{"id":26860,"date":"2026-02-08T01:00:00","date_gmt":"2026-02-08T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26860"},"modified":"2026-02-08T01:17:45","modified_gmt":"2026-02-08T04:17:45","slug":"etica-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/etica-de-todos\/","title":{"rendered":"\u00c9tica de todos"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26868\" aria-describedby=\"caption-attachment-26868\" style=\"width: 730px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26868\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9tica.png\" alt=\"\" width=\"730\" height=\"485\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9tica.png 796w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9tica-300x199.png 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9tica-768x510.png 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9tica-550x366.png 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9tica-230x153.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 730px) 100vw, 730px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26868\" class=\"wp-caption-text\">Charge publicada no jc.uol.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dicion\u00e1rios costumam definir a \u00e9tica como um ramo da\u00a0 filosofia que estuda e analisa os fundamentos da moral, bem como os princ\u00edpios que orientam e d\u00e3o sentido ao comportamento humano. Trata-se de uma defini\u00e7\u00e3o correta, por\u00e9m insuficiente para dar conta da dimens\u00e3o pr\u00e1tica e civilizat\u00f3ria que a \u00e9tica representa. Afinal, sem princ\u00edpios \u00e9ticos minimamente compartilhados n\u00e3o pode haver civiliza\u00e7\u00e3o digna desse nome, tampouco paz social, harmonia coletiva ou rela\u00e7\u00f5es humanas baseadas no respeito m\u00fatuo. A \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 um ornamento te\u00f3rico. Ela \u00e9 o alicerce invis\u00edvel que sustenta a vida em sociedade.<\/p>\n<p>Sob essa perspectiva, toda conduta humana considerada justa e correta precisa, necessariamente, estar ancorada em princ\u00edpios \u00e9ticos. A \u00e9tica n\u00e3o se submete a modismos, conveni\u00eancias pol\u00edticas ou circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas passageiras. Ao contr\u00e1rio, ela tem car\u00e1ter universal, pois diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es humanas sadias em qualquer tempo e lugar. Onde a \u00e9tica se enfraquece, a dignidade humana passa a ser relativizada e o indiv\u00edduo deixa de ser reconhecido como sujeito de direitos para tornar-se objeto, instrumento ou meio, uma verdadeira coisifica\u00e7\u00e3o do ser humano. \u00c9 justamente por isso que a \u00e9tica se torna ainda mais imprescind\u00edvel no campo da pol\u00edtica e da gest\u00e3o da coisa p\u00fablica. Se todo cidad\u00e3o deve pautar sua conduta por princ\u00edpios \u00e9ticos, espera-se que homens e mulheres investidos de fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, especialmente aqueles que exercem poder decis\u00f3rio, estejam submetidos a um grau ainda mais elevado de responsabilidade moral. O poder p\u00fablico, por sua pr\u00f3pria natureza, exige n\u00e3o apenas legalidade, mas legitimidade \u00e9tica.<\/p>\n<p>Nesse contexto, causa profunda inquieta\u00e7\u00e3o o fato de que a mais alta Corte do pa\u00eds tenha passado a discutir, recentemente, princ\u00edpios m\u00ednimos de \u00e9tica interna. Quando uma institui\u00e7\u00e3o dessa magnitude se v\u00ea obrigada a debater regras b\u00e1sicas de conduta entre os pr\u00f3prios membros, o sinal que emite \u00e0 sociedade \u00e9 inequ\u00edvoco: algo deixou de ser observado ao longo do caminho. N\u00e3o se trata de um avan\u00e7o espont\u00e2neo da consci\u00eancia institucional, mas de uma rea\u00e7\u00e3o tardia a um processo de desgaste p\u00fablico e perda de credibilidade. \u00c9 poss\u00edvel que o clamor popular, amplificado pelas redes sociais, pela imprensa e pelo crescente sentimento de indigna\u00e7\u00e3o coletiva, tenha servido como catalisador dessa nova postura. A sociedade brasileira, cansada de esc\u00e2ndalos, contradi\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es que parecem desconectadas do senso comum de justi\u00e7a, passou a exigir maior coer\u00eancia \u00e9tica das institui\u00e7\u00f5es que deveriam zelar pela Constitui\u00e7\u00e3o e pelo Estado de Direito. No entanto, reconhecer essa press\u00e3o n\u00e3o significa ignorar o car\u00e1ter superficial das medidas que v\u00eam sendo propostas ou debatidas. O que se tem visto, at\u00e9 agora, tanto nas discuss\u00f5es quanto nos gestos subsequentes, aponta mais para um simulacro de \u00e9tica do que para a \u00e9tica em seu sentido pleno. Um placebo institucional, destinado a acalmar os \u00e2nimos e oferecer uma apar\u00eancia de corre\u00e7\u00e3o, sem enfrentar as causas profundas do problema. \u00c9tica n\u00e3o se resolve com discursos protocolares, c\u00f3digos gen\u00e9ricos ou declara\u00e7\u00f5es de boas inten\u00e7\u00f5es. Ela se manifesta na pr\u00e1tica cotidiana, na coer\u00eancia entre palavras e a\u00e7\u00f5es, na disposi\u00e7\u00e3o de submeter o pr\u00f3prio poder a limites morais claros.