{"id":26848,"date":"2026-02-06T01:00:37","date_gmt":"2026-02-06T04:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26848"},"modified":"2026-02-06T22:58:37","modified_gmt":"2026-02-07T01:58:37","slug":"poder-e-colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/poder-e-colapso\/","title":{"rendered":"Poder e Colapso"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26853\" aria-describedby=\"caption-attachment-26853\" style=\"width: 597px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26853\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/corru.png\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/corru.png 726w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/corru-300x232.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/corru-550x425.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/corru-230x178.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26853\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Ad\u00e3o (Um Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, observa-se a repeti\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno t\u00e3o antigo quanto persistente: a vulnerabilidade do poder diante da sedu\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma din\u00e2mica que atravessa \u00e9pocas, culturas e sistemas pol\u00edticos, manifestando-se sempre que indiv\u00edduos investidos de grande autoridade passam a acreditar que se encontram acima das regras comuns da conviv\u00eancia social. Desde os relatos simb\u00f3licos mais antigos at\u00e9 os registros hist\u00f3ricos mais documentados, o desejo aparece como um ponto sens\u00edvel da condi\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o como falha moral isolada, mas como parte de uma engrenagem maior, na qual o prazer, o segredo e a transgress\u00e3o se combinam para produzir situa\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia e constrangimento. A sedu\u00e7\u00e3o, nesse contexto, n\u00e3o deve ser compreendida como atributo de um g\u00eanero ou de um indiv\u00edduo espec\u00edfico, mas como for\u00e7a relacional. Ela atua onde h\u00e1 vaidade, sensa\u00e7\u00e3o de impunidade e aus\u00eancia de limites claros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Quando associada ao poder, torna-se instrumento eficaz para criar v\u00ednculos assim\u00e9tricos e, em alguns casos, verdadeiras armadilhas sociais. Diversos per\u00edodos hist\u00f3ricos registram epis\u00f3dios em que figuras centrais da vida p\u00fablica foram envolvidas em situa\u00e7\u00f5es privadas que, mais tarde, mostraram-se decisivas para sua queda. Cortes imperiais, pal\u00e1cios, gabinetes e centros de decis\u00e3o sempre conviveram com espa\u00e7os paralelos, marcados pela informalidade, pelo excesso e pela promessa de discri\u00e7\u00e3o absoluta. Esses ambientes, muitas vezes festivos e luxuosos, criam uma atmosfera na qual o senso de responsabilidade tende a se dissolver. A partir da\u00ed, pequenos desvios se acumulam at\u00e9 se tornarem comprometedores. O que come\u00e7a como entretenimento termina como constrangimento. A hist\u00f3ria demonstra que, nesses casos, o verdadeiro poder n\u00e3o est\u00e1 no ato em si, mas na possibilidade de revela\u00e7\u00e3o. O segredo passa a funcionar como moeda. Quem o det\u00e9m det\u00e9m influ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Em sociedades complexas, o sil\u00eancio tem valor. A preserva\u00e7\u00e3o da imagem p\u00fablica, especialmente entre elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas, \u00e9 frequentemente tratada como patrim\u00f4nio. Por isso, situa\u00e7\u00f5es embara\u00e7osas ganham relev\u00e2ncia n\u00e3o apenas pelo seu conte\u00fado, mas pelo risco que representam \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o e \u00e0 estabilidade de estruturas inteiras. Com o passar do tempo, surgiram relatos de arquivos, registros e mem\u00f3rias que circulariam nos bastidores do poder, contendo informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis sobre comportamentos privados de figuras p\u00fablicas. Independentemente da veracidade de cada caso, o simples fato de tais narrativas se repetirem indica a exist\u00eancia de um imagin\u00e1rio coletivo que associa poder, segredo e vulnerabilidade. Quando esses conte\u00fados v\u00eam \u00e0 tona, geralmente por meio de investiga\u00e7\u00f5es, disputas internas ou mudan\u00e7as no equil\u00edbrio de for\u00e7as, instala-se o que se poderia chamar de \u201cressaca moral\u201d. A sociedade, ent\u00e3o, confronta pr\u00e1ticas que, por muito tempo, permaneceram invis\u00edveis ou toleradas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No mundo atual, apesar do avan\u00e7o das institui\u00e7\u00f5es, da