{"id":26777,"date":"2025-12-21T01:00:33","date_gmt":"2025-12-21T04:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26777"},"modified":"2025-12-20T01:46:09","modified_gmt":"2025-12-20T04:46:09","slug":"as-aulas-do-professor-delmo-arguelhes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/as-aulas-do-professor-delmo-arguelhes\/","title":{"rendered":"As aulas do professor Delmo Arguelhes"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26781\" aria-describedby=\"caption-attachment-26781\" style=\"width: 566px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26781\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/euro.png\" alt=\"\" width=\"566\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/euro.png 566w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/euro-300x223.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/euro-550x409.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/euro-230x171.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 566px) 100vw, 566px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26781\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: nossofuturoroubado.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div dir=\"auto\">Ao longo de s\u00e9culos, o eurocentrismo n\u00e3o foi apenas uma hegemonia geogr\u00e1fica ou econ\u00f4mica, mas, sobretudo, um eixo civilizacional. Foi na Europa e depois no Ocidente ampliado que se consolidou uma no\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de indiv\u00edduo: portador de raz\u00e3o, consci\u00eancia moral, dignidade intr\u00ednseca e responsabilidade hist\u00f3rica. Esse conceito, herdeiro direto da filosofia grega, do direito romano e da antropologia judaico-crist\u00e3, moldou institui\u00e7\u00f5es, leis e valores que, com todos os seus erros e contradi\u00e7\u00f5es, colocaram o indiv\u00edduo no centro da vida social.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Hoje, contudo, esse paradigma encontra-se em franco decl\u00ednio. A decad\u00eancia do eurocentrismo n\u00e3o ocorre apenas pela ascens\u00e3o de outras pot\u00eancias ou culturas, mas pela corros\u00e3o interna de seus pr\u00f3prios fundamentos. As chamadas agendas globalistas de esquerda, cada vez mais difundidas em organismos internacionais, universidades, meios de comunica\u00e7\u00e3o e corpora\u00e7\u00f5es, t\u00eam promovido uma ruptura deliberada com a tradi\u00e7\u00e3o humanista que sustentou o Ocidente. O indiv\u00edduo, outrora sujeito de direitos, passa a ser visto sobretudo como produto de estruturas, categorias identit\u00e1rias ou rela\u00e7\u00f5es de poder. A pessoa concreta cede lugar ao tipo abstrato. Alexis de Tocqueville advertia, no s\u00e9culo XIX, que \u201cas na\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas mostram um gosto natural por ideias gerais e abstratas\u201d, pois estas dispensam o esfor\u00e7o de compreender o particular. Essa tend\u00eancia, levada ao extremo, abre caminho para sistemas ideol\u00f3gicos que falam em nome da humanidade, mas ignoram o homem real. Quando o discurso pol\u00edtico se estrutura apenas em termos de coletivos classe, g\u00eanero, ra\u00e7a, grupo, o indiv\u00edduo deixa de ser um fim em si mesmo e passa a ser mero instrumento narrativo.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Hannah Arendt, ao analisar as origens do totalitarismo, observou que \u201co primeiro passo essencial no caminho para a domina\u00e7\u00e3o total \u00e9 matar a pessoa jur\u00eddica do homem\u201d. Ainda que as agendas contempor\u00e2neas n\u00e3o se apresentem com a brutalidade dos regimes totalit\u00e1rios cl\u00e1ssicos, o mecanismo intelectual guarda semelhan\u00e7as inquietantes. A despersonaliza\u00e7\u00e3o ocorre de forma simb\u00f3lica: dissolve-se a responsabilidade individual, relativiza-se a liberdade de consci\u00eancia e redefine-se a verdade como constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. O sujeito n\u00e3o pensa; ele \u201creplica\u201d. N\u00e3o escolhe; ele \u201cinternaliza\u201d. Nesse contexto, a desconstru\u00e7\u00e3o torna-se um valor em si. Tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o tratadas como opress\u00f5es herdadas, identidades como fic\u00e7\u00f5es perigosas e a hist\u00f3ria como um invent\u00e1rio de culpas.