{"id":26857,"date":"2026-02-08T01:00:03","date_gmt":"2026-02-08T04:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26857"},"modified":"2026-02-08T00:38:21","modified_gmt":"2026-02-08T03:38:21","slug":"nossas-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/nossas-criancas\/","title":{"rendered":"Nossas crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26863\" aria-describedby=\"caption-attachment-26863\" style=\"width: 643px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26863\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cri.png\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"553\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cri.png 659w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cri-300x258.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cri-550x473.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cri-230x198.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 643px) 100vw, 643px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26863\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz de divulga\u00e7\u00e3o do SOS Crian\u00e7as Desaparecidas, da FIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 trag\u00e9dias que n\u00e3o se anunciam com explos\u00f5es, sirenes ou nuvens de fuma\u00e7a. Elas acontecem em sil\u00eancio, \u00e0 margem das manchetes, enquanto a rotina segue como se nada estivesse errado. O desaparecimento de crian\u00e7as e adolescentes \u00e9 uma dessas trag\u00e9dias. Um flagelo cont\u00ednuo, persistente e cruel que o mundo e o Brasil, em particular, insistem em assistir com inquietante passividade. N\u00e3o se trata de casos isolados, de epis\u00f3dios fortuitos ou de estat\u00edsticas frias. Trata-se de um fen\u00f4meno estrutural, crescente e devastador.<\/p>\n<p>No Brasil, segundo dados oficiais, cerca de 66 crian\u00e7as e adolescentes desaparecem todos os dias. Em 2025, aproximadamente 24 mil menores simplesmente sumiram. Evaporaram da conviv\u00eancia familiar, da escola, da vizinhan\u00e7a. No mundo, as estimativas s\u00e3o ainda mais alarmantes: entre 1,5 milh\u00e3o e 8 milh\u00f5es de crian\u00e7as desaparecem anualmente, v\u00edtimas de redes criminosas que operam sem fronteiras, sem escr\u00fapulos e, muitas vezes, sem resist\u00eancia efetiva do Estado. O mais perturbador \u00e9 que esses n\u00fameros n\u00e3o diminuem, pelo contr\u00e1rio, crescem ano ap\u00f3s ano, revelando a incapacidade ou a falta de prioridade das autoridades em enfrentar o problema com a seriedade que ele exige.<\/p>\n<p>No territ\u00f3rio nacional, estados como Rio Grande do Sul, Roraima e Amap\u00e1 figuram entre os l\u00edderes em registros de desaparecimentos. Regi\u00f5es com caracter\u00edsticas distintas, mas unidas por um mesmo denominador: vulnerabilidades institucionais, falhas de fiscaliza\u00e7\u00e3o e fronteiras porosas, f\u00edsicas ou sociais. Para os \u00f3rg\u00e3os oficiais, a principal motiva\u00e7\u00e3o desses desaparecimentos est\u00e1 ligada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual e ao tr\u00e1fico humano, crimes que figuram entre os mais lucrativos do planeta, atr\u00e1s apenas do tr\u00e1fico de drogas e de armas. Ainda assim, a resposta estatal permanece t\u00edmida, fragmentada e, muitas vezes, tardia.<\/p>\n<p>No Brasil, as investiga\u00e7\u00f5es policiais relacionadas a desaparecimentos de menores s\u00e3o, em regra, insuficientes e prec\u00e1rias. Falta integra\u00e7\u00e3o entre as for\u00e7as de seguran\u00e7a, bancos de dados unificados e atualizados e recursos humanos e tecnol\u00f3gicos, mas sobra burocracia. Em muitos casos, as primeiras horas que s\u00e3o cruciais para a localiza\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a acabam sendo desperdi\u00e7adas em protocolos ultrapassados, exig\u00eancias formais e uma l\u00f3gica perversa que trata o desaparecimento como \u201cfuga\u201d ou \u201cconflito familiar\u201d, minimizando o risco real. Essa postura n\u00e3o \u00e9 apenas equivocada. \u00c9 perigosa.