{"id":26840,"date":"2026-02-05T01:00:59","date_gmt":"2026-02-05T04:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26840"},"modified":"2026-02-05T21:39:00","modified_gmt":"2026-02-06T00:39:00","slug":"o-ano-do-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-ano-do-limite\/","title":{"rendered":"O ano do limite"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26846\" aria-describedby=\"caption-attachment-26846\" style=\"width: 666px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26846\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/banco-master.png\" alt=\"\" width=\"666\" height=\"437\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/banco-master.png 882w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/banco-master-300x197.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/banco-master-768x504.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/banco-master-800x525.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/banco-master-550x361.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/banco-master-230x151.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 666px) 100vw, 666px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26846\" class=\"wp-caption-text\">A sede do Banco Master em S\u00e3o Paulo \u2014 Foto: Maria Isabel Oliveira\/Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Longe de qualquer expectativa de calmaria institucional, econ\u00f4mica ou pol\u00edtica, o Brasil inicia 2026 sem mudan\u00e7as. Ao contr\u00e1rio, o ano se abre como uma continua\u00e7\u00e3o ampliada das turbul\u00eancias que marcaram o per\u00edodo anterior, sinalizando n\u00e3o apenas a persist\u00eancia de crises mal-resolvidas, mas a possibilidade concreta de que o pa\u00eds atinja o ponto m\u00e1ximo de tens\u00e3o desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o. O risco maior n\u00e3o reside apenas nos fatos em si, mas na recusa sistem\u00e1tica das autoridades em reconhecer erros, rever decis\u00f5es e restabelecer compromissos republicanos b\u00e1sicos. Em 2025, os acontecimentos projetam suas sombras longas sobre o presente. As investiga\u00e7\u00f5es envolvendo o Banco Master, bem como os desvios de recursos de aposentados e pensionistas do INSS, apurados por uma Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito (CPMI), seguem produzindo desdobramentos pol\u00edticos, jur\u00eddicos e sociais.<\/p>\n<p>Independentemente dos resultados finais dessas apura\u00e7\u00f5es, o simples fato de atingirem setores sens\u00edveis o sistema financeiro e a previd\u00eancia social agrava a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a institucional e fragiliza a confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o no Estado. O dano, nesse caso, vai al\u00e9m dos valores eventualmente desviados. Trata-se de uma fratura simb\u00f3lica profunda: quando aposentados, que j\u00e1 contribu\u00edram por d\u00e9cadas, veem seus recursos amea\u00e7ados, sem ter quem os protejam, o pacto social se rompe. A CPMI, por sua vez, embora necess\u00e1ria, opera em ambiente altamente politizado, o que limita sua capacidade de produzir consensos e amplia a percep\u00e7\u00e3o de que as institui\u00e7\u00f5es investigam mais para disputar narrativas do que para corrigir estruturas. No campo econ\u00f4mico, o discurso oficial insiste em indicadores positivos, divulgados por \u00f3rg\u00e3os de estat\u00edstica que, aos olhos de parte expressiva da sociedade, perderam credibilidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, o IBGE, historicamente reconhecido por sua excel\u00eancia t\u00e9cnica, passou a ser alvo de cr\u00edticas quanto \u00e0 sua autonomia e independ\u00eancia. Ainda que os dados divulgados possam ser metodologicamente defens\u00e1veis, a simples suspeita de aparelhamento pol\u00edtico \u00e9 suficiente para esvaziar sua for\u00e7a como refer\u00eancia confi\u00e1vel. O resultado \u00e9 um paradoxo perigoso: n\u00fameros que apontam crescimento convivem com a percep\u00e7\u00e3o cotidiana de empobrecimento, endividamento das fam\u00edlias e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. Essa disson\u00e2ncia alimenta o ceticismo social e fortalece discursos de ruptura. Quando estat\u00edsticas deixam de convencer e a realidade sentida se imp\u00f5e, o espa\u00e7o para solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas se reduz drasticamente. O ano eleitoral apenas intensifica essas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Promessas multiplicam-se em velocidade inversamente proporcional \u00e0 capacidade fiscal do Estado. Planos grandiosos s\u00e3o anunciados sem lastro or\u00e7ament\u00e1rio, enquanto reformas estruturais continuam sendo adiadas por seu custo pol\u00edtico. A l\u00f3gica eleitoral privilegia o curto prazo, o gesto simb\u00f3lico, o benef\u00edcio imediato, ainda que isso comprometa a estabilidade futura. Nesse ambiente, o debate p\u00fablico se empobrece. Em vez de diagn\u00f3sticos honestos, prevalecem slogans. Em vez de autocr\u00edtica, discursos autocelebrat\u00f3rios. O resultado \u00e9 um pa\u00eds que parece girar em torno de si mesmo, incapaz de enfrentar seus dilemas centrais com maturidade institucional.