{"id":26870,"date":"2026-02-11T01:00:01","date_gmt":"2026-02-11T04:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26870"},"modified":"2026-02-10T16:43:23","modified_gmt":"2026-02-10T19:43:23","slug":"o-seculo-das-incertezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-seculo-das-incertezas\/","title":{"rendered":"O s\u00e9culo das incertezas"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26876\" aria-describedby=\"caption-attachment-26876\" style=\"width: 576px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26876\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/imigra\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/imigra\u00e7\u00e3o.jpg 758w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/imigra\u00e7\u00e3o-300x206.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/imigra\u00e7\u00e3o-550x378.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/imigra\u00e7\u00e3o-230x158.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26876\" class=\"wp-caption-text\">Foto: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Crises pol\u00edticas recorrentes, economias pressionadas por endividamento estrutural, fraturas sociais profundas e, sobretudo, a acelera\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais e clim\u00e1ticos criaram um cen\u00e1rio global vol\u00e1til, imprevis\u00edvel e propenso a deslocamentos humanos em larga escala. O s\u00e9culo XXI se inaugura sob o signo da instabilidade. As grandes ondas migrat\u00f3rias contempor\u00e2neas n\u00e3o s\u00e3o um fen\u00f4meno isolado, mas o sintoma vis\u00edvel de um mundo que entrou em um labirinto perigoso, sem mapas confi\u00e1veis para a sa\u00edda.<\/p>\n<p>\u00c9 natural, sob tais condi\u00e7\u00f5es, que popula\u00e7\u00f5es inteiras deixem para tr\u00e1s regi\u00f5es devastadas por guerras, colapsos institucionais, fome, degrada\u00e7\u00e3o ambiental ou regimes autorit\u00e1rios, dirigindo-se a pa\u00edses onde os indicadores de desenvolvimento humano s\u00e3o mais elevados e onde ainda subsistem estruturas de ordem, prosperidade e previsibilidade. O problema central, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 no impulso humano de buscar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, impulso esse que acompanha a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o, mas na forma, escala e instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dessas migra\u00e7\u00f5es no contexto atual.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m reconhecer que a humanidade \u00e9 a esp\u00e9cie que mais profundamente alterou o planeta. A expans\u00e3o ilimitada do consumo, a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de recursos naturais e a persist\u00eancia de modelos econ\u00f4micos concebidos para um mundo que j\u00e1 n\u00e3o existe colocam em xeque a sustentabilidade do pr\u00f3prio modo de vida moderno. O planeta d\u00e1 sinais claros de esgotamento, enquanto as elites pol\u00edticas globais parecem incapazes ou desinteressadas em promover mudan\u00e7as estruturais reais. Nesse v\u00e1cuo de responsabilidade, as migra\u00e7\u00f5es em massa tornam-se n\u00e3o apenas consequ\u00eancia, mas tamb\u00e9m ferramenta de gest\u00e3o de crises que os pr\u00f3prios Estados falharam em prevenir. \u00c9 nesse ponto que o debate deixa de ser humanit\u00e1rio e passa a ser civilizacional.<\/p>\n<p>Pa\u00edses como os Estados Unidos, formados, historicamente, por sucessivas ondas migrat\u00f3rias, prosperaram n\u00e3o apenas porque receberam estrangeiros, mas porque esses estrangeiros aderiram volunt\u00e1ria ou compulsoriamente a um ethos comum: trabalho duro, respeito \u00e0s leis, valoriza\u00e7\u00e3o da liberdade individual, da propriedade privada e da responsabilidade pessoal. A assimila\u00e7\u00e3o cultural, ainda que imperfeita, foi a cola invis\u00edvel que permitiu transformar diversidade em for\u00e7a produtiva. O que se observa, entretanto, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, tanto nos Estados Unidos quanto em diversas na\u00e7\u00f5es europeias, \u00e9 uma ruptura deliberada com esse modelo. Sob a ret\u00f3rica sedutora do multiculturalismo irrestrito e do globalismo moralizante, pol\u00edticas p\u00fablicas passaram a tratar a integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o como dever rec\u00edproco, mas como imposi\u00e7\u00e3o unilateral \u00e0s sociedades receptoras. A cultura anfitri\u00e3, seus costumes, suas leis e seus valores passaram a ser vistos como obst\u00e1culos a serem relativizados quando n\u00e3o desconstru\u00eddos em nome de uma conviv\u00eancia abstrata que ignora assimetrias culturais profundas. Nesse novo paradigma, o imigrante deixa de ser agente de constru\u00e7\u00e3o e passa, muitas vezes, a ser reduzido a instrumento pol\u00edtico: massa de manobra eleitoral, justificativa para expans\u00e3o do Estado assistencial, ou escudo ret\u00f3rico contra qualquer cr\u00edtica leg\u00edtima \u00e0s consequ\u00eancias sociais da imigra\u00e7\u00e3o desordenada.