{"id":26822,"date":"2026-01-04T01:00:53","date_gmt":"2026-01-04T04:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26822"},"modified":"2026-01-05T01:27:34","modified_gmt":"2026-01-05T04:27:34","slug":"venezuela-quando-o-colapso-de-um-regime-ameaca-ultrapassar-fronteiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/venezuela-quando-o-colapso-de-um-regime-ameaca-ultrapassar-fronteiras\/","title":{"rendered":"Venezuela: quando o colapso de um regime amea\u00e7a ultrapassar fronteiras"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26838\" aria-describedby=\"caption-attachment-26838\" style=\"width: 383px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26838\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/maduro.png\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"598\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/maduro.png 383w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/maduro-192x300.png 192w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/01\/maduro-230x359.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26838\" class=\"wp-caption-text\">Nicolas Maduro. Foto: @RapidResponse47<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 momentos na hist\u00f3ria em que fingir neutralidade deixa de ser prud\u00eancia e passa a ser irresponsabilidade. A crise venezuelana chegou a esse ponto. O regime de Nicol\u00e1s Maduro, sustentado pelo autoritarismo, repress\u00e3o e atividades il\u00edcitas, aproxima-se de um desfecho que, embora esperado, n\u00e3o ser\u00e1 simples nem indolor. E o que menos se discute no Brasil \u00e9 que a queda desse regime n\u00e3o encerrar\u00e1 o problema e pode, ao contr\u00e1rio, empurr\u00e1-lo para dentro de nossas fronteiras. A Venezuela n\u00e3o se tornou o que \u00e9 hoje por acaso. O chamado \u201csocialismo do s\u00e9culo 21\u201d n\u00e3o fracassou por erro de c\u00e1lculo, mas por coer\u00eancia com sua pr\u00f3pria l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Ao longo de anos, o Estado foi desmontado, pe\u00e7a por pe\u00e7a: institui\u00e7\u00f5es neutralizadas, imprensa calada, Judici\u00e1rio submetido, economia transformada em instrumento de submiss\u00e3o pol\u00edtica. O resultado est\u00e1 \u00e0 vista: hiperinfla\u00e7\u00e3o, mis\u00e9ria generalizada, servi\u00e7os p\u00fablicos colapsados e um dos maiores \u00eaxodos populacionais do nosso tempo. Para se manter de p\u00e9, o regime fez escolhas claras. Aliou-se a organiza\u00e7\u00f5es criminosas, incorporou o narcotr\u00e1fico \u00e0 engrenagem do poder e converteu parte das For\u00e7as Armadas em atores do submundo. N\u00e3o \u00e9 exagero falar em narcoestado. \u00c9 a constata\u00e7\u00e3o de um modelo em que a ilegalidade deixou de ser exce\u00e7\u00e3o e passou a ser m\u00e9todo de sobreviv\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de criminalizar o povo venezuelano, que \u00e9 v\u00edtima direta dessa trag\u00e9dia, mas de reconhecer que estruturas criminosas n\u00e3o migram por raz\u00f5es humanit\u00e1rias. Elas se deslocam para sobreviver. O pa\u00eds que j\u00e1 convive com fac\u00e7\u00f5es transnacionais, tr\u00e1fico de armas, dom\u00ednio territorial de grupos armados e \u00edndices alarmantes de viol\u00eancia, n\u00e3o pode se dar ao luxo da ingenuidade estrat\u00e9gica. A postura do governo brasileiro, at\u00e9 aqui, beira a nega\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 debate p\u00fablico consistente sobre refor\u00e7o de fronteiras, coopera\u00e7\u00e3o internacional real, triagem rigorosa de fluxos migrat\u00f3rios ou prepara\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a para um cen\u00e1rio de press\u00e3o externa do crime organizado. O discurso oficial oscila entre o sil\u00eancio e um humanitarismo abstrato que ignora riscos concretos. Acolher refugiados e proteger a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o objetivos incompat\u00edveis.<\/p>\n<p>Pa\u00edses s\u00e9rios fazem as duas coisas ao mesmo tempo. O que n\u00e3o fazem \u00e9 fingir que toda crise externa termina na linha imagin\u00e1ria da fronteira. Quando o Estado se recusa a enxergar o problema, ele apenas transfere o custo para a sociedade, especialmente para os mais pobres, sempre os primeiros a sentir os efeitos da viol\u00eancia. A queda de Maduro, quando ocorrer, marcar\u00e1 o in\u00edcio de um acerto de contas interno na Venezuela: julgamentos, expurgos, disputas e ajustes inevit\u00e1veis. Nesse contexto, a fuga de agentes comprometidos com crimes de Estado ser\u00e1 t\u00e3o previs\u00edvel quanto perigosa. Ignorar esse cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 neutralidade, \u00e9 omiss\u00e3o. O Brasil precisa recuperar a vis\u00e3o de Estado e abandonar a confort\u00e1vel ilus\u00e3o de que crises alheias n\u00e3o nos dizem respeito.