{"id":26819,"date":"2026-01-03T01:00:09","date_gmt":"2026-01-03T04:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26819"},"modified":"2026-01-05T00:44:23","modified_gmt":"2026-01-05T03:44:23","slug":"quando-produzir-vira-um-mau-negocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/quando-produzir-vira-um-mau-negocio\/","title":{"rendered":"Quando produzir vira um mau neg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15710\" aria-describedby=\"caption-attachment-15710\" style=\"width: 586px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15710\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/Benef\u00edcios-do-Bolsa-Fam\u00edlia-7.jpg\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"428\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/Benef\u00edcios-do-Bolsa-Fam\u00edlia-7.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/Benef\u00edcios-do-Bolsa-Fam\u00edlia-7-300x219.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/Benef\u00edcios-do-Bolsa-Fam\u00edlia-7-768x561.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/Benef\u00edcios-do-Bolsa-Fam\u00edlia-7-350x256.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/Benef\u00edcios-do-Bolsa-Fam\u00edlia-7-550x402.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/Benef\u00edcios-do-Bolsa-Fam\u00edlia-7-230x168.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15710\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Sizar<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 um equ\u00edvoco recorrente e perigosamente sedutor que atravessa a hist\u00f3ria econ\u00f4mica de pa\u00edses governados por projetos populistas: a cren\u00e7a de que \u00e9 poss\u00edvel sustentar o Estado punindo quem produz e premiando, de forma permanente, quem n\u00e3o produz. No Brasil contempor\u00e2neo, esse erro n\u00e3o apenas se repete como se aprofunda, embalado por um discurso moralizante, que transforma empres\u00e1rios, empreendedores e geradores de emprego em vil\u00f5es sociais, enquanto eleva a depend\u00eancia do assistencialismo estatal \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de virtude pol\u00edtica. A l\u00f3gica \u00e9 simples, ainda que seus defensores insistam em neg\u00e1-la: riqueza n\u00e3o nasce de decreto, nem do discurso, tampouco da redistribui\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o foi produzido. Riqueza nasce do trabalho, do investimento, do risco, da inova\u00e7\u00e3o e da produtividade. Foge \u00e0 coer\u00eancia chamar um partido de trabalhador, quando quem n\u00e3o trabalha \u00e9 enaltecido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Quando o Estado passa a tratar esses vetores como fontes inesgot\u00e1veis de arrecada\u00e7\u00e3o a serem drenadas, o resultado \u00e9 previs\u00edvel e invariavelmente desastroso. No Brasil, tributa-se excessivamente quem trabalha, empreende e produz. A carga tribut\u00e1ria sobre empresas \u00e9 complexa, cumulativa, inst\u00e1vel e, em muitos setores, confiscat\u00f3ria. Al\u00e9m dos impostos diretos, h\u00e1 contribui\u00e7\u00f5es, taxas, obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias e um ambiente regulat\u00f3rio hostil que consome tempo, capital e energia produtiva. O empres\u00e1rio brasileiro n\u00e3o compete apenas com seus pares de mercado; compete, sobretudo, com o pr\u00f3prio Estado, que se comporta como s\u00f3cio voraz, mas ausente nos riscos e ineficiente nas contrapartidas. Ao mesmo tempo, assiste-se \u00e0 expans\u00e3o cont\u00ednua de programas assistenciais, benef\u00edcios e aux\u00edlios que, embora necess\u00e1rios, em contextos emergenciais ou de extrema vulnerabilidade, tornaram-se pol\u00edtica permanente, desprovida de portas de sa\u00edda, contrapartidas, crit\u00e9rios rigorosos e exig\u00eancias m\u00ednimas de reinser\u00e7\u00e3o produtiva. O resultado n\u00e3o poderia ser outro: a cria\u00e7\u00e3o de economias locais dependentes quase exclusivamente de transfer\u00eancias estatais, onde o trabalho formal desaparece, a m\u00e3o de obra escasseia e o empreendedorismo definha. N\u00e3o s\u00e3o poucos os munic\u00edpios brasileiros em que a maior parte da renda circulante prov\u00e9m de programas sociais. Nessas localidades, paradoxalmente, falta gente para trabalhar at\u00e9 mesmo em atividades b\u00e1sicas. O incentivo econ\u00f4mico \u00e9 claro: trabalhar significa perder benef\u00edcios; ter carteira assinada passa a ser um risco quando n\u00e3o trabalhar garante renda est\u00e1vel, ainda que baixa e sem exig\u00eancias ou responsabilidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Quando o Estado estrutura esse tipo de escolha racional, n\u00e3o se trata mais de assist\u00eancia social, mas de engenharia de desincentivo ao trabalho. Esse modelo gera uma distor\u00e7\u00e3o profunda no tecido social. O trabalhador produtivo passa a sustentar, por meio de impostos elevados, um sistema que o penaliza. O empres\u00e1rio v\u00ea seu esfor\u00e7o