{"id":26806,"date":"2025-12-31T01:00:06","date_gmt":"2025-12-31T04:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26806"},"modified":"2026-01-04T01:01:44","modified_gmt":"2026-01-04T04:01:44","slug":"o-horizonte-incerto-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-horizonte-incerto-de-2026\/","title":{"rendered":"O horizonte incerto de 2026"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_12198\" aria-describedby=\"caption-attachment-12198\" style=\"width: 526px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-12198\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/charge-elei\u00e7\u00f5es.jpg\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/charge-elei\u00e7\u00f5es.jpg 400w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/charge-elei\u00e7\u00f5es-300x188.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/charge-elei\u00e7\u00f5es-350x219.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/09\/charge-elei\u00e7\u00f5es-230x144.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12198\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Duke<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div dir=\"auto\">\n<div>\n<div>\n<div dir=\"ltr\">\n<p>O ano de 2025 encerra-se no Brasil n\u00e3o como um per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o, mas como um ponto de inflex\u00e3o. Longe do discurso oficial de estabilidade e reconstru\u00e7\u00e3o, os fatos revelam um pa\u00eds institucionalmente tensionado, economicamente pressionado e socialmente anestesiado por pol\u00edticas de curto prazo. O Brasil que entra em 2026 n\u00e3o \u00e9 o retrato otimista apresentado em palanques e pe\u00e7as publicit\u00e1rias, mas uma na\u00e7\u00e3o que convive com crescimento baixo, endividamento crescente, desconfian\u00e7a institucional e um Estado cada vez mais caro e menos eficiente. Embora indicadores pontuais tenham sido usados para sustentar a narrativa de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em 2025, a an\u00e1lise fria dos dados mostra um quadro bem mais modesto.<\/p>\n<p>O crescimento do PIB permaneceu\u00a0an\u00eamico, sustentado, majoritariamente, por consumo financiado, gastos p\u00fablicos e programas de transfer\u00eancia de renda, n\u00e3o por aumento consistente de produtividade, investimento privado ou inova\u00e7\u00e3o. A taxa b\u00e1sica de juros manteve-se em patamar elevado durante praticamente todo o ano, reflexo direto da\u00a0desconfian\u00e7a do mercado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica fiscal. O discurso de responsabilidade n\u00e3o se traduziu em pr\u00e1tica: despesas obrigat\u00f3rias continuaram a crescer, novas ren\u00fancias e subs\u00eddios foram criados e o arcabou\u00e7o fiscal mostrou-se incapaz de impor disciplina real ao gasto p\u00fablico. O resultado foi previs\u00edvel: d\u00edvida p\u00fablica em trajet\u00f3ria ascendente; Infla\u00e7\u00e3o resistente, especialmente em servi\u00e7os; cr\u00e9dito mais caro e restrito\u00a0para fam\u00edlias e empresas; investimento privado contido, sobretudo fora dos setores favorecidos pelo Estado. Para o cidad\u00e3o comum, o impacto foi direto: custo de vida alto, endividamento recorde das fam\u00edlias e perda gradual de poder de compra, mascarada por aux\u00edlios que n\u00e3o corrigem distor\u00e7\u00f5es estruturais.<\/p>\n<p>A entrada em vigor da reforma fiscal em 2026 \u00e9 apresentada como solu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para o caos tribut\u00e1rio brasileiro. No entanto, o texto aprovado e sua regulamenta\u00e7\u00e3o indicam que\u00a0a simplifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o vir\u00e1 acompanhada de redu\u00e7\u00e3o do peso do Estado, pelo contr\u00e1rio. A reforma reorganiza tributos, mas\u00a0n\u00e3o enfrenta o problema central: o n\u00edvel excessivo de gastos p\u00fablicos. Ao contr\u00e1rio, o desenho do novo sistema cria condi\u00e7\u00f5es para\u00a0eleva\u00e7\u00e3o silenciosa da carga tribut\u00e1ria, sobretudo sobre consumo e servi\u00e7os, exatamente onde est\u00e3o as classes m\u00e9dia e trabalhadora. Empresas menores, prestadores de servi\u00e7os e profissionais liberais tendem a ser os mais afetados, enquanto setores com maior capacidade de lobby preservam benef\u00edcios.<\/p>\n<p>A promessa de neutralidade arrecadat\u00f3ria carece de credibilidade diante da realidade fiscal do pa\u00eds. Em 2026, o cidad\u00e3o sentir\u00e1 os efeitos de forma concreta dos pre\u00e7os ajustados ao novo modelo, dos repasses de custos ao consumidor final, do aumento da complexidade na fase de transi\u00e7\u00e3o e da maior depend\u00eancia de arrecada\u00e7\u00e3o para sustentar o gasto p\u00fablico crescente. Um dos dados mais reveladores de 2025 \u00e9 o n\u00famero de brasileiros\u00a0dependentes, direta ou indiretamente, de programas assistenciais. Longe de ser apenas uma pol\u00edtica de prote\u00e7\u00e3o social, o modelo atual consolidou um sistema de depend\u00eancia permanente, sem contrapartidas efetivas de qualifica\u00e7\u00e3o, produtividade ou emancipa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. O Estado ampliou sua presen\u00e7a como provedor, mas n\u00e3o como indutor de autonomia. O resultado \u00e9 um pa\u00eds com baixa mobilidade social, mercado de trabalho informal persistente, est\u00edmulos distorcidos \u00e0 produtividade e o uso pol\u00edtico da assist\u00eancia social.