{"id":26878,"date":"2026-02-12T01:00:12","date_gmt":"2026-02-12T04:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=26878"},"modified":"2026-02-13T09:52:09","modified_gmt":"2026-02-13T12:52:09","slug":"republica-personalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/republica-personalista\/","title":{"rendered":"Rep\u00fablica personalista"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_26881\" aria-describedby=\"caption-attachment-26881\" style=\"width: 542px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26881\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cazo.jpg\" alt=\"\" width=\"542\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cazo.jpg 923w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cazo-300x224.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cazo-768x572.jpg 768w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cazo-800x596.jpg 800w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cazo-550x410.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/cazo-230x171.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26881\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Cazo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em pleno s\u00e9culo XXI, quando a democracia liberal enfrenta questionamentos no mundo inteiro, o Brasil revive um debate que deveria estar superado desde o s\u00e9culo XVIII: \u00e9 poss\u00edvel consolidar institui\u00e7\u00f5es que sejam maiores do que os homens que as ocupam? A pergunta n\u00e3o \u00e9 trivial. Ao contr\u00e1rio, ela revela a raiz de nossa crise permanente. Desde a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1889, o pa\u00eds parece oscilar entre promessas modernizantes e reca\u00eddas personalistas. Derrubou-se um imperador sob a bandeira do republicanismo, mas o que se viu, nas d\u00e9cadas seguintes, foi a consolida\u00e7\u00e3o de oligarquias regionais. Superou-se a pol\u00edtica do caf\u00e9 com leite, mas emergiu o centralismo varguista. A ditadura militar prometeu ordem e progresso, mas legou um trauma institucional profundo. A redemocratiza\u00e7\u00e3o reacendeu esperan\u00e7as, mas n\u00e3o extinguiu o v\u00edcio da personaliza\u00e7\u00e3o do poder.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o Brasil vive entre reformas e remendos. A teoria de Montesquieu, ao propor a separa\u00e7\u00e3o e o equil\u00edbrio entre os poderes, parte de uma premissa essencial: o poder deve conter o poder. N\u00e3o se trata de confiar na virtude dos governantes, mas de criar mecanismos institucionais que limitem seus impulsos. A democracia n\u00e3o \u00e9 o governo dos bons; \u00e9 o sistema que presume a imperfei\u00e7\u00e3o humana e, por isso mesmo, estabelece freios, contrapesos e regras claras.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 previs\u00edvel: instabilidade. Vivemos um tempo de radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, judicializa\u00e7\u00e3o excessiva da vida p\u00fablica e descr\u00e9dito generalizado. Parte da sociedade desconfia do Executivo; outra parte acusa o Legislativo de omiss\u00e3o ou fisiologismo; muitos veem no Judici\u00e1rio um protagonismo que ultrapassa seus limites tradicionais. Cada poder acusa o outro de extrapola\u00e7\u00e3o. E a popula\u00e7\u00e3o, assistindo a esse embate, sente-se \u00f3rf\u00e3 de representa\u00e7\u00e3o. A na\u00e7\u00e3o entendida como o conjunto vivo da sociedade n\u00e3o se reconhece plenamente no Estado entendido como a m\u00e1quina institucional que deveria expressar a vontade geral.<\/p>\n<p>Quando a representa\u00e7\u00e3o falha, cresce o espa\u00e7o para discursos salvacionistas. A cada crise, ressurge a tenta\u00e7\u00e3o de apostar em um l\u00edder forte, capaz de \u201ccolocar ordem na casa\u201d. Mas a hist\u00f3ria ensina que l\u00edderes fortes raramente produzem institui\u00e7\u00f5es fortes. Pelo contr\u00e1rio: costumam enfraquec\u00ea-las ainda mais. O paradoxo brasileiro \u00e9 este: queremos estabilidade institucional, mas buscamos solu\u00e7\u00f5es personalistas. A pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, embora tenha ampliado direitos e consolidado garantias fundamentais, criou um sistema complexo e, por vezes, disfuncional. A fragmenta\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria dificulta maiorias est\u00e1veis. O presidencialismo de coaliz\u00e3o, necess\u00e1rio para governabilidade, abre espa\u00e7o para negocia\u00e7\u00f5es pouco transparentes. O Judici\u00e1rio, chamado a arbitrar conflitos pol\u00edticos, assume um papel que ultrapassa a simples aplica\u00e7\u00e3o da lei. Assim, o equil\u00edbrio entre poderes torna-se fr\u00e1gil e sujeito a tens\u00f5es constantes.