convertido em arrecada\u00e7\u00e3o crescente, sem retorno em infraestrutura, seguran\u00e7a jur\u00eddica ou servi\u00e7os p\u00fablicos de qualidade. O investidor, nacional ou estrangeiro, percebe rapidamente que o ambiente \u00e9 hostil ao capital produtivo e procura alternativas em economias mais previs\u00edveis e menos punitivas. Capital n\u00e3o tem ideologia; tem destino e ele foge de onde \u00e9 maltratado. A ret\u00f3rica oficial costuma justificar essa pol\u00edtica afirmando que empresas que produzem bens essenciais ou que obt\u00eam \u201clucros extraordin\u00e1rios\u201d devem pagar mais. Trata-se de uma vis\u00e3o simplista, quase infantil, da din\u00e2mica econ\u00f4mica. Empresas que produzem em larga escala, que s\u00e3o eficientes e lucrativas, n\u00e3o s\u00e3o, em absoluto, um problema s\u00e3o um ativo estrat\u00e9gico da economia. S\u00e3o elas que sustentam cadeias produtivas inteiras, geram empregos diretos e indiretos, pagam sal\u00e1rios, financiam inova\u00e7\u00e3o e ampliam a base arrecadat\u00f3ria no longo prazo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Punir essas empresas com tributa\u00e7\u00e3o excessiva equivale a serrar o galho sobre o qual o pr\u00f3prio Estado est\u00e1 sentado. Lucro n\u00e3o \u00e9 crime; \u00e9 sinal de efici\u00eancia. Quando o lucro \u00e9 demonizado, o investimento recua, a produ\u00e7\u00e3o diminui, os pre\u00e7os sobem e o desemprego cresce. O efeito final \u00e9 exatamente o oposto daquele prometido pelo discurso populista: menos arrecada\u00e7\u00e3o, mais pobreza e maior depend\u00eancia do assistencialismo. Governos irrespons\u00e1veis costumam ignorar esse ciclo porque ele n\u00e3o se manifesta de imediato. No curto prazo, elevar impostos e ampliar benef\u00edcios gera popularidade, sensa\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a social e al\u00edvio moment\u00e2neo para parcelas da popula\u00e7\u00e3o. No m\u00e9dio e longo prazo, por\u00e9m, o custo aparece de forma inexor\u00e1vel: estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, fuga de capitais, informalidade crescente, deteriora\u00e7\u00e3o fiscal e colapso dos servi\u00e7os p\u00fablicos. A hist\u00f3ria econ\u00f4mica mundial est\u00e1 repleta de exemplos. Pa\u00edses que trilharam esse caminho da Venezuela \u00e0 Argentina, passando por diversas experi\u00eancias africanas e latino-americanas terminaram com economias fragilizadas, moedas desvalorizadas, infla\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e sociedades dependentes de um Estado falido. O Brasil ainda tem tempo de corrigir a rota. Isso exige coragem pol\u00edtica para dizer o \u00f3bvio: n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a social sem crescimento econ\u00f4mico; n\u00e3o h\u00e1 crescimento sem investimento; n\u00e3o h\u00e1 investimento sem respeito a quem produz. Tributar de forma racional, simplificar o sistema, incentivar o trabalho e transformar o assistencialismo em ponte e n\u00e3o em destino s\u00e3o medidas urgentes, n\u00e3o ideol\u00f3gicas. Ignorar essa realidade pode render aplausos no presente, mas custar\u00e1 caro no futuro. E o futuro, ao contr\u00e1rio do discurso, n\u00e3o perdoa populismos nem irresponsabilidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cA \u00fanica coisa que voc\u00ea n\u00e3o pode reciclar \u00e9 o tempo perdido.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Taiichi Ohno<\/p>\n<figure id=\"attachment_26835\" aria-describedby=\"caption-attachment-26835\" style=\"width: 663px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26835\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/tai.png\" alt=\"\" width=\"663\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/tai.png 891w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/tai-300x149.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/tai-768x381.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/tai-800x397.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/tai-550x273.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/tai-230x114.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 663px) 100vw, 663px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26835\" class=\"wp-caption-text\">Taiichi Ohno. Foto: qad.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o \u00e9 Festa do Candango. \u00c9 Festa dos Estados, patrocinada pela Casa do Candango. Quem f\u00f4r ao Cear\u00e1, fa\u00e7a logo suas encomendas para que a nossa barraca possa ser a atra\u00e7\u00e3o que foi no ano passado. (Publicada em 13.05.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; H\u00e1 um equ\u00edvoco recorrente e perigosamente sedutor que atravessa a hist\u00f3ria econ\u00f4mica de pa\u00edses governados por projetos populistas: a cren\u00e7a de que \u00e9 poss\u00edvel sustentar o Estado punindo quem produz e premiando, de forma permanente, quem n\u00e3o produz. 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