tecnologia e dos mecanismos de controle, o padr\u00e3o persiste. Festas privadas, encontros exclusivos e redes informais continuam funcionando como espa\u00e7os onde o poder se exerce de maneira menos vis\u00edvel. A diferen\u00e7a est\u00e1 na materialidade do registro. Em tempos de comunica\u00e7\u00e3o digital, quase tudo deixa rastros. Mensagens, imagens e arquivos transformam-se em elementos centrais de disputas simb\u00f3licas e pol\u00edticas. O que antes dependia da mem\u00f3ria oral agora pode ser armazenado e recuperado com facilidade. Essa nova realidade amplia tanto o risco quanto a sensa\u00e7\u00e3o de controle. Paradoxalmente, quanto mais registros existem, maior parece ser a ilus\u00e3o de que eles jamais ser\u00e3o revelados. A repeti\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno ao longo da hist\u00f3ria aponta para uma caracter\u00edstica essencial da condi\u00e7\u00e3o humana: a fragilidade diante do desejo. O poder, longe de eliminar essa fragilidade, muitas vezes a intensifica. A sensa\u00e7\u00e3o de excepcionalidade de que certas regras n\u00e3o se aplicam funciona como catalisador de comportamentos que, mais tarde, mostram-se insustent\u00e1veis. N\u00e3o se trata de moralismo, mas de observa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Sistemas de poder que ignoram limites \u00e9ticos tendem a produzir seus pr\u00f3prios mecanismos de colapso. Sedu\u00e7\u00e3o, nesse sentido, atua menos como causa e mais como reveladora de estruturas j\u00e1 desequilibradas. Exemplos anteriores ensinam que nenhuma sociedade est\u00e1 imune a esse tipo de din\u00e2mica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mudam os cen\u00e1rios, os costumes e as tecnologias, mas a l\u00f3gica permanece surpreendentemente est\u00e1vel. Onde h\u00e1 poder concentrado, segredo valorizado e aus\u00eancia de freios institucionais, h\u00e1 terreno f\u00e9rtil para a repeti\u00e7\u00e3o do mesmo enredo. Talvez a verdadeira li\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja em condenar indiv\u00edduos ou comportamentos isolados, mas em reconhecer a necessidade constante de limites, transpar\u00eancia e responsabilidade. Afinal, o poder que se acredita invulner\u00e1vel costuma ser, justamente, aquele mais exposto \u00e0s armadilhas que ele pr\u00f3prio ignora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cTudo \u00e9 vaidade, nada \u00e9 justo.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">William Makepeace Thackeray<\/p>\n<figure id=\"attachment_26852\" aria-describedby=\"caption-attachment-26852\" style=\"width: 599px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26852\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/william.png\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/william.png 896w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/william-300x200.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/william-768x513.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/william-800x534.png 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/william-550x367.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/william-230x154.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26852\" class=\"wp-caption-text\">Gravura em a\u00e7o a partir de uma pintura de Alonzo Chappel, baseada em um desenho de Samuel Laurence (Foto de Hulton Archive\/Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Logo abaixo desta coluna os senhores encontrar\u00e3o uma carta do dr. Amador Campos, explicando not\u00edcias publicadas nesta se\u00e7\u00e3o. A carta \u00e9 publicada na integra, assegurando-se, portanto, a sagrado direito de defesa. <strong>(Publicada em 15.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Ao longo da hist\u00f3ria da humanidade, observa-se a repeti\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno t\u00e3o antigo quanto persistente: a vulnerabilidade do poder diante da sedu\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma din\u00e2mica que atravessa \u00e9pocas, culturas e sistemas pol\u00edticos, manifestando-se sempre que indiv\u00edduos investidos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":26853,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,287,1490,114,2340,261,119,3],"class_list":["post-26848","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-corrupcao","tag-governolula","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2","tag-politicanobrasil","tag-pt","tag-poder"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26848"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26856,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26848\/revisions\/26856"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}