Abigail Adams, 1775<\/p>\n<figure id=\"attachment_26764\" aria-describedby=\"caption-attachment-26764\" style=\"width: 401px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26764\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/BIG.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"503\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/BIG.jpg 401w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/BIG-239x300.jpg 239w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/BIG-230x289.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26764\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Cortesia: Biblioteca do Congresso<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Os Institutos de Previd\u00eancia n\u00e3o est\u00e3o acompanhando a espiral da infla\u00e7\u00e3o. O financiamento de casas para trabalhadores ainda \u00e9 da ordem de 800 mil cruzeiros, quando uma casa popular quase sempre custa mais de um milh\u00e3o. <strong>(Publicada em 13.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; O Brasil atravessa um dos per\u00edodos mais delicados de sua hist\u00f3ria republicana recente. 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