<\/p>\n<p>Questionar esse modelo tornou-se tabu. Qualquer pondera\u00e7\u00e3o sobre limites, crit\u00e9rios ou compatibilidade cultural \u00e9 rapidamente rotulada como intoler\u00e2ncia, o que empobrece o debate e paralisa solu\u00e7\u00f5es racionais. A experi\u00eancia europeia recente evidencia os riscos dessa nega\u00e7\u00e3o da realidade. A forma\u00e7\u00e3o de enclaves culturais fechados, a recusa ativa de valores seculares b\u00e1sicos, o aumento de tens\u00f5es sociais e a emerg\u00eancia de conflitos identit\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o fruto da imigra\u00e7\u00e3o em si, mas da aus\u00eancia de exig\u00eancia de integra\u00e7\u00e3o. Quando grupos passam a se organizar em oposi\u00e7\u00e3o expl\u00edcita \u00e0s leis e costumes do pa\u00eds que os acolheu, instala-se um conflito silencioso de soberania: quem define as normas de conviv\u00eancia? O Estado democr\u00e1tico ou comunidades paralelas regidas por c\u00f3digos pr\u00f3prios? A prosperidade das sociedades livres est\u00e1 intrinsecamente ligada a pilares bem definidos: liberdade individual, livre iniciativa, respeito ao Estado de Direito, igualdade perante a lei, propriedade privada e uma heran\u00e7a cultural que, no Ocidente, se estrutura sobre fundamentos greco-romanos, judaico-crist\u00e3os e iluministas. Esses valores n\u00e3o s\u00e3o neutros nem universais por default; foram conquistados ao longo de s\u00e9culos de conflitos, erros e amadurecimento institucional. Fragiliz\u00e1-los em nome de uma toler\u00e2ncia acr\u00edtica \u00e9 abrir m\u00e3o do que sustenta a pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o liberal. Ignorar que existem choques culturais reais, especialmente quando migra\u00e7\u00f5es ocorrem em escala massiva e sem filtros \u00e9 uma forma de irresponsabilidade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Que fique claro. N\u00e3o se trata de demonizar povos ou religi\u00f5es, mas de reconhecer que a conviv\u00eancia pac\u00edfica exige mais do que boas inten\u00e7\u00f5es: exige regras claras, limites definidos e a primazia inequ\u00edvoca das leis do pa\u00eds receptor. Ao abdicar dessa clareza, o mundo ocidental flerta com um futuro dist\u00f3pico, marcado n\u00e3o pela diversidade harmoniosa, mas pela fragmenta\u00e7\u00e3o social, pelo avan\u00e7o de extremismos e pela eros\u00e3o gradual das liberdades que tornaram essas sociedades destinos desej\u00e1veis. A hist\u00f3ria demonstra que civiliza\u00e7\u00f5es raramente caem por invas\u00e3o externa direta; elas se desintegram quando perdem confian\u00e7a em si mesmas, quando relativizam seus pr\u00f3prios fundamentos e quando trocam prud\u00eancia por culpa moral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cNa minha opini\u00e3o existem dois tipos de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00c9rico Ver\u00edssimo<\/p>\n<figure id=\"attachment_26872\" aria-describedby=\"caption-attachment-26872\" style=\"width: 522px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26872\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico.jpg\" alt=\"\" width=\"522\" height=\"363\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico.jpg 763w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico-300x209.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico-550x383.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico-230x160.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26872\" class=\"wp-caption-text\">\u00c9rico Ver\u00edssimo. Foto: Acervo liter\u00e1rio\/IMS\/Divulga\u00e7\u00e3o\/JC<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 quase um m\u00eas n\u00e3o h\u00e1 aula no curso m\u00e9dio de Bras\u00edlia. Os estudantes ser\u00e3o os prejudicados, e as autoridades n\u00e3o se interessam por uma solu\u00e7\u00e3o. Enquanto isto, os pais apreensivos v\u00eaem seus filhos sem ensinamentos, e os professores sem querer sair das casas invadidas. <strong>(Publicada em 15.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Crises pol\u00edticas recorrentes, economias pressionadas por endividamento estrutural, fraturas sociais profundas e, sobretudo, a acelera\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais e clim\u00e1ticos criaram um cen\u00e1rio global vol\u00e1til, imprevis\u00edvel e propenso a deslocamentos humanos em larga escala. 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