{"id":26801,"date":"2025-12-27T01:00:40","date_gmt":"2025-12-27T04:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26801"},"modified":"2025-12-29T13:40:02","modified_gmt":"2025-12-29T16:40:02","slug":"por-que-o-brasil-desperdica-a-voz-do-eleitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/por-que-o-brasil-desperdica-a-voz-do-eleitor\/","title":{"rendered":"Por que o Brasil desperdi\u00e7a a voz do eleitor?"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9816\" aria-describedby=\"caption-attachment-9816\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9816\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/02\/VOTO-LIXO.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/02\/VOTO-LIXO.jpg 400w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/02\/VOTO-LIXO-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/02\/VOTO-LIXO-350x263.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/02\/VOTO-LIXO-230x173.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9816\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Ivan Cabral<\/figcaption><\/figure>\n<p>O ano de 2026 ser\u00e1, mais uma vez, um marco na vida pol\u00edtica brasileira. Elei\u00e7\u00f5es gerais mobilizam milh\u00f5es de eleitores, envolvem uma complexa m\u00e1quina institucional e consomem cifras astron\u00f4micas dos cofres p\u00fablicos. Trata-se, sem exagero, de um dos eventos mais caros e logisticamente sofisticados da Rep\u00fablica. Diante desse cen\u00e1rio, uma pergunta simples e inc\u00f4moda se imp\u00f5e: por que o Brasil, ao consultar sua popula\u00e7\u00e3o em um momento de tamanha mobiliza\u00e7\u00e3o c\u00edvica, insiste em limitar essa consulta apenas \u00e0 escolha de nomes, deixando de fora quest\u00f5es centrais que afetam diretamente a vida do cidad\u00e3o?<\/p>\n<div dir=\"auto\">\n<div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 consagrou o princ\u00edpio da soberania popular n\u00e3o apenas pelo voto, mas tamb\u00e9m por meio de instrumentos de democracia direta, como o plebiscito e o referendo. No entanto, passadas quase quatro d\u00e9cadas, esses mecanismos permanecem subutilizados, tratados como exce\u00e7\u00e3o, quando deveriam ser regra em temas de alta relev\u00e2ncia nacional. O resultado \u00e9 um distanciamento crescente entre representantes e representados, alimentando a percep\u00e7\u00e3o de que decis\u00f5es fundamentais s\u00e3o tomadas em gabinetes, longe do crivo popular. O custo elevado das elei\u00e7\u00f5es, frequentemente citado como justificativa para n\u00e3o ampliar consultas, na verdade refor\u00e7a o argumento contr\u00e1rio. Se o pa\u00eds j\u00e1 arca com uma estrutura monumental para ouvir o eleitor, por que n\u00e3o aproveitar essa oportunidade para submet\u00ea-lo a decis\u00f5es que moldam seu cotidiano?<\/p>\n<p>Quest\u00f5es como a pol\u00edtica de drogas, o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o end\u00eamica, a condu\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica e a excessiva carga tribut\u00e1ria n\u00e3o s\u00e3o temas perif\u00e9ricos ou t\u00e9cnicos demais para o cidad\u00e3o comum. Pelo contr\u00e1rio: s\u00e3o assuntos que atravessam a vida real, o or\u00e7amento familiar, a seguran\u00e7a nas ruas e a pr\u00f3pria confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es. A pol\u00edtica de drogas \u00e9 um exemplo emblem\u00e1tico. O Brasil convive h\u00e1 d\u00e9cadas com um modelo repressivo que n\u00e3o conseguiu reduzir o consumo, tampouco enfraquecer o crime organizado. Ainda assim, o debate permanece sequestrado por discursos ideol\u00f3gicos e decis\u00f5es judiciais que, muitas vezes, substituem o Legislativo e ignoram a vontade expl\u00edcita da maioria. Um plebiscito nacional permitiria que a sociedade se manifestasse de forma clara sobre caminhos poss\u00edveis, seja a manuten\u00e7\u00e3o do modelo atual, seja a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas alternativas. Ignorar essa possibilidade \u00e9 perpetuar um debate inconcluso e socialmente custoso.<\/p>\n<p>O mesmo racioc\u00ednio se aplica \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Embora o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o seja frequentemente utilizado como slogan eleitoral, a pr\u00e1tica revela um hist\u00f3rico de investiga\u00e7\u00f5es inconclusas, prescri\u00e7\u00f5es convenientes e puni\u00e7\u00f5es seletivas. A sensa\u00e7\u00e3o de impunidade mina a credibilidade do Estado e corr\u00f3i o pacto social. Por que n\u00e3o submeter, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, propostas objetivas sobre endurecimento de penas, mudan\u00e7as processuais ou limites a privil\u00e9gios legais? Um referendo bem formulado poderia conferir legitimidade popular a reformas que hoje enfrentam resist\u00eancia, justamente entre aqueles que seriam afetados por elas.