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que o Supremo Tribunal Federal (STF) assume papel central e controverso. Chamado a ser o guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o e o \u00e1rbitro final dos conflitos entre os Poderes, o STF passou, aos olhos de muitos, de inst\u00e2ncia moderadora a ator pol\u00edtico protagonista. Decis\u00f5es monocr\u00e1ticas de amplo impacto, interpreta\u00e7\u00f5es constitucionais expansivas e interven\u00e7\u00f5es frequentes no processo pol\u00edtico alimentam a percep\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio entre os Poderes da Rep\u00fablica. N\u00e3o se trata de negar a import\u00e2ncia do Judici\u00e1rio nem de minimizar amea\u00e7as reais \u00e0 ordem democr\u00e1tica. O problema reside na aus\u00eancia de autoconten\u00e7\u00e3o. Quando o Supremo ocupa espa\u00e7os deixados pelo Legislativo e pelo Executivo, ainda que por omiss\u00e3o destes, contribui para uma hipertrofia institucional que cobra seu pre\u00e7o: a eros\u00e3o da legitimidade. Um tribunal forte n\u00e3o \u00e9 aquele que tudo decide, mas aquele cujas decis\u00f5es s\u00e3o aceitas, mesmo quando controversas.<\/p>\n<p>A crise atual, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f4mica, pol\u00edtica ou jur\u00eddica. Ela \u00e9, sobretudo, uma crise de confian\u00e7a. Confian\u00e7a nas estat\u00edsticas, nas investiga\u00e7\u00f5es, nos representantes eleitos, nos tribunais. Sem confian\u00e7a, qualquer projeto de pa\u00eds se torna invi\u00e1vel. O risco de 2026 ser o pico dessa crise \u00e9 real. A combina\u00e7\u00e3o de esc\u00e2ndalos prolongados, disputas eleitorais acirradas, economia fr\u00e1gil e institui\u00e7\u00f5es tensionadas cria um cen\u00e1rio prop\u00edcio ao agravamento dos conflitos. A hist\u00f3ria brasileira mostra que momentos assim raramente se resolvem sozinhos, exigem lideran\u00e7a, humildade e compromisso com o interesse p\u00fablico. Reconhecer erros n\u00e3o \u00e9 sinal de fraqueza; \u00e9 pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para a reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Recuar de a\u00e7\u00f5es pouco republicanas n\u00e3o significa capitular, mas reafirmar limites institucionais. Sem esse movimento, o pa\u00eds corre o risco de aprofundar a l\u00f3gica do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d, na qual todos perdem. Ainda h\u00e1 tempo para evitar o pior. Mas o rel\u00f3gio institucional corre r\u00e1pido. Se 2026 ser\u00e1 lembrado como o ano do colapso ou como o momento de inflex\u00e3o, depender\u00e1 menos das narrativas oficiais e mais da disposi\u00e7\u00e3o real das autoridades em ouvir, corrigir e respeitar os fundamentos da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;Os sete pecados sociais s\u00e3o:\u00a0<\/em><em>riqueza sem trabalho, prazer sem\u00a0<\/em><em>consci\u00eancia, conhecimento sem\u00a0<\/em><em>car\u00e1ter, com\u00e9rcio sem moralidade,\u00a0<\/em><em>ci\u00eancia sem humanidade,\u00a0<\/em><em>adora\u00e7\u00e3o sem sacrif\u00edcio e pol\u00edtica\u00a0<\/em><em>sem princ\u00edpios.&#8221;<\/em><br \/>\nFrederick Lewis Donaldson<\/p>\n<figure id=\"attachment_26844\" aria-describedby=\"caption-attachment-26844\" style=\"width: 408px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-26844\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/friedrick.png\" alt=\"\" width=\"408\" height=\"597\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/friedrick.png 408w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/friedrick-205x300.png 205w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/friedrick-230x337.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26844\" class=\"wp-caption-text\">Frederick Lewis Donaldson | Galeria Nacional de Retratos, Londres<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Mas os meios utilizados para isto n\u00e3o s\u00e3o os mais recomend\u00e1veis, ainda mais quando se observa que o principal objetivo para conseguir a sua meta est\u00e1 sendo a desuni\u00e3o da classe. Isso o incompatibiliza com qualquer fun\u00e7\u00e3o de chefia.\u00a0<strong>(Publicada em 12\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Longe de qualquer expectativa de calmaria institucional, econ\u00f4mica ou pol\u00edtica, o Brasil inicia 2026 sem mudan\u00e7as. 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