<\/p>\n<p>A Venezuela foi arruinada por decis\u00f5es pol\u00edticas conscientes e erradas. Permitir que os destro\u00e7os desse projeto autorit\u00e1rio contaminem ainda mais a j\u00e1 fr\u00e1gil seguran\u00e7a brasileira seria um erro hist\u00f3rico, cometido n\u00e3o por a\u00e7\u00e3o, mas por covardia pol\u00edtica diante da realidade. Em uma recente entrevista transmitida na virada do ano, Maduro declarou estar disposto a dialogar \u201cseriamente\u201d com os EUA sobre temas como narcotr\u00e1fico, petr\u00f3leo e, at\u00e9, imigra\u00e7\u00e3o. Algo in\u00e9dito no tom, embora tenha rejeitado acusa\u00e7\u00f5es de que a Venezuela seja um narcoestado e culpado o governo colombiano pela maioria das remessas de drogas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa postura de nuance ocorre em meio a relatos de aumentos nos pre\u00e7os e dificuldades econ\u00f4micas da popula\u00e7\u00e3o, que vive \u201cdia a dia\u201d, com a intensifica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es e a deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, um quadro que alimenta tanto a insatisfa\u00e7\u00e3o popular quanto a narrativa de proximidade de uma ruptura pol\u00edtica mais profunda. Fontes jornal\u00edsticas e de intelig\u00eancia indicam que o governo Trump est\u00e1 elaborando planos para diferentes cen\u00e1rios de transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Venezuela, inclusive, op\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m de simples press\u00e3o diplom\u00e1tica ou econ\u00f4mica. Embora uma invas\u00e3o convencional seja oficialmente negada, h\u00e1 um aumento claro na presen\u00e7a militar estadunidense na regi\u00e3o e um discurso mais assertivo sobre a necessidade de mudan\u00e7a de regime em Caracas.<\/p>\n<p>Analistas tamb\u00e9m t\u00eam destacado que a oposi\u00e7\u00e3o venezuelana e grupos de exilados apoiam medidas cada vez mais duras contra o governo Maduro, inclusive pressionando por a\u00e7\u00f5es que possam acelerar sua sa\u00edda do poder numa situa\u00e7\u00e3o que aprofunda tens\u00f5es e polariza, ainda mais, a sociedade venezuelana. Governos aliados tradicionais, que antes lhe davam suporte pol\u00edtico e log\u00edstico, agora veem sua capacidade de manter o status quo seriamente abalado. A press\u00e3o internacional \u00e9 mais intensa, e o desgaste pol\u00edtico dom\u00e9stico \u00e9 palp\u00e1vel. O resultado disso ainda n\u00e3o \u00e9 certo, um processo de transi\u00e7\u00e3o negociado, uma crise aberta com mudan\u00e7a abrupta de poder ou at\u00e9 mecanismos complexos que deixem o regime enfraquecido, mas ainda funcional, s\u00e3o todos poss\u00edveis. Mas a realidade factual \u00e9 que o cen\u00e1rio de estabilidade do regime venezuelano est\u00e1 se esvaindo rapidamente, e a comunidade internacional est\u00e1 cada vez mais envolvida na defini\u00e7\u00e3o do que vir\u00e1 a seguir. Sobretudo, o que vir\u00e1 sobre o Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que n\u00e3o foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cPor tudo que n\u00f3s conversamos, a sua narrativa \u00e9 infinitamente melhor do que a narrativa que eles t\u00eam contado contra voc\u00ea\u201d.<\/em><br \/>\nLula a Maduro<\/p>\n<figure id=\"attachment_24646\" aria-describedby=\"caption-attachment-24646\" style=\"width: 580px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-24646\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/lula-1.png\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"378\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/lula-1.png 958w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/lula-1-300x195.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/lula-1-768x500.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/lula-1-800x521.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/lula-1-550x358.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/07\/lula-1-230x150.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-24646\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; H\u00e1 momentos na hist\u00f3ria em que fingir neutralidade deixa de ser prud\u00eancia e passa a ser irresponsabilidade. 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