{"id":26770,"date":"2025-12-20T01:00:52","date_gmt":"2025-12-20T04:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26770"},"modified":"2025-12-20T01:16:33","modified_gmt":"2025-12-20T04:16:33","slug":"o-que-dizem-os-astros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-que-dizem-os-astros\/","title":{"rendered":"O que dizem os astros"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_22289\" aria-describedby=\"caption-attachment-22289\" style=\"width: 479px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-22289\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/Globalismo.png\" alt=\"\" width=\"479\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/Globalismo.png 677w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/Globalismo-300x168.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/Globalismo-550x308.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/11\/Globalismo-230x129.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-22289\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: andreassibarreto.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde a Antiguidade, o ser humano ergue os olhos ao c\u00e9u em busca de sentido. N\u00e3o apenas para medir o tempo, orientar colheitas ou navegar mares, mas para decifrar, nos movimentos silenciosos dos astros, algum reflexo do seu pr\u00f3prio destino. Parece que o que as estrelas mostram \u00e9 um per\u00edodo de rupturas, revolu\u00e7\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es profundas. Um tempo em que estruturas antigas ruiriam para dar lugar a algo novo, ainda indefinido.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de se crer ou n\u00e3o nas estrelas, \u00e9 ineg\u00e1vel que, desde ent\u00e3o, o mundo parece ter entrado numa fase de instabilidade cont\u00ednua, quase febril. A economia global tornou-se mais concentrada e, paradoxalmente, mais fr\u00e1gil. Crises financeiras se sucedem em intervalos cada vez menores, como se o sistema estivesse permanentemente \u00e0 beira de um colapso anunciado. Estados nacionais perdem soberania diante de organismos supranacionais, fundos de investimento e corpora\u00e7\u00f5es que operam acima das fronteiras, das leis locais e, muitas vezes, da pr\u00f3pria vontade popular.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, emerge o discurso do globalismo, apresentado como solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e inevit\u00e1vel para problemas planet\u00e1rios, mas percebido por amplas parcelas da popula\u00e7\u00e3o como um projeto pol\u00edtico que dilui identidades, relativiza tradi\u00e7\u00f5es e redefine valores sem consulta democr\u00e1tica efetiva.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse caldo que florescem as chamadas agendas globais, entre elas a Agenda 2030, envolta em linguagem tecnocr\u00e1tica, metas abstratas e conceitos amplos o suficiente para acomodar m\u00faltiplas interpreta\u00e7\u00f5es. Para seus defensores, trata-se de um esfor\u00e7o racional de coordena\u00e7\u00e3o internacional; para seus cr\u00edticos, um conjunto de diretrizes que, sob o pretexto de sustentabilidade e inclus\u00e3o, imp\u00f5e modelos culturais, econ\u00f4micos e sociais alheios \u00e0s realidades locais.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o entre esses dois olhares \u00e9 um dos motores da polariza\u00e7\u00e3o que hoje atravessa quase todas as sociedades ocidentais. Nas ruas, essa fratura se manifesta de forma ruidosa. Movimentos identit\u00e1rios e novas formas de ativismo moral ocupam espa\u00e7os p\u00fablicos, universidades, empresas e meios de comunica\u00e7\u00e3o, reivindicando n\u00e3o apenas direitos, mas a reinterpreta\u00e7\u00e3o integral da hist\u00f3ria, da linguagem e at\u00e9 da biologia.<\/p>\n<p>Em rea\u00e7\u00e3o, surgem grupos igualmente radicalizados, que veem nessas pautas uma amea\u00e7a direta \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, \u00e0 liberdade de express\u00e3o e \u00e0 continuidade cultural. O di\u00e1logo cede lugar ao confronto simb\u00f3lico; o dissenso, \u00e0 rotula\u00e7\u00e3o moral. A pol\u00edtica deixa de ser o campo da negocia\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e passa a operar na l\u00f3gica do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d.