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a p\u00fablica, talvez o tema que mais aflige o cidad\u00e3o comum, segue ref\u00e9m de disputas pol\u00edticas e de uma fragmenta\u00e7\u00e3o federativa que dificulta solu\u00e7\u00f5es eficazes. Estados e munic\u00edpios alegam falta de recursos, enquanto a Uni\u00e3o se esquiva de responsabilidades mais diretas. Um plebiscito poderia esclarecer se a popula\u00e7\u00e3o deseja maior centraliza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de seguran\u00e7a, mudan\u00e7as no sistema penal ou novas diretrizes para atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as policiais. Decidir isso sem ouvir quem vive sob a amea\u00e7a cotidiana da viol\u00eancia \u00e9 um exerc\u00edcio de arrog\u00e2ncia institucional.<\/p>\n<p>J\u00e1 a carga tribut\u00e1ria, reconhecidamente elevada e complexa, \u00e9 outro campo em que o cidad\u00e3o raramente \u00e9 ouvido. Reformas tribut\u00e1rias avan\u00e7am a passos lentos, sempre mediadas por interesses corporativos e setoriais. O contribuinte, que sustenta o Estado, permanece como figurante em decis\u00f5es que impactam diretamente seu poder de compra e a competitividade da economia. Consult\u00e1-lo sobre princ\u00edpios b\u00e1sicos como simplifica\u00e7\u00e3o, limites de tributa\u00e7\u00e3o ou prioridades de gasto seria n\u00e3o apenas democr\u00e1tico, mas tamb\u00e9m pedag\u00f3gico, fortalecendo a consci\u00eancia fiscal da sociedade.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos da democracia direta costumam argumentar que o eleitor n\u00e3o teria informa\u00e7\u00e3o suficiente para decidir temas complexos. Trata-se de uma vis\u00e3o elitista e contradit\u00f3ria: o mesmo eleitor considerado apto a escolher presidente, governadores e parlamentares seria incapaz de opinar sobre quest\u00f5es que afetam sua pr\u00f3pria vida? Al\u00e9m disso, plebiscitos e referendos n\u00e3o eliminam o papel do parlamento; ao contr\u00e1rio, oferecem diretrizes claras para a atua\u00e7\u00e3o legislativa, reduzindo o abismo entre vontade popular e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. H\u00e1 ainda o argumento do risco de manipula\u00e7\u00e3o emocional ou populista. Esse risco, contudo, n\u00e3o \u00e9 exclusivo da democracia direta; ele j\u00e1 existe, e em grau elevado, nas elei\u00e7\u00f5es tradicionais. A diferen\u00e7a \u00e9 que, em consultas tem\u00e1ticas, a sociedade \u00e9 chamada a refletir sobre ideias e propostas concretas, e n\u00e3o apenas sobre personalidades ou promessas vagas. Com campanhas informativas equilibradas e fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada, o debate tende a amadurecer o eleitorado, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Brasil vive uma crise de representatividade profunda. A absten\u00e7\u00e3o cresce, o voto de protesto se banaliza e a confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es segue em queda. Ignorar instrumentos que poderiam revitalizar a participa\u00e7\u00e3o popular \u00e9 um erro estrat\u00e9gico e democr\u00e1tico. Aproveitar as elei\u00e7\u00f5es gerais de 2026 para realizar plebiscitos e referendos sobre temas de primeira ordem seria um gesto de respeito ao cidad\u00e3o e um passo concreto na dire\u00e7\u00e3o de uma democracia mais madura. Democracia n\u00e3o se resume a escolher governantes a cada quatro anos. Ela exige participa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, transpar\u00eancia e corresponsabilidade. Ouvir o povo apenas para legitimar o poder, mas n\u00e3o para decidir os rumos do pa\u00eds, \u00e9 reduzir a soberania popular a um ritual vazio. Em um momento hist\u00f3rico marcado por desconfian\u00e7a e polariza\u00e7\u00e3o, ampliar a voz do cidad\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um risco: \u00e9 uma necessidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cO governo existe para nos proteger uns dos outros. Onde o governo ultrapassou seus limites foi ao decidir nos proteger de n\u00f3s mesmos.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Ronald Reagan<\/p>\n<figure id=\"attachment_21238\" aria-describedby=\"caption-attachment-21238\" style=\"width: 399px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-21238\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/06\/ronald.jpg\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"496\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/06\/ronald.jpg 497w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/06\/ronald-241x300.jpg 241w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2022\/06\/ronald-230x286.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-21238\" class=\"wp-caption-text\">Ronald Reagan. Retrato Oficial<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>O IAPC iniciou o servi\u00e7o de dedetiza\u00e7\u00e3o dos seus blocos nas superquadras 106, 306 e Asa Norte. J\u00e1 que est\u00e1 com esta disposi\u00e7\u00e3o, poderia tamb\u00e9m mandar limpar escadas e corredores, e varre-los periodicamente, j\u00e1 que n\u00e3o se pode exigir que isto seja feito todos os dias. <strong>(Publicada em 13.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; O ano de 2026 ser\u00e1, mais uma vez, um marco na vida pol\u00edtica brasileira. Elei\u00e7\u00f5es gerais mobilizam milh\u00f5es de eleitores, envolvem uma complexa m\u00e1quina institucional e consomem cifras astron\u00f4micas dos cofres p\u00fablicos. 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