<\/p>\n<p>Em 2026, esse modelo torna-se ainda mais delicado, pois coincide com ano eleitoral, aumentando o risco de expans\u00e3o de gastos sem lastro fiscal e com objetivos claramente eleitorais. A CPMI do INSS, que poderia representar um divisor de \u00e1guas no combate a fraudes bilion\u00e1rias contra aposentados e pensionistas, caminha para um desfecho frustrante. Ap\u00f3s meses de trabalhos, o que se viu foi a\u00a0dilui\u00e7\u00e3o de responsabilidades, a posterga\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es e a tentativa clara de encerrar o tema sem enfrentar os verdadeiros benefici\u00e1rios do esquema. Fraudes sistem\u00e1ticas, descontos indevidos, coniv\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es financeiras e falhas graves de fiscaliza\u00e7\u00e3o vieram \u00e0 tona, mas\u00a0sem consequ\u00eancias proporcionais \u00e0 gravidade dos fatos. A tend\u00eancia para 2026 \u00e9 que o relat\u00f3rio final resulte em recomenda\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas, sem responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal efetiva ou reformas estruturais profundas.<\/p>\n<p>Para milh\u00f5es de brasileiros, a mensagem \u00e9 clara: o Estado falhou em proteger quem mais depende dele e n\u00e3o demonstrou disposi\u00e7\u00e3o real de corrigir o sistema. O colapso do Banco Master foi mais do que um esc\u00e2ndalo financeiro: foi um alerta sobre a fragilidade da supervis\u00e3o banc\u00e1ria e a politiza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de controle. Opera\u00e7\u00f5es temer\u00e1rias, emiss\u00e3o de t\u00edtulos sem lastro e falhas graves de fiscaliza\u00e7\u00e3o expuseram um sistema que reage tardiamente e protege-se corporativamente. A liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, os atrasos no ressarcimento de credores e o empurra-empurra entre Banco Central, Judici\u00e1rio e \u00f3rg\u00e3os de controle corroeram a confian\u00e7a no sistema financeiro e regulat\u00f3rio. Em 2026, os efeitos persistem do passado recente com a \u00a0judicializa\u00e7\u00e3o prolongada, a inseguran\u00e7a para investidores, os questionamentos sobre a independ\u00eancia real dos reguladores e o desgaste institucional profundo. O epis\u00f3dio refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o de que, no Brasil, a puni\u00e7\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o regra, especialmente quando interesses pol\u00edticos e financeiros se entrela\u00e7am.<\/p>\n<p>Politicamente, 2025 aprofundou a polariza\u00e7\u00e3o e enfraqueceu a confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es. O discurso de \u201cn\u00f3s contra eles\u201d n\u00e3o apenas permaneceu, como foi incorporado \u00e0 l\u00f3gica de governabilidade. O Congresso opera sob chantagem or\u00e7ament\u00e1ria, o Judici\u00e1rio assume protagonismo excessivo, e o Executivo governa por narrativas. A consequ\u00eancia \u00e9 um ambiente de\u00a0instabilidade cr\u00f4nica, no qual decis\u00f5es estrat\u00e9gicas s\u00e3o adiadas, reformas estruturais evitadas e o debate p\u00fablico empobrecido. Em 2026, ano eleitoral, esse cen\u00e1rio tende a se agravar. A disputa n\u00e3o ser\u00e1 por projetos de pa\u00eds, mas por controle de narrativas, m\u00e1quinas estatais e alian\u00e7as circunstanciais. O cidad\u00e3o, mais uma vez, assiste como espectador de um jogo que n\u00e3o resolve seus problemas concretos.<\/p>\n<p>O Brasil que entra em 2026 n\u00e3o colhe os frutos de um ciclo virtuoso, mas paga o pre\u00e7o de escolhas pol\u00edticas baseadas em curto prazo, expans\u00e3o do Estado e neglig\u00eancia fiscal. A reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o resolve o gasto excessivo. O assistencialismo n\u00e3o gera autonomia. As investiga\u00e7\u00f5es n\u00e3o produzem justi\u00e7a. E as institui\u00e7\u00f5es mostram sinais claros de desgaste. O desafio do cidad\u00e3o brasileiro em 2026 ser\u00e1\u00a0sobreviver economicamente, manter senso cr\u00edtico e exigir responsabilidade, num ambiente onde promessas abundam, mas resultados concretos escasseiam. Mais do que esperan\u00e7a, o momento exige lucidez. Mais do que discursos, exige fatos. E mais do que alinhamentos ideol\u00f3gicos, exige verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cAs leis s\u00e3o teias de aranha por onde passam as moscas grandes e as pequenas ficam presas.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Honor\u00e9 de Balzac<\/p>\n<figure id=\"attachment_13208\" aria-describedby=\"caption-attachment-13208\" style=\"width: 423px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-13208\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/honore_balzac1.jpg\" alt=\"\" width=\"423\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/honore_balzac1.jpg 486w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/honore_balzac1-300x213.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/honore_balzac1-350x248.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/honore_balzac1-230x163.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 423px) 100vw, 423px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13208\" class=\"wp-caption-text\">Honor\u00e9 de Balzac (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Minha vizinha ai do lado passou quase uma hora presa num elevador, na manh\u00e3 de ontem. Durante todo \u00easte tempo estiveram telefonando para o plant\u00e3o da Atlas, e ningu\u00e9m atendia. <strong>(Publicada em 13.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; O ano de 2025 encerra-se no Brasil n\u00e3o como um per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o, mas como um ponto de inflex\u00e3o. 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