<\/p>\n<p>A Europa talvez seja o palco mais vis\u00edvel dessa encruzilhada hist\u00f3rica. Ber\u00e7o de Estados-na\u00e7\u00e3o, tradi\u00e7\u00f5es seculares e identidades bem definidas, o continente enfrenta hoje dilemas que tocam o seu pr\u00f3prio n\u00facleo civilizacional. O multiculturalismo, vendido por d\u00e9cadas como ideal de conviv\u00eancia harmoniosa, revela fissuras profundas quando culturas com valores incompat\u00edveis passam a coexistir sem mecanismos claros de integra\u00e7\u00e3o. O resultado, em muitos casos, n\u00e3o \u00e9 a s\u00edntese cultural, mas a fragmenta\u00e7\u00e3o social, a forma\u00e7\u00e3o de guetos e o aumento de tens\u00f5es \u00e9tnicas, religiosas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>N\u00e3o surpreende, portanto, que alguns analistas falem, ainda que metaforicamente, em uma \u201cnova cruzada\u201d. N\u00e3o uma guerra de ex\u00e9rcitos formais, mas um conflito difuso, cultural e simb\u00f3lico, entre vis\u00f5es de mundo inconcili\u00e1veis. De um lado, um Ocidente que parece envergonhado de si mesmo, disposto a desconstruir seus pr\u00f3prios fundamentos; de outro, for\u00e7as externas\u00a0e internas\u00a0que n\u00e3o compartilham dessa autocr\u00edtica e avan\u00e7am com convic\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas, muitas vezes inegoci\u00e1veis.<\/p>\n<p>No campo de batalha n\u00e3o s\u00e3o apenas territ\u00f3rios, mas escolas, tribunais, m\u00eddias e consci\u00eancias. \u00c9 nesse ponto que a antiga m\u00e1xima herm\u00e9tica ressurge com for\u00e7a provocadora:\u00a0<i>\u201cassim como \u00e9 embaixo, \u00e9 em cima\u201d<\/i>. A frase sugere uma correspond\u00eancia entre o macrocosmo e o microcosmo, entre o c\u00e9u e a terra, entre as ordens superiores e a realidade concreta. Lida literalmente, remete \u00e0 ideia de que os movimentos dos astros influenciam os destinos humanos. Lida simbolicamente, talvez diga algo ainda mais inquietante: o caos que percebemos nas institui\u00e7\u00f5es, na pol\u00edtica e nas rela\u00e7\u00f5es sociais pode ser o reflexo ampliado do caos interior de uma civiliza\u00e7\u00e3o que perdeu seus referenciais.<\/p>\n<p>Vivemos uma era de informa\u00e7\u00e3o abundante e sabedoria escassa. Nunca se produziu tanto conhecimento t\u00e9cnico, nunca se falou tanto em progresso, direitos e inova\u00e7\u00e3o. Ainda assim, nunca foi t\u00e3o dif\u00edcil responder a perguntas b\u00e1sicas: o que \u00e9 o bem comum? O que \u00e9 a verdade? O que significa ser humano? A dissolu\u00e7\u00e3o dessas respostas cria um vazio que \u00e9 rapidamente preenchido por ideologias totalizantes, promessas de salva\u00e7\u00e3o secular e narrativas que dividem o mundo entre iluminados e retr\u00f3grados, v\u00edtimas e opressores.<\/p>\n<p>Parece que o que mostram as estrelas passa da desconstru\u00e7\u00e3o acelerada sem a constru\u00e7\u00e3o de algo s\u00f3lido em seu lugar. \u00c9 a hist\u00f3ria que nos ensina que per\u00edodos assim s\u00e3o f\u00e9rteis tanto para avan\u00e7os extraordin\u00e1rios quanto para colapsos civilizacionais. Nada est\u00e1 determinado, seja pelos astros ou pelas agendas humanas. O futuro continuar\u00e1 a ser escrito,\u00a0n\u00e3o no c\u00e9u, mas nas escolhas concretas feitas aqui embaixo.<\/p>\n<p>Antes de buscar, no firmamento, a causa de nossos dilemas, talvez seja necess\u00e1rio encarar o espelho da pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o e perguntar se ainda sabemos quem somos, o que defendemos e at\u00e9 onde estamos dispostos a ir para preservar aquilo que chamamos de humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cOs movimentos populares anunciaram uma nova era na pol\u00edtica de Taiwan.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Ko Wen-je<\/p>\n<figure id=\"attachment_26773\" aria-describedby=\"caption-attachment-26773\" style=\"width: 445px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26773\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/glo.png\" alt=\"\" width=\"445\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/glo.png 611w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/glo-300x181.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/glo-550x332.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/glo-230x139.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26773\" class=\"wp-caption-text\">Ko Wen-je. Fotografia: Ann Wang\/Reuters<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>O IAPC iniciou o servi\u00e7o de dedetiza\u00e7\u00e3o dos seus blocos nas superquadras 106, 306 e Asa Norte. <strong>(Publicada em 13.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Desde a Antiguidade, o ser humano ergue os olhos ao c\u00e9u em busca de sentido. N\u00e3o apenas para medir o tempo, orientar colheitas ou navegar mares, mas para decifrar, nos movimentos silenciosos dos astros, algum reflexo do seu pr\u00f3prio destino. 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