<\/p>\n<p>Em qualquer pa\u00eds que se pretenda, minimamente, comprometido com seu futuro,\u00a0 desaparecimento de uma \u00fanica crian\u00e7a deveria ser tratado como emerg\u00eancia nacional. N\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel que o sumi\u00e7o de um menor seja relativizado, dilu\u00eddo em estat\u00edsticas ou tratado como mais um n\u00famero em relat\u00f3rios anuais. Cada crian\u00e7a desaparecida representa uma vida interrompida, uma fam\u00edlia destru\u00edda e uma ferida aberta na sociedade. \u00c9 preciso dizer com todas as letras: o desaparecimento sistem\u00e1tico de crian\u00e7as e adolescentes \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional. Seguran\u00e7a nacional n\u00e3o se limita \u00e0 defesa de fronteiras, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de infraestruturas cr\u00edticas ou ao enfrentamento de amea\u00e7as externas. Ela inclui, de forma inequ\u00edvoca, a prote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel e a preserva\u00e7\u00e3o do capital humano do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um Estado que n\u00e3o consegue proteger suas crian\u00e7as falha em sua miss\u00e3o mais b\u00e1sica. Em condi\u00e7\u00f5es normais, fatos dessa magnitude deveriam provocar rea\u00e7\u00f5es imediatas e coordenadas. O desaparecimento de uma crian\u00e7a deveria ser suficiente para mobilizar for\u00e7as federais, estaduais e municipais, acionar alertas nacionais, interromper fluxos suspeitos, refor\u00e7ar fronteiras e desencadear buscas incessantes, de norte a sul. Deveria haver protocolos autom\u00e1ticos, respostas padronizadas e uma cultura institucional que partisse do princ\u00edpio de que cada minuto conta. Mas o que se v\u00ea \u00e9 o oposto: fam\u00edlias peregrinando por delegacias, dados desencontrados, investiga\u00e7\u00f5es que esfriam com o tempo e um sil\u00eancio que se instala \u00e0 medida que a como\u00e7\u00e3o inicial desaparece. O pa\u00eds segue funcionando, o notici\u00e1rio muda de assunto e a crian\u00e7a continua desaparecida. Essa normaliza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie \u00e9 inaceit\u00e1vel. A explora\u00e7\u00e3o sexual infantil e o tr\u00e1fico humano n\u00e3o prosperam no vazio. Eles se alimentam da pobreza, da desigualdade, da omiss\u00e3o do poder p\u00fablico e da indiferen\u00e7a coletiva. S\u00e3o crimes que exigem log\u00edstica, rotas, compradores e prote\u00e7\u00e3o. Nada disso acontece sem falhas graves de fiscaliza\u00e7\u00e3o e sem a complac\u00eancia ativa ou passiva de estruturas institucionais.<\/p>\n<p>Tratar esse problema apenas como uma quest\u00e3o policial \u00e9 reduzir sua complexidade e, ao mesmo tempo, aliviar a responsabilidade do Estado como um todo. Estamos diante de um desafio que exige pol\u00edticas p\u00fablicas integradas, investimento cont\u00ednuo, coopera\u00e7\u00e3o internacional e, sobretudo, vontade pol\u00edtica. \u00c9 preciso ir al\u00e9m de campanhas pontuais e discursos protocolares. O desaparecimento de crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o pode continuar sendo uma estat\u00edstica toler\u00e1vel. Ele precisa ser reconhecido, enfrentado e combatido como aquilo que de fato \u00e9: uma emerg\u00eancia nacional, um atentado contra o futuro e uma prova decisiva do compromisso do Estado com sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia moral. Silenciar diante disso \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, tornar-se c\u00famplice.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cCada n\u00famero representa uma fam\u00edlia destru\u00edda e uma crian\u00e7a em risco. O Estado precisa agir com rapidez e responsabilidade\u201d.<\/em><br \/>\nSenadora Damares<\/p>\n<figure id=\"attachment_13101\" aria-describedby=\"caption-attachment-13101\" style=\"width: 596px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-13101\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/damares-alves-agenciabrasil.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/damares-alves-agenciabrasil.jpg 1024w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/damares-alves-agenciabrasil-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/damares-alves-agenciabrasil-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/damares-alves-agenciabrasil-350x197.jpg 350w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/damares-alves-agenciabrasil-550x309.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/01\/damares-alves-agenciabrasil-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-13101\" class=\"wp-caption-text\">Foto: istoe.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nMas h\u00e1 uma coisa que intriga na carta. Por que o dr. Amador procurou o dr. Paulo Nogueira para n\u00e3o aceitar a dire\u00e7\u00e3o do Hospital, se n\u00e3o diz, tamb\u00e9m, se foi convidado? <strong>(Publicada em 15\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; H\u00e1 trag\u00e9dias que n\u00e3o se anunciam com explos\u00f5es, sirenes ou nuvens de fuma\u00e7a. Elas acontecem em sil\u00eancio, \u00e0 margem das manchetes, enquanto a rotina segue como se nada estivesse errado. O desaparecimento de crian\u00e7as e adolescentes \u00e9 uma dessas trag\u00e9dias. 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