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de afirmar que as institui\u00e7\u00f5es brasileiras inexistem ou que a democracia esteja formalmente rompida. O problema \u00e9 mais sutil e, por isso mesmo, mais grave: a eros\u00e3o da confian\u00e7a. Sem confian\u00e7a institucional, a democracia transforma-se em disputa permanente de narrativas. Cada decis\u00e3o \u00e9 vista como manobra; cada interpreta\u00e7\u00e3o constitucional \u00e9 tratada como escolha ideol\u00f3gica; cada elei\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhada de suspeitas. A pol\u00edtica deixa de ser media\u00e7\u00e3o de conflitos para tornar-se campo de batalha moral.<\/p>\n<p>Nesse ambiente, \u00e9tica e raz\u00e3o se distanciam. A \u00e9tica p\u00fablica baseada em princ\u00edpios universais cede espa\u00e7o \u00e0 moral tribal, em que o certo e o errado dependem de quem pratica o ato. A raz\u00e3o institucional fundada em procedimentos \u00e9 substitu\u00edda pela emo\u00e7\u00e3o coletiva. O debate p\u00fablico degrada-se, e o di\u00e1logo torna-se raro. O Brasil parece, ent\u00e3o, preso em um beco sem sa\u00edda. Se aposta no fortalecimento de lideran\u00e7as carism\u00e1ticas, arrisca enfraquecer as institui\u00e7\u00f5es. Se transfere excessiva responsabilidade \u00e0s institui\u00e7\u00f5es sem reform\u00e1-las, perpetua sua inefici\u00eancia. Se radicaliza o discurso pol\u00edtico, aprofunda o distanciamento entre sociedade e Estado. E se busca consensos superficiais, apenas adia conflitos estruturais.<\/p>\n<p>Como sair desse impasse ent\u00e3o? A resposta n\u00e3o est\u00e1 em solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, nem em rupturas abruptas. O caminho lento e menos sedutor passa pela reconstru\u00e7\u00e3o da cultura institucional. Isso implica fortalecer partidos program\u00e1ticos, reduzir a fragmenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, aprimorar mecanismos de transpar\u00eancia e responsabiliza\u00e7\u00e3o, e delimitar, com clareza, as compet\u00eancias de cada poder. Implica tamb\u00e9m um esfor\u00e7o educativo e cultural. Democracia n\u00e3o \u00e9 apenas procedimento jur\u00eddico; \u00e9 h\u00e1bito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cNa minha opini\u00e3o existem dois tipos de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar.\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00c9rico Ver\u00edssimo<\/p>\n<figure id=\"attachment_26872\" aria-describedby=\"caption-attachment-26872\" style=\"width: 519px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-26872\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico.jpg\" alt=\"\" width=\"519\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico.jpg 763w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico-300x209.jpg 300w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico-550x383.jpg 550w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/02\/\u00e9rico-230x160.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 519px) 100vw, 519px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-26872\" class=\"wp-caption-text\">\u00c9rico Ver\u00edssimo. Foto: ACERVO LITER\u00c1RIO IMS\/DIVULGA\u00c7\u00c3O\/JC<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 quase um m\u00eas n\u00e3o h\u00e1 aula no curso m\u00e9dio de Bras\u00edlia. Os estudantes ser\u00e3o os prejudicados, e as autoridades n\u00e3o se interessam por uma solu\u00e7\u00e3o. Enquanto isto, os pais apreensivos v\u00eaem seus filhos sem ensinamentos, e os professores sem querer sair das casas invadidas. <strong>(Publicada em 15.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Em pleno s\u00e9culo XXI, quando a democracia liberal enfrenta questionamentos no mundo inteiro, o Brasil revive um debate que deveria estar superado desde o s\u00e9culo XVIII: \u00e9 poss\u00edvel consolidar institui\u00e7\u00f5es que sejam maiores do que os homens que as ocupam? 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