<\/p>\n<p>Quando membros da mais alta Corte se envolvem em comportamentos que confundem o papel institucional com prefer\u00eancias pessoais, protagonismo pol\u00edtico ou disputas p\u00fablicas, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas a imagem do tribunal, mas a pr\u00f3pria confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o no sistema de justi\u00e7a. A \u00e9tica exige discri\u00e7\u00e3o, imparcialidade, autoconten\u00e7\u00e3o e, sobretudo, respeito ao papel que a Constitui\u00e7\u00e3o atribui a cada institui\u00e7\u00e3o. Sem isso, a linha que separa justi\u00e7a e arbitrariedade torna-se perigosamente t\u00eanue. \u00c9 preciso dizer, com franqueza, que ainda estamos longe de um cen\u00e1rio em que essa Corte aceite, de forma plena e inequ\u00edvoca, os ditames da \u00e9tica conforme deseja a grande maioria do povo brasileiro. A dist\u00e2ncia entre o discurso institucional e a percep\u00e7\u00e3o social permanece grande. Enquanto decis\u00f5es continuam a ser interpretadas como seletivas, contradit\u00f3rias ou excessivamente personalistas, qualquer tentativa de resgatar a credibilidade \u00e9tica soar\u00e1 incompleta. A \u00e9tica verdadeira exige ren\u00fancia. Ren\u00fancia ao excesso de exposi\u00e7\u00e3o, \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do poder sem freios, \u00e0 vaidade que, frequentemente, acompanha cargos elevados. Exige, tamb\u00e9m, humildade institucional para reconhecer erros e corrigi-los sem subterf\u00fagios. N\u00e3o se trata de atender a press\u00f5es moment\u00e2neas, mas de compreender que a legitimidade de uma Corte constitucional n\u00e3o deriva apenas da letra da lei, mas da confian\u00e7a moral que inspira na sociedade.<\/p>\n<p>Ao viver uma crise profunda de refer\u00eancias \u00e9ticas, essa \u00e9tica n\u00e3o ser\u00e1 superada enquanto suas principais institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o assumirem, de forma clara e inequ\u00edvoca, o compromisso com princ\u00edpios que transcendam interesses individuais ou corporativos neste pa\u00eds. A \u00e9tica n\u00e3o pode ser negoci\u00e1vel, relativizada ou instrumentalizada conforme as conveni\u00eancias do momento. Ela deve ser o norte permanente da vida p\u00fablica. A \u00e9tica pela qual o pa\u00eds clama n\u00e3o \u00e9 cosm\u00e9tica; \u00e9 estrutural. E sem ela n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a que se sustente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cVoc\u00ea parece considerar os ju\u00edzes como os \u00e1rbitros finais de todas as quest\u00f5es constitucionais; uma doutrina realmente muito perigosa, que nos colocaria sob o despotismo de uma oligarquia.\u201d<\/em><br \/>\nThomas Jefferson<\/p>\n<figure id=\"attachment_17790\" aria-describedby=\"caption-attachment-17790\" style=\"width: 405px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17790\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj.jpg\" alt=\"\" width=\"405\" height=\"524\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj.jpg 405w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj-232x300.jpg 232w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj-230x298.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17790\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Rembrandt Peale &#8211; Thomas Jefferson &#8211; Google Art Project.jpg<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>O \u00faltimo par\u00e1grafo \u00e9 pecaminoso. Ningu\u00e9m pode nem deve ignorar as normas que regem qualquer profiss\u00e3o, porque \u00e9 um ponto \u00fanico em que todas elas se encontram: respeito ao pr\u00f3ximo. E \u00e9 por isto que a carta \u00e9 publicada na \u00edntegra. <strong>(Publicada em 15\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Os dicion\u00e1rios costumam definir a \u00e9tica como um ramo da\u00a0 filosofia que estuda e analisa os fundamentos da moral, bem como os princ\u00edpios que orientam e d\u00e3o sentido ao comportamento humano. 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