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Roger Scruton alertava que \u201cuma sociedade que se dedica apenas a desconstruir suas institui\u00e7\u00f5es logo descobrir\u00e1 que n\u00e3o sabe mais como reconstru\u00ed-las\u201d. A cr\u00edtica deixa de ser instrumento de aprimoramento e se converte em pr\u00e1tica permanente de demoli\u00e7\u00e3o cultural. O globalismo ideol\u00f3gico, ao pretender uniformizar valores em escala planet\u00e1ria, paradoxalmente, nega a diversidade que afirma defender. Culturas locais, vis\u00f5es morais distintas e formas hist\u00f3ricas de organiza\u00e7\u00e3o social tornam-se obst\u00e1culos a serem corrigidos. O indiv\u00edduo \u00e9 reeducado para se ver menos como herdeiro de uma tradi\u00e7\u00e3o e mais como \u00e1tomo flutuante, desligado de passado, territ\u00f3rio e mem\u00f3ria. Como escreveu Jos\u00e9 Ortega y Gasset, \u201co homem-massa n\u00e3o quer dar raz\u00f5es nem quer estar certo; simplesmente quer impor\u201d.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">A nova ortodoxia moral dispensa o convencimento racional e prefere a press\u00e3o social. Essa despersonaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se manifesta na linguagem. Palavras s\u00e3o esvaziadas de seu significado hist\u00f3rico e recodificadas segundo crit\u00e9rios pol\u00edticos. George Orwell, em tom quase prof\u00e9tico, j\u00e1 advertia que \u201cse o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem tamb\u00e9m pode corromper o pensamento\u201d. Ao controlar os termos do debate, controla-se o horizonte do pens\u00e1vel. O indiv\u00edduo perde at\u00e9 mesmo o vocabul\u00e1rio necess\u00e1rio para expressar dissenso. A decad\u00eancia do eurocentrismo, portanto, n\u00e3o significa apenas a perda de protagonismo de uma civiliza\u00e7\u00e3o, mas o risco de abandono de um legado filos\u00f3fico que afirmava a singularidade da pessoa humana.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Ao rejeitar esse legado como \u201cobsoleto\u201d ou \u201copressor\u201d, corre-se o perigo de substituir o humanismo imperfeito por um p\u00f3s-humanismo administrativo, no qual o indiv\u00edduo vale apenas enquanto fun\u00e7\u00e3o estat\u00edstica ou s\u00edmbolo pol\u00edtico. O paradoxo final \u00e9 evidente: em nome da liberta\u00e7\u00e3o, promove-se uma nova forma de tutela; em nome da inclus\u00e3o, apaga-se a pessoa concreta; em nome do progresso, dissolve-se o sentido. Como escreveu T. S. Eliot, \u201conde est\u00e1 a vida que perdemos vivendo? Onde est\u00e1 a sabedoria que perdemos no conhecimento?\u201d A pergunta permanece em aberto.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">Se o Ocidente deseja sobreviver n\u00e3o apenas como espa\u00e7o econ\u00f4mico, mas como civiliza\u00e7\u00e3o, talvez precise reencontrar aquilo que o tornou singular: a convic\u00e7\u00e3o de que cada indiv\u00edduo importa n\u00e3o por sua utilidade social ou pertencimento identit\u00e1rio, mas por sua dignidade ontol\u00f3gica. Sem isso, o mundo pode at\u00e9 se tornar mais integrado, por\u00e9m, inevitavelmente, menos humano.<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/div>\n<div dir=\"auto\"><em>\u201c N\u00f3s n\u00e3o evolu\u00edmos com a tecnologia, apenas somos le\u00f5es pedindo uma zebra pela internet.\u201d<\/em><\/div>\n<div dir=\"auto\">Edu Casarotto<\/div>\n<div dir=\"auto\">\n<figure id=\"attachment_26779\" aria-describedby=\"caption-attachment-26779\" style=\"width: 447px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26779\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/edu.png\" alt=\"\" width=\"447\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/edu.png 589w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/edu-300x295.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/edu-550x541.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/edu-230x226.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26779\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Casaroto. Foto: institutovirtudes.com<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/div>\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<div dir=\"auto\">J\u00e1 que est\u00e1 com esta disposi\u00e7\u00e3o, poderia tamb\u00e9m mandar limpar escadas e corredores, e varre-los periodicamente, j\u00e1 que n\u00e3o se pode exigir que isto seja feito todos os dias. <strong>(Publicada em 13.05.1962)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Ao longo de s\u00e9culos, o eurocentrismo n\u00e3o foi apenas uma hegemonia geogr\u00e1fica ou econ\u00f4mica, mas, sobretudo, um eixo civilizacional. 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