{"id":26792,"date":"2025-12-26T01:00:00","date_gmt":"2025-12-26T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26792"},"modified":"2025-12-27T23:57:58","modified_gmt":"2025-12-28T02:57:58","slug":"o-dilema-da-sustentabilidade-economica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-dilema-da-sustentabilidade-economica-brasileira\/","title":{"rendered":"O dilema da sustentabilidade econ\u00f4mica brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26795\" aria-describedby=\"caption-attachment-26795\" style=\"width: 449px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26795\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/trabalho.png\" alt=\"\" width=\"449\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/trabalho.png 597w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/trabalho-150x150.png 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/trabalho-300x300.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/trabalho-550x550.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/trabalho-230x230.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26795\" class=\"wp-caption-text\">Charge do @orlando.pedroso<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, com o fim da escala 6&#215;1 sem diminui\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, somada \u00e0 proposta de tarifa zero nos transportes p\u00fablicos, surge no debate nacional como bandeira pol\u00edtica sedutora, especialmente em um contexto eleitoral. Segundo o atual governo e sua base de apoio, tais medidas atenderiam a uma \u201cdemanda popular\u201d reprimida e representariam um avan\u00e7o civilizat\u00f3rio. No entanto, quando essas propostas s\u00e3o analisadas \u00e0 luz da realidade fiscal, demogr\u00e1fica e produtiva do Brasil, o que se revela \u00e9 um quadro de alto risco econ\u00f4mico e social, com potencial para comprometer o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O ponto de partida dessa an\u00e1lise precisa ser objetivo: o Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds rico sem trabalho. Apesar de seu tamanho continental, de seus recursos naturais abundantes e de sua popula\u00e7\u00e3o numerosa, a produtividade m\u00e9dia do trabalhador brasileiro permanece baixa quando comparada a economias desenvolvidas e at\u00e9 mesmo a v\u00e1rios pa\u00edses emergentes. A renda per capita brasileira oscila em torno de US$ 10 mil anuais, enquanto pa\u00edses que adotam jornadas menores e ampla rede de bem-estar social apresentam rendas per capita duas, tr\u00eas ou quatro vezes maiores.<\/p>\n<p>Esse dado isolado j\u00e1 deveria impor cautela a qualquer tentativa\u00a0de importar modelos estrangeiros sem considerar as condi\u00e7\u00f5es locais. Hoje, mais de 94 milh\u00f5es de brasileiros, cerca de 44% da popula\u00e7\u00e3o, dependem diretamente de programas assistencialistas. O custo anual dessas pol\u00edticas supera R$ 500 bilh\u00f5es. Esse valor n\u00e3o surge do nada: ele \u00e9 financiado por impostos, d\u00edvida p\u00fablica e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em termos matem\u00e1ticos simples, trata-se de uma transfer\u00eancia maci\u00e7a de renda de uma parcela produtiva cada vez menor da sociedade para uma parcela crescente que vive, total ou parcialmente, do Estado. Se considerarmos que a popula\u00e7\u00e3o ocupada no Brasil gira em torno de 100 milh\u00f5es de pessoas, temos uma rela\u00e7\u00e3o aproximada de um trabalhador ativo para cada benefici\u00e1rio direto de programas sociais. Quando se excluem crian\u00e7as, idosos e trabalhadores informais de baixa renda que tamb\u00e9m recebem benef\u00edcios, essa rela\u00e7\u00e3o se torna ainda mais desfavor\u00e1vel. Em outras palavras, um contingente cada vez menor de contribuintes \u00e9 chamado a sustentar um contingente cada vez maior de dependentes do Estado.<\/p>\n<p>A proposta de reduzir a jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o salarial agrava esse desequil\u00edbrio. Do ponto de vista matem\u00e1tico, sal\u00e1rio \u00e9 remunera\u00e7\u00e3o por unidade de produtividade. Se um trabalhador produz X em 44 horas semanais e passa a produzir o mesmo X em 36 ou 40 horas, o custo por hora trabalhada aumenta automaticamente. Para empresas com margens apertadas, que s\u00e3o a maioria no Brasil, isso significa uma de tr\u00eas alternativas: reduzir contrata\u00e7\u00f5es, aumentar pre\u00e7os ou fechar as portas. Nenhuma delas beneficia a sociedade no m\u00e9dio e longo prazo.\u00a0Suponha-se, por exemplo, uma empresa com 100 funcion\u00e1rios que trabalham 44 horas semanais. A redu\u00e7\u00e3o da jornada para 36 horas, sem redu\u00e7\u00e3o salarial, representa uma perda de cerca de 18% da for\u00e7a de trabalho em termos de horas. Para manter o mesmo n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o, a empresa precisaria contratar, aproximadamente, 18 novos funcion\u00e1rios. Isso implica aumento de custos trabalhistas, encargos sociais, benef\u00edcios e riscos jur\u00eddicos.<\/p>\n<p>Quando o Estado gasta mais do que arrecada, ele s\u00f3 tem tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: aumentar impostos, emitir d\u00edvida ou inflacionar a moeda. O aumento de impostos penaliza diretamente quem trabalha e produz, desestimulando investimentos e incentivando a informalidade. A emiss\u00e3o de d\u00edvida empurra o problema para o futuro, elevando o custo do servi\u00e7o da d\u00edvida e comprometendo gera\u00e7\u00f5es futuras. A infla\u00e7\u00e3o, por sua vez, funciona como um imposto oculto que corr\u00f3i, principalmente, a renda dos mais pobres, justamente aqueles que os programas sociais afirmam proteger. Matematicamente, o modelo assistencialista em expans\u00e3o enfrenta um limite intranspon\u00edvel: a base de arrecada\u00e7\u00e3o n\u00e3o cresce no mesmo ritmo que as despesas.<\/p>\n<p>A desigualdade s\u00f3 \u00e9 combatida de forma sustent\u00e1vel quando h\u00e1 aumento de produtividade, educa\u00e7\u00e3o de qualidade, seguran\u00e7a jur\u00eddica e ambiente favor\u00e1vel ao empreendedorismo. Transfer\u00eancias de renda podem aliviar situa\u00e7\u00f5es emergenciais, mas, quando se tornam estruturais e permanentes, sem contrapartidas claras, transformam- -se em armadilhas sociais e fiscais. O argumento de que pa\u00edses europeus adotam jornadas menores e forte prote\u00e7\u00e3o social ignora um detalhe crucial: esses pa\u00edses enriqueceram antes de distribuir. Constru\u00edram Estados de bem-estar ap\u00f3s d\u00e9cadas ou s\u00e9culos de acumula\u00e7\u00e3o de capital, industrializa\u00e7\u00e3o e ganhos expressivos de produtividade.<\/p>\n<p>Tentar inverter essa ordem \u00e9 como querer repartir um bolo que ainda n\u00e3o foi assado. O Brasil, ao contr\u00e1rio, parece insistir em um modelo que penaliza sistematicamente quem produz e recompensa a depend\u00eancia do Estado. A matem\u00e1tica n\u00e3o perdoa. Nenhuma sociedade prospera de forma duradoura quando mais da metade de sua popula\u00e7\u00e3o depende direta ou indiretamente do trabalho da outra metade, especialmente quando essa metade produtiva \u00e9 sobrecarregada por impostos, burocracia e inseguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Se mantido o atual rumo de expans\u00e3o de programas assistencialistas, redu\u00e7\u00e3o artificial da jornada de trabalho e aumento de gastos p\u00fablicos sem lastro produtivo, o futuro previs\u00edvel \u00e9 de baixo crescimento, desemprego estrutural, infla\u00e7\u00e3o recorrente e crises fiscais cada vez mais frequentes. A hist\u00f3ria econ\u00f4mica est\u00e1 repleta de exemplos. O Brasil corre o risco de repetir esse roteiro se insistir em pol\u00edticas que ignoram limites fiscais e produtivos em nome de ganhos pol\u00edticos imediatos. A verdadeira pol\u00edtica social respons\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 aquela que promete benesses infinitas, mas a que cria condi\u00e7\u00f5es para que menos pessoas precisem delas. Isso exige coragem para dizer o \u00f3bvio: n\u00e3o existe almo\u00e7o gr\u00e1tis, n\u00e3o existe prosperidade sem trabalho, e n\u00e3o existe justi\u00e7a social duradoura sem uma economia saud\u00e1vel. Ignorar essa equa\u00e7\u00e3o \u00e9 empurrar o pa\u00eds, lentamente, para o despenhadeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cA escala 6&#215;1 \u00e9 a mais cruel existente\u00a0<\/em><em>na face da Terra, em especial para\u00a0<\/em><em>as mulheres. E creio que o Brasil e a\u00a0<\/em><em>economia brasileira est\u00e3o totalmente\u00a0<\/em><em>maduros para fazer a revis\u00e3o da\u00a0<\/em><em>jornada m\u00e1xima do pa\u00eds e, junto com\u00a0<\/em><em>isso, eliminar a escala 6&#215;1\u201d<\/em><br \/>\nLuiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego<\/p>\n<figure id=\"attachment_26798\" aria-describedby=\"caption-attachment-26798\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26798\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ministro.png\" alt=\"\" width=\"346\" height=\"343\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ministro.png 512w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ministro-150x150.png 150w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ministro-300x297.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2025\/12\/ministro-230x228.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 346px) 100vw, 346px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26798\" class=\"wp-caption-text\">Ministro de Estado do Trabalho e Emprego Luiz Marinho. Foto: gov.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Os Institutos de Previd\u00eancia n\u00e3o est\u00e3o acompanhando a espiral da infla\u00e7\u00e3o. O financiamento de casas para trabalhadores ainda \u00e9 da ordem de 800 mil cruzeiros, quando uma casa popular quase sempre custa mais de um milh\u00e3o. <strong>(Publicado em 13\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; A discuss\u00e3o sobre a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, com o fim da escala 6&#215;1 sem diminui\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, somada \u00e0 proposta de tarifa zero nos transportes p\u00fablicos, surge no debate nacional como bandeira pol\u00edtica sedutora, especialmente em um contexto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26795,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,153,3802,1490,114,2340,119,2820],"class_list":["post-26792","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-economia","tag-escala6x1","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-pt","tag-trabalhonobrasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26792"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26799,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26792\/revisions\/26799"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}